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Ibovespa fecha abaixo dos 100 mil pontos pelo quarto pregão seguido: o ânimo acabou?

Mercado operou sem uma direção definida em um pregão de muita volatilidade de olho no exterior

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(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa fechou praticamente estável nesta terça-feira (20) ainda pressionado pelo cenário externo. As preocupações com a desaceleração da economia global ainda prejudicam o desempenho das bolsas aqui e lá fora, levando a uma migração do capital da renda variável para ativos mais seguros. 

Contudo, especialistas entendem que isso não significa ainda o fim do bull market. Para a analista da Nord Research, Marilia Fontes, os estrangeiros retiraram US$ 20 bilhões da nossa Bolsa desde o início do ano, mas isso não deve desesperar o investidor local. "Temos que sempre nos voltarmos ao fundamento", avalia. 

Para Marilia, o País ainda está com boas perspectivas por conta das reformas estruturais e microeconômicas que a gestão do ministro da Economia, Paulo Guedes, tem implementado para melhorar o ambiente de negócios. 

O grande problema seria a crise externa, que muda a confiança dos empresários e agentes externos em geral, o que atrasa a recuperação da economia. Entretanto, os problemas do exterior tendem a passar, e quando isso ocorrer, o caminho está livre para as ações voltarem a subir. 

Como o fluxo estrangeiro é negativo, a tese majoritária é de que essa retomada na renda variável brasileira virá do investidor local. Henrique Bredda, gestor da Alaska Asset, destaca que os tempos de ganhos fáceis com a renda fixa estão ficando para trás com a Selic na mínima histórica de 6% ao ano e em trajetória de baixa. 

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"O brasileiro irá à Bolsa por necessidade e oportunidade", aponta Bredda. 

Quem também acredita em um fluxo doméstico é o gestor da XP Investimentos, Julio Fernandes. Para ele, o saldo é de venda lá fora e compra aqui. "O local vem aumentando o fluxo olhando para a redução de juros", entende. O grande risco é uma continuidade do mau humor global. 

A tese de que o bull market ficou para trás é rejeitada também pelo analista técnico Rafael Ribeiro, da Clear Corretora. Observando o gráfico, Ribeiro explica que o índice ainda está em tendência de alta. "O comprado ainda respira enquanto o Ibovespa não perder o suporte dos 98 mil pontos", defende. 

Por outro lado, se o benchmark perder os 98 mil pontos, pode buscar os 95 mil e de lá em diante a tendência se inverte. 

"Está no suporte do semanal, que é a média móvel de 21 e o risco/retorno continua favorável. Melhor comprar agora do que pensar em alguma venda."

Confira o gráfico do Ibovespa: 

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Hoje, o principal índice da B3 caiu 0,25% a 99.222 pontos, após chegar a cair 1,47% na mínima do dia. Enquanto isso, o dólar comercial recuou 0,40% a R$ 4,0498 na compra e a R$ 4,0516 na venda. O dólar futuro para setembro cai 0,63% a R$ 4,0535.  

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2021 caiu dois pontos-base a 5,45%, ao passo que o DI para janeiro de 2023 fica estável a 6,44%. 

Na Argentina, os investidores seguem repercutindo a troca do ministro da Fazenda. Hernán Lacunza entra no lugar de Nicolás Dujovne, que pediu demissão após o presidente argentino, Mauricio Macri, tomar medidas populistas como o congelamento dos combustíveis e a redução dos impostos para a classe média. 

Estados Unidos

Nos EUA, o governo do presidente Donald Trump empreendeu alguns esforços para reduzir o mau humor dos investidores. Foi estendida a licença da Huawei para atender aos clientes americanos por 90 dias, um recuo em relação ao discurso agressivo dos últimos dias. 

Trump também anunciou que estuda reduzir impostos sobre a folha de pagamento para estimular a economia. Ele voltou a pressionar o Federal Reserve, pedindo por um corte de 100 pontos-base na taxa de juros. 

No entanto, o presidente do Fed de Boston, Eric Rosengren, de perfil mais hawkish (contrário a quedas de juros) disse ontem que "não necessariamente" a economia dos EUA precisa de mais afrouxamento monetário. 

