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CEOs de bancos nos EUA rejeitam modelo centrado no acionista

A mudança nas prioridades corporativas vem à medida que a ampliação da desigualdade de renda e o aumento dos custos levaram alguns políticos a questionarem se a premissa fundamental do capitalismo americano deveria ser renovada

O presidente do JPMorgan, Jamie Dimon
(Divulgação)

(Bloomberg) -- Jamie Dimon e dezenas de outros líderes de algumas das maiores empresas do mundo estão abandonando a visão antiga de que os interesses dos acionistas devem vir em primeiro lugar.

O objetivo de uma corporação é atender a todos os seus constituintes, incluindo funcionários, clientes, investidores e a sociedade em geral, disse o grupo Business Roundtable em comunicado. Dimon, presidente do JPMorgan Chase, lidera o grupo.

“Enquanto cada uma de nossas empresas individuais atende ao seu próprio propósito corporativo, nós compartilhamos um compromisso fundamental com todos os nossos acionistas“, disse o grupo no comunicado. “Os americanos merecem uma economia que permita que cada pessoa seja bem-sucedida através do trabalho duro e da criatividade e que leve uma vida de significado e dignidade”.

Os 181 signatários incluem Laurence Fink, da BlackRock, Charlie Scharf do Bank of New York Mellon e CEOs de seis dos maiores bancos dos EUA.

Premissa fundamental

A mudança nas prioridades corporativas vem à medida que a ampliação da desigualdade de renda e o aumento dos custos de itens como assistência médica e ensino superior levaram alguns políticos a questionarem se a premissa fundamental do capitalismo americano deveria ser renovada. Alguns executivos também reclamaram que um foco excessivo nos preços das ações e nos resultados trimestrais dificulta sua capacidade de construir negócios a longo prazo.

A ideia de que os negócios existem principalmente para beneficiar acionistas - também conhecida como primazia de acionistas - tomou conta da América corporativa nos anos 80. Em 1997, o grupo Business Roundtable abraçou a ideia em um documento para delinear princípios de governança.

O conceito tem sido criticado por levar a uma fixação nos resultados de curto prazo e ajudar a alimentar o rápido aumento da remuneração dos executivos.

Em sua carta anual aos acionistas neste ano, Fink pediu aos executivos-chefes que assumissem um papel maior nas questões sociais e políticas, em vez de se concentrarem apenas no lucro.

“As partes interessadas estão pressionando as empresas a entrarem em questões sociais e políticas sensíveis - especialmente quando vêem os governos falharem em fazê-lo efetivamente“, disse Fink, cuja empresa administra quase US$ 7 trilhões em ativos. A mensagem ecoou posição que ele tomou em 2018, exortando os CEOs a fazerem contribuição mais positiva para a sociedade.

©2019 Bloomberg L.P.

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