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Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta quinta-feira

Mercados operam em alta, mas atentos aos movimentos da China, após nova desvalorização do Yuan; no Brasil, índices de inflação e aprovação da reforma da Previdência são destaques  

china
(Shutterstock)

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou a sessão da véspera com alta de 0,61%, aos 102.782 pontos, com uma virada no final do pregão impulsionado pelas ações de bancos.

A bolsa brasileira superou os índices norte-americanos, mesmo com a melhora do humor externo após fala do presidente do Federal Reserve de Chicago, Charles Evans, de que a guerra comercial justificaria uma queda dos juros.

Pelo Twitter, o presidente norte-americano, Donald Trump, disse que o “problema não é a China”, mas sim o Fed, que “é orgulhoso demais para admitir o erro dele em agir rápido demais, apertando muito a política monetária.”

Hoje, as bolsas internacionais operam em alta. Os mercados ficam atentos ao novo movimento do Banco do Povo da China, que determinou outra desvalorização do yuan, cotado a 7,0039 por dólar – o mais fraco desde abril de 2008, mas em um valor mais forte para a moeda chinesa do que o esperado. O Banco Central da China permite que a taxa de câmbio flutue numa banda de 2% para as movimentações onshore, onde a moeda chinesa vale 7,0441 contra 1 dólar.

No Brasil, destaque para os índices de inflação, que podem devem referendas a tendência de redução da taxa de juros, com as divulgações do IPCA, IGP-DI e o IPC-S.

Além disso, após quase dez horas de votações, o Plenário da Câmara concluiu ontem à noite a votação da reforma da Previdência em segundo turno. Os deputados rejeitaram os oito destaques apresentados e mantiveram sem alterações o texto principal aprovado na noite anterior. A proposta que será encaminhada ao Senado, onde precisa passar por dois turnos de votação, é igual à aprovado em primeiro turno no dia 13 de julho pela Câmara.

1. Bolsas Internacionais

As ações nos mercados asiáticos sobem refletindo os dados da alfândega chinesa reportando que as exportações chinesas registram um resultado acima do esperado em julho, mesmo com a guerra comercial com os EUA se arrastando de forma prolongada.

As vendas ao exterior chinesas em dólar em julho subiram 3,3% em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto as importações caíram 5,6% no mesmo período. O superávit comercial do país no mês passado foi de US$ 45,06 bilhões, segundo dados da alfândega.

Já o superávit comercial da China com os EUA foi de US$ 27,97 bilhões em julho, abaixo dos US$ 29,92 bilhões do mês anterior. De janeiro a julho, o superávit comercial da China com os EUA totalizou US$ 168,5 bilhões.

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A desvalorização do yuan “está ajudando os exportadores da China a vender não apenas para os Estados Unidos porque diminui o impacto do aumento das tarifas, mas também os ajuda a exportar para outros países”, disse gerente de portfólio da Allianz Global Investors, Lu Yu à CNBC.

Na Europa, as ações europeias negociaram em alta na quinta-feira de manhã, com os investidores voltando para ativos de risco e digerindo uma série de lucros corporativos de grandes empresas.

Entre as commodities, o minério registra nova desvalorização, enquanto o petróleo avança, recuperando parte das perdas da sessão anterior, quando fechou em forte queda. 

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 07h21 (horário de Brasília):

*S&P 500 Futuro (EUA), +0,37%
*Nasdaq Futuro (EUA), +0,57%
*Dow Jones Futuro (EUA), +0,27%
*DAX (Alemanha), +0,77%
*FTSE (Reino Unido), +0,20%
*CAC-40 (França), +1,22%
*FTSE MIB (Itália), +0,66%
*Hang Seng (Hong Kong), +0,52% (fechado)
*Xangai (China), +0,93% (fechado)
*Nikkei (Japão), +0,37% (fechado)
*Petróleo WTI, +2,35%, a US$ 52,29 o barril
*Petróleo Brent, +1,69%, a US$ 57,18 o barril
*Bitcoin, US$ 11.828,69, +1,87%
R$ 46.802, +3,00% (nas últimas 24 horas)
*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian recuavam 2,65%, cotados a 660,50 iuanes, equivalentes a US$ 93,75 (nas últimas 24 horas).

