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Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta terça-feira

Mercados operam em queda generalizada em meio às preocupações com guerra comercial e cenário político na Argentina, Itália e Hong Kong 

Bandeira - Argentina
(Shutterstock)

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou a sessão da véspera com queda de 2%, aos 101.915 pontos, repercutindo a derrota do atual presidente argentino, Mauricio Macri, nas primárias das eleições argentinas. Mesmo que o pleito definitivo aconteça em outubro, a expectativa é de que o atual presidente não consiga reverter a derrota para a chapa Alberto Fernández e Cristina Kirchner, segundo percepção geral do mercado e de analistas. A turbulência no país deve seguir preocupando os emergentes, após Fernández negar default, mas criticar o modelo econômico atual. 

Não bastasse a crise de desconfiança dos investidores com o País vizinho ao Brasil, as preocupações com a guerra comercial entre a China e os Estados Unidos, os protestos em Hong Kong e a incerteza política na Itália geram turbulência nos mercados internacionais, que operam com os futuros de Nova York e as bolsas em queda generalizada nesta manhã.

Em meio ao acirramento da disputa com os Estados Unidos, o Banco Popular da China estabeleceu como nova taxa de referência oficial do yuan a cotação de 7,0326 por dólar nesta terça-feira – quarta sessão consecutiva acima da barreira psicologicamente importante do 7 por 1. O yuan onshore era negociado a 7,0647 por dólar, enquanto o offshore, estava cotado a 7,1033 contra o dólar.

No Brasil, as preocupações externas se somam com as preocupações em relação à retomada do crescimento da atividade econômica, com o ministro da Economia, Paulo Guedes, pedindo paciência com o governo do presidente Jair Bolsonaro. Ontem, indicadores publicados apontaram para a possibilidade de uma recessão técnica no segundo trimestre deste ano.

"Deixem um governo liberal ter uma chance, esperem quatro anos. Não trabalhem contra o Brasil, tenham um pouco de paciência. Esperem a vez de vocês", afirmou Guedes, que participa hoje, logo cedo, da 18ª reunião do conselho governo, com o presidente Bolsonaro, no Palácio do Planalto.

Confirma os destaques desta terça-feira:

1. Bolsas Internacionais

Os mercados asiáticos fecharam no vermelho, puxadas pela queda da bolsa de Hong Kong, após mais um dia de protestos. O aeroporto local que havia paralisado suas atividades ontem retomou o seu funcionamento, mas as tensões seguem, com riscos cada vez maiores de repreensão por parte do governo, o que acaba impactando o humor dos investidores.

Na China, a nova desvalorização do yuan amplia a percepção de que a resolução da disputa comercial entre China e EUA parece cada vez mais distante. O Departamento do Tesouro norte-americano vem acusando os chineses de manipulação de sua moeda, o que vem sendo rechaçado por Pequim.

Na Europa, as preocupações estão relacionadas à Itália. Hoje, o Senado deverá se reunir para marcar a data para uma moção de desconfiança ao governo, depois que o partido Lega disse na semana passada que sua coalizão governista se tornou impraticável.

Já na Grã-Bretanha, o conselheiro de segurança dos EUA John Bolton expressou o apoio entusiástico da Casa Branca à saída do País sem um acordo em 31 de outubro e prometeu que Washington trabalharia rápido em um acordo de livre comércio entre EUA e Reino Unido.

Entre os indicadores, a taxa de desemprego no Reino Unido atingiu 3,9% nos três meses até junho, subindo ligeiramente em relação ao nível de 3,8% observado no trimestre até maio. O resultado contrariou a expectativa de analistas consultados pelo The Wall Street Journal, que previam manutenção da taxa em 3,8%.

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Na Alemanha, o índice de expectativas econômicas caiu de -24,5 pontos em julho para -44,1 em agosto, segundo pesquisa divulgada nesta terça-feira pelo instituto alemão ZEW. Analistas consultados pelo The Wall Street Journal previam queda bem menor do indicador, para -30 pontos.

Entre as commodities, o petróleo opera em queda em meio à preocupações com a demanda pelo produto, diante da possibilidade de uma desaceleração econômica global. O minério de ferro, por sua vez, recupera parte das perdas das últimas sessões, operando em leve alta.

