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Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta segunda-feira

Guerra comercial entre EUA e China segue impactando mercados; no Brasil, são aguardados indicadores de atividade econômica, enquanto Previdência deve ser aprovada com folga no Senado 

China
(Shutterstock)

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou a semana passada com alta de 1,3%, aos 103.910 pontos, com a bolsa brasileira sendo guiada pelo noticiário corporativo, em meio à safra de resultados do segundo trimestre das empresas listadas na B3, em detrimento ao exterior, que refletiu negativamente o aumento das tensões na disputa comercial entre Estados Unidos e China.

Hoje, as bolsas internacionais e os futuros de Nova York operam majoritariamente em queda, diante da volatilidade nos mercados por conta do embate entre Washington e Pequim. O Banco do Povo da China (PBOC) definiu a referência oficial para o yuan em 7,0211 por dólar na segunda-feira, cotação mais fraca do que na sexta-feira, porém acima da prevista pelo mercado.

Além disso, atenção para a Argentina: a eleição primária no país mostrou forte vitória da oposição e gera receio de que a derrota de Mauricio Macri em outubro seja inevitável, o que deve levar a um sell-off de ativos argentinos com temor de retorno das políticas populistas de Cristina Kirchner.

No Brasil, o destaque fica para a divulgação, logo cedo, pelo Banco Central do IBC-Br de junho, índice atividade econômica que irá fornecer uma prévia ao mercado resultado do Produto Interno Bruto (PIB) para o segundo trimestre. Os investidores devem ficar atentos ainda às atualizações do Boletim Focus, também do Banco Central.

No noticiário, o jornal O Estado de S.Paulo informa que a reforma da Previdência já tem os votos necessários para ser aprovada pelo Senado Federal. O Placar da Previdência, elaborado pela publicação, aponta 53 votos "sim" ao texto. Para fazer alguma alteração na Constituição, são necessários o apoio de 49 senadores em dois turnos de votação.

O jornal O Globo destaca que o governo prepara uma série de medidas de ajuste fiscal, melhoria de competitividade e prestação de serviços. Já a Folha trouxe reportagem que analisa 87 estatísticas oficiais relativas ao governo Federal do primeiro semestre, apontando que 44 destes dados pioraram, 15 ficaram estáveis e 28 melhoraram.

Confirma os destaques desta segunda-feira:

1. Bolsas Internacionais

Os principais mercados na Ásia-Pacífico fecharam em alta nesta segunda-feira após uma semana volátil para os mercados globais, à medida que a crescente guerra comercial eleva o sentimento de temor para os investidores. Os mercados da China continental se recuperaram das perdas da semana anterior e fecharam em alta na segunda-feira.

Especialmente na China, a sessão foi marcada pelo terceiro pregão consecutivo em que o banco central desvaloriza o ponto médio em um nível mais fraco do que a barreira psicológica importante de 7 yuan por dólar. Analistas esperavam que o PBOC fixasse o ponto médio em 7,0331 por dólar, diz a CNBC, citando estimativas da Reuters.

O PBOC permite que a moeda local flutue contra o dólar em uma faixa estreita de 2% do ponto médio de cada dia. Hoje, o ficou próximo de 7,0613 por dólar, enquanto o yuan offshore foi negociado em torno de 7,0887.

Uma moeda mais fraca torna as exportações de um país mais baratas e a administração do presidente Donald Trump reclama constantemente de que um yuan mais barato daria à China uma vantagem comercial.

Na sexta-feira, o presidente Donald Trump disse que não estava pronto para fazer um acordo com a China e questionou a próxima rodada de negociações comerciais. A decisão ocorre após os EUA afirmar que imporia uma tarifa de 10% sobre US$ 300 bilhões restantes das importações chinesas em 1º de setembro. A China respondeu suspendendo suas compras de produtos agrícolas dos EUA.

