Destaques da bolsa

Ações saltam até 9% entre balanços e acordo; Embraer sobe com nova proposta e Petrobras cai

Confira os destaques da B3 na sessão desta terça-feira (6)

SÃO PAULO – Apesar da maior parte dos resultados ter sido considerada positiva e levar à alta dos papéis, a aversão ao risco do mercado continua, levando a mais um dia de perdas na bolsa. Em um dia também de perdas para o petróleo, com baixa de cerca de 1%, a Petrobras (PETR3, R$ 20,41, -0,78%;PETR4, R$ 18,83, -1,10%) chegou a ter perdas superiores a 1%, mas amenizou a queda, enquanto a Vale (VALE3, R$ 40,35, 0%), por sua vez, oscila entre leves altas e baixas em uma sessão em que o minério de ferro subiu 0,29% em Dalian. Veja os destaques:

Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 51,35, +2,64%)

O resultado do Itaú animou e o banco sobe apesar do movimento de aversão ao risco do mercado (e que derrubou a bolsa na véspera). O banco registrou lucro líquido recorrente de R$ 6,28 bilhões no 4º trimestre de 2017, em linha com a expectativa do mercado de R$ 6,23 bilhões, mas 8% acima do visto no mesmo período de 2016. No ano passado, o lucro acumulado foi de R$ 24,88 bilhões, alta de 12% frente aos R$ 22,15 bilhões vistos um ano atrás.

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O Produto Bancário, que seria uma “proxy” da receita, atingiu R$ 27,5 bilhões no quarto trimestre do ano passado, uma queda de 5% em relação ao mesmo período de 2016. Em 2017, a conta somou R$ 109 bilhões, um ligeiro recuo de 2% em relação aos R$ 111,4 bilhões acumulados em 2016.

O ROAE (Retorno Médio Sobre o Patrimônio Líquido) do banco no período entre outubro e dezembro do ano passado ficou em 21,9%, acima dos 21,6% vistos no terceiro trimestre de 2017. Ainda falando sobre o desempenho do banco, o índice de inadimplência de 90 dias recuou de 3,2% para 3% na mesma base de comparação, ao passo que o Índice de Eficiência subiu de 47,3% para 48,6% na passagem do terceiro para o quarto trimestre do último ano.

Os ativos totais da instituição fecharam o ano em R$ 1,5 trilhão, uma alta de 2,3% em relação ao visto no terceiro trimestre de 2017. Na mesma toada, os ativos sob gestão do banco também subiram, passando de R$ 938,5 bilhões para R$ 969,8 bilhões.

Vale destacar ainda que o os acionistas do banco irão receber R$ 17,6 bilhões em dividendos e JCPs (líquido de imposto de renda) sobre os resultados do último ano. O banco segue a prática de pagamento de dividendos e juros sobre capital próprio mínimo de 35% do lucro líquido consolidado recorrente. Com isso, os acionistas receberão R$ 2,7127 por ação.

Segundo o Santander, foi reiterada a forte convicção em revisões de ganhos para cima de 2018 em diante. “Reafirmamos Itaú como a melhor escolha no setor”, apontam os analistas. Já o Credit Suisse destacou o guidance para 2018 acima das expectativas.  

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TIM Participações (TIMP3, R$ 13,48, +2,99%)
A TIM sobe após apresentar lucro líquido de R$ 604 milhões no quarto trimestre de 2017, alta de 66% em comparação com o mesmo período de 2016. O Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) normalizado somou R$ 1,769 bilhão, crescimento de 13,3% na comparação entre os mesmos períodos. A margem do Ebitda normalizado no período chegou ao recorde de 41,6%, correspondendo a um aumento de 2,9 pontos porcentuais. 

A operadora reportou receita líquida de R$ 4,257 bilhões, um crescimento de 5,3% nas mesmas bases de comparação.

 O avanço do lucro da TIM resultou de alta no faturamento com serviços móveis, associada à melhora das margens, além de aumento da receita com serviços fixos e maior controle de custos.

A companhia ainda teve um menor impacto de imposto de renda. Esta linha somou R$ 5 milhões no trimestre, queda de 95%, principalmente explicada pela dedutibilidade do pagamento de juros sobre capital próprio de R$ 190 milhões realizado em novembro de 2017.

