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SÃO PAULO – Em relatório de fevereiro, os gestores da Verde Asset, que tem como líder Luis Stuhlberger, afirmaram acreditar num “contínuo fortalecimento do dólar”, especialmente contra moedas da Ásia, embora isso não tenha se refletido nos preços em 2017.
De acordo com a Verde, o governo de Donald Trump, embora esteja seguindo roteiro delineado ao longo de sua campanha (sem diferença entre candidato e presidente), justamente na área de comércio global tem se mostrado tímido. Além disso, a probabilidade de aprovação do chamado Border Adjustment Tax se reduziu sobremaneira devido à micropolítica de Washington; “isso nos leva a crer que o governo deverá recorrer a outros mecanismos para implementar essa parte da sua agenda (tarifas são a resposta fácil)”.
Além disso, combinado a um forte aperto dos controles de capital na China, que trouxe os fluxos de saída de algo como US$ 70 bilhões ao mês ao fim do ano para praticamente zero agora, foi observada uma estabilidade e reversão nas moedas asiáticas onde a Verde está vendida (renminbi chinês, won coreano, dólar de Cingapura e dólar de Taiwan). “A alta do juro americano agora em março, fortemente sinalizada por membros do Federal Reserve, nos dá confiança em nossa visão de dólar forte, e o indicativo da volta da agenda nacionalista e antiglobalização do governo americano, que devemos ver ao longo dos próximos meses, mantém nossa convicção nesse tema”.
No câmbio, os gestores montaram uma pequena posição comprada na divisa americana, uma vez que veem o real sobrevalorizado nos níveis atuais, embora eles tenham se surpreendido com a força dos preços de commodities (o que ajuda na valorização da moeda brasileira).
Ainda sobre o Brasil, a Verde aponta que a grande novidade recente veio nos sinais de que pode haver nova
aceleração no ritmo de corte de juros. “Temos repetido ad nauseam nossa visão que os juros reais estão muito altos, e até aqui o Banco Central pouco agiu nesse sentido, acompanhando a queda mais acentuada que o esperado da inflação corrente (fruto, em parte, dos voláteis preços de alimentos). Uma sequência de cortes mais fortes deve finalmente começar a agir no nível do juro real”, afirma. A Verde mantém alocações significativas na parte intermediária da curva de NTN-Bs. “A bolsa já refletiu um pedaço dessa
reprecificação do juro nominal, mas ainda vemos oportunidades em alguns setores”, afirmou.
No mês de fevereiro, a Verde teve desempenho positivo de 1,35%, ante 0,87% do CDI. No ano, a alta acumulada é de 1,46%, ante 1,96% do CDI.