Causa tensão ainda o ambiente político em Hong Kong, depois que o aeroporto internacional cancelou todas as partidas para o restante do dia, citando sérios problemas devido à intensificação dos protestos. 

Na Europa, as bolsas, que abriram majoritariamente em alta, viraram e operavam em queda no início da manhã, diante da escaladas da guerra comercial EUA-China.

Por lá, os investidores seguem atentos a evolução política na Itália, depois que o partido Lega do vice-primeiro-ministro Matteo Salvini apresentou uma moção de desconfiança para derrubar o governo na sexta-feira.

Já no Reino Unido, às voltas com o Brexit, o conselheiro de segurança nacional de Trump, John Bolton, chegou a Londres no domingo para negociações em que espera que o país europeu adote uma postura mais dura em relação ao Irã e à empresa de telecomunicações chinesa Huawei.

Entre as commodities, os preços do petróleo caíram nesta segunda-feira, em meio a preocupações com a desaceleração econômica e a guerra comercial sino-americana, que levaram a uma redução nas perspectivas de crescimento para a demanda por petróleo. O minério de ferro segue em queda.

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 07h29 (horário de Brasília):

*S&P 500 Futuro (EUA), -0,51%
*Nasdaq Futuro (EUA), -0,53%
*Dow Jones Futuro (EUA), -0,51%
*DAX (Alemanha), -0,03%
*FTSE (Reino Unido), -0,35%
*CAC-40 (França), -0,28%
*FTSE MIB (Itália), -0,03%
*Hang Seng (Hong Kong), -0,44% (fechado)
*Xangai (China), +1,45% (fechado)
*Nikkei (Japão), (fechado por feriado)
*Petróleo WTI, -1,34%, a US$ 53,76 o barril
*Petróleo Brent, -0,85%, a US$ 58,03 o barril
*Bitcoin, US$ 11.378,46, -0,31%
R$ 45.262, +0,03% (nas últimas 24 horas)
*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian recuavam 1,08%, cotados a 638,50 iuanes, equivalentes a US$ 90,33 (nas últimas 24 horas).

2. Agenda Econômica

No Brasil, às 8h30, o Banco Central púbica o IBC-Br – Índice de Atividade Econômica – referente ao mês de junho. Pouco antes, o BC informa o boletim Focus semanal.

Ainda pela manhã, às 8h00, a FGV informa a primeira prévia do IGP-M de agosto. À tarde, serão conhecidos os números semanais da balança comercial.

No corporativo, destaque para o início da última semana de divulgação de resultados, com destaque para os balanços, que saem após o fechamento do mercado, de Eletrobrás e Magazine Luiza.

Estão previstos ainda para hoje: Anima, Banco Inter, Banco Pine, Direcional, Hermes Pardini, Cosan, Estácio, Itaúsa, Rumo, Sanepar e São Martinho.

Nos Estados Unidos, às 15h, está prevista a divulgação do resultado fiscal de julho.

3. Noticiário Político

Após ser aprovada pela Câmara dos Deputados, em segundo turno, a reforma da Previdência não deverá enfrentar obstáculos para a sua aprovação no Senado. O governo espera ter uma folga em relação ao placar mínimo exigido. Segundo o Estadão, a equipe econômica conta com 64 votos de um total de 81 senadores. O Placar do Estadão apontou 53 favoráveis, 13 contrários, quatro indecisos e dez que não quiseram opinar.

Em busca da consolidação de um amplo apoio à proposta, o governo vai reforçar nos próximos dias o diálogo com os congressistas e também tirar dúvidas sobre o texto. A maior parte dos senadores que votam a favor da reforma são de partidos de centro como DEM, MDB, PSDB, PSD, PP, mas há também um parlamentar do PDT que declarou voto a favor: Acir Gurgacz (RO).

O secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, afirmou ao Estadão que o empenho da equipe é para manter a proposta como foi aprovada na Câmara. A versão avalizada pelos deputados prevê a economia de R$ 933,5 bilhões em uma década. Antes de ir a plenário, a proposta precisa do aval da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa. O relator, senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), prometeu entregar o parecer em até três semanas.

