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Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta segunda-feira

Mercados operam em alta nesta manhã com esperança de estímulo dos bancos centrais e medidas fiscais na China e na Alemanha

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SÃO PAULO – O Ibovespa fechou a semana passada com queda de 3,95%, após uma série de eventos externos, começando com a derrota de Maurício Macri na Argentina para a chapa de Aberto Fernández e Cristina Kirchner, os dados mais fracos das economias da Alemanha e da China, além da inversão da curva de juros nos Estados Unidos, indicando a possibilidade de recessão.

Hoje, os mercados internacionais abriram em semana em alta, puxados pela China, após o Banco do Povo da China (PBoC, na sigla em inglês) ter divulgado no sábado, um plano de reforma das taxas de juros com objetivo de reduzir custos de financiamento para empresas que têm enfrentado dificuldades em meio à desaceleração econômica.

Ainda no front externo, o ministro das Finanças da Alemanha, Olaf Scholz, disse no domingo que a Alemanha tem força fiscal para mitigar qualquer crise econômica futura com “força total”, indicando que Berlim pode liberar cerca de 50 bilhões de euros (US $ 55 bilhões) de gastos extras.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por sua vez, declarou que não está pronto para fazer uma acordo com a China, mas que seu governo tem conversas "muito, muito substanciais" com o país asiático. "Os chineses querem fazer um acordo, vamos ver o que acontece", declarou à imprensa. Já pelo Twitter, escreveu que está "indo muito bem com a China, e conversando", em referência ao acordo comercial.

Destaque ainda para a Argentina, com a declaração do candidato vencedor das eleições presidenciais primárias, Alberto Fernández, dizendo que o acordo firmado pelo governo para o pagamento de dívidas junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI), é "impossível de cumprir". No sábado, outro golpe foi a renúncia do ministro da Fazenda argentino, Nicolás Dujvone.

Confirma os destaques desta segunda-feira:

1. Bolsas Internacionais

As bolsas na Ásia fecharam em alta generalizada, com valorizações superior a 2% na China e em Hong Kong. Em meio à guerra comercial com os EUA, o PBoC informou que vai melhorar o mecanismo usado para estabelecer a taxa básica de juros a partir deste mês, em um movimento para reduzir ainda mais as taxas de juros reais para as empresas.

Segundo o comunicado, os bancos enviarão seus preços de empréstimo ao banco central a cada mês e o PBoC usará o preço médio para obter a taxa básica, segundo comunicado. A medida visa reduzir os custos de empréstimos para as pequenas empresas da China, que foram as mais atingidas pela desaceleração econômica, mas têm acesso limitado ao financiamento barato, ao contrário das estatais.

O PBoC afirmou que incluirá taxas de mais oito credores, elevando o total para 18, já que isso resultaria em um melhor reflexo das taxas de juros do mercado, que são mais baixas do que as taxas atuais de referência. O banco central disse que vai introduzir um taxa de juros de cinco anos, que servirá como referência para os empréstimos de longo prazo dos bancos, como hipotecas. Atualmente, existe apenas para um ano.

Com isso, os rendimentos da dívida do governo dos EUA subiam acentuadamente nesta manhã, com os investidores voltando a ativos mais arriscados em meio a um sentimento mais otimista do mercado.

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Na Europa, as bolsas também operam em alta, refletindo as medidas chinesas, assim como as da Alemanha de estímulo. Na semana passada, os fracos resultados de China e Alemanha derrubaram as bolsas, aumentando o sentimento de recessão econômica global.

Entre os indicadores, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) da zona do euro subiu 1% na comparação anual de julho, desacelerando em relação ao aumento de 1,3% verificado em junho, segundo dados finais divulgados hoje pela agência de estatísticas da União Europeia, a Eurostat. O resultado de julho ficou abaixo da leitura prévia e da projeção de analistas consultados pelo The Wall Street Journal, de 1,1%.

A leitura final deixou a inflação na zona do euro mais distante da meta do Banco Central Europeu (BCE), que é de uma taxa ligeiramente inferior a 2%. Em relação a junho, o CPI da região caiu 0,5% em julho, vindo um pouco abaixo da projeção do mercado, que era de queda de 0,4%.

Entre as commodities, os preços do petróleo subiam hoje refletindo um ataque no fim de semana a uma instalação de petróleo da Arábia Saudita por separatistas do Iêmen, assim como pelo movimento de traders buscando sinais de que as tensões entre os EUA e os EUA poderiam diminuir.

