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Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta sexta-feira

Mercados se voltam ao discurso Jerome Powell, em Jackson Hole. no Brasil, o governo tentar contornar a crise internacional com queimadas na Amazônia 

Jerome Powell
(Flickr/Federal Reserve)

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou a sessão da véspera com queda de 1,18%, aos 100.011 pontos, pressionado pelo exterior, após notícias de que diversos membros do Federal Reserve não estão muito certos de que um corte de juros nos Estados Unidos é necessário.

Os posicionamentos elevam as expectativas para o discurso, hoje, às 11h (horário de Brasília), do presidente do Fed, Jerome Powell, em Jackson Hole, quando deverá trazer novas sinalizações sobre a política monetária norte-americana.

No aguardo de Powell, que tenta unificar o discurso do Fed – o mais dividido em anos – e enfrenta duras críticas do presidente dos EUA, Donald Trump, as bolsas e os futuros de Nova York operam em alta.

No Brasil, o destaque são os incêndios na Amazônia, o que gerou uma reação mundial, com o presidente da França, Emmanuel Macron, afirmando que problema deve ser classificado como uma “crise internacional” e que deverá ser discutido no encontro do G-7, neste final de semana.

Em reunião convocada de emergência, o presidente Jair Bolsonaro discutiu com ministros soluções para as queimadas e uma das alternativas em estudo é o uso do exército. O tom de confronto tem trazido preocupações em diversos setores que defendem a mudança no discurso do governo, baseado no confronto, já que isso deve atrapalhar a imagem e os negócios do Brasil no exterior.

Entre os indicadores, os investidores vão monitorar, a partir das 10h30, os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

Confirma os destaques desta sexta-feira:

1. Bolsas Internacionais

As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em alta esta sexta-feira, no aguardo do discurso de Powell e a indicação sobre possíveis novos rumos na taxa de juros norte-americana.

Entre os índices asiáticos, apenas o da Coreia do Sul fechou em queda, em meio ao aumento das tensões comerciais com o Japão, depois que Seul anunciou o cancelamento de um acordo de compartilhamento de inteligência com Tóquio.

Ainda sobre o Japão, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) teve alta de 0,5% em julho, na comparação anual. Na comparação mensal, o CPI subiu 0,1% ante junho no país.

Já na China, o yuan atingiu uma nova mínima desde 2008 ante o dólar, com a cotação onshore recuando a 7,0930 por dólar. Segundo a CNBC, o sentimento dos investidores permaneceu cauteloso com a continuação da guerra comercial entre Pequim e Washington.

Na quinta-feira, a China ameaçou impor “contramedidas” diante das novas tarifas que os EUA querem colocar sobre produtos chineses, mas não forneceu detalhes sobre como responderá

Na Europa, as bolsas operam em alta, também sob a expectativa do Fed, mas o cenário político também movimenta o mercado.

Emmanuel Macron avalia ter confiança de que seria possível encontrar uma solução para um acordo para o Brexit ligeiramente alterado, mas reiterou que o apoio à fronteira Irlanda-Irlanda do Norte é “indispensável”.

Antes do encontro com o presidente francês, o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, havia se reunido com a chanceler alemã, Angela Merkel, para debater um acordo de saída do país da União Europeia.

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 07h19 (horário de Brasília):

*S&P 500 Futuro (EUA), +0,38%
*Nasdaq Futuro (EUA), +0,52%
*Dow Jones Futuro (EUA), +0,35%
*DAX (Alemanha), +0,37%
*FTSE (Reino Unido), +0,77%
*CAC-40 (França), +0,52%
*FTSE MIB (Itália), +0,20%
*Hang Seng (Hong Kong), +0,50% (fechado)
*Xangai (China), +0,49% (fechado)
*Nikkei (Japão), +0,40% (fechado)
*Petróleo WTI, -0,12%, a US$ 59,85 o barril
*Petróleo Brent, -0,05%, a US$ 55,32 o barril
*Bitcoin, US$ 10.131, +1,04%
R$ 41.260, +0,51% (nas últimas 24 horas)
*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian subiam 3,63%, cotados a 613,00 iuanes, equivalentes a US$ 86,59 (nas últimas 24 horas).

