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Os 5 assuntos que devem movimentar o mercado nesta segunda-feira

Mau humor externo deve contrastar com perspectivas de avanços na reforma da Previdência no plenário da Câmara nesta semana

Rodrigo Maia e Samuel Moreira
(Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

SÃO PAULO – O Ibovespa encerrou a semana passada com alta 3%, atingindo 104.089 pontos, com os avanços na reforma da Previdência na Comissão Especial que debate o tema no Congresso Nacional. Agora, as atenções se voltam para a votação no plenário da Câmara dos Deputados, que deverá começar amanhã, quando serão necessários ao menos 308 votos, em dois turnos, para que a proposta seja aprovada.

Levantamento do jornal O Estado de S.Paulo apontou o apoio de 247 deputados à reforma, dos quais 229 aprovariam com o mesmo teor que foi aprovado na Comissão Especial e 18 condicionaram a aprovação a ajustes. Seriam precisos, assim, mais 61 votos para a aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) na Câmara. Esse apoio, porém, é o maior já registrado em todas as edições do Placar da Previdência já feitas pelo Estado.

Nas contas do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), porém, a reforma já tem o apoio de mais de 308 deputados. Após reunião com líderes partidários, no sábado, Maia afirmou que o objetivo dos parlamentares é de que a votação em primeiro e segundo turno aconteça antes do recesso. Já o ministro Casa Civil, Onyx Lorenzoni, disse que o governo conta com cerca de 330 votos.

No exterior, os dados de emprego, mais fortes do que o previsto, publicados na sexta-feira, trouxeram um mau-humor aos mercados globais, já que se reduzem as expectativas de um corte em breve nas taxas de juros norte-americanas pelo Federal Reserve (Fed).

1. Bolsas Internacionais
Na Ásia, o destaque de queda ficou com as bolsas de Xangai e Shenzhen, que recuaram 2,58% e 2,72%, respectivamente, refletindo o relatório de emprego americano de sexta-feira.

Traders vinham apostando fortemente na perspectiva de um corte na taxa de juros na próxima reunião do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, em meio a temores de uma desaceleração no crescimento econômico global.

As ações europeias ficaram estáveis na segunda-feira de manhã, depois que os dados de empregos mais fortes do que o esperado em Wall Street diminuíram as expectativas de um corte nas taxas do Federal Reserve .

Na Europa, as bolsas também operam entre queda e estabilidade. O mercado reflete o plano de reestruturação do maior banco da Alemanha, o Deutsche Bank, que prevê a redução de suas vendas de ações e negócios comerciais, à medida que tenta melhorar a lucratividade e elevar o preço de suas ações.

O banco de Frankfurt não deu detalhes em seu anúncio de domingo sobre o impacto potencial sobre os empregos. O Deutsche Bank disse, porém, que espera assumir encargos no valor de cerca de 3 bilhões de euros (US$ $ 3,4 bilhões) no segundo trimestre e previu um prejuízo líquido de 2,8 bilhões de euros.

Em maio, o CEO Christian Sewing disse aos acionistas que estava pronto para fazer "cortes duros" para melhorar a lucratividade do banco em dificuldades e para aumentar o preço das ações "decepcionantes".

Entre as commodities, os preços do petróleo operam sem sinais distintos, apoiados pelos dados de emprego e riscos geopolíticos dos EUA, mesmo com as preocupações de que ocorra uma desaceleração no ritmo de crescimento da economia global. O preço do minério opera em alta, após as recentes baixas.