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 07h27 (horário de Brasília):

*S&P 500 Futuro (EUA), +0,89%
*Nasdaq Futuro (EUA), +1,01%
*Dow Jones Futuro (EUA), +0,94%
*DAX (Alemanha), +0,92%
*FTSE (Reino Unido), +1,02%
*CAC-40 (França), +0,83%
*FTSE MIB (Itália), +1,33%
*Hang Seng (Hong Kong), +2,17% (fechado)
*Xangai (China), +2,10% (fechado)
*Nikkei (Japão), +0,71% (fechado)
*Petróleo WTI, +1,13%, a US$ 55,49 o barril
*Petróleo Brent, +1,13%, a US$ 59,30 o barril
*Bitcoin, US$ 10.722,00, +5,18%
R$ 42.640, +2,75% (nas últimas 24 horas)
*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian recuavam 0,96%, cotados a 617,00 iuanes, equivalentes a US$ 87,56 (nas últimas 24 horas).

2. Agenda Econômica

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que mede a inflação na cidade de São Paulo, subiu 0,27% na segunda quadrissemana de agosto, acelerando em relação ao ganho de 0,12% observado na primeira quadrissemana deste mês, segundo dados publicados hoje pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

Com agenda externa esvaziada, os investidores vão monitorar ainda, às 8h00, no Brasil, os dados da segunda prévia do IGP-M de agosto.

O Banco Central, às 8h25, traz as atualizações das projeções do Boletim Focus e, às 15h00, o Ministério da Economia informa os dados da balança comercial semanal.

3. Argentina e governo 

Após vencer as eleições presidenciais primárias da Argentina, Alberto Fernández, disse, em entrevista ao jornal La Nación, que o atual presidente, Maurício Macri, precisa renegociar com o FMI adiamentos dos pagamentos previstos para os próximos anos. "É a única solução", disse, em relação ao empréstimo tomado em 2018 pelo governo argentino de US$ 57 bilhões.

No sábado, após a renúncia de Dujvone como ministro da Fazenda, Macri chamou Hernán Lacunza, ministro da Economia da Província de Buenos Aires para assumir o cargo. Em carta, Dujovne se disse “convencido de que, em virtude das circunstâncias, a gestão precisa de uma renovação significativa na área econômica”.

Dujvone reconheceu erros na condução da economia argentina, mas afirmou ter atuado para corrigi-los. "Conseguimos conquistas na redução do déficit e dos gastos públicos, na redução de impostos distorcidos nas províncias, na recuperação do federalismo. Também, sem dúvida, cometemos erros, que nunca hesitamos em reconhecer e fizemos o melhor que pudemos para corrigir."

Já em uma tentativa de aliviar as tensões com o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, Fernandéz, candidato kirchnerista, buscou tranquilizar o mandatário brasileiro em relação a políticas econômicas de sua eventual administração. "Para mim, o Mercosul é um lugar central. E o Brasil é o nosso principal parceiro e vai continuar a ser. Se Bolsonaro pensa que vou fechar a economia, que fique tranquilo, porque não vou. É uma discussão tonta", declarou.

Apesar de dizer que não se opõe ao Mercosul, Fernández ponderou que acordos comerciais devem considerar os interesses nacionais. "Meu problema não é que a economia se abra. Meu problema é que essa abertura cause danos aos argentinos", afirmou, acrescentando que uma eventual administração, aplicará política cambial de "flutuação administrada" do dólar - e repetiu que a atual cotação do dólar é "adequada".

Enquanto isso, o governo brasileiro vai intensificar as negociações para baixar, já a partir de janeiro, a tarifa externa comum (TEC) cobrada pelos membros do Mercosul na importação de produtos de outros países. A intenção é acelerar o processo antes da possível volta do grupo político da ex-presidente Cristina Kirchner - conhecida pela adoção de políticas intervencionistas na economia.

Segundo o Estadão, o Brasil negocia com Argentina, Paraguai e Uruguai um cronograma para cortar taxas já no início de 2020. A intenção é que a tarifa externa comum, hoje em 14% em média, seja reduzida pela metade ao fim de períodos de quatro, seis ou oito anos - a depender do setor da economia.

Essas negociações já vinham sendo feitas, mas a vitória Fernández acenderam um alerta na equipe econômica brasileira. A ideia é antecipar ao máximo as tratativas e tentar fechar acordos até dezembro, ainda no governo de Maurício Macri.

O presidente Bolsonaro, porém, usou o Twitter ontem para atacar novamente Fernández, afirmando que se ele vencer, o povo vai sacar “em massa” o dinheiro dos bancos. Segundo o presidente brasileiro, “o retorno da turma do Foro de São Paulo” deixa o país mais populista.

Já o ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência Gustavo Bebianno afirmou, traz o Estadão, que Bolsonaro “atira nos seus soldados pelas costas” e que “vai se tornar um homem solitário.”

