Ações ordinárias da TIM despencam 22,7% após decisão da CVM

Autarquia optou por não obrigar a italiana Telco a realizar a OPA aos minoritários da TIM; prêmio em relação a preferenciais deve cair

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SÃO PAULO – Como era de se esperar, os papéis ordinários da TIM Participações (TCSL3) foram o destaque negativo desta quinta-feira (16), após a decisão da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) de não obrigar a italiana Telco a realizar a OPA (Oferta Pública de Aquisição) das ações da empresa brasileira.

As ações da TIM fecharam com queda de 22,7%, cotadas a R$ 5,45, de longe a maior desvalorização do principal índice da bolsa paulista, o Ibovespa, que encerrou com alta de 1,21%. Em compensação, as ações preferenciais da companhia registram ganhos de 2,45%, chegando a R$ 3,77.

Vale destacar que os papéis ordinários da companhia de telecomunicações atingiram seu patamar mínimo no dia na abertura da sessão, chegando a ser negociadas a R$ 5,05 – o que apontava uma desvalorização de aproximadamente 28,4%.

A decisão

Em reunião extraordinária realizada na última quarta-feira (15), o colegiado da CVM decidiu, por três votos a dois, aceitar o recurso arquivado pela Telco de forma a evitar a obrigatoriedade de realização da OPA para os minoritários da TIM.

A determinação da autarquia vai contra a decisão da Superintendência de Registro de Valores Mobiliários, que havia julgado que a aquisição da Olímpia em 2007 havia passado o controle de fato da Telecom Italia e, por consequência, o controle indireto da TIM Participações, para a Telco, se fazendo necessária a OPA.

De acordo com a Link Investimentos, a notícia não é inesperada. “As fortes pressões políticas feitas pela administração da Telecom Italia com o ministério das Telecomunicações e o posicionamento do governo de que esperava uma decisão favorável à empresa italiana por parte da CVM já sugeriam a possibilidade desse resultado”.

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Impactos nas ações

Como é possível ver pelo desempenho dos papéis nesta sessão, a decisão da CVM é negativa para os papéis ordinários da TIM e, pelos cálculos da Bradesco Corretora, devem acarretar em uma perda do prêmio atualmente apresentado em relação às ações preferenciais da empresa.

“A diferença sobre as ações preferenciais havia aumentado com as expectativas dos direitos de tag along”, explicam os analistas, acrescentando que “atualmente o prêmio é de cerca de 91% e é provável que este caia para níveis anteriores à primeira decisão da CVM, o que deve ser entre 30% e 40%”.

Ainda conforme a análise da Bradesco Corretora, embora a notícia não afete diretamente as ações preferenciais, elas podem reagir positivamente, dada a redução das preocupações acerca dos riscos de governança corporativa.