Entre os 53 senadores que participaram da enquete do Estadão, 11 disseram apoiar a inclusão de Estados e municípios nas novas regras previdenciárias. Para não atrasar a tramitação do texto atual, o Senado vem articulando a inclusão de Estados e municípios por meio de uma proposta paralela. As lideranças na Câmara, porém, continuam resistentes a essa medida.

O governo federal pretende enviar ainda uma proposta de capitalização do sistema previdenciário ao Congresso. A proposta foi apresentada em fevereiro pela equipe econômica, mas retirada durante as discussões na Câmara dos Deputados. "A ideia é enviar brevemente tão logo se resolva a Previdência", disse o presidente Jair Bolsonaro, ao falar com a imprensa em frente ao Palácio da Alvorada.

A decisão havia sido anunciada antes pelo ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. "O governo vai mandar essa PEC nas próximas semanas à Câmara dos Deputados", afirmou Onyx, acrescentando, porém, que a proposta seria enviada ainda durante a tramitação da reforma da Previdência no Senado. "Vai depender da equipe técnica", disse.

Questionado sobre se o modelo seria o mesmo do proposto em fevereiro, Onyx disse que haverá detalhamento na medida a ser enviada ao Congresso. "Lá (na PEC da Previdência) estava apenas a autorização para fazer a capitalização", disse. "Agora virá uma PEC com todo o detalhamento."

O presidente Jair Bolsonaro afirmou no final de semana que pretende manter a vinculação entre o salário mínimo e as aposentadorias. Em conversa com jornalistas no Palácio do Alvorada, ele disse que pretende manter o mesmo porcentual de correção, "no mínimo".

"Eu pretendo é que o aposentado siga o mesmo porcentual, no mínimo. Não podemos deixar cada vez mais o aposentado para trás. Isso é o que eu tenho a falar. No tocante a números, tem que conversar com a equipe econômica", disse, ao ser questionado se pretendia dar aumento real ao salário mínimo durante seu governo.

O jornal O Globo informou que com a aprovação da reforma da Previdência a expectativa é de um aumento de 25% no número de pessoas que investem num plano de aposentadoria complementar, que deve saltar de 16 milhões para 20 milhões.

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O Globo traz ainda que o governo pretende acabar com o monopólio do INSS na gestão de benefícios como auxílio-doença, acidente de trabalho e salário-maternidade, que representam gastos de R$ 130 bilhões por ano.

Ainda na política, destaque para a vitória da oposição na Argentina, que com 58% das urnas apuradas indica vitória da chapa de Alberto Fernández e Cristina Kirchner (47%) contra o atual presidente Maurício Macri (32,6%) nas eleições primárias, que servem de prévia para o pleito presidencial de outubro.

4. Noticiário Econômico

O jornal O Globo destaca que o governo deverá anunciar um pacote nos próximos dias que contempla três eixos: programa de privatização, reforma tributária e medidas administrativas. Segundo a publicação, o ministro da Economia, Paulo Guedes, quer desvincular receitas obrigatórias, zerar impostos para importação de máquinas e descentralizar recursos para Estados e municípios.

Na análise dos indicadores dos seis primeiros meses do governo do presidente Jair Bolsonaro compilados pela Folha, os que apresentaram maiores perdas foram os relacionados à educação, saúde e meio ambiente. Piorou, por exemplo, a oferta de assistência básica e apenas 1 em 12 índices do Ministério da Educação houve alta. Na segurança, por outro lado, houve melhoria, como nos homicídios dolosos. Já na economia, de 47 indicadores, 20 melhoraram como bolsa e emprego.

