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Ibovespa tem 1ª queda em 6 pregões com EUA, realização e incerteza na reforma

Mercado tem dia de cautela sem sinal de Rodrigo Maia para votar os destaques que faltam na reforma da Previdência

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(Shutterstock)

SÃO PAULO - Após subir por cinco pregões consecutivos, saindo de 100.605 pontos para 105.817 pontos, o Ibovespa fechou em queda nesta quinta-feira (11).

Os principais motivos para a baixa foram as incertezas acerca da reforma da Previdência, falas do presidente norte-americano, Donald Trump, dados dos Estados Unidos e uma realização frente às altas recentes. 

Hoje, o principal índice da B3 caiu 0,63% a 105.146 pontos, com volume financeiro negociado de R$ 16,793 bilhões. 

Enquanto isso, o dólar comercial registrou baixa de 0,19% a R$ 3,7509 na compra e a R$ 3,7515 na venda. O dólar futuro com vencimento em agosto tinha leve variação positiva de 0,04% a R$ 3,762.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2021 subia um ponto-base a 5,61%, ao passo que o DI para janeiro de 2023 fica estável em 6,32%.

Quando vota?

Apesar de ter sido um ótimo sinal para o mercado a aprovação da reforma em primeiro turno na Câmara dos Deputados ontem por 379 votos a favor e 131 contra, há preocupação com a votação dos destaques, que podem desidratar o texto. 

Na véspera, o único destaque votado foi o que estabelecia condições especiais de aposentadoria para professores, mas o placar foi bem mais apertado que o da redação geral, terminando rejeitado por 265 votos a 184. 

Ainda serão apreciados 20 destaques que tratam de condições especiais para policiais, mulheres e diversas categorias.

O dia inteiro, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) não deu às caras no plenário, o que é um péssimo sinal para quem esperava a votação do texto em segundo turno antes do recesso parlamentar.

Realização

Já o segundo motivo para a queda da Bolsa é o famoso movimento da Bolsa de "sobe no boato, cai no fato". Como todo veterano de mercado financeiro sabe, investimento em ações é baseado em expectativas, de modo que o Ibovespa sobe muito quando quem investe aposta que algum evento aconteça.

No caso da reforma, a Bolsa vem subindo desde janeiro na expectativa de aprovação, então é normal que caia logo depois de confirmado o resultado que se esperava, pois muitos investidores embolsam os lucros que tiveram ao longo deste rali. 

CPI

O terceiro ponto é o CPI (Índice de Preços ao Consumidor, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, que veio em alta de 0,1%, acima da estabilidade esperada pelo mercado. O índice esfriou a expectativa de um corte de 0,5 ponto percentual nas taxas de juros dos EUA na reunião do Federal Reserve de julho. 

Trump

O presidente dos EUA disse no Twitter que a China está "decepcionando" ao não comprar produtos agrícolas americanos. A fala repercutiu negativamente, pois desde a reunião do G-20 as duas superpotências estavam em trégua na guerra comercial. 

Noticiário Corporativo

A S&P projeta que a Vale (VALE3) somente conseguirá retomar os seus níveis de produção de 2018, anteriores à tragédia de Brumadinho, em 2021, mantendo a oferta apertada até lá.

Desta forma, a agência de classificação de risco, elevou suas expectativas em relação aos preços médios, para US$ 90 a tonelada em 2019, US$ 80/t em 2020 e US$ 70/t em 2021, ante projeções anteriores de US$ 75/t, US$ 70/t e US$ 65/t, respectivamente. A forte demanda das siderúrgicas chinesas tem ajudado a sustentar essa alta, acrescenta a S&P.

Em recuperação judicial, a Avianca arrecadou US$ 147,3 milhões, equivalente a R$ 558 milhões, ontem, em seu leilão de ativos. Valor que poderá ser usado para abater parte das dívidas, que somam cerca de R$ 2,7 bilhões.

O resultado, porém, poderá ser anulado, já que vendeu posições de voos e decolagens (slots), nos aeroportos de Congonhas, Guarulhos e Santos Dumont, que não são de sua propriedade. A Gol (GOLL4) ficou com três lotes e a Latam com outros dois, pagando respectivamente, US$ 77,3 milhões e US$ 70 milhões.

A petroleira boliviana YPFB quer ficar com a fatia da Petrobras (PETR3; PETR4) no gasoduto Brasil-Bolívia, que interliga os países e cujo controle precisará ser desfeito pela estatal brasileira, segundo o Estadão.

Previdência

O texto-base da da Previdência aprovado estabelece uma idade mínima para aposentadoria (65 anos para homens e 62 anos para mulheres), limita o benefício à média de todos os salários, eleva as alíquotas de contribuição para quem ganha acima do teto do INSS e estabelece regras de transição para os atuais assalariados.

Frente à proposta original do governo, ficaram de fora a capitalização e mudanças na aposentadoria de pequenos produtores e trabalhadores rurais.

Os investidores devem ficar atentos, porém, a pontos importantes do texto que ainda precisam ser votados para a determinação do total de economia ao longo dos próximos dez anos, que, pela proposta aprovada, soma R$ 933,9 bilhões.

Entre os destaques estão a transição para os policiais e o salário das trabalhadoras que se aposentarem com contribuição mínima de 15 anos permitida pela PEC.

Outros destaques da oposição pretendem retirar do texto regras sobre valores das pensões, cálculo da aposentadoria com percentual sobre a média das contribuições e mudanças no pedágio cobrado para se aposentar segundo as regras de transição para os atuais segurados.

Entre eles, o que demonstra mais acordo é o que foi negociado pela bancada feminina e aumenta o salário final da aposentadoria de mulheres com tempo de contribuição acima do limite mínimo de 15 anos. Pelo texto do substitutivo, o aumento somente pode ocorrer para o que passar de 20 anos de contribuição.

Um dos pontos importantes da reforma, que ficou de fora, foi o do ingresso dos Estados e dos municípios na proposta, o que poderá ser feito por meio de um texto paralelo no Senado Federal, para evitar que a proposta tenha que voltar por completo à Câmara novamente.

A estratégia, assim, seria alterar somente este trecho da inclusão de Estados e municípios, que voltaria à Câmara. Com o fatiamento, destaca o Estadão, as regras em comum entre as Casas entrariam em vigor mais cedo.

O secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, afirmou que o placar da votação do texto principal da reforma da Previdência surpreendeu positivamente a equipe econômica, que projetava 132 votos contra. "Erramos por um", disse.

Segundo Marinho, os próximos dias serão ainda de negociações para que haja compensações no texto diante das alterações já acordadas - tempo de contribuição de mulheres e regras de aposentadoria para policiais. De acordo com Marinho, a ideia é que, ao final, o impacto seja nulo "ou próximo a nulo".

 

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