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Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta sexta-feira

Mercados operam em alta recuperando perdas das últimas sessões; no Brasil, CMN aprova nova modalidade para financiamento imobiliário

China, ações
(Shutterstock)

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou a sessão da véspera com queda de 1,2%, aos 99.056 pontos, em meio a um movimento de flight to quality global – quando investidores vendem ações e buscam ativos mais seguros. A principal pressão negativa no mercado brasileiro veio de Petrobras e Vale, que refletem o desempenho negativo das commodities.

Hoje, apesar de os investidores seguirem observando os movimentos do rendimentos dos títulos do Tesouros dos EUA de duração mais longa, assim como informações sobre os desdobramentos da guerra comercial entre EUA e China, os mercados operam de forma generalizada de forma positiva, recuperando parte das perdas das últimas sessões.

No exterior, foram anunciados dois planos na China, um de projetos de infraestrutura estimados em US$ 10 bilhões e outro para impulsionar a renda disponível da população em 2019 e 2020.

No Brasil, os bancos vão passar a oferecer crédito imobiliário corrigido pela inflação, após aprovação pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) de resolução que permite que novos financiamentos do Sistema Financeiro da Habitação (SFH) deixem de ser reajustados pela Taxa Referencial (TR).

Confirma os destaques desta sexta-feira:

1. Bolsas Internacionais

As bolsas asiáticas fecharam em alta seguindo os anúncios da China para tentar promover a retomada da atividade econômica, em meio às disputas comerciais com os EUA. A Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China, órgão estatal de planejamento, informou hoje que aprovou 12 projetos de infraestrutura com investimentos estimados em 70,5 bilhões de yuans (US$ 10 bilhões).

Os projetos, que incluem uma ferrovia entre as cidades de Zhengzhou e Jinan, são principalmente dos setores de transportes e energia. O governo chinês tem acelerado a aprovação de projetos de infraestrutura este ano, numa tentativa de impulsionar o crescimento econômico do país.

Além disso, a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China anunciou que Pequim irá lançar um plano para impulsionar a renda disponível da população em 2019 e 2020. Principal órgão de planejamento econômico chinês, a comissão afirmou também que dará continuidade a esforços para reduzir a alavancagem na economia e o número das chamadas "empresas zumbi", como são conhecidas as grandes estatais improdutivas e endividadas.

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Já o Banco Popular da China definiu a referência oficial do yuan em 7,0312 por dólar, mais fraca do que as expectativas de 7,0306 contra o dólar em uma estimativa da Reuters.

Na Europa, as bolsas voltaram a subir após a semana de turbulência, enquanto aguardam por novidades na disputa comercial sino-americana. Ontem, o presidente Donald Trump, sinalizou que as negociações seguem, mesmo com as ameaças de retaliações por parte dos chineses.

Entre os indicadores, a zona do euro registrou superávit comercial de 17,9 bilhões de euros em junho, segundo dados com ajustes sazonais publicados hoje pela agência de estatísticas Eurostat. O resultado é menor do que o saldo positivo de maio, que foi revisado de 20,2 bilhões de euros para 19,6 bilhões de euros.

As exportações dos 19 países que formam o bloco europeu caíram 0,6% em junho ante maio, mas as importações subiram 0,3% no mesmo período, também no cálculo com ajuste sazonal.

Entre as commodities, o minério de ferro opera perto da estabilidade, enquanto o petróleo opera em alta.

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 07h31 (horário de Brasília):

*S&P 500 Futuro (EUA), -0,35%
*Nasdaq Futuro (EUA), -0,80%
*Dow Jones Futuro (EUA), -0,46%
*DAX (Alemanha), +0,88%
*FTSE (Reino Unido), +0,50%
*CAC-40 (França), +0,94%
*FTSE MIB (Itália), +1,02%
*Hang Seng (Hong Kong), +0,94% (fechado)
*Xangai (China), +0,29% (fechado)
*Nikkei (Japão), +0,06% (fechado)
*Petróleo WTI, +1,74%, a US$ 55,42 o barril
*Petróleo Brent, +1,70%, a US$ 59,22 o barril
*Bitcoin, US$ 10.147,66, +1,53%
R$ 41.891, +1,92% (nas últimas 24 horas)
*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian subiam 0,08%, cotados a 626,50 iuanes, equivalentes a US$ 89,01 (nas últimas 24 horas).

2. Agenda Econômica

No Brasil, a FGV divulga, às 8h00, o Índice de Preços ao Consumidor Semanal – IPC-S.

Nos Estados Unidos, saem os dados de construção de moradias iniciadas de julho, às 9h30, enquanto a Universidade de Michigan informa o índice de sentimento do consumidor, às 11h00. 

3. Noticiário Econômico

O Banco Central informou que o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou uma resolução que vai possibilitar aos bancos oferecer crédito imobiliário reajustado pelo índices de preços como o IPCA. A nova modalidade vai poder substituir a Taxa Referencial (TR) nos novos empréstimos realizados pelo Sistema Financeiro de Habitação (SFH).

A resolução foi aprovada na reunião extraordinária do CMN na manhã de quarta-feira (14), mas só foi divulgada pelo Banco Central (BC) ontem no fim da noite, depois de o presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, ter anunciado que o banco passará a conceder crédito imobiliário corrigido pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mais uma taxa de juros fixa.