2. Agenda Econômica

No Brasil, a agenda estará focada nos indicadores de inflação. Às 8h00, a FGV informa IGP-DI de julho e o IPC-S da 1ª quadrissemana de agosto. Já às 9h00, o IBGE publica o IPCA de julho. Saem ainda, às 9h00, os dados da estimativa da safra agrícola de julho, medidos pelo IBGE.

No Corporativo, destaque para a divulgação do balanço, antes da abertura do mercado, da aérea Azul. Após o fechamento, saem os resultados de B3, B2W, BRMalls, Burger King, CCR, CVC, Cyrela, Energisa, Lojas Americanas, Marisa, MRV, Suzano, Tenda, Tecnisa e Triunfo.

Nos Estados Unidos, às 9h30, serão divulgados os pedidos de auxílio-desemprego e continuados semanal; e, às 11h00, os estoques no atacado de junho.

À noite, na Ásia, os números do PIB do Japão do segundo trimestre e os índices de preços ao consumidor e produtos da China de julho vão ser conhecidos.

3. Noticiário Político

Com o encerramento das votações na Câmara do texto da reforma da Previdência, as expectativas se voltam agora para a tramitação no Senado. Como não teve alterações no segundo turno na Câmara, não há necessidade de que a proposta seja novamente aprovada em comissão especial. Assim, seguirá para o Senado, onde passará pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa e também precisará ser aprovada em dois turnos de votação em plenário.

O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, reafirmou a previsão de que a reforma da Previdência seja aprovada em dois turnos no Senado até o fim de setembro. "Ainda temos passagem importante pelo Senado. Já conversei bastante com o presidente Davi Alcolumbre (DEM-AP) nos últimos dois dias e uma previsão bastante confiável é de que votação no lá acabe até 30 de setembro", afirmou Lorenzoni.

Segundo Lorenzoni, é importante manter o texto como aprovado na Câmara. Assim, a inclusão de Estados e municípios e a capitalização devem ser trabalhadas em outras duas Propostas de Emenda à Constituição (PEC), que ainda precisam ser criadas. A potência fiscal do texto aprovado é de R$ 933 bilhões em dez anos, cerca de 30% acima das estimativas iniciais do mercado.

A PEC terá a relatoria de Tasso Jereissati, tucano como Samuel Moreira, o responsável pelo texto na Câmara. Conforme ressalta a equipe de análise da XP Política, os dois mantiveram contato durante a tramitação, o que reduz chances de alterações que forcem nova análise pela Câmara. Mesmo assim, a expectativa é de que a reforma não seja aprovada no "piloto automático", o que exigirá atenção e dedicação para que não haja alterações no relatório.

O mundo político se agitou ontem ainda com a decisão da juíza federal Carolina Lebbos, responsável pela execução da pena do ex-presidente Lula no caso do tríplex no Guarujá (SP), que aceitou pedido feito pela Polícia Federal para que o petista fosse transferido para um estabelecimento penal em São Paulo.

Horas depois, o juiz Paulo Eduardo de Almeida Sorci, coordenador e corregedor dos presídios no estado, autorizou a remoção de Lula para a penitenciária II de Tremembé.

O caso acabou mobilizando o Supremo Tribunal Federal (STF) que, por 10 votos a 1, atendeu, parcialmente, o pedido feito pela defesa do ex-presidente Lula, suspendendo a sua transferência do petista da carceragem da Polícia Federal em Curitiba para o presídio paulista.