Sobre a proposta do presidente Jair Bolsonaro de aumentar a isenção da tabela do Imposto de Renda para quem ganha até cinco salários mínimos (R$ 4.990), que voltou a ser defendida, O Estadão destaca que a medida traria uma perda de arrecadação de cerca de R$ 39 bilhões. Hoje, quem ganha até R$ 1.903,98 por mês está isento de declarar o IR, segundo o Estadão.

A proposta de Bolsonaro atingiria 11,2 milhões de pessoas. O cálculo não leva em conta o fim das deduções médicas na declaração de IR, medida em estudo pela equipe econômica. Embora seja promessa de campanha e tema recorrente do presidente, a ampliação da faixa dos que não pagam o IR enfrenta resistência da equipe econômica. Segundo fontes ouvidas pela reportagem, não é possível conceder o benefício nesse momento.

Mesmo assim, a orientação dada à Receita é buscar uma solução que contemple o pedido do presidente. Entre elas, um mecanismo de correção da tabela pela inflação, o que também envolve perda de arrecadação. O jornal O Estado de S. Paulo apurou que o custo é entre R$ 1,5 bilhão e R$ 2 bilhões para cada ponto porcentual de correção.

5. Noticiário Corporativo

A Petrobras vai se transformar, até 2022, numa empresa do Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo, segundo o presidente da companhia, Roberto Castello Branco. O executivo disse que as atividades de exploração e produção de petróleo e gás natural e também o refino vão se concentrar nesses três Estados. O investimento planejado para o Rio de Janeiro é de US$ 54 bilhões nos próximos cinco anos. Parte desse dinheiro, US$ 20 bilhões vão ser gastos na Bacia de Campo, no norte fluminense, principalmente, para revitalizar campos produtores que entraram na fase de esgotamento e dependem de investimento para ganhar sobrevida.

Concluída a privatização, a BR Distribuidora pretende atuar em dez frentes para tentar alcançar rentabilidade compatível à obtida por concorrentes do setor privado. As medidas para modernizar a distribuidora foram definidas por um grupo de trabalho que inclui diretores e gerentes. Entre as iniciativas, está a entrada no negócio de comercialização de combustíveis, comprando de diferentes fornecedores, inclusive no exterior, e vendendo até mesmo para concorrentes. Nessa linha, a BR avalia criar uma empresa para atuar no segmento de etanol.

O secretário de Coordenação e Governança das Estatais do Ministério da Economia, Fernando Soares, confirmou que o governo está trabalhando para fazer a privatização da Eletrobras pelo modelo de "follow on", em que haverá pulverização do capital e a União deixará de ser acionista majoritária. Segundo Soares, a ideia do governo é ainda em agosto apresentar um projeto de lei substitutivo prevendo a operação, que tem de ser aprovada pelo Congresso Nacional.

Ainda no corporativo, o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) decidiu pela suspensão do bloqueio de R$ 3,7 bilhões da Braskem, derrubando a decisão do Tribunal de Justiça de Alagoas. O relatório da Serviço Geológico do Brasil (CPRM), divulgado dia 8 de maio, havia responsabilizou diretamente a petroquímica, que pertence à Odebrecht e Petrobras, pelas rachaduras e afundamento em três bairros de Maceió. Em nota, o grupo disse que segue colaborando com as autoridades.

Controlada pelo Grupo Pão de Açúcar (GPA, a Sendas Distribuidora fará a emissão de R$ 8 bilhões em debêntures para arrecadar recursos para a compra das ações da Almacenes Éxito, na Colômbia. A operação faz parte da reorganização da estrutura do Casino na América Latina. A operação pode facilitar a venda a venda do GPA.

Entre os resultados corporativos, a Alpargatas registrou um lucro líquido consolidado de R$ 31,6 milhões no segundo trimestre, um desempenho 73% superior ao do mesmo período do ano passado. Já a fabricante de alimentos M.Dias Branco reportou um lucro de R$ 100,6 milhões, representando queda de 52%.

(Com Agência Estado, Agência Brasil e Bloomberg)

 

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