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 07h29 (horário de Brasília):

*S&P 500 Futuro (EUA), -0,30%
*Nasdaq Futuro (EUA), -0,52%
*Dow Jones Futuro (EUA), -0,51%
*DAX (Alemanha), -0,94%
*FTSE (Reino Unido), -0,48%
*CAC-40 (França), -0,56%
*FTSE MIB (Itália), -0,62%
*Hang Seng (Hong Kong), -2,10% (fechado)
*Xangai (China), -0,63% (fechado)
*Nikkei (Japão), -1,11% (fechado)
*Petróleo WTI, -0,40%, a US$ 54,71 o barril
*Petróleo Brent, -0,48%, a US$ 58,29 o barril
*Bitcoin, US$ 11.287,39, -0,77%
R$ 45.500, -0,14% (nas últimas 24 horas)
*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian subiam 0,40%, cotados a 627,50 iuanes, equivalentes a US$ 88,78 (nas últimas 24 horas).

2. Agenda Econômica

No Brasil, sem indicadores previstos, o destaque fica por conta dos balanços corporativos. Antes da abertura do mercado, saem os resultados de Banrisul, Bradespar, BTG Pactual e Equatorial Energia.

Após o fechamento da B3, estão previstas as publicações de Alliar, Centauro, CPFL Energia, Hapvida, Light, Movida, Qualicorp, Randon, Renova, Santos Brasil e Wilson Sons.

Nos Estados Unidos, destaque para a divulgação, às 9h30, do Índice de Preços ao Consumidor (CPI). 

No exterior, à noite, saem os dados de produção industrial, investimentos em ativos fixos e vendas do varejo da China.

3. Argentina e Mercosul

A derrota do presidente Mauricio Macri nas eleições primárias provocou pânico no mercado financeiro do país, com efeitos negativos também para o Brasil. O dólar disparou e levou o Banco Central da Argentina a aumentar a taxa de juros em dez pontos porcentuais, para 74%. Com a medida, o dólar recuou, mas ainda encerrou com alta de 8,8%, valendo 52,1 pesos. O índice Merval, o principal da Bolsa de Buenos Aires, caiu 37,9%.

As preocupações derivam da interpretação de que a vitória da chapa opositora, de Alberto Fernández e Cristina Kirchner, nas primárias "põem em xeque a política econômica do governo Macri e o acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI)", avaliou a empresa de serviços financeiros INTL FCStone.

Há também um temor de que medidas intervencionistas - amplamente utilizadas no período dos ex-presidentes Nestor e Cristina Kirchner - sejam retomadas, como o controle de acesso ao dólar e a concessão de subsídios em serviços como transporte e energia.

Os bancos já dão quase como certa a vitória kirchnerista. Em relatório, o estrategista Tiago Severo, do Goldman Sachs, afirmou que o resultado é "quase irreversível".

Sobre o Mercosul, um acordo firmado em julho pelos membros permite que o Brasil não dependa da Argentina para colocar em vigor o tratado de livre-comércio negociado com a União Europeia.

O acerto, feito na última reunião de chefes de Estado do bloco, realizada na Argentina, foi proposto pelo governo de Mauricio Macri e permite que, após a assinatura formal do acordo e o aval do Parlamento Europeu, as novas regras tarifárias passem a valer para o país que obtiver aprovação do texto pelo seu Congresso.

Até então, um acordo comercial negociado pelo Mercosul só poderia vigorar depois de o texto ter passado pelas casas legislativas de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.

A medida vale somente para os temas econômicos e comerciais, que estabelecem, por exemplo, a eliminação das tarifas de importação. Os capítulos com acertos políticos e de cooperação, que envolvem compromissos na área ambiental, estão fora. Esses só passam a valer após aprovação pelos parlamentos de todos os membros da União Europeia e do Mercosul.

A medida tornou-se um "seguro" para o Brasil diante das chances cada vez maiores de vitória da chapa da oposição, formada por Alberto Fernández e a ex-presidente Cristina Kirchner.

4. Noticiário Político e econômico

Em meio à crise dos vazamentos, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, endureceu ontem o tom, durante evento em São Paulo, em relação à atuação do Ministério Público Federal (MPF) em relação à Lava Jato. Segundo ele, a operação tenta se “apropriar” das instituições. “Não se pode permitir na República que algo se aproprie das instituições. A Lava Jato é fruto da institucionalidade, não é uma instituição”, disse.

Já a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, que busca ser reconduzida ao cargo, prorrogou por mais um ano a força-tarefa da Lava Jato – essa foi a quinta ampliação das atividades. O Estadão destaca que a prorrogação ocorreu um dia antes da reunião do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) que pode analisa dois processos envolvendo Deltan Dallagnol. A expectativa, porém, é de que a discussão dos casos seja adiada.

