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Dólar cai forte com exterior mais calmo e Ibovespa ameniza perdas após recuar 1,5%

Mercado opera sem uma direção definida em um pregão que promete muita volatilidade

Dólar
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O dólar cai forte nesta terça-feira (20), ao mesmo tempo em que o Ibovespa zera perdas após recuar mais de 1,5% no início do pregão. No radar, as bolsas internacionais, que começaram o dia mais negativas, começam a esboçar uma recuperação. 

Às 12h43 (horário de Brasília) o principal índice da B3 caía 0,48% a 98.996 pontos. Enquanto isso, o dólar comercial cai 0,59% a R$ 4,043 na compra e a R$ 4,0437 na venda. O dólar futuro para setembro cai 0,8% a R$ 4,0465. 

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2021 fica estável a 5,47%, ao passo que o DI para janeiro de 2023 avança dois pontos-base a 6,46%. 

De acordo com o Júlio Fernandes, gestor da XP Investimentos, a queda da Bolsa ontem foi em certa medida contaminada pelo desempenho do dólar, que se apreciou contra o real, indicando saída dos estrangeiros. Na véspera, a moeda dos EUA atingiu R$ 4,06, maior patamar desde maio deste ano. 

Hoje, para ele, os mercados são movimentados principalmente por fluxos pontuais de vendas, sem que se possa dimensionar com clareza a influência do câmbio nessa volatilidade. 

Segundo Cleber Alessie, operador de câmbio da H.Commcor, foi principalmente a fraqueza externa que movimentou o dólar. "O índice S&P 500 caiu e o real se depreciou na abertura das bolsas norte-americanas", relata. 

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Neste cenário, havia apreensão com a abertura do mercado na Argentina, pois imaginava-se que o peso desabaria novamente diante da crise no país. Como a expectativa não se concretizou, o investidor acabou se acalmando mais aqui também. 

"Como o peso não está despencando e o S&P está voltando para o zero a zero, a baixa do dólar agora é uma correção ao movimento de ontem", avalia o especialista. 

Na Argentina, os investidores seguem repercutindo a troca do ministro da Fazenda. Hernán Lacunza entra no lugar de Nicolás Dujovne, que pediu demissão após o presidente argentino, Mauricio Macri, tomar medidas populistas como o congelamento dos combustíveis e a redução dos impostos para a classe média. 

Estados Unidos

Nos EUA, o governo do presidente Donald Trump empreendeu alguns esforços para reduzir o mau humor dos investidores. Foi estendida a licença da Huawei para atender aos clientes norte-americanos por 90 dias, um recuo em relação ao discurso agressivo dos últimos dias. 

Trump também anunciou que estuda reduzir impostos sobre a folha de pagamento para estimular a economia. Ele voltou a pressionar o Federal Reserve, pedindo por um corte de 100 pontos-base na taxa de juros. 

No entanto, o presidente do Fed de Boston, Eric Rosengren, de perfil mais hawkish (contrário a quedas de juros) disse ontem que "não necessariamente" a economia dos EUA precisa de mais afrouxamento monetário. 

Os investidores também seguem à espera do Jackson Hole desta semana, conferência que reúne economistas, acadêmicos, participantes do mercado e representantes do governo, onde o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, pode sinalizar outro corte de juros para setembro. "Além disso, a ata da última reunião será divulgada na próxima quarta e será monitorada atentamente", destaca a equipe de análise da XP. 

Noticiário Corporativo

A gestora de investimentos GoldenTree Asset Management, maior acionista da Oi (OIBR3), com 14,57% de participação, manifestou preocupação com as finanças da operadora e pediu a troca do presidente executivo, Eurico Teles.

"O conselho deve nomear um CEO (presidente executivo) que possa implementar a reestruturação operacional e buscar as oportunidades de valor agregado descritas pela empresa no seu recém lançado plano estratégico", escreveu a acionista, numa carta enviada ao conselho de administração.

A carta tem data de 16 de agosto, dois dias após a divulgação do balanço da Oi referente ao segundo trimestre, quando foi revelado que o prejuízo da operadora subiu 24%, para R$ 1,6 bilhão, enquanto o dinheiro disponível em caixa recuou 17,4%, para R$ 4,3 bilhões.

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) informou que abriu inquérito para investigar eventual inobservância de deveres fiduciários de administradores da Vale (VALE3) por fatos ligados ao rompimento da barragem de Brumadinho (MG), ocorrida em 25 de janeiro e que deixou mais de 240 mortos. 

De acordo com a autarquia, o inquérito diz respeito aos deveres da companhia em relação aos seus acionistas e investidores. "Tal apuração não inclui atuação sobre questões relativas à legislação ambiental, as quais vêm sendo objeto de atuação das instituições competentes", diz trecho do comunicado.

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 VVAR3 VIAVAREJO ON 6,49 -3,57 +47,84 200,88M
 MGLU3 MAGAZ LUIZA ON 36,80 -2,72 +63,49 181,19M
 TIMP3 TIM PART S/AON EJ 11,66 -2,67 +0,75 29,60M
 BRKM5 BRASKEM PNA 28,28 -2,52 -40,31 20,25M
 CYRE3 CYRELA REALTON 23,17 -2,20 +54,84 18,88M

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 BTOW3 B2W DIGITAL ON 44,21 +4,64 +5,21 111,29M
 PCAR4 P.ACUCAR-CBDPN 89,50 +2,73 +11,58 71,81M
 CSNA3 SID NACIONALON 14,22 +2,52 +68,77 52,63M
 CIEL3 CIELO ON 7,42 +2,20 -12,48 35,89M
 GOAU4 GERDAU MET PN ED 6,21 +1,80 -3,27 19,25M
* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)

Brasil

Com uma agenda de indicadores esvaziada, destacam-se os debates sobre a reforma tributária, com a rejeição de parte dos líderes da Câmara de um novo imposto aos moldes da antiga CPMF, e as trocas no comando da Receita Federal, com a saída do segundo integrante mais importante em meio à uma crise no órgão. 

Hoje, o presidente Jair Bolsonaro oficializa, às 16h00, em cerimônia no Palácio do Planalto, a mudança na correção dos contratos de financiamento imobiliário, que passarão a ser reajustados pelo IPCA, ao invés da Taxa de Referência (TR).

 

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