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Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta segunda-feira

Mercado monitora exterior com desaceleração do PIB, mas forte produção industrial na China; no Brasil, reforma da Previdência será retomada em agosto

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(Shutterstock)

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou a sessão de sexta-feira com queda de 1,18% com o adiamento, confirmado após o fechamento do pregão, da votação em segundo turno da reforma da Previdência para depois do recesso. Dessa forma, o principal índice da B3 acabou anulando os seus ganhos da semana passada, quando o texto-base da reforma foi aprovado, com ampla maioria, encerrando a semana com perdas de 0,18%.

A última etapa do processo encerrou-se na madrugada do último sábado, com a aprovação, na comissão especial da reforma da Previdência na Câmara, da redação final da proposta, por 35 votos a favor e 12 contra. Foram aprovadas as mudanças que suavizaram as regras para homens, mulheres, professores e policiais. O texto, agora, deverá ser votado em um segundo turno também pelo plenário, a partir do dia 6 de agosto, após o recesso parlamentar.

Apesar de a redução das despesas previdenciárias ao longo de dez anos ter ficado abaixo de R$ 1 trilhão, como desejado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, a expectativa é de que, com a aprovação da medida provisória 871 – convertida na lei 13.846, de combate às fraudes na concessão de benefícios do INSS –, a União garanta "pouco mais de R$ 200 bilhões" nos próximos dez anos a partir de 2020, minimizando os efeitos da desidratação.

Com a reforma da Previdência entrando em compasso de espera, os investidores devem monitorar hoje os indicadores de atividade econômica, com a publicação das novas atualizações do Boletim Focus do Banco Central, assim como índice IBC-Br, de maio, que vai trazer uma prévia do avanço da economia no segundo trimestre. Na sexta-feira, a equipe econômica cortou pela metade sua projeção para o PIB deste ano, de 1,6% para 0,81%.

No exterior, o destaque é a publicação dos dados do PIB da China no segundo trimestre, com a economia apresentando seu ritmo mais lento de crescimento em 27 anos, com uma expansão de 6,2%.

1. Bolsas Internacionais

As principais bolsas asiáticas fecharam em alta mesmo com a má notícia do PIB chinês. O que acabou contribuindo para a valorização das bolsas, entretanto, foram os dados de produção industrial, com alta de 6,3% em junho na comparação anual; das vendas no varejo, com alta de 9,8%; e de investimentos em ativos fixos, que ficaram acima das expectativas dos analistas.

Na Europa, os principais índices operam de forma mista, em meio a preocupações de que a economia da China esteja desacelerando e devido a uma guerra comercial com os EUA.

Além disso, as tensões geopolíticas seguem após o líder iraniano, Hassan Rouhani, afirmar que o país está pronto para negociar com os EUA, sob a condição de que Washington suspenda as sanções e retorne ao acordo nuclear de 2015.

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Entre as commodities, os preços do petróleo subiram ligeiramente, com a produção industrial chinesa e os dados do varejo superando as expectativas. O preço do minério, por sua vez, opera em alta.

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 07h30 (horário de Brasília):

*S&P 500 Futuro (EUA), +0,16%
*Nasdaq Futuro (EUA), +0,12%
*Dow Jones Futuro (EUA), +0,15%
*DAX (Alemanha), +0,12%
*FTSE (Reino Unido), +0,06%
*CAC-40 (França), -0,16%
*FTSE MIB (Itália), -0,07%
*Hang Seng (Hong Kong), +0,29% (fechado)
*Xangai (China), +0,40% (fechado)
*Nikkei (Japão), +0,20% (fechado)
*Petróleo WTI, +0,35%, a US$ 60,42 o barril
*Petróleo Brent, +0,55%, a US$ 67,09 o barril
*Bitcoin, US$ 10.297,83, -7,53%
R$ 40.458, -5,37% (nas últimas 24 horas)
*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian com alta de 2,34%, cotados a 895,00 iuanes, equivalentes a US$ 130,00 (nas últimas 24 horas).

2. Agenda Econômica

No Brasil, o relatório Focus do Banco Central abre a semana de indicadores, às 8h25, com as novas projeções para PIB, inflação e juros. Logo em seguida, às 8h30, o BC informa o IBC-Br, de maio, que vai trazer uma prévia do avanço da economia no segundo trimestre.

Nos Estados Unidos, às 9h30, o Fed de Nova York informa o índice de atividade industrial Empire State de julho. Ainda hoje, será divulgado pelo Doe o relatório de produção e produtividade de petróleo.

Ainda nos EUA, será aberta a safra de resultados, com o Citi informando seus resultados antes da abertura do mercado.

3. Previdência

A Câmara dos Deputados concluiu a votação do primeiro turno da reforma da Previdência na sexta-feira. Mesmo com as mudanças, o secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho estima que a economia com a reforma nas regras de aposentadoria e pensão deve ficar em torno de R$ 900 bilhões em dez anos.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que quer entregar a reforma da Previdência para o Senado até o dia 9 de agosto. "O Segundo turno deve ir de terça (6) a quinta (8) de agosto", disse, reiterando, em seguida, que pretende entregar aos senadores entre 8 ou 9 de agosto.

