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Ibovespa tem pior queda semanal desde maio por conta da turbulência externa

Bolsa caiu 3,95% nos últimos cinco dias, com Argentina, China, Estados Unidos e Alemanha enviando sinais negativos para o investidor brasileiro

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(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa tinha tudo para caminhar até o fim do ano sem sustos rumo a patamares nunca antes atingidos. Contudo, uma piora inesperada no ambiente externo jogou água no chope dos investidores e introduziu muita incerteza ao mercado

Na semana, a Bolsa terminou com queda de 3,95%, foi a pior baixa semanal desde maio, quando o benchmark caiu 4,52% entre o dia 13 e o dia 17. 

Quem prejudicou o ambiente da renda variável foi a Argentina, com a surpresa da vitória por 15 pontos percentuais de Alberto Fernández sobre Mauricio Macri nas primárias das eleições, o que levou o índice argentino Merval a derreter mais de 30%, o que provocou um contágio de baixa de 2% aqui. 

Depois, foram os dados fracos da China e da Alemanha, associados ao movimento da curva de juros nos Estados Unidos (títulos da dívida americana de dois anos ultrapassando o rendimento dos bonds de 10 anos) indicando recessão na maior economia do mundo. 

Nesta sexta-feira (16), houve um pequeno alívio antes do fim de semana, mas investidores devem voltar cautelosos diante da agenda dos próximos dias, que conta com ata da última decisão do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) dos EUA, encontro anual de Jackson Hole entre membros do Federal Reserve e dados de inflação por aqui. 

O Ibovespa hoje subiu após notícia da revista alemã Der Spiegel de que a chanceler Angela Merkel e o ministro das Finanças, Olaf Scholz, estão prontos para administrar um déficit orçamentário se a Alemanha entrar em recessão.

Mais cedo, algum ânimo comprador já advinha dos preços descontados dos ativos após duas fortes baixas e do anúncio de dois planos de estímulo econômico na China. Um de projetos de infraestrutura estimados em US$ 10 bilhões e outro para impulsionar a renda disponível da população em 2019 e 2020.

O Ibovespa teve alta de 0,76% a 99.805 pontos, com volume financeiro negociado de R$ 18,452 bilhões. 

Por aqui, o dólar comercial teve alta de 0,34% a R$ 4,0029 na compra e a R$ 4,0037 na venda - na semana, a moeda se valorizou 1,54%. O dólar futuro com vencimento em setembro tinha ganhos de 0,29% a R$ 4,0095. 

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2021 recuava cinco pontos-base a 5,39%, ao passo que o DI para janeiro de 2023 tem perdas do mesmo montante a 6,37%.

No Brasil, a novidade é que os bancos vão passar a oferecer crédito imobiliário corrigido pela inflação, após aprovação pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) de resolução que permite que novos financiamentos do Sistema Financeiro da Habitação (SFH) deixem de ser reajustados pela Taxa Referencial (TR).

Noticiário Corporativo

O Estadão traz que a situação da Oi (OIBR3) piorou nos últimos meses e o futuro da empresa voltou a preocupar a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Segundo a publicação, autoridades do governo Jair Bolsonaro foram avisadas esta semana de que, caso o comando da companhia não consiga reverter os maus resultados, a agência pode ser obrigada a intervir na empresa.

Há receio de que regiões do País fiquem sem serviços de telefonia fixa prestados pela operadora no ano que vem. Executivos da Oi devem ser chamados em Brasília para falar sobre como planejam manter a empresa de pé.

A Vale (VALE3) suspendeu temporariamente as operações da usina de concentração de Viga da Ferrous Resources do Brasil, cuja aquisição foi anunciada em 1 de agosto de 2019, ao identificar deficiência nos documentos relativos ao alvará do município de Jeceaba.

As operações da mina de Viga não são afetadas por essa determinação e prosseguirão normalmente. O impacto estimado da paralisação temporária das operações da Ferrous é de, aproximadamente, 330 mil toneladas de minério de ferro por mês.

O Itaúsa (ITSA4), holding de investimentos do Itaú Unibanco (ITUB4), e o fundo Mubadala devem apresentar hoje, 16, propostas firmes para a compra da Liquigás, divisão de gás de cozinha que pertence à Petrobras (PETR3; PETR4), apurou o Estado. O Itaúsa terá em seu consórcio a empresa Copagaz e o Mubadala terá em seu grupo empresas regionais do País, segundo fontes ouvidas pela reportagem.

A rede varejista Magazine Luiza (MGLU3) informou que venceu ação judicial no Supremo Tribunal Federal (STF) referente a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS de seus produtos.

Com o resultado, a companhia teve o direito de reaver os valores já pagos com correção. O Magalu disse ainda que seus assessores estão validando os documentos, mas que espera receber cerca de R$ 250 milhões.

China

A Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China, órgão estatal de planejamento, informou hoje que aprovou 12 projetos de infraestrutura com investimentos estimados em 70,5 bilhões de yuans (US$ 10 bilhões).

Os projetos, que incluem uma ferrovia entre as cidades de Zhengzhou e Jinan, são principalmente dos setores de transportes e energia. O governo chinês tem acelerado a aprovação de projetos de infraestrutura este ano, numa tentativa de impulsionar o crescimento econômico do país.

Além disso, a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China anunciou que Pequim irá lançar um plano para impulsionar a renda disponível da população em 2019 e 2020.

Principal órgão de planejamento econômico chinês, a comissão afirmou também que dará continuidade a esforços para reduzir a alavancagem na economia e o número das chamadas "empresas zumbi", como são conhecidas as grandes estatais improdutivas e endividadas.

Já o Banco Popular da China definiu a referência oficial do yuan em 7,0312 por dólar, mais fraca do que as expectativas de 7,0306 contra o dólar em uma estimativa da Reuters.

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