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Os 5 assuntos que vão agitar os mercados nesta quinta-feira

Bolsas passaram a operar em queda após WSJ informar condições da China para acordo com EUA; no Brasil, reunião da comissão da Previdência é adiada

EUA Estados Unidos China
(Shuuterstock)

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou a sessão da véspera com alta 0,6%, mantendo-se acima da barreira dos 100 mil pontos, puxado por possíveis avanços nas discussões para um acordo comercial entre EUA e China, assim como pela alta do petróleo, que disparou 2,5% após queda notícia sobre queda nos estoques do produto.

Hoje, os mercados internacionais operavam em alta, com investidores no aguardo do encontro entre os presidentes norte-americano, Donaldo Trump, e chinês, Xi Jinping, durante Cúpula do G-20, que acontece em Osaka, no Japão. No entanto, as bolsas europeias viraram após informações sobre as condições que serão impostas aos EUA pelos chineses para um acordo.

Citando autoridades chinesas, o Wall Street Journal desta quinta-feira diz que Jinping deve apresentar a Trump os termos que espera que os EUA realizem antes de Pequim estar disposta a resolver a disputa comercial entre os dois países. Entre as condições estão a remoção das sanções à Huawei, a remoção de todas as tarifas de importação e o abandono dos esforços para fazer com que a China compre mais exportações dos EUA.

No Brasil, cresce a possibilidade de que a reforma da Previdência possa ser votada no plenário do Congresso apenas em agosto, já que o recesso parlamentar começa dia 17 de julho. Após o final das discussões na Comissão Especial, ontem, apenas a leitura do voto do relator está pendente, o que deverá ocorrer apenas na semana que vem, já que a sessão marcada para hoje pela manhã foi cancelada.

1. Bolsas Internacionais

Os mercados registravam um dia positivo ainda seguindo as declarações na véspera do presidente dos EUA, Donald Trump, de otimismo por um acordo comercial com a China e que estava “muito feliz” com os avanços já realizados nas negociações. Os comentários foram feitos após declarações do secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, de que “cerca de 90% do caminho”, já estaria concluído nas negociações. As declarações da véspera reverberaram nas cotações dos índices acionários asiáticos desta quinta-feira, que fecharam em alta.

As demais bolsas viraram de direção, entretanto, com as informações sobre as condições chinesas a um acordo. Mais cedo, segundo a CNBC, o porta-voz do Ministério do Comércio da China, Gao Feng, já havia adiantado a posição firme contra os EUA durante uma conferência de imprensa hoje. Gao disse que a China está inalterada em sua posição sobre a disputa comercial, conforme estabelecido pelo principal negociador e vice-primeiro-ministro Liu He em maio.

Os três pontos principais são o cancelamento de todas as tarifas adicionais, não alterando arbitrariamente o que os líderes dos dois países concordaram na reunião do G-20 na Argentina no ano passado e que um acordo comercial deve ser em termos iguais. “Pedimos aos EUA que cancelem imediatamente suas medidas de pressão e sanção contra a Huawei e outras empresas chinesas”, acrescentou.

Ainda no exterior, os investidores devem monitorar à nova leitura do PIB dos Estados Unidos, referente ao primeiro trimestre.

Entre as commodities, o preço do petróleo recua nesta manhã, após a alta da véspera, e no aguardo dos desdobramentos da Cúpula do G-20, com seus possíveis impactos para a economia global. Já o preço do minério dispara

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 07h29 (horário de Brasília):

*S&P 500 Futuro (EUA), +0,10%
*Nasdaq Futuro (EUA), +0,16%
*Dow Jones Futuro (EUA), -0,34%
*DAX (Alemanha), -0,13%
*FTSE (Reino Unido), -0,41%
*CAC-40 (França), -0,52%
*FTSE MIB (Itália), -0,12%
*Hang Seng (Hong Kong), +1,42% (fechado)
*Xangai (China), +0,69% (fechado)
*Nikkei (Japão), +1,19% (fechado)
*Petróleo WTI, -1,18%, a US$ 58,68 o barril
*Petróleo Brent, -1,17%, a US$ 65,17 o barril
*Bitcoin, US$ 11.784,15, -6,20%
R$ 44.213, -8,28% (nas últimas 24 horas)
*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian subiam 3,20%, a 821,50 iuanes (nas últimas 24 horas).

2. Agenda Econômica

No Brasil, o Banco Central publicou nesta manhã o relatório trimestral de inflação. De acordo com o documento, os próximos passos da política monetária "continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação". Na semana passada, o colegiado manteve a Selic (a taxa básica de juros) em 6,50% ao ano, pela décima vez consecutiva.  O Banco Central também reduziu sua projeção de crescimento para o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2019 para 0,8%, de uma estimativa anterior em março de expansão de 2,0%.

Às 15h00, será a vez do Ministério da Economia publicar os números de emprego do Caged de maio.