2. Agenda Econômica

No Brasil, às 8h00, a FGV informa o IPC-S da terceira quadrissemana e a sondagem do comércio ambos de agosto. Já as 10h00, a CNI publica a sondagem da indústria construção de julho, enquanto às 10h30 o ministério da Economia informa os dados do Caged de julho.

No exterior, o México divulga, às 8h00, o PIB do segundo trimestre. Nos EUA, o departamento do comércio apresenta o número de vendas de novas moradias. À tarde, saem os dados semanais de poços e plataformas em operação nos Estados Unidos.

3. Amazônia

Em sua transmissão pelo Facebook, Bolsonaro afirmou que os incêndios florestais na região amazônica podem ser usados para prejudicar o setor do agronegócio do Brasil. Segundo ele, o governo trabalha para mitigar o problema e pediu que as pessoas ajudem a denunciar práticas criminosas na área.

"Alguns países aproveitam o momento para potencializar as críticas contra o Brasil para prejudicar o agronegócio, nossa economia, recolocar o Brasil numa posição subalterna", afirmou. "Um país agora, sem dizer o nome aqui, falou da 'nossa Amazônia', teve a desfaçatez de falar 'a nossa Amazônia', está interessado em um dia ter um espaço aqui na nossa Amazônia para ele", disse, em referência à França.

Macron usou o Twitter para classificar os incêndios como "crise internacional", convocando os líderes do G7 tratem urgentemente do tema. "Nossa casa está queimando. Literalmente. A floresta amazônica, pulmão que produz 20% do oxigênio do nosso planeta, está em chamas. Isso é uma crise internacional. Membros do G7, vamos discutir essa emergência de primeira ordem em dois dias", tuitou.

Durante a live, Bolsonaro admitiu que tem havido incêndios criminosos e que, segundo ele, isso pode significar uma tentativa de afetar a soberania brasileira sobre a Amazônia.

"Aqui tem o viés criminoso? Tem. Sei que tem. Quem que pratica isso? Não sei. Os próprios fazendeiros, ONGs, índios, seja lá o que for. Então, existe esse interesse em cada vez mais dizer que nós não somos responsáveis e quem sabe, mais cedo ou mais tarde, alguém decrete uma intervenção na região amazônica e nós vamos ficar chupando o dedo aqui no Brasil", disse.

Bolsonaro também criticou parte da imprensa na cobertura sobre o assunto. Ele reforçou que o problemas decorrentes dos incêndios podem prejudicar a todos no país. "Nossa economia está escorada nas commodities. Se o mundo resolver nos retaliar, e a economia nossa bagunçar, todo mundo, inclusive vocês, repórteres, vai sofrer as consequências."

Por fim, o presidente fez um apelo aos fazendeiros da região que estejam ateando fogo em áreas florestais. "Há suspeita que tem produtor rural que está agora aproveitando e tacando fogo geral aí. As consequências vêm para todo mundo. Se vocês querem ampliar a áreas de produção, tudo bem, mas não é dessa forma que a gente vai conseguir atingir nosso objetivo."

Minutos após terminar a live, Bolsonaro mencionou, pelo Twitter, postagem do presidente francês, Emmanuel Macron, sobre as queimadas na Amazônia. "Lamento que o presidente Macron busque instrumentalizar uma questão interna do Brasil e de outros países amazônicos para ganhos políticos pessoais”, disse.

Para o presidente, há um tom “sensacionalista” nas manifestações globais. “O Governo brasileiro segue aberto ao diálogo, com base em dados objetivos e no respeito mútuo. A sugestão do presidente francês, de que assuntos amazônicos sejam discutidos no G7 sem a participação dos países da região, evoca mentalidade colonialista descabida no século XXI”, escreveu no Twitter.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, afirmou hoje (22) por meio de sua conta de Twitter que está "profundamente preocupado" com os incêndios na Floresta Amazônica. “No meio da crise climática global, nós não podemos esperar mais prejuízos à maior fonte de oxigênio e biodiversidade. A Amazônia deve ser protegida”, disse o secretário-geral.

Nesta quinta-feira, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, confirmou que a pasta pretende criar a Força-Tarefa da Amazônia, da qual devem participar outros ministérios e entidades do governo e empresas que atuam na região. Bolsonaro também fez um despacho 
publicado em edição extra do Diário Oficial da União determinando a todos os ministros “que adotem, no âmbito de suas competências,
medidas necessárias para o levantamento e o combate a focos de incêndio na região da Amazônia Legal para a preservação e a
defesa da Floresta Amazônica, patrimônio nacional”.

