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Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta quinta-feira

Bolsas operam entre a cautela com BCE e otimismo com avanços comerciais entre EUA e China; no Brasil, demissão de Cintra repercute

EUA China
(Shutterstock)

SÃO PAULO – O Ibovespa encerrou a sessão da véspera com alta de 0,4%, aos 103.445 pontos, puxado pelo setor varejista, após as vendas do comércio de julho divulgadas pelo IBGE terem vindo acima das expectativas do mercado.

Hoje, os mercados mundiais operam majoritariamente em alta, refletindo o adiamento do dia 1º para o dia 15 de outubro do início de tarifas por parte dos EUA à importação de US$ 250 bilhões em produtos chineses.

Os investidores vão acompanhar também com atenção, logo cedo, às 8h45, a decisão do Banco Central Europeu (BCE), com o mercado na expectativa pelo anúncio de um corte nas taxas de juros.

No Brasil, o destaque fica por conta da decisão do presidente Jair Bolsonaro de demitir o secretário da Receita Federal, Marcos Cintra, por conta de sua defesa na recriação de um imposto nos moldes da antiga CPMF.

Confirma os destaques desta quinta-feira:

1. Bolsas Internacionais

Por meio do Twitter, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou o adiamento da imposição de novas tarifas às compras de bens chineses. O ato acontece um dia após Pequim determinar que 16 produtos americanos ficariam isentos de taxas adicionais, o que vigoraria por um ano, a partir de 17 de setembro.

O Ministério de Comércio da China expressou satisfação com a decisão de Trump. O porta-voz do ministério, Gao Feng, acrescentou que empresas chinesas já começaram a fazer levantamentos de preços de bens agrícolas americanos para retomadas das compras.

Pequim suspendeu as compras desses produtos em agosto, quando a relação comercial entre os dois países sofreu forte deterioração. Os levantamentos de preços, que podem levar os chineses a retomar as compras de produtos agrícolas dos EUA, incluem itens como soja e carne suína.

Segundo Gao, que falou durante coletiva de imprensa semanal, a possível retomada de compras de bens agrícolas pela China não é "uma moeda de troca" nas discussões comerciais.

Em sua mensagem pelo Twitter, Trump escreveu que o adiamento foi um "gesto de boa vontade", que atendeu um pedido do vice-primeiro-ministro chinês Liu He, uma vez que 1º de outubro marca o 70º aniversário da fundação da República Popular da China.

Assim, as bolsas asiáticas fecharam em alta, com exceção de Hong Kong – influenciada pela queda das ações da empresa que opera sua bolsa local, após a oferta anunciada ontem, depois do fechamento do pregão, de proposta de combinação das operações com a bolsa de Londres.

Na Europa, os mercados operam de forma mista e cautelosa, no aguardo de um possível anúncio de um pacote de estímulos monetários. As medidas devem vir em um momento em que a economia europeia enfrenta indícios de que possa entrar em recessão.

Entre os indicadores, a produção industrial da zona do euro caiu 0,4% em julho ante junho, segundo dados da Eurostat. Analistas consultados pelo The Wall Street Journal previam queda menor na produção, de 0,1%.

Na comparação anual, a indústria do bloco produziu 2% menos em julho. Também neste caso, a previsão do mercado era de declínio mais suave, de 1,1%.

Entre as commodities, os preços futuros do minério de ferro fecharam com alta expressiva de 3,7%, refletindo o avanço nas conversas entre EUA e China para resolução do conflito comercial.

Já o petróleo, operam em queda. Hoje, a Agência Internacional de Energia (AIE) manteve suas projeções de alta para a demanda global de petróleo neste e no próximo ano.

Para 2019, a expectativa é de um acréscimo de 1,1 milhão de barris por dia (bpd) no consumo mundial e, para 2020, de 1,3 milhão de bpd.

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 07h27 (horário de Brasília):

*S&P 500 Futuro (EUA), +0,16%
*Nasdaq Futuro (EUA), +0,34%
*Dow Jones Futuro (EUA), +0,22%
*DAX (Alemanha), +0,11%
*FTSE (Reino Unido), -0,03%
*CAC-40 (França), -0,06%
*FTSE MIB (Itália), +0,20%
*Hang Seng (Hong Kong), -0,26% (fechado)
*Xangai (China), +0,75% (fechado)
*Nikkei (Japão), +0,75% (fechado)
*Petróleo WTI, -0,74%, a US$ 55,34 o barril
*Petróleo Brent, -1,05%, a US$ 60,17 o barril
*Bitcoin, US$ 10.178,03, +0,85%
R$ 41.511, -0,17% (nas últimas 24 horas)
*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian subiam 3,74%, cotados a 680,00 iuanes, equivalentes a US$ 95,95 (nas últimas 24 horas).

2. Agenda Econômica

No Brasil, o destaque nos indicadores fica por conta do IBGE, que informa às 9h00, a pesquisa mensal do setor de serviços de julho.

Nos EUA, às 9h30, sai o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) e os dados semanais de pedidos de auxílio-desemprego.

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Mas, antes disso, às 8h45, o BCE anuncia decisão de política monetária, devendo manter taxa principal, mas cortar de -0,4% para -0,5% a taxa de depósitos e pode relançar programa de compra de ativos, segundo a Bloomberg Economics. O presidente da autoridade monetária, Mario Draghi, fala às 9h30. Confira o que esperar da decisão clicando aqui. 