A decisão é válida até que a Segunda Turma da Corte julgue o pedido de suspeição do ex-juiz Sérgio Moro, apresentado pela defesa do líder petista, que começou a ser analisado em dezembro, mas teve o julgamento interrompido por pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.

A votação veio após pressão política que sucedeu a notícia de que Lula seria encarcerado em presídio comum. As críticas a decisão vieram do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e de partidos de esquerda, do Centrão e do PSDB.

4. Noticiário Econômico

O Estadão destaca que a equipe econômico vai pedir ajuda das estatais federais para desbloquear as despesas do governo e fechar as contas este ano com a antecipação de R$ 13 bilhões em dividendos dessas empresas relativos ao primeiro semestre. Segundo a publicação, as conversas com os dirigentes dos bancos oficiais já começaram. Este ano, a Caixa já fez várias vendas lucrativas e, como tem único acionista a União, é o principal alvo. O BNDES também será chamado a contribuir.

O Valor Econômico traz que na primeira manifestação do Superior Tribunal do Trabalho (TST) sobre o contrato de trabalho intermitente, instituído pela reforma trabalhista de 2017, os ministros da 4ª Turma decidiram que essa forma de contratação é válida para qualquer atividade exercida pelo empregado. Nesse contrato, o trabalhador tem contrato na carteira, mas sem jornada definida.

Com a decisão do TST, os ministros reverteram a condenação imposta à rede varejista Magazine Luiza pelo Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais, por utilizar esse tipo de contrato para admissão de um empregado na função de assistente de loja.

5. Noticiário Corporativo

A Petrobras alterou a divulgação dos preços da gasolina e do óleo diesel em suas refinarias em seu site. Em vez do litro, unidade de medida adotada até então, a empresa passou a adotar o metro cúbico. Além disso, passou a informar as diferenças de preço por modal de entrega. Os preços divulgados pela Petrobras valem para a modalidade de pagamento à vista, e neles não estão incluídos os tributos.

O Valor destaca que a Câmara Superior do Conselho Administrativo de Recursos Federais validou multa de R$ 2 bilhões referente a IRPJ e CSLL na amortização de ágios entre 2006 e 2010 no processos de fusão entre Ambev e InBev. Segundo a publicação, o mérito da questão será discutido na Justiça e já há liminar favorável à empresa. O total da autuação é de R$ 5,5 bilhões, segundo o formulário de referência da empresa.

Ainda sobre a Ambev, o Estadão informa que o ex-ministro Antonio Palocci relatou à Polícia Federal “pagamentos indevidos” da Ambev aos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff e a ele próprio. O interesse da companhia seria impedir a elevação de impostos sobre bebidas. A Ambev não comentou e o PT negou as acusações,

Entre os balanços, o destaque é para os resultados da petroquímica Braskem, que reportou um lucro líquido de R$ 102 milhões no segundo trimestre, desempenho 79% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado. Já a SulAmérica registrou alta de 92% no lucro, que atingiu R$ 260,5 milhões.

No financeiro, destaque para o Banco do Brasil, com alta de 36% no lucro, que atingiu R$ 4,4 bilhões. Já o Banco Daycoval teve lucro recorrente de R$ 228 milhões, alta de 19%. Já no setor de óleo, a Enauta viu seu lucro recuar 76%, para R$ 20,4 milhões.

Também saíram os balanços de NotreDame, que reportou lucro de R$ 89,6 milhões (+74,8%); Totvs, com lucro de R$ 57,5 milhões (+88,5%); JHSF com lucro de R$ 5 milhões, revertendo perdas do ano passado; e BR Properties, com lucro de R$ 57 milhões, ante prejuízo de um ano antes.

No setor de utilities, a Comgás apresentou lucro normalizado de R$ 307 milhões, alta de 40%; enquanto a CPFL Renováveis teve prejuízo de R$ 38,4 milhões (+5,4%).

(Com Agência Estado, Agência Câmara e Bloomberg)

 

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