Administração da PT encerra reunião sem decisão em relação à Vivo

Prazo limite estabelecido pela Telefónica, que vence nesta sexta, não possibilita decisão, segundo Jornal de Negócios

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SÃO PAULO – A administração da Portugal Telecom declarou nesta sexta-feira (16) que nenhuma decisão foi tomada em relação à oferta de compra, pela Telefónica, da parte que a empresa detém na Vivo (VIVO4), segundo reportou há pouco o Jornal de Negócios de Portugal. A companhia espanhola havia estabelecido que a oferta de € 7,15 bilhões pela operadora móvel brasileira expiraria às 23h59 desta sexta. 

As ações preferenciais da empresa brasileira operaram todo o intraday em baixa, à espera de alguma definição sobre o caso. Já em Portugal, antes do anúncio do resultado final da reunião dos administradores da PT ter sido anunciado, as ações da Portugal Telecom fecharam em queda de 4,53%, cotadas a € 8,047 na bolsa de Lisboa.

De acordo com o jornal português Diário Económico, a administração alegou que o prazo imposto pela Telefónica não permite que a administração tome nenhuma decisão. Mais cedo, o governo de Portugal já havia manifestado que sem mudança na oferta não haveria possibilidade de revisão de sua posição em relação às negociações. 

Acionista defende queda
O presidente do Banco Espírito Santo, Ricardo Salgado, defendeu a venda da participação da PT na Vivo, afirmando que a parceria da empresa portuguesa com a Telefónia (que já detém uma parcela da Vivo) está esgotada e que a PT deveria começar “vida nova” no Brasil.
Para ele, ainda há oportunidades no País, e com o capital resultante da venda da Vivo, a portuguesa conseguiria estabelecer outras parcerias. Vale lembrar que o BES é um dos principais acionistas da PT. 

Histórico
A Telefónica inicialmente propôs pagar € 5,7 bilhões pela fatia de 50% da Brasilcel (controladora da Vivo) detida pela PT. No início de maio, veio a primeira resposta da portuguesa: por unanimidade, o conselho administrativo rejeitou a oferta, considerando a brasileira como um “ativo essencial”.

Depois de rumores de um roadshow para convencer os acionistas da Portugal Telecom e de muitas especulações sobre uma contraproposta pelo capital da Vivo por parte da portuguesa e de cortes de dividendos por parte da espanhola, todas negadas, a Telefónica decidiu elevar sua proposta, enviando duas opções para a PT.

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Na primeira, a empresa propôs comprar a fatia de 50% da Brasilcel por € 6,5 bilhões, a serem pagos em dinheiro. Na segunda, a espanhola compraria um terço dessa fatia por € 2,166 bilhões, pagos em dinheiro, sendo que o restante seria transformado em opções de compra, com valor proporcional à oferta original.

A reação da Portugal Telecom foi diferente: embora o conselho mantenha sua posição, a questão foi levada aos acionistas por meio de uma assembleia geral extraordinária, marcada para o dia 30 de junho.

Desde a elevação da proposta, as ameaças e réplicas aumentaram. A Telefónica já se dispôs a pagar dividendos adicionais de € 1,0 por ação aos acionistas da Portugal Telecom caso eles aceitem a proposta de compra da Vivo. Novamente, a espanhola foi barrada, com o veto da proposta nas deliberações da AGE pelo presidente da mesa, Antônio Menezes Coredeiro. A Telefónica ainda optou pela redução de sua participação no capital social da Portugal Telecom, de 10% para 2%, gerando novos debates sobre sua atitude.

Com o fracasso de suas medidas, um dia antes da assembleia de acionistas da Portugal Telecom, a Telefónica decidiu aumentar novamente o valor ofertado. A empresa espanhola anunciou na noite do dia 29 que iria ampliar o valor proposto para € 7,15 bilhões, contra os € 6,5 bilhões apresentados anteriormente. 

Assim, os acionistas da Portugal Telecom, reunidos em assembleia geral decidiram aceitar a proposta da Telefónica com 74% de votos a favor. Entretanto, o governo português decidiu vetar o negócio, utilizando suas prerrogativas especiais como acionista detentor de Golden Shares. Logo depois, a Telefónica optou por adiar o prazo da oferta até 16 de julho.

No dia 8 de julho, o Tribunal de Justiça da União Europeia julgou como ilegal a participação especial do governo Português na companhia Portugal Telecom.