4. Noticiário Político

Em mais um capítulo de vazamento de mensagens, a Folha trouxe que procuradores da Operação Lava Jato contornaram limites legais para obter informalmente dados sigilosos da Receita Federal em diferentes ocasiões. Segundo a publicação, os diálogos mostram que os integrantes buscaram informações, sem que a Justiça tivesse autorizado, de pessoas investigadas, contando com a participação do chefe de inteligência da RF em Curitiba, até 2018, Roberto Leonel – que assumiu o Coaf por indicação de Moro.

Um dos diálogos apresentados na reportagem se referia a “uma olhada informal” no imposto de renda do caseiro do sítio frequentado pelo ex-presidente Lula. Em resposta à reportagem da Folha, o coordenador da Operação Lava Jato disse que a relação entre o Ministério Público e o fisco sempre foi amparada na lei. Já a defesa de Lula diz que o diálogo reforça que o petista “foi vítima de uma conspiração e de atos ilícitos”.

Sobre o caso da indicação à embaixada dos EUA de Eduardo Bolsonaro, filho do presidente, um parecer elaborado pela consultoria legislativa do Senado, com base em entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), diz que a indicação se configura como nepotismo. Segundo a consultoria, a embaixada é um cargo comissionado comum. Entretanto, o parecer tem carácter consultivo, ou seja, serve apenas para auxiliar os senadores na tomada de decisão.

Já um levantamento do Estadão mostra que não há no Senado o mínimo de 41 votos para referendas a indicação de Eduardo à embaixada norte-americana. Segundo a publicação, só 15 se declararam favoráveis, enquanto 30 afirmaram votar contra. Outros 35 não responderam ou se disseram indecisos. O jornal pontua que o resultado demonstra a cautela com a qual Bolsonaro vem tratando a questão.

Ainda no Senado, o Estadão trouxe que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e outros senadores brigam na Justiça para que sejam mantidas em sigilo as notas fiscais de gastos relacionados à cota parlamentar até junho. As negativas estão sendo questionadas pela Justiça Federal, Ministério Público e Tribunal de Contas da União (TCU).

Sobre a crise de Bolsonaro com a Polícia Federal, o delegado da Receita no Porto de Itaguaí (RJ), José Nóbrega de Oliveira, enviou mensagens a colegas do órgão relatando suposta interferência política. Auditores fiscais ameaçam entregar cargos de chefia, caso a indicação de Bolsonaro à superintendência do Rio e em outros postos-chave avance, destaca o Estadão.

A decisão de Bolsonaro de trocar o comando da PF fez com que o ministro Sérgio Moro fosse alertado de que esta prestes a perder o controle do órgão. Além da PF, o presidente interferiu recentemente na Receita Federal e no Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), três órgãos que, de alguma maneira, cruzam o caminho de sua família

Sobre o projeto de abuso de autoridade, o jornal O Globo destaca que Moro vai aconselhar a Bolsonaro vetar oito itens, que prejudicariam investigações. Entre eles, a condenação de magistrado que decretar prisão sem amparo legal.

5. Noticiário Corporativo

A situação da operadora de telefonia Oi, em recuperação judicial desde 2016, poderá ser melhorada no entendimento do governo com a aprovação do novo marco legal das comunicações. A nova Lei Geral de Telecomunicações está parada no Senado desde o início de 2019, e a ordem é "destravar" o assunto.
Preocupadas com o tema, equipes do governo intensificaram a mobilização para a aprovação do projeto e querem que o assunto seja liquidado nos próximos 30 dias. De acordo com o projeto, as empresas de telefonia fixa poderiam migrar do regime de concessões para o de autorizações, em que há preços livres. A Oi seria a tele mais beneficiada com a mudança, já que depende mais do serviço fixo do que suas concorrentes.


O governo deve apresentar ao Congresso na próxima semana o PL da privatização da Eletrobras. A proposta deve conter os mesmos itens que estavam na Medida Provisória 879, que não foi votada pela Câmara e perderá validade na próxima quarta-feira. O principal deles é o aporte de até R$ 3,5 bilhões da União à companhia, previsto para ocorrer até 2021. Os recursos vão cobrir dívidas das seis distribuidoras vendidas em 2018, cujos débitos que foram assumidos pela Eletrobras.

Por fim, a Petrobras entrou com pedido para emissão de R$ 3 bilhões em debêntures, informa a Bloomberg. Já a Agência Nacional de Petróleo aprovou a compra de campo de petróleo da companhia pela BW Offshore, diz O Globo.

Por fim, Frederico Trajano (CEO do Magazine Luiza), Guilherme Benchimol (CEO da XP Investimentos) e Mauricio Bittencourt (fundador e gestor da Velt) serão os entrevistados do 1° Stock Pickers com auditório, que vai ao ar na quinta-feira (23). Confira o último episódio clicando aqui


(Com Agência Estado, Agência Brasil e Bloomberg)

 

 

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