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Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta segunda-feira

Mercados internacionais operam de olho nos juros do Fed, enquanto no Brasil os investidores aguardam detalhes de liberação do FGTS e novo corte no orçamento 

Bolsonaro e Paulo Guedes
(Marcos Corrêa/PR)

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou a sessão de sexta-feira com queda de 1,21%, aos 103.451 pontos, pressionado por um ajuste de expectativas em relação aos juros nos EUA, após o presidente do Fed de St. Louis, James Bullard, afirmar que apoiaria um corte de 0,25 ponto percentual nas taxas, mas sem acreditar que uma redução mais agressiva nas taxas seja necessária.

Hoje, apesar da queda nos principais índices acionários asiáticos, as bolsas europeias e os futuros de Nova York operam em alta. Nos Estados Unidos, as cotações dos títulos da dívida do governo norte-americano recuaram com os investidores reduzindo as suas expectativas de um corte agressivo da taxa pelo Fed.

No Brasil, enquanto os investidores aguardam por novidades nos planos de estímulo à retomada da economia – o anúncio do FGTS deverá sair na quarta-feira – o Ministério da Economia, às 15h00, divulgará o Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas referente ao terceiro bimestre deste ano. Além disso, o Banco Central divulga as novas projeções para a economia, às 8h25, com o Boletim Focus.

Ainda no Brasil, no sábado, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que poderá ocorrer "novo corte" no Orçamento de R$ 2,5 bilhões. Segundo o presidente, o governo ainda está decidindo qual ministério terá suas despesas bloqueadas. "Estamos no sufoco queremos evitar que o governo pare, dado ao Orçamento nosso completamente comprometido”, afirmou.

1. Bolsas Internacionais

O foco do mercado internacional está no banco central dos EUA. O Wall Street Journal sugeriu que o Fed reduziria as taxas em 0,25 ponto porcentual na reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto de 30-31 de julho.“O relatório do Wall Street Journal disse que as preocupações com o crescimento global e as incertezas comerciais atuais podem levar o Fed a fazer cortes adicionais nos próximos meses”, destacou a CNBC.

Apesar da queda na Ásia, a nova bolsa de tecnologia em Xangai, ao estilo da Nasdaq, estreou com altas impressionantes de ações, de até 520%, como no caso dos papéis da Anji Microelectronics Technology, que produz materiais para semicondutores. Segundo a CNN, as 25 ações listadas na Star ganharam 160% em média de valorização.

Ainda no oriente, a coalizão governista do primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, obteve a maioria na Câmara Alta do Parlamento do país nas eleições de domingo. A eleição acontece em meio às disputas comerciais do Japão com a Coréia do Sul.

Já na Europa, a votação para a liderança do Partido Conservador do Reino Unido deve ser encerrada hoje, com o próximo primeiro-ministro devendo ser anunciado na terça-feira. O ex-prefeito de Londres, Boris Johnson - amplamente favorito - ou o ministro das Relações Exteriores, Jeremy Hunt, devem suceder Theresa May no cargo, a partir de quarta-feira.

Em relação ao Brexit , Johnson insistiu que o Reino Unido deve deixar a UE no prazo de 31 de outubro “aconteça o que acontecer”, enquanto Hunt disse que estaria preparado para atrasar o processo de retirada, se necessário, para garantir um novo acordo de divórcio.

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Entre as commodities, o destaque é para o petróleo, com os preços operando com altas na faixa dos 2%, em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio, após a Guarda Revolucionária do Irã capturar um petroleiro britânico no Golfo Pérsico, em resposta à apreensão de um navio-tanque iraniano no início deste mês. A região é responsável por cerca de um quinto do suprimento mundial de petróleo. Os futuros do minério de ferro operam em queda.

