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Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta quinta-feira

Confira no que ficar de olho nesta sessão 

Estados Unidos
(Shutterstock)

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou a sessão da véspera com alta de 2%, aos 101.202 pontos, embalada com o disparo das ações da Petrobras, após a informação publicada pelo Valor Econômico, citando uma fonte graduada do governo, de que a equipe econômica pretende privatizar a estatal do petróleo até 2022, último ano do mandato de Jair Bolsonaro.

Hoje, porém, a euforia pode dar lugar, novamente, ao sentimento de aversão ao risco – com as bolsas e os futuros de Nova York operando em queda. A curva de juros dos EUA, que serve de termômetro para possíveis recessões, se inverteu novamente brevemente hoje, após a divulgação da ata da última reunião do Federal Open Market Committee (FOMC) do Federal Reserve (Fed)

Temores de uma desaceleração econômica ressurgiram após a divulgação da ata da reunião do Fed, quando os seus membros concordaram que o corte de juros não deve ser visto como uma indicação de que há uma "curso pré-estabelecido" para futuras reduções das taxas.

O diretores do Fed enxergam este movimento como um "ajuste de meio do ciclo", uma expressão que o presidente do banco central americano, Jerome Powell, usou na coletiva pós-reunião três semanas atrás e que acabou gerando pânico no mercado. Na ocasião, este termo foi visto como um sinal de que pode não haver mais cortes de juros nos EUA.

Pelo Twitter, o presidente norte-americano Donald Trump escreveu que o país precisa de um "grande corte" nos juros e que o mercado, porém, "não pode contar" com Jerome Powell, criticando abertamente a postura mais dovish do presidente do Fed.

Powell, por sua vez, defende a cautela em relação ao ciclo de flexibilização monetária já que não se sabe ainda com exatidão até que ponto a guerra comercial de Trump com os chineses vai afetar o desempenho da indústria americana.

Confirma os destaques desta quinta-feira:

1. Bolsas Internacionais
Na Europa, as bolsas operam majoritariamente em queda nesta manhã, após o movimento da curva de juros nos EUA, que se inverteu pela segunda vez em duas semanas. Os mercados buscarão mais indícios sobre a política monetária norte-americana amanhã, quando o presidente do Fed, Jerome Powell, falará em Jackson Hole.

Logo mais, os investidores acompanham ainda a ata da última reunião do Banco Central Europeu.

As perdas nas bolsas europeias foram amenizadas, porém, pelos indicadores de melhora, refletidos no índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) composto da zona do euro, que engloba os setores industrial e de serviços, que subiu de 51,5 em julho para 51,8 em agosto, segundo dados preliminares divulgados hoje pela IHS Markit.

O resultado surpreendeu analistas consultados pelo The Wall Street Journal, que previam queda do PMI composto a 51. O avanço acima da marca de 50 sugere que a atividade no bloco se expandiu com mais força neste mês.

Apenas o PMI industrial da zona do euro aumentou de 46,5 em julho para 47 em agosto, mas permaneceu abaixo do patamar de 50, o que indica contração da manufatura. Neste caso, a previsão de economistas era de leve redução a 46,4.

Já o PMI de serviços do bloco avançou levemente no mesmo período, de 53,2 para 53,4, superando a projeção do mercado, que era de queda a 53.

Na Ásia, as bolsas fecharam entre queda e estabilidade, após dados da indústria manufatureira do Japão mostrarem queda pelo quarto mês consecutivo.

Entre as commodities, o minério opera em alta, se recuperando das perdas da véspera. O petróleo também se valoriza nesta manhã.

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 07h39 (horário de Brasília):

*S&P 500 Futuro (EUA), -0,17%
*Nasdaq Futuro (EUA), -0,28%
*Dow Jones Futuro (EUA), -0,13%
*DAX (Alemanha), -0,10%
*FTSE (Reino Unido), -0,50%
*CAC-40 (França), -0,36%
*FTSE MIB (Itália), +0,39%
*Hang Seng (Hong Kong), -0,84% (fechado)
*Xangai (China), +0,11% (fechado)
*Nikkei (Japão), +0,05% (fechado)
*Petróleo WTI, +0,65%, a US$ 56,04 o barril
*Petróleo Brent, +0,66%, a US$ 60,70 o barril
*Bitcoin, US$ 10.091, -0,91%
R$ 41.,050, -2,45% (nas últimas 24 horas)
*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian subiam 1,10%, cotados a 600,00 iuanes, equivalentes a US$ 84,66 (nas últimas 24 horas)

2. Agenda Econômica

No Brasil, o destaque é a divulgação, às 9h00, do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo da primeira quinzena (IPCA-15). Antes, às 8h00, a FGV informa a sondagem do consumidor de agosto. Está prevista a divulgação, às 10h30, da arrecadação julho pela Receita Federal.