3. Reforma Tributária e CPMF

O presidente Jair Bolsonaro descartou, em mensagem no Twitter, a recriação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) ou o aumento da carga tributária. Ele repercutiu ainda a exoneração do secretário especial da Receita Federal, Marcos Cintra.

"Paulo Guedes exonerou, a pedido, o chefe da Receita Federal por divergências no projeto da reforma tributária. A recriação da CPMF ou aumento da carga tributária estão fora da reforma tributária por determinação do Presidente", escreveu Bolsonaro.

Em nota, o Ministério da Economia informou “que não há um projeto de reforma tributária finalizado" e que "trabalha na formulação de um novo regime tributário para corrigir distorções, simplificar normas, reduzir custos, aliviar a carga tributária sobre as famílias e desonerar a folha de pagamento".

Bolsonaro, que segue internado no Hospital Vila Nova Star, em São Paulo, onde foi submetido à uma cirurgia para correção de uma hérnia incisional, escreveu ainda que “tentativa de recriar CPMF derruba chefe da Receita”.

Segundo o jornal O Estado de S.Paulo, a permanência de Cintra se tornou insustentável diante das reações negativas do Congresso à antecipação da proposta de criação da contribuição sobre pagamentos (CP), com alíquotas de 0,2% e 0,4%, pelo secretário-adjunto da Receita, Marcelo Silva.

O presidente da República em exercício, general Hamilton Mourão, comentou que "todo o desgaste prematuro" sobre a criação de imposto nos moldes da extinta CPMF "não leva a nada".

"Tudo vai ser discutido no Congresso. Se o Congresso quiser, vai ocorrer, se não quiser, não vai correr. Acho que a gente se desgasta prematuramente em alguns assuntos", disse Mourão.

O general acrescentou que a discussão se tornou pública antes de passar por Bolsonaro, o que teria motivado a saída de Cintra do governo.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que Cintra tinha uma posição histórica a favor de um tema que tem muita rejeição na sociedade. "Isso reflete no plenário da Câmara. Não sei se isso foi relevante para a decisão do presidente de pedir a demissão dele", afirmou.

Sobre a reforma tributária, o autor da proposta que tramita atualmente na Câmara dos Deputados (PE 45), deputado Baleia Rossi (MDB-SP), afirmou que o texto elaborado pelos secretários de Fazenda dos Estados significa um "apoio político muito significativo".

Os secretários de Fazenda dos Estados apresentaram a proposta à Maia do texto que será levado ao Congresso em forma de emenda à proposta que tramita atualmente na Câmara, de autoria Rossi e do economista Bernard Appy.

4. Noticiário Político

Na política, o vereador licenciado do Rio Carlos Bolsonaro é alvo de duas investigações do Ministério Público por suspeita de ter mantido funcionários fantasmas e a possível prática de “rachadinhas” de salários de seu gabinete – que não têm registro de frequência. Segundo o Estadão, o gabinete empregava dois parentes de Fabrício Queiroz, pivô da investigação envolvendo o senador Flávio Bolsonaro.

O Estadão traz que investigação da Policia Federal identificou o delegado Leonardo Tavares como principal suspeito de tentar direcionar uma apuração de crime previdenciário para um alvo chamado “Hélio Negão”, o mesmo usado pelo deputado Hélio Barbosa, amigo e aliado do presidente Jair Bolsonaro. Segundo a publicação, a intenção teria como objetivo derrubar o chefe da superintendência do órgão no Rio, Ricardo Saadi.

A Folha destaca que o Supremo Tribunal Federal se prepara para dar no próximo mês seu mais duro recado à Lava Jato e ao ex-juiz e ministro Sergio Moro. Segundo a publicação, o presidente da corte, Dias Toffoli, indicou estar disposto a levar a Plenário discussões com a constitucionalidade das prisões em segunda instância e a sentença imposta por Moro a Aldemir Bendine, ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil.

Ainda na política, relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) enviado ao Ministério Público – dois dias após os primeiros vazamentos de conversas pelo site The Intercept, aponta que o deputado David Miranda fez movimentações atípicas de R$ 2,5 milhões, em sua conta, entre os dias 2 de abril de 2018 e 28 de março de 2019. Ele casado com o fundador do site, Gleen Greenwald.

5. Noticiário Corporativo

O Senado aprovou ontem à noite o projeto que atualiza o marco legal das telecomunicações no País. O projeto permite que as empresas fornecem serviços de telefonia fixa migrem do regime de concessões para o de autorizações, em que há preços livres, já praticado nos serviços de telefonia celular, TV por assinatura e internet. A medida atingir principalmente à Oi, garantindo um fôlego adicional companhia que está em processo de recuperação judicial.

A B3 informou que a Câmara Superior de Recursos Fiscais do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) proferiu decisão favorável ao recurso apresentado pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (decisão desfavorável à B3). O caso se refere ao auto de infração da Receita Federal do Brasil questionando a amortização, para fins fiscais, nos exercícios de 2010 e 2011, do ágio gerado quando da incorporação de ações da Bovespa Holding pela Companhia em maio de 2008.

“A B3 esclarece que, após o término de todos os procedimentos no CARF, submeterá a discussão à análise do Poder Judiciário. O valor atualizado do processo, em 30 de junho de 2019, era de R$ 2,7 bilhões”, afirmou, acrescentando reafirmar seu entendimento de que o Ágio foi constituído regularmente, em estrita conformidade com a legislação fiscal.

(Com Agência Estado e Bloomberg)

 

 

 

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