Acompanhe: tem início a votação no Parlamento da Grécia

Segundo o jornal britânico "The Guardian", muitas pessoas estavam agrupadas, com crianças perguntando por que a garganta arde

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SÃO PAULO (confira atualizações no fim da matéria) – Dia importante da Grécia e os políticos do país começam a se reunir no Parlamento, em Atenas, para decidir se aceitam ou não as medidas de austeridade dos credores em troca de um terceiro programa de resgate. Enquanto isso a população foi às ruas para se manifestar, o que acabou gerando confusão com a polícia.

A maior parte da população, assim como no referendo que no último dia 5 disse “não” às exigências internacionais, é contra os duros termos que o país terá de seguir para receber até € 86 bilhões em três anos. Relatos da imprensa no local afirmam que explosões ocorreram com o uso de coquetéis Molotov por parte dos manifestantes, enquanto a polícia usou bombas de gás lacrimogêneo (confira um vídeo clicando aqui).

Segundo o jornal britânico “The Guardian”, muitas pessoas estavam agrupadas, com crianças perguntando por que a garganta arde e os comerciantes lamentando o fato de não poderem trabalhar por causa da confusão causada pelo choque durante as manifestações contra a austeridade.

Ainda de acordo com o jornal, manifestantes, incluindo jovens e idosos, carregaram mensagens pelas ruas. Melina Kotaki, de 71 anos, exibiu um cartaz afirmando que a chanceler alemã Angela Merkel e o ministro de Finanças Wolfgang Schäuble jamais hastearão a bandeira nazista sobre a Acrópole novamente.

Um dos nomes mais importantes de toda esta história não compareceu ao parlamento. O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras se recusou a ir e disse que acredita que o silêncio é o caminho mais sábio neste momento. Dizer qualquer coisa seria arriscar aumentar as tensões quando a atmosfera já é forte, segundo ele. Segundo o Guardian, o grande boato em Atenas é que Tsipras pode ver esta votação como um voto de confiança.

18h10: A expectativa era que a votação ocorresse antes da meia-noite no horário local, porém o horário já passou e nada de começar. A expectativa aumenta já que a reunião dos ministros das Finanças da zona do euro ocorre às 11h (horário local) amanhã, e espera-se que caso os deputados aprovem o plano em tempo, os ministro assinem o empréstimo de curto prazo para cobrir as necessidades imediatas da Grécia.

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18h22: As falas dos líderes dos partidos continuam antes da votação. Para Panos Kammenos, líder do partido de coalizão, “se este governo falhar esta noite, não haverá nenhuma esperança para a Grécia e para a Europa”.

18h35: A presidente do parlamento, Zoe Constantinopolou, decidiu falar também e afirmou que a dívida é “odiosa”. “Não há dúvida de que se a chantagem for concluída esta noite nada vai impedi-la de ser repetida e não apenas na Grécia”, disse.

18h49: “O povo deu um claro ‘Não’ no referendo deste mês”, disse Konstantopoulou. “Não temos o direito de interpretá-lo como um ‘sim’ ou um ‘Não com condições'”. “O Parlamento deve resistir a essa chantagem”, completou ela, dando a entender que irá votar “não” nesta noite.

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18h55: Já sem expectativa de sua presença, Alexis Tsipras decidiu aparecer na Câmara e aproveitou para falar. “Colegas, estamos em um momento crítico […] somos chamados a tomar uma decisão com responsabilidade. Assumo total responsabilidade por tudo, e sinto-me orgulhoso da luta temos lutado ao longo dos últimos anos”, disse Tsipras.

“Enfrentamos uma luta injusta, contra poderes financeiros. E não nos deixaram uma herança de dignidade e democracia para a Europa. Esta luta vai dar frutos”, afirmou. Tsipras está argumentando que a velha política acabou: “as pessoas apreciam a diferença entre aqueles que lutam contra a injustiça, e aqueles que se rendem”.

“Eu não vou tentar fazer este negócio aparecer melhor do que é”, diz ele. “É um plano difícil, com ‘medidas duras'”.

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19h14: Esperada para terminar antes da meia-noite, já passa de 1 da manhã em Atenas e a votação nem teve início. Agora quem fala é Vangelis Meimarakis, líder interino de oposição da Nova Democracia. Ele diz que Tsipras desperdiçou a oportunidade de chegar a um acordo, por bagunçar as negociações.

“Os bancos estão fechados porque as pessoas votaram em você, por causa de suas falsas promessas”, disse. O Nova Democracia vai votar a favor do programa de internacionalização do governo, disse Meimarakis. “Mas isso não é fraqueza, isso é um sinal de força”, afirmou.

19h25: Alexis Tsipras volta a falar. Ele lembra os deputados de que conseguiu chegar a um acordo que cubre as necessidades de financiamento da Grécia para os próximos três anos, e que inclui um compromisso de redução da dívida. “Isso é um desenvolvimento positivo […] precisamos da reestruturação da dívida para sair da crise”, disse.

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19h36: O presidente da Câmara dá por encerrada as discussões e a prepação para o início da votação começa.

19h41: Tem início a votação. Para lembrar como funciona: cada um dos 300 parlamentares dará seu voto “sim” ou “não” verbalmente até que se conclua os negócios.


Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.