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Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta terça-feira

com sinais mistos do exterior, investidor deve acompanhar desdobramentos de medidas de estímulo à economia no Brasil, às vésperas da safra de resultados corporativos

Jerome Powell

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou a sessão da véspera com queda de 0,10%, aos 103.803 pontos, em meio à ressaca após a votação em primeiro turno da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados e o começo da temporada de resultados corporativos do segundo trimestre – esta semana ainda concentrados nos EUA.

Em relação à reforma da Previdência, a expectativa é de que o texto tramite por cerca de 60 dias no Senado. Além disso, cresce a movimentação para que seja analisada, por meio de uma PEC Paralela a inclusão dos Estados e municípios na reforma.

Sem votações relevantes previstas no legislativo, as atividades do governo, sobretudo de medidas para recuperação econômica, voltam ao radar dos investidores.

Às 8h15, no Palácio do Planalto, o presidente Jair Bolsonaro comanda a reunião da 16ª Reunião do Conselho do Governo; às 11h30, participa da cerimônia de posse do novo presidente do BNDES, Gustavo Henrique Montezano; e à tarde se reúne com o ministro da Economia, Paulo Guedes.

No exterior, destaque para a agenda com indicadores de vendas do varejo e produção industrial nos Estados Unidos.

1. Bolsas Internacionais

No exterior, as bolsas asiáticas fecharam preponderantemente em queda, enquanto os índices futuros dos Estados Unidos operam sem um sinal definido. Em Wall Street, os preços das ações seguem em alta, mesmo em meio à temporada de resultados corporativos.

Destaque para o discurso, às 14h00, o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, em evento do G7, em Paris.

Na Europa, as bolsas operam em leve alta, com exceção da Alemanha. Por lá, o indicador de sentimento econômico de julho ficou em -24,5 contra -22,3 da expectativa do mercado, agravando a incerteza econômica envolvendo a maior economia da Europa.

Ainda na Europa, destaque para o superávit na zona euro em maio de 23 bilhões de euros. As exportações dessazonalizadas aumentaram 1,4%, enquanto as importações caíram 1%. Segundo a CNBC, os números fornecem novas indicações de que a economia da área monetária está se mantendo estável em meio a tensões comerciais globais.

Entre as commodities, destaque para a nova alta do minério de ferro, que acumula esta semana alta de mais de 4,7%. O petróleo opera com os preços em leve alta, após a queda na sessão anterior, após retomada de produção no Golfo do México.

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 07h20 (horário de Brasília):

*S&P 500 Futuro (EUA), +0,01%
*Nasdaq Futuro (EUA), +0,02%
*Dow Jones Futuro (EUA), -0,06%
*DAX (Alemanha), -0,30%
*FTSE (Reino Unido), +0,18%
*CAC-40 (França), +0,17%
*FTSE MIB (Itália), +0,07%
*Hang Seng (Hong Kong), +0,23% (fechado)
*Xangai (China), -0,16% (fechado)
*Nikkei (Japão), -0,69% (fechado)
*Petróleo WTI, +0,34%, a US$ 59,78 o barril
*Petróleo Brent, +0,38%, a US$ 66,73 o barril
*Bitcoin, US$ 10.862,75, +5,32%
R$ 41.796, -0,46% (nas últimas 24 horas)
*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian com alta de 2,38%, cotados a 905,00 iuanes, equivalentes a US$ 131,60 (nas últimas 24 horas).

2. Agenda Econômica

No Brasil, a FGV publica, às 8h00, o IGP-10 de julho e o IPC-S da segunda quadrissemana de julho.

Nos EUA, às 9h30, os destaques são as vendas no varejo e o índice de preços das importações de junho. Às 1015, será publicada a produção industrial e a capacidade instalada de junho.

O mercado aguarda ainda os balanços de JPMorgan, Wells Fargo e Johnson&Johnson, antes da abertura, enquanto United Airlines, BHP (na Austrália) e America Movil (no México) reportam após o fechamento nos EUA.

3. Noticiário Político

Após o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), avaliar ser possível votar a reforma da Previdência na Casa até dia 5 de setembro, a presidente da CCJ no Senado, Simone Tebet (MDB-MS), disse ontem considerar o prazo "muito otimista". "Com 60 dias é um tempo confortável, agosto, setembro", disse a senadora.

A tramitação da reforma na Casa começa pela CCJ e será relatada pelo tucano Tasso Jereissati. Eventuais modificações, para Tebet, seriam analisadas em uma PEC Paralela, a mesma pela qual o Senado deve tentar a reinclusão de Estados e municípios na reforma, que precisará voltar para a análise da Câmara dos Deputados.