Os financiamentos habitacionais são corrigidos pela Taxa Referencial (TR), atualmente zerada, mais juros fixos que variam conforme o perfil do mutuário. Em julho do ano passado, o conselho havia autorizado a concessão de crédito corrigido pela inflação. A resolução, no entanto, não alcançava as operações do SFH, nas quais o tomador usa o saldo da conta do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para pagar as prestações e amortizar o saldo devedor.

Em nota, o Banco Central explicou que a medida ajuda a tornar o mercado imobiliário menos dependente da poupança e do FGTS, cujos recursos são em parte usados para empréstimos habitacionais. Segundo o BC, os financiamentos corrigidos pela inflação podem servir de lastro (base) e ampliar a participação de instrumentos voltados para o crédito imobiliário negociados no mercado financeiro, como os certificados de recebíveis imobiliários e as letras imobiliárias garantidas.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou ontem que a expectativa é de que o segundo semestre deste ano seja melhor para o Brasil do que foi o primeiro. Segundo ele, os primeiros meses de 2019 foram difíceis, mas os investimentos acontecerão daqui para frente.

"Não temo pressão de fora, seja da Argentina, seja a desaceleração da economia mundial. O Brasil tem uma dinâmica de crescimento", afirmou, complementando que o País fez o seu dever de casa e agora deve crescer mais rapidamente. "Não vai ser um ventinho do sul ou a ventania do mundo inteiro que vai dessincronizar o Brasil", acrescentou.

Guedes afirmou ontem ainda que a ideia da privatização da Petrobras é apenas uma “brincadeira e especulação”, mas que o presidente Jair Bolsonaro vem cobrando o anúncio de mais privatizações. A fala foi em evento, do setor de óleo e gás, com o presidente da estatal, Roberto Castello Branco.

Já O Globo destaca que o País vive seu ciclo mais longo de desigualdade, com 17 trimestres consecutivos em que a concentração de renda cresceu. O número de brasileiros em busca de uma vaga de emprego há dois anos ou mais chegou a 3,3 milhões em junho, o mais alto já registado.

4. Noticiário Político

Após a aprovação pela Câmara do projeto que possibilita punição a juízes e procuradores por abuso de autoridades, o presidente Jair Bolsonaro vem sofrendo pressão para vetar trechos do texto, que é interpretado como uma reação à investigações contra a corrupção, como a Lava Jato.

Durante evento, Bolsonaro voltou a criticar ontem a Noruega pela suspensão do equivalente a R$ 133 milhões para projetos contra o desmatamento na Amazônia. Ele afirmou ainda que o governo norueguês poderia pegar o dinheiro e enviar à Alemanha para que o país possa reflorestar seu território.

O mundo político foi agitado ainda pela delação do ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda e Casa Civil), que aponta ilícitos envolvendo o pagamento de propinas que chegariam a R$ 333,6 milhões nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. A delação envolve ainda empresas de grande porte no Brasil.

Já o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a suspensão de uma ação penal da Operação C´Est Fini, uma das fases da Lava Jato no Rio de Janeiro, tendo como base a decisão do ministro Dias Toffoli, presidente da Corte, sobre o compartilhamento de informações pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Em julho, Toffoli concedeu uma liminar (decisão provisória) suspendendo todas as investigações abertas no país com base em dados fiscais repassados pelo Coaf e pela Receita Federal ao Ministério Público sem autorização judicial.

5. Noticiário Corporativo

O Estadão traz que a situação da Oi piorou nos últimos meses e o futuro da empresa voltou a preocupar a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Segundo a publicação, autoridades do governo Jair Bolsonaro foram avisadas esta semana de que, caso o comando da companhia não consiga reverter os maus resultados, a agência pode ser obrigada a intervir na empresa. Há receio de que regiões do País fiquem sem serviços de telefonia fixa prestados pela operadora no ano que vem. Executivos da Oi devem ser chamados em Brasília para falar sobre como planejam manter a empresa de pé.

A Vale suspendeu temporariamente as operações da usina de concentração de Viga da Ferrous Resources do Brasil, cuja aquisição foi anunciada em 1 de agosto de 2019, ao identificar deficiência nos documentos relativos ao alvará do município de Jeceaba. As operações da mina de Viga não são afetadas por essa determinação e prosseguirão normalmente. O impacto estimado da paralisação temporária das operações da Ferrous é de, aproximadamente, 330 mil toneladas de minério de ferro por mês.

O Itaúsa, holding de investimentos do Itaú Unibanco, e o fundo Mubadala devem apresentar hoje, 16, propostas firmes para a compra da Liquigás, divisão de gás de cozinha que pertence à Petrobrás, apurou o Estado. O Itaúsa terá em seu consórcio a empresa Copagaz e o Mubadala terá em seu grupo empresas regionais do País, segundo fontes ouvidas pela reportagem.

A rede varejista Magazine Luiza informou que venceu ação judicial no Supremo Tribunal Federal (STF) referente a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS de seus produtos. Com o resultado, a companhia teve o direito de reaver os valores já pagos com correção. O Magalu disse ainda que seus assessores estão validando os documentos, mas que espera receber cerca de R$ 250 milhões.

Ainda na safra de resultados corporativos, a Light informou que reverteu o prejuízo de R$ 25 milhões do segundo trimestre do ano passado para um lucro de R$ 11 milhões no segundo trimestre deste ano. A  Cemig informou lucro de R$ 2,114 bilhões no segundo trimestre, reverente perdas de R$ 10,8 milhões de um ano antes.

Já a Renova Energia elevou o prejuízo líquido em 240,8%, que atingiu R$ 426,539 milhões.

(Com Agência Estado, Agência Brasil e Bloomberg)

 

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