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 07h24 (horário de Brasília):

*S&P 500 Futuro (EUA), -0,18%
*Nasdaq Futuro (EUA), -0,38%
*Dow Jones Futuro (EUA), -0,23%
*DAX (Alemanha), -0,03%
*FTSE (Reino Unido), -0,12%
*CAC-40 (França), -0,10%
*FTSE MIB (Itália), +0,17%
*Hang Seng (Hong Kong), -1,54% (fechado)
*Xangai (China), -2,58 (fechado)
*Nikkei (Japão), -0,98% (fechado)
*Petróleo WTI, -0,09%, a US$ 57,46 o barril
*Petróleo Brent, +0,11%, a US$ 64,33 o barril
*Bitcoin, US$ 11.832,42, +5,23%
R$ 44.700, +3,10% (nas últimas 24 horas)
*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian subiam 1,89%, a 861,00 iuanes, equivalentes a US$ 125,15 (nas últimas 24 horas).

2. Agenda Econômica

No Brasil, destaque para os índices de inflação, às 8h00, publicados pela FGV, com IGP-DI e IPC-S. Às 8h25, o destaque fica por conta do Boletim Focus do Banco Central, com as novas expectativas do mercado para PIB, juros e inflação. À tarde, o Ministério da Economia divulga a balança comercial semanal.

Nos Estados Unidos, às 11h00, será divulgado o índice de tendência de emprego de junho (Conference Board) e, às 16h00, o resultado de crédito ao consumidor.

3. Previdência e Economia

O presidente da Câmara, deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ), reforçou sábado estar “confiante” na aprovação da reforma antes do recesso legislativo do meio do ano e “que o resultado do primeiro turno vai surpreender a todos". Maia afirmou ainda que tem sido procurado pelos próprios deputados, que pedem que a votação da matéria ocorra antes do recesso parlamentar.

"Nessa semana que passou, recebi pelo menos 30 deputados que vieram com o mesmo discurso. Isso significa que há ambiente no parlamento para votar esta matéria", disse. "Tenho certeza de que nesta semana teremos um quórum alto. O ideal é ter um quórum acima de 490 deputados, para não correr nenhum tipo de risco", acrescentou.

No sábado, Maia se reuniu com líderes partidários, com o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, e o secretário especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, Rogério Marinho, para acertar os detalhes da votação antes do recesso parlamentar, em 18 de julho. "Hoje, o clima é favorável", disse Marinho ao Estadão. "Estamos confiantes que o tema amadureceu junto à sociedade e foi incorporado ao Parlamento."

Apesar da confiança, Marinho alertou que é preciso vencer o kit obstrução. A estratégia para garantir o começo da votação na terça-feira (9) foi novamente discutida, no domingo, durante quase quatro horas na residência oficial de Maia. Lorenzoni também participou, mas deixou a residência mais cedo. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), também participou da conversa.

Na economia, a equipe econômica acelera a elaboração de medidas que serão publicadas após a possível aprovação da reforma da Previdência, diz o jornal Valor Econômica. O Ministério da Economia deverá anunciar a segunda fase da agenda que visa reduzir o Estado, a dívida pública e dar estímulo à economia.

Entre as medidas estão o início da tramitação da reforma tributária, a aceleração do programa de privatizações e o barateamento do gás. Haverá ainda estímulos à demanda, com a liberação do PIS/Pasep e de parte do FGTS. Também deverão ocorrer medidas microeconômicas, como novas regras para debêntures incentivadas de infraestrutura, melhoria de garantias de crédito e desoneração de bens de capital e informática.

Já o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse ao Estadão que não há relação mecânica entre a aprovação do Congresso da reforma da Previdência e um corte na taxa de juros. Segundo ele, em nenhum momento, o BC quis passar a informação de que era uma relação mecânica: se tem reforma, tem isso de juros; se não tem reforma, não tem, disse.

Com a reforma progredindo no Congresso, operadores já estimam em cerca de 80% a chance de um corte de taxa na próxima reunião do banco no final deste mês. Campos Neto acrescentou que o banco também está preparando uma série de medidas para baratear e ampliar o acesso ao crédito. Uma das ideias é aumentar o uso de imóveis como garantidor de novos empréstimos, como forma de estimular a economia e reduzir custos de financiamento.