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 07h25 (horário de Brasília):

*S&P 500 Futuro (EUA), +0,23%
*Nasdaq Futuro (EUA), +0,35%
*Dow Jones Futuro (EUA), +0,20%
*DAX (Alemanha), +0,08%
*FTSE (Reino Unido), +0,30%
*CAC-40 (França), +0,02%
*FTSE MIB (Itália), +0,03%
*Hang Seng (Hong Kong), -1,37% (fechado)
*Xangai (China), -1,27% (fechado)
*Nikkei (Japão), -0,23% (fechado)
*Petróleo WTI, +1,78%, a US$ 56,62 o barril
*Petróleo Brent, +2,02%, a US$ 63,73 o barril
*Bitcoin, US$ 10.490,72, -1,42%
R$ 39.305, -0,95% (nas últimas 24 horas)
*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian recuam 1,61%, cotados a 885,00 iuanes, equivalentes a US$ 124,25 (nas últimas 24 horas).

2. Agenda Econômica

No Brasil, às 8h25, o Banco Central publica o Boletim Focus, com as atualizações das projeções para o PIB, inflação e juros. À tarde, o Ministério da Economia informa o resultado semanal da balança comercial.

O Ministério da Economia informa ainda, às 15h00, o Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas referente ao terceiro bimestre deste ano.

Nos Estados Unidos, às 9h30, o Fed Chicago informa o índice de atividade nacional de junho.

No universo corporativo, está prevista a divulgação do balanço da Whirpool, após o fechamento, no exterior, enquanto no Brasil a Profarma abre a temporada local de resultados.

3. Noticiário Político

O presidente Jair Bolsonaro afirmou ontem que poderá rever no futuro o percentual da multa do FGTS paga ao empregado demitido sem justa causa. Atualmente, o trabalhador recebe 40% do fundo. O presidente confirmou ainda que o anúncio da liberação das contas ativas e inativas do FGTS deverá acontecer na próxima quarta-feira, 24.

"O valor não está na Constituição, mas o FGTS está no artigo 7º, acho que o valor é uma lei, vamos pensar lá na frente. Mas antes disso a gente tem que ganhar a guerra da informação, eu não quero manchete amanhã dizendo 'o presidente está estudando reduzir o valor da multa'. O que eu estou tentando levar para o trabalhador é o seguinte: menos direitos e emprego. Todos os direitos e desemprego", disse.

Para alterar o valor da multa, o presidente precisará encaminhar ao Congresso uma proposta de lei complementar para regulamentar o tema já que a multa é uma cláusula pétrea da Constituição. Na sexta-feira, o presidente criticou a multa, mas havia dito que não pretendia extingui-la. Ele repetiu a explicação de que sua fala se deu no contexto da criação da penalidade, no governo Fernando Henrique Cardoso.

Ontem, Bolsonaro ressaltou que as medidas econômicas de seu governo estão avançando e citou como exemplo a aprovação do primeiro turno da reforma da Previdência na Câmara. "Aprovação da reforma da Previdência fez a bolsa de valores se estabilizar acima dos 100 mil pontos", disse. No final de semana, se reuniu com o os ministros da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e o secretário de Governo, Luiz Eduardo Ramos sobre a articulação com o Congresso com Ramos.

Envolto em uma polêmica por conta de uma declaração sobre os nordestinos, Bolsonaro afirmou neste domingo não temer visitar a região devido às críticas que fez na sexta-feira, durante uma conversa informal com o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, registrada pela TV Brasil, quando chamou a região de "paraíba" e disse que não devia ter "nada" para o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB).

Ainda segundo o presidente, os governadores do Nordeste têm ideologia e tentam manipular os eleitores da região por meio de desinformação. Em resposta, o Colegiado de presidentes de Assembleias Legislativas dos Estados do Nordeste (ParlaNordeste) recebeu com "repulsa" e chamou de preconceituosas as declarações do presidente.

Em novas conversas reveladas, o The Intercept diz que o coordenador da operação Lava Jato no MPF, Deltan Dallagnol, teria comentado, em 8 de dezembro do ano passado, com os colegas, sobre as investigação de movimentações financeiras atípicas pelo Coaf, que implicavam o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente Bolsonaro.

