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SÃO PAULO – Beneficiada pela alta do preço do açúcar e boas perspectivas para o etanol, a Cosan (CSAN3) possui viés positivo por parte dos analistas do mercado, que destacam o valuation da empresa, maior processadora mundial de cana-de-açúcar e maior produtora de açúcar e etanol.
A diversificação para outras áreas – como logística e distribuição de combustíveis – também é um catalisador importante. Desde 2008, a Esso foi incorporada à empresa, e responde pelo segmento de combustíveis e lubrificantes (CLL).
Assim, enquanto este setor responde por grande parte da receita (R$ 2,41 bilhões de R$ 3,57 bilhões no segundo trimestre da safra de 2010 – meses de julho, agosto e setembro de 2009), o segmento de açúcar e alcool (CAA) ajuda na melhora das margens, atingindo 21% no mesmo período, contra 7,7% do segmento de CLL.
Setor
Fragmentado, o setor sucroalcooleiro pode passar por processo de consolidação. O analista do Banco Fator Corretora, Rodrigo Fernandes, explica que em setembro de 2009 havia 434 usinas em operação, sendo 251 produtoras mistas (tanto de açúcar como de etanol), e a soma dos nove maiores grupos representava apenas 30% da moagem de cana na safra 08/09.
Neste mercado pulverizado, a participação da Cosan, maior produtora de cana-de-açúcar, fica em 9,3%, que representa quase o dobro do segundo colocado. Além desse cenário, o analista da Fator acredita que o interesse estrangeiro sobre o setor deve aumentar.
Em 2009, o setor foi marcado pelo aumento no preço internacional do açúcar e chuvas acima da média, que prejudicaram a rentabilidade e a moagem da cana.
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O analista da Bradesco Corretora, Auro Rozenbaum, também espera que os preços das commodities comercializadas pela empresa continuem em níveis elevados.
Como no País a produção é destinada ao mercado externo, “a valorização do real deve anular parcialmente a rentabilidade das exportações”, explica o analista da Fator.
Etanol
Após ver os preços deteriorarem em 2009 na entressafra, chegando a ser negociado abaixo do custo de produção devido a excesso de oferta, o etanol começou a se recuperar, sobretudo em função de fortes chuvas. A valorização dos preços, inclusive, foi o que motivou o governo a diminuir a participação do etanol na gasolina, de 25% para 20%
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Para Fernando Ferreira, analista do Bank of America Merrill Lynch, a redução é vista como positiva para o setor, em função de já estar sendo sinalizada no passado recente e por ter efeito de apenas três meses a partir de fevereiro, até o início da colheita de 2010/2011, “menos do que alguns players estavam temendo”.
Ainda sobre a mudança na mistura, o analista do BofA acredita que o movimento deve suporta o rali dos preços de etanol, e liberar cerca de 300 milhões de litros de etanol para o mercado.
Para o analista da Fator, o mercado interno deve continuar sendo o principal consumidor do etanol, e o crescimento das exportações deve depender das políticas energéticas dos países consumidores. “Não acreditamos em abertura do mercado no médio prazo”, afirma o analista.
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Preço do açúcar
As projeções indicam elevados preços de açúcar, em função de queda na produção em importantes países produtores. Para o analista do Fator, a expectativa é de manutenção do déficit na safra mundial 09/10, que corresponde ao período entre outubro de 2009 e setembro de 2010.
O analista do BofA Merrill Lynch acredita que o preço do açúcar continuará alto, com o suporte da balança favorável do produto. A queda na oferta na Índia e Brasil levará a sub-oferta no mundo.
Para 10/11, mesmo com um equilíbrio maior, os estoques apertados continuarão a pressionar os preços para cima. “Cada 10% a mais no preço do açúcar leva a Ebitda (geração operacional de caixa) 6% maior”, contabiliza o analista do BofA Merrill Lynch.
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Ação
Para Ferreira, que possui recomendação de compra para a ação, a visão é positiva para a empresa, sendo esta a maneira mais atrativa de operar no setor, devido a combinação de momentum positivo para ganhos de curto prazo, valuation atrativo e desbloqueio de valor pela conclusão do contrato da Rumo (segmento de logística da empresa) com a ALL.
Entretanto, o analista afirma que prefere o ADR da empresa negociado nos Estados Unidos (CZZ), por estar mais descontado do que as ações negociadas no Brasil.
Já o analista da Fator destaca a aquisição das usinas de Nova América (detentora da marca União) e da entrada em operação de Jataí e Caraapó, que “aumentará a capacidade da empresa e terá efeito significativo na safra 10/11”, segundo o analista. além disso a aquisição altera o mix para a venda de açúcar, aumentando a participação no mercado interno.
Com relação ao segmento de distribuição (CLL), as margens devem se manter elevadas, devido a perspectiva de crescimento na demanda por combustíveis e lubrificantes, explica Fernandes.
Lista suja
Incluído na “lista suja” do Ministério do Trabalho em janeiro de 2010 por supostamente manter trabalhadores em condição de escravidão, a empresa conseguiu liminar para retirada de seu nome da lista no dia 8 de janeiro.
O imbróglio envolve a usina de Junqueira, em Igarapava (SP), adquirida pela companhia em 2002, onde teria havido ocorrência de trabalho escravo em junho de 2007. Segundo comunicado enviado a mercado pela Cosan, a empresa Jose Luiz Bispo Colheita – ME, que presta serviços de corte de cana para diversos produtores no interior do estado, se viu envolveu com irregularidas, e a Cosan entrou como responsável solidária, regularizando depois a situação.
A empresa chegou a ter operações com o BNDES suspensas, mas o Banco decidiu revogar a suspensão após a retirada do nome da lista.
Comentando o fato, a maior parte dos analistas acredita que o fato foi passageiro. “A Cosan está positiva com relação à decisão final, pois acredita já ter resolvido o problema em 2007”, afirma Ferreira. Já Rozenbaum, da Bradesco Corretora, também manteve visão positiva para a empresa, citando na época que a desvalorização das ações da empresa era uma boa oportunidade para compra.