4. Bolsonaro e Moro

O presidente Jair Bolsonaro buscou testar sua popularidade ao participar da final da Copa América de Futebol, ontem no Rio de Janeiro. Bolsonaro fez foto com os jogadores com a taça do título no gramado do Maracanã. Ao seu lado, estava o ministro da Justiça e ex-juiz da Lava Jato, Sérgio Moro, além do ministro da economia, Paulo Guedes, junto com uma comitiva.

Ao ser anunciado no telão, o presidente ouviu um misto de vaias fortes e aplausos, assim como durante a entrega das medalhas. Após novas revelações de novas mensagens trocadas entre Moro e os procuradores da Lava Jato, publicadas pela revista Veja e o site The Intercept, na sexta-feira, Bolsonaro havia afirmado que o “povo vai dizer se estamos certos ou não”. Alguns jogadores e membros da comissão, o chamaram de “mito”, enquanto o treinador da seleção, Tite, se esquivou e evitou aparecer nas fotos junto com o político.

Ontem, o jornal Folha de S.Paulo trouxe novos diálogos, com o texto da publicação destacando que Moro teria sugerido aos integrantes da força-tarefa tornar pública a delação da Odebrecht sobre a propinas para o governo da Venezuela em 2017.

A intenção do governo era tentar usar o evento como um plebiscito. Pesquisa publicada no domingo pelo Datafolha apontou que 58% dos brasileiros consideram inadequadas as supostas conversas entre Moro e os procuradores, ao passo que 31% consideraram adequadas. Apesar disso, 55% dos entrevistados avaliam que Moro deve permanecer como ministro e 38%, que deve renunciar.

Já a avaliação do presidente Bolsonaro, segundo pesquisa divulgada hoje pelo Datafolha, aponta que, com seis meses de governo, o político conta com um terço de aprovação da população. Outro um terço o considera ruim ou péssimo e o restante dos consultados, como regular. Dessa forma, a avaliação de Bolsonaro é a menor já apurada para um presidente em primeiro mandato.

Para o instituto, a aprovação do presidente se estabilizou, consolidando, porém, a divisão política no Brasil. Além disso, a economia e a educação começam a pesar na imagem do presidente, enquanto as incertezas sobre o futuro passam a ocupar mais espaço na avaliação da gestão.

Em reportagem sobre as lives de Bolsonaro, o Estadão de domingo levantou os principais assuntos citados pelo presidente. Em ordem de citação, aparece em primeiro pesca, seguido de internet, armas, relações exteriores, CNH/Código de trânsito, previdência, relação com EUA, educação, imprensa, marketing pessoal, segurança pública, PT/esquerdas, turismo, minas e energia e relação com Israel.

Em um discurso no sábado à noite, Bolsonaro voltou a sugerir que pretende disputar a reeleição e afirmou que entregará um país “muito melhor” para quem lhe suceder em 2026. Segundo a colunista da Folha, Mônica Bergamo, Moro poderia, inclusive, ser o vice na chapa para 2022, sobretudo diante da possibilidade da inviabilidade do ministro à possível indicação no Supremo Tribunal Federal (STF).

5. Notícias corporativas

Além da venda de participações em empresas de transporte e distribuição de gás, a Petrobras terá de se desfazer do controle do gasoduto Brasil-Bolívia, conforme acordo da companhia com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que será avaliado hoje pelo colegiado, diz a Folha. Segundo a publicação, a Petrobras irá se desfazer ainda a fatia remanescente de 10% na NTS e TAG, duas transportadoras cujo controle foi vendido. O acordo é o pivô do processo de abertura do mercado de gás natural no País.

A construtora Tecnisa anunciou uma oferta subsequente (follow on) de 300 mil ações, que pode render captação de R$ 411 milhões. Podem ser ofertadas mais 105 mil ações, informa a empresa. A Tecnisa pretende usar 50% dos recursos às operações, com a aquisição de novos terrenos, e o restante à melhoria da estrutura de capital, com quitação de dívidas, além de reforço no capital de giro.

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