Nos Estados Unidos, saem, às 9h30, o número de novos pedidos de seguro-desemprego requeridos na semana até o dia 16 de agosto. Já as 10h45, deve ser divulgado o PMI do setor de industrial de agosto.


Na Europa, às 8h30, deve ser publicada a ata da última reunião do Banco Central Europeu. Já às 11h, a Comissão Europeia informa o índice de confiança do consumidor de agosto.

3. Reforma Tributária e MP Liberdade Econômica

Enquanto Câmara e Senado discutem propostas de reforma tributária com a criação de impostos únicos sobre o consumo, o ministro da Economia, Paulo Guedes, confirmou a intenção do governo em também criar um imposto federal sobre transações financeiras - nos moldes da extinta CPMF -, como forma de compensar a desoneração da folha de pagamentos.

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"O próprio imposto sobre transações foi usado e apoiado por todos os economistas brasileiros no governo FHC. Ele tem uma capacidade de tributação muito rápida e muito intensa. Ele põe dinheiro no caixa rápido, e se ele for baixinho ele não distorce tanto", defendeu Guedes, após reunião com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

"Podemos propor uma desoneração forte da folha de pagamentos em troca da entrada desse imposto. Se a classe política achar que as distorções causadas pelo imposto são piores que os 30 milhões de desempregados sem carteira que tem aí, eles decidem", completou.

Para o ministro, a proposta elaborada pelo governo é "bastante conciliatória", sinalizando a possibilidade de ser encaixada nas reformas já analisadas pelo parlamento. "Achamos que governo federal tem que enviar a reforma tributária dele", afirmou. "Vamos tentar fazer a estrutura mais razoável possível, simplificando a estrutura e ampliando a base para que todos possam pagar um pouco menos", acrescentou.

Sobre a medida defendida por Guedes, Maia reafirmou ser contra. "CPMF cada um tem direito a uma posição e pode ser divergente. Presidente eu sei que continua contra, mas cada um tem uma opinião do que precisa para mudar o sistema", disse. Assim que o governo enviar a proposta, será apensado à proposta de reforma tributária, que já tramita na Câmara dos Deputados. "Vamos reabrir o prazo para emendas e vamos reiniciar o debate sobre reforma tributária quando governo enviar proposta", garantiu o presidente da Câmara.

Segundo o jornal O Estado de S.Paulo, o novo imposto sobre as transações financeiras, batizado Contribuição Social sobre Transações e Pagamentos (CSTP), teria alíquota de 0,22% – a da CPMF era de 0,38% – e não incida sobre aplicações na bolsa, renda fixa e poupança, entre outros investimentos. A publicação destaca que Jair Bolsonaro é contra, mas a equipe econômica avalia que ele poderia mudar de ideia diante da possibilidade de aumento de empregos após a desoneração da folha.

O secretário especial da Receita Federal, Marcos Cintra, voltou a defender a criação de um imposto sobre pagamentos, que tem sido criticado por semelhanças com a CPMF. "Nossa proposta é incompreendida por causa dessa similaridade com a odiada, detestada, satanizada e demonizada CPMF", disse.

Cintra reiterou que a proposta do governo para um imposto sobre pagamento está para a CPMF como o IVA está para o ICMS. "São da mesma espécie, só que, ao serem implantados com objetivos, metas, métodos diferentes, eles se diferenciam uns dos outros", disse. "É como a baleia e o macaco, os dois são mamíferos, mas são completamente diferentes", acrescentou.

Na visão do secretário, a principal diferença entre o tributo sobre pagamento que o governo está propondo e a CPMF é que o novo imposto vai substituir a contribuição sobre folha de pagamentos, com objetivo de destravar a geração de emprego, diminuindo o custo do trabalhador para o empresário. A arrecadação do novo imposto iria para a Previdência. Em razão disso, o novo imposto se chamaria Contribuição Previdenciária (CP).

Cintra afirmou ainda que a proposta do governo federal para a reforma tributária vai manter quatro regimes especiais: a Zona Franca de Manaus, o Simples, o RET (Regime Especial de Tributação) e a contribuição social do agronegócio. Segundo ele, diferente da reforma do governo, a proposta do Congresso para a sistema tributário, a PEC 45, de autoria do deputado Baleia Rossi (MDB-SP), "é bastante radical e não respeita os regimes especiais".

Ainda sobre os projetos de ordem econômica, o Senado aprovou na noite de ontem o texto da MP da Liberdade Econômica, mas derrubou a autorização para o trabalho aos domingos e feriados. Essa permissão, que havia sido aprovada na Câmara dos Deputados, era defendida pelo governo, mas causou polêmica nas discussões do Senado.

Como a MP perde a validade na próxima terça-feira, 27, o governo preferiu recuar e concordar com a retirada da autorização para garantir a votação da medida a tempo. O texto aprovado na Câmara autorizava o trabalho aos domingos e feriados irrestritamente e previa uma folga aos domingos por mês. Atualmente, o trabalho aos domingos depende de acordos e convenções de cada categoria.