 Por sua vez, o resultado financeiro líquido foi negativo em R$ 119 milhões, uma piora de 17,7%. No acumulado de 2017, o lucro líquido da Tim totalizou R$ 1,235 bilhão, avanço de 64,5% em relação a 2016. O Ebitda normalizado no ano atingiu R$ 1,769 bilhão, aumento de 13,3%. A margem do Ebitda normalizado foi a 36,6%, ganho de 3,2 pontos porcentuais e a receita líquida alcançou R$ 16,234 bilhões, incremento de 3,9%. 

O Credit Suisse apontou o resultado como forte com destaque para o crescimento do Ebitda e da margem Ebitda, o que deve suscitar revisões para cima do mercado.  pós o balanço, a TIM foi elevada a compra pelo Safra, com preço-alvo de R$ 14,00 e teve o ADR elevado para outperform pelo Itaú BBA. 

Duratex (DTEX3, R$ 10,87, +9,14%)
Três notícias positivas guiam a disparada de Duratex de até 9,64% nesta sessão. A companhia anunciou na segunda-feira que fechou acordo para venda de terras e florestas na região central do Estado de São Paulo para a produtora de papel e celulose Suzano, operação que pode movimentar mais de R$ 1,06 bilhão. 

A primeira etapa do acordo envolve a venda de 9,5 mil hectares por 308,1 milhões de reais. Essa etapa deverá resultar no reconhecimento de lucro extraordinário da ordem de 140 milhões de reais pela Duratex. O valor inclui 1,2 milhão de metros cúbicos de florestas. Além disso, a Suzano terá a opção de comprar um outro lote de cerca de 20 mil hectares até 2 de julho deste ano, por 749,4 milhões de reais. Nesse caso, o volume de florestas é de 5,6 milhões de metros cúbicos. Se a compradora exercer essa opção, a Duratex terá mais um lucro extraordinário de 360 milhões de reais.

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Além disso, a fabricante de painéis de madeira, pisos, louças e metais sanitários divulgou um bom resultado do quarto trimestre, com lucro líquido de R$ 84,618 milhões no quarto trimestre de 2017, elevação de 235,7% frente ao mesmo período de 2016. No acumulado do ano, o lucro alcançou R$ 185,015 milhões, avanço de 605,4%.

A evolução do lucro reflete a economia de custos e despesas, os aumentos de preços das mercadorias implementados ao longo do ano e um resultado financeiro mais favorável em virtude da queda da taxa de juros e da redução da dívida financeira.

Por sua vez, o lucro líquido recorrente da Duratex foi de R$ 112,936 milhões no quarto trimestre, um salto de 1.647,4%. Em todo o ano, atingiu R$ 180,668 milhões, revertendo prejuízo acumulado no ano anterior.

O lucro recorrente desconsidera efeitos extraordinários. No trimestre, a companhia foi beneficiada em R$ 5,2 milhões pela venda de terras, mas acabou prejudicada em R$ 33,5 milhões por uma provisão para perda na recuperação de ativos, relacionada a ativos que não englobam mais os planos estratégicos.

A Duratex reportou ainda Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 279,879 milhões de outubro a dezembro, queda de 3,3%. No ano, o Ebitda chegou a R$ 986,788 milhões, alta de 9,5%.

A receita líquida consolidada somou R$ 1,102 bilhão no último trimestre de 2017, crescimento de 7,2%, e totalizou R$ 3,990 bilhões no ano, avanço de 2,1%. O resultado financeiro líquido foi negativo em R$ 54,2 milhões no quarto trimestre, um recuo de 31,1%. No ano, foi negativo em R$ 206,113 milhões, baixa também de 31,1%.

Com isso, as recomendações também foram positivas: o Bradesco BBI apontou seguir otimista com Duratex em função do ambiente macroeconômico brasileiro e o JPMorgan elevou a recomendação para overweight, com preço-alvo de R$ 12,50.

