Ações globais estão caras e devem cair, alerta autoridade do Banco da Inglaterra

“Há muitos riscos por aí e, ainda assim, os preços dos ativos estão em máximas históricas”, ela disse. “Esperamos que haja um ajuste em algum momento.”

Lara Rizério

Sarah Breeden, do Banco da Inglaterra (Foto: BENJAMIN CREMEL/Pool via REUTERS/File Photo)
Sarah Breeden, do Banco da Inglaterra (Foto: BENJAMIN CREMEL/Pool via REUTERS/File Photo)

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Sarah Breeden, vice-governadora de Estabilidade Financeira do Banco Central do Reino Unido, o BoE, disse em uma entrevista à BBC publicada na sexta-feira que os riscos macroeconômicos não estão totalmente refletidos nos preços dos mercados acionários.

“Há muitos riscos por aí e, ainda assim, os preços dos ativos estão em máximas históricas”, ela disse. “Esperamos que haja um ajuste em algum momento.”

É incomum que autoridades do Banco da Inglaterra sejam tão francas em relação às expectativas para os mercados de capitais.

“O que realmente me tira o sono é a probabilidade de vários riscos se materializarem ao mesmo tempo — um grande choque macroeconômico, a confiança no crédito privado desaparece, a IA e outras avaliações arriscadas se reajustam — o que acontece nesse ambiente e estamos preparados para isso?”, disse Breeden durante a entrevista.

Os mercados acionários globais têm sido voláteis desde que os EUA e Israel lançaram ataques conjuntos ao Irã no fim de fevereiro, mas muitos mercados desenvolvidos ainda são negociados perto de máximas recordes. Na quarta-feira, o S&P 500 e o Nasdaq Composite, de Nova York, fecharam em novas máximas históricas, com as ações globais recuperando as perdas ligadas à guerra com o Irã.

O índice MSCI World ex-U.S., uma medida de ações de grande e média capitalização listadas em mais de 20 mercados desenvolvidos, também apresentou ganhos desde o início da guerra e acumula alta de mais de 5% no ano.

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Breeden também apontou problemas no crédito privado na entrevista de sexta-feira, em que o aumento dos calotes tem gerado críticas e preocupações entre observadores de mercado.

“O crédito privado saiu do nada para dois e meio trilhões de dólares nos últimos 15 a 20 anos. Ele ainda não foi testado nessa escala, com o grau de complexidade e de interconexões que tem com o restante do sistema financeiro até agora”, disse Breeden.

“É um aperto no crédito privado, em vez de um aperto de crédito provocado pelos bancos, que nos preocupa.”

A guerra no Irã deixou uma nuvem de incerteza sobre os mercados globais nos últimos dois meses, mas muitos participantes de mercado permanecem otimistas em relação à trajetória das ações, apesar das avaliações em níveis recordes.

Em sua mais recente carta mensal a clientes, Mark Haefele, CIO (chief investment officer) do UBS Global Wealth Management, disse que custos elevados de energia representam um risco, mas adotou um tom positivo em relação às ações globais.

“Na ausência de um choque prolongado, acreditamos que o pano de fundo para a economia e para os lucros corporativos continua sólido, dando suporte às ações”, afirmou.

(com agências internacionais)

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Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.