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Ibovespa acelera queda com notícia de que 2º turno da Previdência ficará para agosto

Mercado se decepciona com mais um sinal negativo vindo do front político em meio a dificuldades para se votarem os destaques

Painel de ações
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa acelera perdas perto do fim do pregão nesta sexta-feira (12) diante das notícias de que o segundo turno da votação da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados ficará apenas para agosto. 

O índice brasileiro, com isso, volta a se descolar do exterior em um dia no qual as bolsas dos Estados Unidos renovam máximas históricas. O Dow Jones superou os 27 mil pontos e o S&P 500 já ultrapassa os 3 mil pontos. 

Às 16h29 (horário de Brasília), o Ibovespa tem queda de 0,84% a 104.261 pontos. Enquanto isso, o dólar comercial cai 0,3% a R$ 3,7396 na compra e a R$ 3,7404 na venda. O dólar futuro com vencimento em agosto registra baixa de 0,41% a R$ 3,7465.

Fontes disseram à Bloomberg que a votação ficará só para depois do recesso e os trabalhos só serão retomados no dia 6 de agosto. Nesse caso, haverá um acordo para a quebra do interstício, o prazo requerido de cinco sessões entre as votações de primeiro e segundo turno. 

Apesar disso, segundo Lucas Monteiro, operador de multimercados da Quantitas Gestão de Recursos, a reforma continua positiva mesmo com os destaques, porque ainda se espera uma economia de pouco mais de R$ 800 bilhões. 

"O índice subiu muito rápido nas últimas semanas, então hoje tem muito mais cara de realização técnica, com players reajustando portfolio", avalia o trader

Para ele, mesmo com a queda do benchmark ontem, como o índice se mantém acima dos 105 mil pontos, os movimentos de queda são naturais e corrigem de maneira "saudável" o rali recente. "Pode dar oportunidade para a entrada de players que estavam fora do mercado", diz. 

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2021 sobe três pontos-base a 5,60%, ao passo que o DI para janeiro de 2023 avança cinco pontos-base a 6,33%.

Destaques da Previdência

O plenário da Câmara dos Deputados rejeitou nesta sexta-feira, por 296 votos a 165, a emenda aglutinativa nº4, do PDT, que buscava reduzir o pedágio da transição na reforma da Previdência de 100% para 50% do tempo que falta para aposentar, tanto para os servidores públicos como para os trabalhadores da iniciativa privada.

A estimativa de parlamentares da base era a de que o impacto dessa emenda na economia total da reforma em dez anos fosse de R$ 87 bilhões.

De 11 destaques analisados na véspera, os deputados aprovaram duas emendas e um destaque supressivo, envolvendo regras de transição para policiais, regra de cálculo mais benéfica para as mulheres e tempo de contribuição menor para homens na aposentadoria por idade.

Entre as propostas aprovadas está a emenda do DEM que permite o acréscimo de 2% para cada ano que passar dos 15 anos mínimos de contribuição exigidos para a mulher no Regime Geral de Previdência Social. O texto-base da reforma previa o aumento apenas para o que passasse de 20 anos.

Já com a aprovação de destaque do PSB, a exigência de tempo de contribuição para o homem segurado do RGPS, na regra de transição de aposentadoria por idade, diminuiu de 20 anos para 15 anos.

A emenda do DEM também tratou de mudanças na regra que permite o pagamento de pensão em valor inferior a um salário mínimo caso o dependente tenha outra fonte de renda formal. Antes da emenda, a renda a ser levada em conta seria do conjunto de dependentes do segurado falecido.

Outra emenda aprovada, do Podemos, diminuiu a idade exigida para aposentadoria de policiais federais, policiais civis do Distrito Federal e agentes penitenciários e socioeducativos federais se eles cumprirem a regra de pedágio de 100% do tempo de contribuição que faltar para se aposentar.