 

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Brasil Agro (AGRO3, R$ 12,93, -2,78%)

A BrasilAgro, que atua com a aquisição, desenvolvimento e venda de propriedades rurais, teve lucro líquido de R$ 11,503 milhões no segundo trimestre do ano-safra 2017/18, revertendo o prejuízo líquido de R$ 1,38 milhão referente a igual período de 2016/17. No trimestre encerrado em 31 de dezembro, a receita líquida foi de R$ 75,659 milhões, alta de 284% em igual comparação, sustentada pelo bom desempenho das atividades operacionais.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) ajustado foi de R$ 25,416 milhões no trimestre, alta de mais de 700% na comparação com os R$ 2,968 milhões em igual período do ano-safra anterior.

De acordo com a empresa, em nota, as condições climáticas foram boas, favorecendo o bom desenvolvimento das lavouras de soja e milho até o momento. “Temos boas perspectivas no cenário macroeconômico provenientes da redução das taxas de juros, que promovem uma injeção de recursos no sistema produtivo, beneficiando o setor do agronegócio como um todo”, apontou a empresa.

ABC Brasil (ABCB4, R$ 18,59, -1,74%)

O banco ABC Brasil teve lucro líquido recorrente de R$ 110,6 milhões no quarto trimestre de 2017, 1,9% superior ante igual período do ano anterior. O Retorno Anualizado Sobre o Patrimônio Líquido (ROAE) recorrente foi de 14,0% a.a. em 2017, redução de 1,2 p.p. em relação a 2016. 

Embraer (EMBR3, R$ 21,49, +2,72%)

Mais um capítulo da “novela Embraer-Boeing” e a alta do dólar impacta o papel da Embraer na bolsa. Segundo o Valor, a Boeing apresentou proposta ao governo na semana passada que prevê controle de 80% a 90% de uma nova empresa que receberia toda a área de aviação comercial da Embraer. O desenho teria agradado ao governo. Contudo, novas reuniões com Brasília só devem ocorrer depois do Carnaval. Se a proposta vingar, a nova empresa passará por uma avaliação e a Boeing proporá à Embraer a compra de 80% a 90% de seu capital em dinheiro.

Ainda sobre a Embraer, a companhia e a Skytech assinaram carta de intenção para até 6 KC-390. Empresas também concordaram em avaliar uma potencial colaboração estratégica com o objetivo de explorar novas oportunidades de negócios nas áreas de treinamento e serviços, disse a empresa. A SkyTech é uma parceria entre a HiFly, de Portugal, e a australiana Adagold Aviation, especializada em serviços de aviação e voos charter.

Oi (OIBR4, R$ 3,31, -2,36%)
A Oi segue em queda em meio ao cabo-de-guerra com a Pharol. A empresa informou  que não realizará a assembleia geral extraordinária convocada pela Bratel –veículo de investimento da Pharol . Ela aponta que a Justiça rejeitou o pedido da Pharol de reconsideração parcial da decisão que homologou o plano de recuperação judicial (íntegra) aprovado na assembleia de credores, em dezembro de 2017.

Vale destacar que foi publicada na segunda-feira a decisão do Juízo da 7ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Estado do Rio de Janeiro que homologou o plano de recuperação judicial da Oi e de suas subsidiárias, segundo comunicado.

“Como resultado da publicação da decisão, terá início o prazo de 20 dias, isto é, de 00:00 de 06 de fevereiro de 2018 até 23:59 de 26 de fevereiro de 2018, para que os credores das recuperandas possam escolher entre as opções de pagamento de seus respectivos créditos, na forma prevista no plano”. 

Recomendações
Além de TIM e Duratex, a Suzano (SUZB3, R$ 20,71, -1,66%) foi retomada com recomendação de ’compra’ pelo BTG Pactual, com preço-alvo de R$ 26, enquanto o UBS iniciou cobertura para Carrefour Brasil  (CRFB3, R$ 14,98, -2,92%) com recomendação de venda e preço-alvo de R$ 16. 