Os investidores também seguem à espera do Jackson Hole desta semana, conferência que reúne economistas, acadêmicos, participantes do mercado e representantes do governo, onde o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, pode sinalizar outro corte de juros para setembro. "Além disso, a ata da última reunião será divulgada na próxima quarta e será monitorada atentamente", destaca a equipe de análise da XP. 

Noticiário Corporativo

A gestora de investimentos GoldenTree Asset Management, maior acionista da Oi (OIBR3), com 14,57% de participação, manifestou preocupação com as finanças da operadora e pediu a troca do presidente executivo, Eurico Teles.

"O conselho deve nomear um CEO (presidente executivo) que possa implementar a reestruturação operacional e buscar as oportunidades de valor agregado descritas pela empresa no seu recém lançado plano estratégico", escreveu a acionista, numa carta enviada ao conselho de administração.

A carta tem data de 16 de agosto, dois dias após a divulgação do balanço da Oi referente ao segundo trimestre, quando foi revelado que o prejuízo da operadora subiu 24%, para R$ 1,6 bilhão, enquanto o dinheiro disponível em caixa recuou 17,4%, para R$ 4,3 bilhões.

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) informou que abriu inquérito para investigar eventual inobservância de deveres fiduciários de administradores da Vale (VALE3) por fatos ligados ao rompimento da barragem de Brumadinho (MG), ocorrida em 25 de janeiro e que deixou mais de 240 mortos. 

De acordo com a autarquia, o inquérito diz respeito aos deveres da companhia em relação aos seus acionistas e investidores. "Tal apuração não inclui atuação sobre questões relativas à legislação ambiental, as quais vêm sendo objeto de atuação das instituições competentes", diz trecho do comunicado.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 MGLU3 MAGAZ LUIZA ON 36,53 -3,44 +62,30 363,22M
 BRKM5 BRASKEM PNA 28,26 -2,59 -40,35 71,69M
 SUZB3 SUZANO S.A. ON 31,15 -2,44 -17,30 279,54M
 ENBR3 ENERGIAS BR ON 19,35 -2,03 +38,46 80,23M
 EGIE3 ENGIE BRASILON 44,31 -1,86 +34,49 54,02M

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 VVAR3 VIAVAREJO ON 7,06 +4,90 +60,82 486,76M
 YDUQ3 YDUQS PART ON 32,71 +4,57 +40,95 69,62M
 CIEL3 CIELO ON 7,59 +4,55 -10,47 147,19M
 CCRO3 CCR SA ON 16,00 +4,51 +46,42 175,11M
 CSNA3 SID NACIONALON 14,37 +3,60 +70,55 162,58M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN EJ N2 24,02 -0,04 757,41M 1,17B 37.857 
 VALE3 VALE ON 43,84 +0,44 703,20M 983,72M 36.393 
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN ED 33,82 -1,11 523,38M 801,49M 34.957 
 B3SA3 B3 ON 45,76 +0,57 506,58M 411,53M 26.057 
 VVAR3 VIAVAREJO ON 7,06 +4,90 486,76M 276,37M 65.368 
 BBDC4 BRADESCO PN 32,47 -0,98 469,62M 808,41M 36.793 
 MGLU3 MAGAZ LUIZA ON 36,53 -3,44 363,22M 223,53M 29.754 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 18,94 -0,89 294,20M 502,76M 20.683 
 BBAS3 BRASIL ON 44,79 -0,09 292,69M 507,52M 21.308 
 SUZB3 SUZANO S.A. ON 31,15 -2,44 279,54M n/d 24.170 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
IBOVESPA

Brasil

Com uma agenda de indicadores esvaziada, destacam-se os debates sobre a reforma tributária, com a rejeição de parte dos líderes da Câmara de um novo imposto aos moldes da antiga CPMF, e as trocas no comando da Receita Federal, com a saída do segundo integrante mais importante em meio à uma crise no órgão. 

Hoje, o presidente Jair Bolsonaro oficializa, às 16h00, em cerimônia no Palácio do Planalto, a mudança na correção dos contratos de financiamento imobiliário, que passarão a ser reajustados pelo IPCA, ao invés da Taxa de Referência (TR).

 

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