Enquanto Jereissati defende a reinclusão dos entes federativos no Senado, de forma a obrigá-los a adotar a reforma, Tebet avalia ser mais fácil aprovar na Câmara uma PEC Paralela que apenas facilitasse que Estados e municípios fizessem suas próprias reformas – como por meio de uma lei complementar - sem uma imposição do Congresso.

Em relação à nomeação de seu filho para a embaixada brasileira nos Estados Unidos, Bolsonaro avalia que o “acesso facilitado” ao presidente Trump está entre as razões para a indicação de Eduardo ao cargo. Auxiliares do presidente tentam amenizar as repercussões negativas. Já Bolsonaro disse ontem que “se está sendo criticado, é sinal de que é a pessoa adequada”.

A Folha de S.Paulo escreve que a reação de senadores à indicação de Bolsonaro estaria o fazendo avaliar os riscos de indicar o filho. O presidente está determinado em oficializar a indicação de Eduardo, mas ele teme uma eventual rejeição como derrota pessoal, dizem assessores. Tebet já afirmou que a indicação “foi o maior erro” do presidente.

Sobre a Lava Jato, jornal O Globo diz que o Coordenador da operação na Procuradoria-Geral da República (PGR), José Alfredo de Paula, pediu exoneração, porque estaria insatisfeito com lento ritmo das investigações e com as delações emperradas no gabinete de Raquel Dodge, que tenta ser reconduzida ao cargo.

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Segundo a Coluna de Mônica Bergamo, Bolsonaro só indicará o novo chefe da PGR “aos 48 minutos do segundo tempo”, segundo o presidente teria relatado a um grupo próximo de parlamentares. Bolsonaro teria dito ainda que as pessoas vão se surpreender com a escolha.

Já o Estadão destaca o encontro de Dodge com o procurador da Lava Jato, Deltan Dallagnol e outros integrantes do grupo, quando deverá ouvir a posição deles sobre os vazamentos de diálogos que vêm sendo publicados pelo site The Intercept e outros veículos em parceria, além discutir uma posição oficial sobre o episódio.

4. Noticiário Econômico

Em meio à disputa com o Congresso pelo modelo da reforma tributária, o Ministério da Economia calcula que proposta defendida pelos parlamentares dando origem ao maior Imposto sobre Valor Agregado (IVA) do mundo, já que geraria um tributo de 30% sobre o consumo, relata o Estadão.

O governo também considera que o texto enfraquece a autonomia dos Estados e municípios, diante da insistência de um imposto único nas três esferas, acrescenta o jornal. O projeto do Executivo incluiu a desoneração da folha de pagamento e uma contribuição aos moldes da extinta CPMF.

O jornal O Globo destaca que o ministério da Infraestrutura prevê que os leilões de privatizações e novas concessões para aeroportos, portos, ferrovias e estradas atrairão R$ 208 bilhões em investimentos ao longo dos contratos.

Já o Valor Econômico informa que o Ministério da Economia elaborou um projeto de lei para dar mais segurança jurídica a investidores e diminuir os riscos de agentes financeiros em grandes obras – providências necessárias para atrair os aportes.

Batizada de “PL do Choque de Investimento”, a proposta deverá ser enviada à Câmara como parte da agenda de estímulo à recuperação econômica pós-reforma da Previdência.

5. Noticiário Corporativo

A Vale e o Ministério Público do Trabalho de Minas Gerais assinaram ontem um acordo para o encerramento da fase de conhecimento da Ação Civil Pública, em razão das consequências do desastre de Brumadinho, em 25 de janeiro. O acordo atinge famílias de 242 pessoas, que devem receber cada R$ 700 mil. A Vale irá depositar em juízo dia 06 de agosto o valor de R$ 400 milhões a título de dano moral coletivo.

O acordo ainda determinou a liberação do valor de R$ 1,6 bilhão inicialmente bloqueado da Vale. A partir de agora, os familiares dos trabalhadores vítimas do rompimento da barragem poderão se habilitar para receber reparação, iniciando a execução do acordo individual, observando-se premissas individuais.

A Petrobras informou ontem à noite o início da fase não vinculante referente à primeira etapa da venda de ativos em refino e logística associada no país, que inclui as refinarias Abreu e Lima (RNEST) em Pernambuco, Landulpho Alves (RLAM) na Bahia, Presidente Getúlio Vargas (REPAR) no Paraná, e Alberto Pasqualini (REFAP) no Rio Grande do Sul.

Em recuperação judicial, a operadora de telefonia Oi irá apresentar a investidores hoje os detalhes do novo plano estratégico, durante teleconferência, às 10h00.

(Agência Estado)

 

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