Em um grupo do Telegram, Dallagnol compartilhou uma notícia com os procuradores, sobre o caso, sugerindo a existência de ilegalidades e manifestado preocupação com a forma que Sergio Moro, que recém havia sido indicado como ministro da Justiça, poderia lidar com as investigações. Ele temia que Moro não desse continuidade às investigações por pressões de Bolsonaro e pelo desejo dele ser indicado para uma vaga ao Supremo.

4. Noticiário Econômico

O jornal Valor Econômico destaca que as captações das empresas brasileiras no exterior estão saindo pelo menor custo em cinco anos e a taxas inferior a de outros países emergentes. Segundo a publicação, os papéis das companhias nacionais pagaram, em média, 246 pontos-base acima da taxa de juro paga por título do governo norte-americano. Nos últimos dias, pela primeira vez, desde 2014, o prêmio médio das firmas de economias emergentes foi superior, a 257 p.b.

O Credit Default Swap (CDS) de cinco anos, espécie de termômetro do risco-país, também voltou a ser negociado no menor patamar em cinco anos, aos 128 pontos – índice que o Brasil tinha quando era classificado como grau de investimento pelas agências de classificação de risco. Além do avanço da reforma da Previdência, o ambiente externo de redução dos juros e redução do risco de uma crise fiscal ajudam na redução dos CDS.

Ainda na economia, o Estadão informa que o leilão de frequências para a quinta geração de telefonia celular (5G), previsto para março de 2020, deve movimentar cerca R$ 20 bilhões, segundo o conselheiro da Anatel Vicente Aquino, relator do edital. Desse total, R$ 10 bilhões devem ir para o caixa do governo. A ideia é que o 5G esteja disponível nas grandes capitais a partir de 2021.

Os investidores devem acompanhar ainda o movimento das categorias de caminhoneiros que estão descontentes com a nova política de pisos mínimos do frete rodoviário. A resolução publicada na quinta-feira pela ANTT gerou reação imediata da categoria, que voltou a falar em paralisações. O governo deverá se reunir com a categoria e tentar encontrar um consenso que evite uma nova greve do transporte rodoviário.

5. Noticiário Corporativo

A Petrobras informa a venda da totalidade de sua participação dos Polos Pampo e Enchova, localizados na Bacia de Campos, à empresa Trident Energy, que apresentou a melhor oferta final para aquisição dos ativos, é de cerca de US$ 1 bilhão, considerando pagamentos firmes e contingentes. “Entretanto, a transação se encontra em etapas finais de aprovação pelos órgãos competentes da Petrobras”, destaca a empresa.

Ainda sobre a Petrobras, em manifestação enviada na noite de sexta-feira, ao Supremo Tribunal Federal, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, opinou pela suspensão da decisão liminar que obrigou a Petrobras a fornecer combustível a duas embarcações iranianas que estão no porto de Paranaguá, no Paraná. No documento, Raquel afirma que a empresa não provou ter direito subjetivo de comprar o combustível da Petrobras e que possui alternativas para adquirir o produto de outros fornecedores.

Além disso, existe uma questão de ordem pública envolvida na ação e que foi demonstrada pela União por meio do Itamaraty, que são as relações diplomáticas estabelecidas pelo Brasil e que poderiam ser afetadas pela medida pretendida na esfera judicial. Os navios que estariam transportando milho para o Irã encontram-se sancionados pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros dos Estados Unidos.

A Vale divulgará hoje, antes da abertura dos mercados, o seu relatório de produção e vendas referente ao segundo trimestre. A expectativa é que empresa mostre aumento da produção para 74,6 milhões de toneladas de minério de ferro, ante 72,9 milhões no primeiro trimestre, segundo analistas ouvidos pela Bloomberg.  Ainda sobre a empresa, a Reuters informa que a Agência Nacional de Mineração (ANM) deve estender investigação da Vale por Brumadinho.

(Agência Estado)

 

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