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Ibovespa Futuro cai e dólar sobe com retaliação da China e à espera de fala de Powell

Mercado fica atento à sinalização do chairman da autoridade monetária norte-americana, que pode mudar as expectativas de queda de juros na maior economia do mundo

Ações
(Shutterstock)

SÃO PAULO- O Ibovespa Futuro abre em queda nesta sexta-feira (23) após a China anunciar mais uma retaliação contra os Estados Unidos na guerra comercial e em meio a preocupação com o que será dito em Jackson Hole hoje. É lá que discursará o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, às 11h (horário de Brasília).

Às 9h19, o contrato futuro do Ibovespa para outubro caía 0,84% a 99.960 pontos, enquanto o dólar futuro para setembro subia 0,55% a R$ 4,094.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2021 avança dois pontos-base a 5,40%, ao passo que o DI para janeiro de 2023 tem alta de três pontos-base a 6,41%. 

Segundo agência estatal Xinhua, a China vai impor tarifas adicionais sobre US$ 75 bilhões em produtos dos EUA para rebater as barreiras que os norte-americanos impuseram a mercadorias chinesas.

Os produtos atingidos são essencialmente automóveis, que serão tarifados entre 5% e 25% pelos chineses. 

Também no radar, as falas de Powell podem gerar muita volatilidade nas bolsas se seguirem a tendência de seus colegas esta semana. Os presidentes de Feds regionais, Eric Rosengren, Esther George, Robert Kaplan e Patrick Harker, indicaram não ser necessário por enquanto mais cortes nos juros dos Estados Unidos.

Não é isso que o mercado precificou nos títulos da dívida pública norte-americana. Um estudo do CME Group aponta que as apostas do mercado para uma queda de 0,25 ponto percentual nos juros básicos dos EUA na reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) em setembro já chega a 93,5%.

No Brasil, o destaque são os incêndios na Amazônia, o que gerou uma reação mundial, com o presidente da França, Emmanuel Macron, afirmando que problema deve ser classificado como uma “crise internacional” e que deverá ser discutido no encontro do G-7, neste final de semana.

Em reunião convocada de emergência, o presidente Jair Bolsonaro discutiu com ministros soluções para as queimadas e uma das alternativas em estudo é o uso do exército. O tom de confronto tem trazido preocupações em diversos setores que defendem a mudança no discurso do governo, baseado no confronto, já que isso deve atrapalhar a imagem e os negócios do Brasil no exterior.

Entre os indicadores, os investidores vão monitorar, a partir das 10h30, os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

Previdência e LRF

O cronograma da reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado vai atrasar quatro ou cinco dias, disse o relator da proposta, Tasso Jereissati (PSDB-CE). Ele adiou a entrega do relatório preliminar, que seria feita nesta sexta-feira, 23, para a semana que vem. Pelo cronograma inicial, o relatório seria lido na comissão na próxima quarta-feira, 28.

A votação na CCJ estava prevista para o dia 4 de setembro. Ele garantiu que o relatório será entregue na semana que vem, mas não precisou o dia exato da leitura. O relator pretende manter o texto aprovado na Câmara, podendo excluir algum item, e fazer alterações - como a inclusão de Estados e municípios - por meio uma proposta paralela.

A PEC paralela, destacou Jereissati, deve surgir do destaque feito por um senador quando a proposta estiver no plenário do Senado. Ele identificou que a inclusão dos servidores estaduais e municipais nas regras é o único ponto já com consenso para entrar no texto. As demais alterações solicitadas por parlamentares ainda serão discutidas, reforçou.

Mais cedo, Jereissati comentou que a indicação do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente Jair Bolsonaro, para a embaixada brasileira em Washington poderá atrapalhar o andamento da reforma na Casa. No fim da tarde, ele reforçou a tese declarando que a indicação pode "radicalizar" as discussões da Previdência.

Noticiário Corporativo

O jornal Valor Econômico traz que o cenário preferido por investidores e analistas para a privatização da Petrobras é o da pulverização do capital. Segundo a publicação, o modelo a ser seguido poderia ser o que vem sendo traçado para a Eletrobras, com cada acionista tendo no máximo 10% de participação. Já a União ficaria com uma “Golden share” para ser usada em questões estratégicas.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), porém, afirmou nesta quinta que é "temerário" falar na hipótese de privatizar a Petrobras até 2022, por se tratar de uma empresa de capital aberto. "Eu estive a manhã inteira de ontem (quarta) com o governo e não me falaram nada de privatizar a Petrobras", disse o parlamentar.

"Falar na hipótese de privatizar uma empresa de capital aberto não parece o caminho correto. Você mexe com o valor de uma ação sem informar antes os seus acionistas e a sociedade como um todo que você pretende fazer isso", afirmou. "No caso da Eletrobras isso foi feito, então eu tenho condições de falar", disse o presidente da Câmara.

Maia defende, neste momento, que o governo precisa focar na privatização da empresa de energia elétrica. Segundo ele, falar de qualquer outra empresa que tenha ação listada, que não seja a Eletrobras, "parece um risco desnecessário por parte de quem tem vocalizado esse tema". Sobre a elétrica, o parlamentar ressaltou que, segundo o governo, a empresa perdeu a capacidade de investir.

Na avaliação de Maia, contudo, o governo tem agora de mostrar aos parlamentares que a empresa não gera caixa, pois o Congresso precisa de argumento. "Agora falta convencer 257 deputados, quer dizer, 256, porque eu não voto", disse o parlamentar, em referência à maioria simples necessária para aprovar a questão.

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