O primeiro destaque a ser analisado nesta sexta-feira é do PDT, que pretende diminuir de 100% para 50% o pedágio de uma das regras de transição, válida para os segurados do Regime Geral de Previdência Social (RGPS) e do regime próprio dos servidores públicos.

Sobre o potencial de redução de despesas da reforma, o Ministério da Economia informou ontem que só divulgará uma previsão após a aprovação do texto final em segundo turno na Câmara dos Deputados. “Como uma medida pode influenciar no impacto de outras, estimativas sem o texto final não são fidedignas”, explicou a Secretaria Especial de Previdência e Trabalho.

O texto-base do relator aprovado pela comissão especial da Câmara dos Deputados previa economia de R$ 987,5 bilhões em dez anos. A economia seria de R$ 1,072 trilhão, mas foi desidratada depois que os deputados derrubaram, na comissão especial, o fim da isenção de contribuições previdenciárias para os exportadores rurais.

O Estadão destaca que cálculos preliminares indicam que o texto pode sofrer uma desidratação de R$ 50 bilhões a R$ 60 bilhões, o que garantiria uma economia acima dos R$ 900 bilhões, mas abaixo dos R$ 987,5 bilhões do texto-base.

Noticiário Corporativo

A rede varejista Magazine Luiza (MGLU3) vai realizar o desdobramento de suas ações, segundo fato relevante divulgado nesta manhã. A proposta da companhia é pelo desdobramento das atuais 190.591.464 ações ordinárias na proporção de 1 para 8, “sem modificação do capital social”.

Após o desdobramento, o capital social do Magazine Luiza permanecerá no montante de R$ 1.770.911.472,00, dividido em 1.524.731.712 de ações ordinárias, todas nominativas, escriturais e sem valor nominal. 

Em fato relevante enviado ontem à noite, a BRF (BRFS3) e a Marfrig (MRFG3) informaram que desistiram da fusão entre as companhias, que vinha sendo negociada. De acordo com o comunicado, faltou consenso em relação à governança da sociedade que resultaria de uma eventual implementação da operação.

A Justiça de São Paulo decidiu permitir que os bancos credores da Odebrecht, em recuperação judicial, tomem posse das ações da petroquímica Braskem (BRKM5), oferecidas como garantia para empréstimos feitos ao grupo. A liminar atende a um pedido do Itaú, mas, segundo a Reuters, o Banco do Brasil encaminhou pedido semelhante.

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 B3SA3 B3 ON ED 39,80 -3,30 +50,35 423,83M
 RADL3 RAIADROGASILON 80,91 -3,28 +42,23 97,19M
 CYRE3 CYRELA REALTON ED 22,20 -2,80 +48,36 59,82M
 GOLL4 GOL PN N2 39,26 -2,75 +56,41 118,01M
 KROT3 KROTON ON 11,50 -2,71 +30,79 95,08M

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 SUZB3 SUZANO S.A. ON 32,05 +3,22 -14,91 171,83M
 CCRO3 CCR SA ON 15,05 +2,73 +37,73 100,50M
 EGIE3 ENGIE BRASILON 46,76 +1,59 +41,92 59,24M
 ELET6 ELETROBRAS PNB 39,95 +1,14 +41,82 73,16M
 PCAR4 P.ACUCAR-CBDPN 94,21 +1,06 +17,45 155,39M
* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)

Bolsas Internacionais

No exterior, os principais índices asiáticos fecharam em alta, após dados sobre as exportações da China, que recuaram menos do que o esperado em junho, as vendas ao exterior em dólares caindo 1,3% sobre o mesmo período do ano passado.

As importações, por sua vez, recuaram 7,3% no mesmo período. No primeiro semestre do ano, o comércio total da China com os EUA caiu 9%, segundo dados da alfândega.

A CNBC destaca que economistas consultados pela Reuters esperavam que as exportações chinesas de junho caíssem 2% em relação ao ano passado, enquanto as importações devem ter recuado 4,5% em relação ao ano anterior.

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