Após anunciar que estudava acabar com a possibilidade de dedução de despesas médicas no imposto de renda, o governo parece ter mudado de ideia. Na última segunda-feira, 12, o secretário da Receita Federal, Marcos Cintra, disse que a proposta que está sendo estudada agora é criar um teto para que essas despesas sejam deduzidas.

"O que nós pretendemos, no que diz respeito a deduções médicas no IR, é estabelecer um teto", disse. "Hoje existe um benefício excessivo a famílias de alta renda, que usam medicina particular e não usam o SUS. O grosso da população usa o SUS e não tem nenhuma dedução. Vamos estabelecer um teto que seja justo, e não dê excesso de privilégios e benefícios àqueles que não precisam."

As mudanças no imposto de renda devem fazer parte da proposta de reforma tributária que o governo pretende apresentar em breve. E, segundo Cintra, o presidente Jair Bolsonaro tem "insistido muito" na correção da tabela do imposto, incluindo mudanças "em níveis de isenção".

Esse tributo, porém, tem levantado uma enorme rejeição, por conta de sua similaridade com a extinta CPMF. Em um evento em São Paulo, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que o Congresso não vai retomar a CPMF em "hipótese alguma" no âmbito da reforma tributária e que isso já está combinado com a equipe econômica do governo Bolsonaro.

"Não vamos retomar CPMF em hipótese alguma. Não vamos recriar a CPMF. É ruim para a sociedade. Precisamos encontrar uma solução de simplificação do sistema em outro ambiente e não a volta da CPMF", disse ele, acrescentando que tem liberdade para falar disso, uma vez que a equipe econômica já tem ciência e, portanto, não há um "conflito".

Durante evento no Rio Grande do Sul, Bolsonaro afirmou ter “determinado” que não vá existir uma nova CPMF. “Nós vamos é fundir impostos”, disse. O governo deverá enviar ao Congresso nos próximos dias uma proposta de reforma tributária.

Ainda no político, a Câmara deverá votar hoje a Medida Provisória da Liberdade Econômica, que visa desburocratizar o ambiente de negócios no País.

5. Noticiário Corporativo

A Petrobras realizou o pré-pagamento do Termo de Compromisso Financeiro (TCF) FAT/FC no valor de R$ 2,7 bilhões, cujo vencimento se daria em 2028, por conta do Acordo de Obrigações Recíprocas (AOR) que fora celebrado com a Petros e diversas entidades sindicais em 2006, visando uma solução para o reequilíbrio dos planos, ajuste de seus regulamentos e encerramento de litígios judiciais existentes.

A EcoRodovias e controladas da concessionária celebraram acordo de leniência com o Ministério Público Federal (MPF) - Procuradoria da República no Paraná, que será levado à homologação da 5ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF e da Justiça Federal de Curitiba. Pelo acordo, a EcoRodovias e ECS vão pagar multa de R$ 30 milhões; a Ecovia vai arcar com R$20 milhões de obras e R$ 100 milhões de redução tarifária; e a Ecocataratas vai a arcar com R$ 130 milhões em obras e R$ 120 milhões de redução tarifária.

A companhia aérea Azul informou que irá começar a operar a ponte aérea em 29 de agosto, com 34 operações diárias entre os aeroportos de Congonhas, em São Paulo, e Santos Dumont, no Rio de Janeiro, ampliando a concorrência no maior mercado doméstico do país.

Entre os resultados corporativos, a Eletrobras anunciou lucro de R$ 5,6 bilhões no segundo trimestre, cifra 4,2 vezes superior à reportada no mesmo período do ano passado. Já a Itaúsa registrou um lucro líquido de R$ 2,435 bilhões, alta de 19%.

A varejista Magazine Luiza encerrou o segundo trimestre deste ano com lucro líquido de R$ 386,6 milhões, aumento de 174,7%. A Cosan apresentou lucro de R$ 418,3 milhões, revertendo perdas de um ano atrás. A Rumo também reverteu perdas e lucro R$ 185 milhões

O BTG Pactual reportou alta de 56% no lucro, para R$ 972 milhões, enquanto o Banco Pine reverteu lucro de um ano e apresentou prejuízo de R$ 29,8 milhões. O Banco Inter, por sua vez, teve alta de 90% no lucro, para R$ 32,9 milhões.

A Estácio teve queda de 14% no lucro, para R$ 201,8 milhões. Já Anima viu seu prejuízo aumentar para R$ 16,9 milhões.

Por fim, a Direcional teve lucro de R$ 25,9 milhões, revertendo prejuízo de um ano antes.


(Com Agência Estado e Bloomberg)

 

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