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Ibovespa Futuro sobe com dados da China e rejeição de destaques à Previdência

Mercado não sofre com a nova desvalorização do câmbio chinês, que já era esperada, mas comemora a melhora das expectativas com a economia

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(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa Futuro abre em alta nesta quinta-feira (8), acompanhando o desempenho das bolsas internacionais após um novo sinal de alívio vindo da China, que fixou um valor mais forte que o esperado para o yuan contra o dólar. 

O dólar foi fixado em 7,0039 por dólar e, mesmo superando a marca psicológica de 7 na maior desvalorização desde abril de 2008, ficou abaixo do valor de 7,0156, que era a média esperada por 21 analistas e operadores ouvidos pela Bloomberg. Além disso, os investidores repercutem os dados da balança comercial do gigante asiático. 

Por aqui, o mercado comemora a rejeição de todos os destaques apresentados pela oposição ao texto da reforma da Previdência, aprovado em segundo turno na Câmara dos Deputados.

O secretário da Previdência, Rogério Marinho, afirmou que já irá conversar com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP) para planejar a tramitação da reforma daqui para frente. 

Às 9h05 (horário de Brasília) o contrato futuro do Ibovespa para agosto subia 0,53% a 103.415 pontos. Já o dólar futuro com vencimento em setembro cai 0,34% a R$ 3,9625. 

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2021 caía três pontos-base a 5,40% e o DI para janeiro de 2023 registrava perdas de dois pontos-base a 6,34%.

Entre os indicadores, a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou julho com alta de 0,19%, ante um avanço de 0,01% em junho, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado veio abaixo do esperado por economistas consultados pela Bloomberg que, na mediana, esperavam uma aceleração para 0,24% na base mensal e alta de 3,28% em julho na comparação anual. 

Previdência

A potência fiscal do texto aprovado na Câmara esta semana é de R$ 933 bilhões em dez anos, cerca de 30% acima das estimativas iniciais do mercado.

Como o texto do primeiro turno foi mantido na votação em segundo turno, não há necessidade de que a proposta seja novamente aprovada em comissão especial.

Dessa forma, a matéria está pronta para ser encaminhada para o Senado, onde passará pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa e também precisará ser aprovada em dois turnos de votação em plenário. O texto deixa a Câmara quase seis meses depois de ser enviado pelo governo.

No Senado, a tramitação tem menos etapas. O texto passa pela CCJ, que tem até 30 dias para emitir um parecer, e depois segue para o plenário para votação em dois turnos -- o primeiro depois de cinco sessões de discussão e o segundo, depois de três. São necessários 49 votos favoráveis.

A PEC terá a relatoria de Tasso Jereissati, tucano como Samuel Moreira, o responsável pelo texto na Câmara. Conforme ressalta a equipe de análise da XP Política, os dois mantiveram contato durante a tramitação, o que reduz chances de alterações que forcem nova análise pela Câmara. A presidente da CCJ é Simone Tebet (MDB).

Ainda assim, avalia, a equipe econômica reconhece que a proposta não será aprovada no "piloto automático" e que exigirá atenção e dedicação para que não haja alterações no relatório.

Noticiário Corporativo

A Petrobras alterou a divulgação dos preços da gasolina e do óleo diesel em suas refinarias em seu site. Em vez do litro, unidade de medida adotada até então, a empresa passou a adotar o metro cúbico.

Além disso, passou a informar as diferenças de preço por modal de entrega. Os preços divulgados pela Petrobras valem para a modalidade de pagamento à vista, e neles não estão incluídos os tributos.

O Valor destaca que a Câmara Superior do Conselho Administrativo de Recursos Federais validou multa de R$ 2 bilhões referente a IRPJ e CSLL na amortização de ágios entre 2006 e 2010 no processos de fusão entre Ambev e InBev.

Segundo a publicação, o mérito da questão será discutido na Justiça e já há liminar favorável à empresa. O total da autuação é de R$ 5,5 bilhões, segundo o formulário de referência da empresa.

Ainda sobre a Ambev, o Estadão informa que o ex-ministro Antonio Palocci relatou à Polícia Federal “pagamentos indevidos” da Ambev aos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff e a ele próprio. O interesse da companhia seria impedir a elevação de impostos sobre bebidas. A Ambev não comentou e o PT negou as acusações,

Entre os balanços, o destaque é para os resultados da petroquímica Braskem, que reportou um lucro líquido de R$ 102 milhões no segundo trimestre, desempenho 79% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado. Já a SulAmérica registrou alta de 92% no lucro, que atingiu R$ 260,5 milhões.

No financeiro, destaque para o Banco do Brasil, com alta de 36% no lucro, que atingiu R$ 4,4 bilhões. Já o Banco Daycoval teve lucro recorrente de R$ 228 milhões, alta de 19%. Já no setor de óleo, a Enauta viu seu lucro recuar 76%, para R$ 20,4 milhões.

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Também saíram os balanços de NotreDame, que reportou lucro de R$ 89,6 milhões (+74,8%); Totvs, com lucro de R$ 57,5 milhões (+88,5%); JHSF com lucro de R$ 5 milhões, revertendo perdas do ano passado; e BR Properties, com lucro de R$ 57 milhões, ante prejuízo de um ano antes.

No setor de utilities, a Comgás apresentou lucro normalizado de R$ 307 milhões, alta de 40%; enquanto a CPFL Renováveis teve prejuízo de R$ 38,4 milhões (+5,4%).

Bolsas Internacionais

As ações nos mercados asiáticos sobem refletindo os dados da alfândega chinesa reportando que as exportações chinesas registram um resultado acima do esperado em julho, mesmo com a guerra comercial com os EUA se arrastando de forma prolongada.

As vendas ao exterior chinesas em dólar em julho subiram 3,3% em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto as importações caíram 5,6% no mesmo período. O superávit comercial do país no mês passado foi de US$ 45,06 bilhões, segundo dados da alfândega.

Já o superávit comercial da China com os EUA foi de US$ 27,97 bilhões em julho, abaixo dos US$ 29,92 bilhões do mês anterior. De janeiro a julho, o superávit comercial da China com os EUA totalizou US$ 168,5 bilhões.

A desvalorização do yuan “está ajudando os exportadores da China a vender não apenas para os Estados Unidos porque diminui o impacto do aumento das tarifas, mas também os ajuda a exportar para outros países”, disse gerente de portfólio da Allianz Global Investors, Lu Yu à CNBC.

 

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