4. Privatizações

O governo anunciou no nome de nove empresas públicas que foram incluídas na lista de privatizações. O pacote de privatizações do governo federal, que inicialmente previa a oferta de 17 companhias estatais, foi desidratado. Foram nove companhias listadas dentro do programa de desestatização: ABGF, Emgea, Serpro, Dataprev, Ceagesp, Codesp, Ceitec, Telebrás e Correios.

O ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, afirmou que a carteira do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) pode chegar a quase R$ 2 trilhões. A carteira total inclui a privatização de 11 ferrovias, 21 portos e 22 aeroportos.

Para chegar ao número de 17, o governo citou a Lotex, que já passou por duas tentativas frustradas de leilão, a venda de ações do Banco do Brasil detidas pela União e seis estatais que já estavam no Programa de Parcerias e Investimentos (PPI). A Lotex, no entanto, nem pode ser caracterizada como estatal, pois é uma atividade da Caixa Loterias, e não uma subsidiária.

Ao tentar explicar as informações trocadas, o secretário especial de Desestatizações, Salim Matar, disse que houve "equívoco de informação" e que, na realidade, as 17 ofertas se referiam ao que está no "pipeline" do governo.

Prazos também não foram informados, apesar da insistência dos jornalistas em entender o cronograma do governo. "O mais importante não é prazo, é a atitude", respondeu Salim.

Além de incluir nove empresas no PPI, o governo federal anunciou que novos projetos da área social também serão alvo de estudos com o objetivo de atrair investimentos privados.

O governo irá se debruçar sobre projetos voltados para a universalização do saneamento, creches, unidades prisionais, iluminação pública para enfrentamento à criminalidade, atendimento socioeducativo, recuperação energética de resíduos e sólidos urbanos.

Estes estudos, especificamente, irão envolver os ministérios da Educação, da Justiça, da Mulher e Direitos Humanos, do Desenvolvimento Regional e do Meio Ambiente.

5. Noticiário Corporativo

Entre as empresas do programa de privatização, a possibilidade de que a Petrobras seja incluída agitou o mercado ontem e fizeram com que as ações saltassem até 8% (PN) em poucos minutos na reta final do pregão. Segundo o jornal Valor Econômico, citando uma fonte graduada do governo, a equipe econômica pretende privatizar a estatal do petróleo até 2022, último ano do mandato de Jair Bolsonaro.

O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, disse, porém, oficialmente, que o governo ainda não decidiu colocar a Petrobras na carteira do PPI. Quando uma empresa passa a fazer parte do PPI, é possível iniciar estudos para decidir a respeito de uma futura privatização. "Não há decisão ainda de colocar a Petrobras como um todo no PPI", disse.

O ministro afirmou que o governo ainda realizará estudos para definir o futuro da companhia. Esses estudos serão realizados pelo próprio PPI, pelo BNDES e pelo Ministério de Minas e Energia. Segundo ele, isso será feito de forma criteriosa. "Temos muito a fazer antes de poder trazer todas as áreas (da Petrobras) em processos de privatização", afirmou.

"A Petrobras é gigantesca. O MME vem conduzindo um processo adequado e feito estudos de profundidade", disse Lorenzoni, referindo-se a estudos para venda de refinarias. O ministro ressaltou ainda que já foram privatizadas a BR Distribuidora e a TAG. Onyx disse ainda que o governo não incluiu a petroleira na lista porque o Ministério de Minas e Energia ainda está fazendo estudos.

Sobre a Eletrobras, que não foi citada na lista do PPI porque já estava nos planos do governo, Maia afirmou que a companhia elétrica deverá ser privatizada "o mais rápido possível". O projeto de privatização da Eletrobras, que precisa do aval do Congresso, poderia ser enviado em uma ou duas semanas, acrescentou Maia, que debateu o tema ontem com Guedes.

Para Maia, que reforçou que trabalhará para a aprovação da desestatização da Eletrobras, a ideia é montar um projeto que viabilize o investimento privado na estatal, com regulação forte e distribuição de recursos para as regiões atendidas pela companhia.

Outro projeto de interesse corporativo é o que institui um novo marco legal para o saneamento básico no País. A Câmara dos Deputados instalou a comissão especial que analisará o projeto de lei.

O texto, de autoria do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), foi aprovado pelo Senado em junho deste ano. Ele facilita a abertura do setor para a iniciativa privada e a intenção de alguns Estados de privatizar ou capitalizar companhias estatais.

Quando anunciou a instalação, Maia disse que o grupo deverá analisar a proposta em, no máximo, quatro semanas, e que a Casa "precisa" fazer algumas mudanças no texto vindo do Senado.

"O governo mandou outro projeto, por isso é importante a criação da comissão especial. Já estamos atrasados", disse o projeto do saneamento.

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(Com Agência Estado e Bloomberg)

 

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