 

4. Previdência e LRF

O cronograma da reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado vai atrasar quatro ou cinco dias, disse o relator da proposta, Tasso Jereissati (PSDB-CE). Ele adiou a entrega do relatório preliminar, que seria feita nesta sexta-feira, 23, para a semana que vem. Pelo cronograma inicial, o relatório seria lido na comissão na próxima quarta-feira, 28.

A votação na CCJ estava prevista para o dia 4 de setembro. Ele garantiu que o relatório será entregue na semana que vem, mas não precisou o dia exato da leitura. O relator pretende manter o texto aprovado na Câmara, podendo excluir algum item, e fazer alterações - como a inclusão de Estados e municípios - por meio uma proposta paralela.

A PEC paralela, destacou Jereissati, deve surgir do destaque feito por um senador quando a proposta estiver no plenário do Senado. Ele identificou que a inclusão dos servidores estaduais e municipais nas regras é o único ponto já com consenso para entrar no texto. As demais alterações solicitadas por parlamentares ainda serão discutidas, reforçou.

Mais cedo, Jereissati comentou que a indicação do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente Jair Bolsonaro, para a embaixada brasileira em Washington poderá atrapalhar o andamento da reforma na Casa. No fim da tarde, ele reforçou a tese declarando que a indicação pode "radicalizar" as discussões da Previdência.

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Já o Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria nesta quinta-feira para impedir que Estados e municípios endividados reduzam o salário de servidores públicos como forma de ajuste das contas públicas. A discussão, que dividiu a Corte, foi um dos pontos mais polêmicos no julgamento sobre a Lei da Responsabilidade Fiscal (LRF), sancionada pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso em 2000.

Um dos artigos da LRF - que permite reduzir jornada de trabalho e salário de servidores caso o limite de gasto com pessoal de 60% da Receita Corrente Líquida (RCL) seja atingido - foi suspenso de forma unânime pelo STF em 2002. Agora, o Supremo analisou definitivamente o mérito da questão.

O sinal vermelho à aplicação dessa medida frustra governadores, que esperavam poder usar esse instrumento para ajustar as contas públicas. Nas contas do Tesouro Nacional, 12 Estados fecharam 2018 gastando mais que o permitido com a folha de pessoal. Com a redução da jornada e do salário, os Estados que ultrapassam o limite poderiam economizar até R$ 38,8 bilhões.

5. Noticiário Corporativo

O jornal Valor Econômico traz que o cenário preferido por investidores e analistas para a privatização da Petrobras é o da pulverização do capital. Segundo a publicação, o modelo a ser seguido poderia ser o que vem sendo traçado para a Eletrobras, com cada acionista tendo no máximo 10% de participação. Já a União ficaria com uma “Golden share” para ser usada em questões estratégicas.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), porém, afirmou nesta quinta que é "temerário" falar na hipótese de privatizar a Petrobras até 2022, por se tratar de uma empresa de capital aberto. "Eu estive a manhã inteira de ontem (quarta) com o governo e não me falaram nada de privatizar a Petrobras", disse o parlamentar.

"Falar na hipótese de privatizar uma empresa de capital aberto não parece o caminho correto. Você mexe com o valor de uma ação sem informar antes os seus acionistas e a sociedade como um todo que você pretende fazer isso", afirmou. "No caso da Eletrobras isso foi feito, então eu tenho condições de falar", disse o presidente da Câmara.

Maia defende, neste momento, que o governo precisa focar na privatização da empresa de energia elétrica. Segundo ele, falar de qualquer outra empresa que tenha ação listada, que não seja a Eletrobras, "parece um risco desnecessário por parte de quem tem vocalizado esse tema". Sobre a elétrica, o parlamentar ressaltou que, segundo o governo, a empresa perdeu a capacidade de investir.

Na avaliação de Maia, contudo, o governo tem agora de mostrar aos parlamentares que a empresa não gera caixa, pois o Congresso precisa de argumento. "Agora falta convencer 257 deputados, quer dizer, 256, porque eu não voto", disse o parlamentar, em referência à maioria simples necessária para aprovar a questão.

(Com Agência Estado, Agência Brasil e Bloomberg)

 

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