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XP vê Bolsa barata após corte de juros e recomenda ações ligadas a consumo

Carteira mensal fundamentalista da corretora para agosto reflete o cenário de otimismo com a reforma da Previdência e Selic na mínima histórica

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(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa atingiu 106 mil pontos em julho após a aprovação da reforma da Previdência em primeiro turno na Câmara dos Deputados, mas recuou até 102 mil pontos.

Esse movimento de queda, associado com o corte de 0,5 ponto percentual na taxa Selic promovido ontem pelo Banco Central, consolida a Bolsa como o melhor veículo para se investir no Brasil, segundo o estrategista-chefe da XP Investimentos, Karel Luketic.

De acordo com o especialista, a Selic deve cair para 5% ao ano e os juros baixos vão durar mais do que se imagina. 

Isso é ótimo para a renda variável, pois, como o analista destaca em seu relatório, os efeitos de juros mais baixos são diversos.

Além do óbvio estímulo à economia, a Selic na mínima histórica também traz despesas financeiras menores para as empresas e levam o investidor a transferir seu dinheiro da renda fixa para ações com o objetivo de ter maiores rendimentos. 

"Uma redução de um ponto percentual nas taxas de desconto de nossa cobertura leva a uma alta de 12,5% em nossos preços-alvo", afirma Luketic. 

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Entre as empresas, o estrategista avalia que as maiores beneficiárias da Selic menor são as do setor de consumo, como varejo, construtoras e aluguéis de carros. Companhias ligadas a infraestrutura como elétricas e aquelas ligadas a concessões de logística, também devem se destacar, já que o retorno dos novos projetos aumenta com o pagamento de juros menores para se financiar. 

Medidas econômicas

Fora os juros, o cenário para a Bolsa também é positivo porque a reforma da Previdência até agora tem superado as expectativas.

O mercado esperava que o governo tivesse uma economia de R$ 700 bilhões em dez anos com as novas regras para aposentadoria, mas ao que tudo indica, esse valor ficará mais perto dos R$ 900 bilhões do texto aprovado pela Câmara. 

As expectativas por aprovação em segundo turno na Casa e nas comissões e dois turnos no Senado deixam os investidores ansiosos. Se for comprovada essa economia após o fim da tramitação do projeto no Legislativo, haverá fluxo comprador para as ações brasileiras. 

Deixando para trás a Previdência, o governo poderá focar em outras medidas para destravar a economia. Luketic entende que o anúncio da liberação dos saques do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) é só uma pequena amostra do que o Executivo pode fazer. 

"A reforma Tributária é o grande ponto de destaque, com discussões ainda amadurecendo, mas destaque para: possível unificação de 5 tributos sob o Imposto de Valor Agregado, ou IVA e introdução de um imposto sobre transações financeiras nos moldes da antiga CPMF, tópico que deve sofrer oposição", aponta. 

O foco de preocupação neste cenário ficaria com o ambiente externo. As tensões comerciais entre Estados Unidos e China seguem elevadas, sem que haja acordo para acabar com a escalada das tarifas impostas às importações de um país para o outro. 

Carteira Mensal

De olho nesse quadro de juros baixos, reforma da Previdência encaminhada, expectativa por novas medidas do governo para melhorar o ambiente de negócio e guerra comercial no exterior, a XP realizou alterações na sua carteira mensal com 10 ações para investir baseada em análise fundamentalista.

Foram retiradas Gerdau (GGBR4), Vale (VALE3) e Banco do Brasil (BBAS3) e incluídas Grupo Pão de Açúcar (PCAR4), Petrobras (PETR4) e IRBR (IRBR3).

Dentro do portfolio, há uma tese que explica cada conjunto de ações. A Selic baixa por mais tempo do que o precificado explica as apostas em Localiza (RENT3), Energias do Brasil (ENBR3) e Copel (CPLE6). 

Já a aceleração do crescimento econômico depois da reforma motiva as posições em Bradesco (BBDC4) e Pão de Açúcar. 

Em busca de proteção, ações de qualidade estão na carteira, como Lojas Renner (LREN3), Localiza, IRBR e Azul (AZUL4).  

Já os ciclos globais descontados explicam a presença dos papéis de Petrobras e JBS (JBSS3) no portfolio. 

A carteira fundamentalista mensal de ações da XP para agosto ficou assim: 

Empresa Ticker Preço-alvo Upside (sobre 31/07)
Azul AZUL4 R$ 60,00 15,87%
Bradesco  BBDC4 R$ 47,00 36,23%
Copel CPLE6 R$ 65,00 32,25%
Energias do Brasil ENBR3 R$ 27,00 39,97%
IRBR IRBR3 R$ 120,00 26,32%
JBS JBSS3 R$ 27,00 8,43%
Lojas Renner LREN3 R$ 53,00 11,67%
Localiza RENT3 R$ 49,50  12,5%
Grupo Pão de Açúcar PCAR4 R$ 124,00 32,55%
Petrobras PETR4 R$ 36,00 38,04%

 

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