Ele minimizou o fato de a votação em segundo turno ter ficado para depois do recesso parlamentar, acrescentando que trabalhou de acordo com o tempo da Casa, para evitar um adiamento maior. "Se tivesse iniciado segundo turno (na próxima semana), oposição teria feito obstrução hoje e não teríamos terminado destaques", disse.

Ao comentar o atraso da votação ao longo da semana, Maia aproveitou para criticar mais uma vez a articulação do governo de Jair Bolsonaro. "Não ter governo organizado atrapalha muito", disse. Ele também ressaltou o protagonismo dos deputados na reforma e negou que o objetivo da Câmara seja reduzir o poder do presidente Jair Bolsonaro.

Em entrevista ao jornal O Globo, publicada no domingo, Maia afirmou que, após a conclusão da reforma da Previdência, as prioridades da Câmara serão a reorganização do sistema tributário, a reestruturação das carreiras do funcionalismo e uma “reforma social” para atender os mais pobres e melhorar o gasto público. Maia cobrou do governo uma agenda de combate à pobreza e ao desemprego, afirmando que o Executivo, durante a tramitação da reforma, somente tratou dos interesses das corporações.

Segundo o jornal O Estado de S.Paulo, após a aprovação da reforma e com a falta de previsão de quando os R$ 2,5 bilhões empenhados em emendas serão liberados, o governo deverá iniciar o destravamento de nomeações, acelerando a distribuição de cargos para partidos que votaram favoravelmente às mudanças nas aposentadorias.

Também ao O Globo, Tasso Jereissati, que será relator da reforma no Senado, disse ver clima favorável à inclusão de Estados e municípios no texto final. Ele diz que o Congresso assumiu a agenda econômica – numa espécie de “semiparlamentarismo” em meio à dificuldade de articulação do Governo – e avaliou ser possível aprovar a proposta até setembro.

Já o Placar da Previdência do Estadão mostra que, antes mesmo da chegada da reforma da Previdência, o Senado já tem 42 parlamentares favoráveis ao texto aprovado em primeiro turno na Câmara. Serão necessários o voto de 49 senadores para a proposta ser aprovada.

4. Governo e Economia

A proposta de reforma tributária a ser encaminhada pelo Ministério da Economia quer fixar a alíquota máxima de Imposto de Renda em 25%, reduzindo-a tanto para as pessoas físicas (hoje em 27,5%) quanto às empresas (34%), segundo reportagem da Folha de S. Paulo. O governo busca ainda aumentar a faixa salarial isenta do tributo. Em compensação, deverá ser criado outro imposto sobre o pagamento, que incidirá sobre qualquer tipo de transação comercial.

Já o Valor Econômico destaca que a regressividade do sistema tributário, em que os pobres pagam proporcionalmente mais do que os ricos, deve dominar o debate econômico, porém os dois projetos em tramitação no Legislativo – de reunir em um só imposto os tributos que incidem sobre consumo e serviços – não devem reduzir as desigualdades sociais. Segundo a publicação, isso deve ser combatido por meio de políticas públicas, com a transferência de renda proporcionada pela arrecadação mais eficiente.

Ainda na economia, o Estadão pontuou que o governo vai centrar esforços no maior programa de privatizações de todos os tempos no País após a Previdência, que poderá render algo como R$ 450 bilhões aos cofres públicos. Segundo a publicação, os recursos arrecadados serão utilizados para reduzir a dívida pública e permitir a queda dos juros, mas o programa deverá enfrentar resistência no Congresso e no próprio governo.

Segundo pesquisa Datafolha, a maioria da população é contrária aos projetos de Bolsonaro para o afrouxamento da fiscalização de trânsito. O fim da multa para quem não usa cadeirinha para transportar crianças de até sete anos é rejeitada por 68% dos entrevistados; acabar com radares federais tem contrariedade de 67%; e o aumento dos pontos máximos para multas de 20 para 40 é rechaçada por 56%.

5. Noticiário Corporativo

A empresa de serviços de saúde Hapvida aprovou a realização de oferta pública de distribuição primária de, inicialmente, 46.440.000 ações ordinárias. Com base na cotação de 12 de julho, de R$ 41,99 por ação, a oferta seria de R$ 1,950 bilhão. No entanto, poderia saltar para R$ R$ 2,632 bilhões, considerando a totalidade das ações Adicionais e as suplementares.

A locadora de carros Movida irá fazer uma oferta de 48.500.000 ações ordinárias, que, com base no fechamento da última sexta, de R$ 16,47, somaria R$ 798,795 milhões, sem considerar as ações adicionais, e de R$ 1,078 bilhão com a totalidade da oferta.

Em recuperação judicial, a operadora de telefonia Oi irá apresentar amanhã seu novo plano estratégico.

(Agência Estado)

 

 

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