BB Seguridade (BBSE3, R$ 31,64, +1,25%)

A BB Seguridade, holding de seguros do Banco do Brasil, e a seguradora espanhola Mapfre confirmaram, em fato relevante ao mercado, a reestruturação societária e operacional das sociedades integrantes do atual Grupo Segurador BB e Mapfre. Com as mudanças, antecipadas pela Coluna do Broadcast na semana passada, será criada uma nova empresa que atuará em menos segmentos, com maior foco em seguro de vida e rural, deixando de fora, por exemplo, as carteiras de seguros de automóveis e grandes riscos.

O novo grupo BB Mapfre vai atuar junto ao canal bancário do Banco do Brasil nas áreas de seguro de vida, prestamista (que garante o pagamento de prestações), vida produtor rural, habitacional, agrícola, penhor rural, residencial, empresarial, massificados e DPVAT. No canal “affinity” (massificado), essas mesmas carteiras também poderão ser exploradas pelo “Futuro Grupo BB e Mapfre, desde que previamente acordado entre a BB Seguridade e a Mapfre”. A exceção, conforme explica a companhia no fato relevante, é quando o canal “affinity” em questão for de uma sociedade coligada do BB, hipótese essa que dispensará a aprovação prévia.

As mudanças ocorrem após seis anos de um casamento entre o BB e a Mapfre, cuja união era prevista para durar no mínimo 20 anos. Insatisfeito com as receitas que obtinha da sociedade, o Banco do Brasil propôs a revisão do negócio no âmbito dos seus esforços de otimizar receitas e melhorar sua rentabilidade na gestão de Paulo Caffarrelli, que assumiu o comando do BB na gestão do presidente Michel Temer. As conversas, conforme noticiou a Coluna do Broadcast no ano passado, perduraram durante quase todo o exercício de 2017.

 
Já a Mapfre vai atuar no canal corretor e “affinity” nos segmentos de seguro de vida, prestamista, agrícola, auto, grandes riscos, residencial, empresarial e DPVAT. Terá ainda, como antecipou o Broadcast, exclusividade para atuar no canal bancário do BB e suas coligadas no segmento de seguro de automóvel e grandes riscos. As condições dessa parceria, de acordo com a BB Seguridade, serão ainda definidas. “A reestruturação da operação de seguros no Grupo Segurador BB e Mapfre está alinhada com a estratégia de simplificação da estrutura de governança e gestão das participações adotada pela BB Seguridade”, destaca a holding, em fato relevante.

A companhia acrescenta ainda que essa estratégia tem por objetivo aumentar a ênfase na comercialização de produtos de seguro no canal bancário, buscando aperfeiçoar os serviços prestados aos clientes do BB bem como a maximização na geração de valor para seus acionistas. De acordo com a BB Seguridade, a destinação dos recursos que poderão ser eventualmente liberados será posteriormente definida.

Eletrobras (ELET3, R$ 20,07, +1,41%; ELET6, R$ 22,91, -0,17%)

A Eletrobras diz não ter sido notificada sobre ação civil pública contra privatização das distribuidoras, informando ainda que a alienação das distribuidoras segue o previsto na lei. Na véspera, o Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Energia (Sintergia) entrou com uma ação civil pública na 8ª Vara do Distrito Federal para tentar impedir a realização da assembleia da Eletrobras no dia 8 de fevereiro, que vai tratar da venda das distribuidoras deficitárias geridas pela estatal.

Os sindicalista preparam também uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) para entrar no Supremo Tribunal Federal (STF), com o mesmo objetivo, informou ao Broadcast (serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado) o diretor do Sintergia-RJ Emanuel Mendes. Segundo ele, as distribuidoras devem permanecer com a Eletrobras porque não é justo a empresa ter que aportar R$ 11 bilhões para poder viabilizar a venda das seis companhias.

MRV (MRVE3, R$ 14,74, -1,73%)

O Conselho da MRV deu aval para a captação da Prime de até R$ 340 milhões. O Conselho aprovou a outorga de garantias reais à possível captação de recursos pela Prime no mercado local ou internacional com coordenação de empresas do grupo Itaú Unibanco, segundo comunicado ao mercado. A aprovação da garantia vale por um ano. A captação pode ser mediante, mas não está limitada a, emissão de debêntures, notas promissórias ou outros títulos de dívida.

(Com Agência Estado)