Nos Estados Unidos, além do PIB às 9h30, merecem destaque os números sobre pedido de auxílio-desemprego e o índice de preços (PCE). Às 11h00, saem os números de vendas pendentes de imóveis e, às 12h00, o índice de atividade industrial de junho.

3. Previdência e Congresso

A Comissão Especial da reforma da Previdência encerrou ontem as suas discussões e aguarda agora, apenas, a apresentação da complementação de voto do relator da proposta, deputado Samuel Moreira (PSDB-SP). Segundo a Agência Câmara, a discussão do parecer foi encerrada depois de quatro dias e mais de 30 horas de debate. No total, 127 deputados mais os líderes partidários discursaram sobre a proposta. Muitos pediram mudanças no parecer.

Segundo o Valor Econômico, porém, a reunião que estava marcada para esta manhã, quando seria lido o voto complementar de Moreira, foi cancelada, por pressão dos partidos do Centrão, insatisfeitos com as sinalizações do tucano sobre o novo texto. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e da Comissão Especial, Marcelo Ramos (PL-AM), ainda articulam pela convocação de uma sessão ainda nesta quinta-feira – o que deverá ser definido ainda pela manhã.

Maia, entretanto, já sinalizou que a votação deverá ficar mesmo para quarta-feira, dia 3 de julho. Ontem, o presidente da Câmara afirmou que na próxima terça-feira (2) voltará a se reunir com governadores, com o objetivo de tentar incluir um acordo para que Estados e Municípios estejam presentes na proposta de reforma da Previdência que irá ao plenário da Casa.

O Plenário do Senado aprovou ontem o projeto de lei que prevê a criminalização do abuso de autoridade cometido por magistrados e membros do Ministério Público. A proposta que estipula punição aos juízes em determinadas situações foi considerada uma reação aos vazamentos de troca de mensagens atribuídas ao ministro da Justiça Sérgio Moro e procurados do MP. Um dos pontos do PL foi o de impedir que juízes, por qualquer meio de comunicação, expressem opinião sobre processo pendente de julgamento. O texto agora retorna para a Câmara dos Deputados, para análise das mudanças promovidas pelo relator.

Ainda no Legislativo, o plenário do Senado aprovou ontem à noite projeto de lei que estende a posse de armas na zona rural para toda a área da propriedade, e não apenas para a sede. O projeto aborda apenas as propriedades rurais, e não urbanas. O projeto segue agora para a Câmara dos Deputados.

Em seguida, o Senado votou e aprovou outro projeto, que reduz de 25 para 21 anos a idade mínima para posse de arma de fogo em propriedade rural. Além disso, os senadores alteraram o texto e retiraram a limitação de apenas uma arma por proprietário.

4. Bolsonaro no Japão

Ontem, durante deslocamento ao Japão, um dos integrantes da comitiva que acompanha o presidente Jair Bolsonaro, foi preso na Espanha, com 39 kg de cocaína na mala. Por meio das redes sociais, Bolsonaro classificou o episódio como “inaceitável” a apreensão de drogas em avião da Força Aérea Brasileira (FAB). “Apesar de não ter relação com minha equipe, o episódio de ontem, ocorrido na Espanha, é inaceitável”, descreveu o presidente.

Bolsonaro assinalou ter exigido “investigação imediata e punição severa ao responsável pelo material entorpecente encontrado no avião da FAB”. O presidente ainda enfatizou na mensagem: “não toleraremos tamanho desrespeito ao nosso país!” Ontem, o presidente determinou ao Ministério da Defesa “imediata colaboração com a polícia espanhola na pronta investigação dos fatos, cooperando em todas as fases da investigação, bem como instauração de inquérito policial militar".

A chegar ao Japão, segundo o G1, Bolsonaro afirmou que o “Brasil que está aqui não é como alguns anteriores, que vieram aqui para serem advertidos por outros países. A situação aqui é de respeito para com o Brasil. Não aceitaremos tratamento como no passado", afirmou. Questionado sobre as declarações da chanceler alemã Angela Merkel, sobre o desmatamento no Brasil, Bolsonaro disse que a Alemanha tem "muito a aprender com o Brasil sobre meio ambiente".

5. Noticiário corporativo

A rede varejista GPA informou ontem à noite, por recomendação do seu controlador, o Grupo Casino, uma potencial transação de simplificação da estrutura societária da empresa francesa na América Latina. Segundo fato relevante, será feita uma oferta pública pelo GPA para a compra da colombiana Éxito; a aquisição pelo Casino da totalidade das ações de controle de emissão do GPA atualmente detidas indiretamente pelo Éxito a preço justo; e a migração do GPA para o Novo Mercado, com a conversão da totalidade das ações preferenciais de emissão do GPA em ações ordinárias à razão de 1 para 1.

Já a Via Varejo, que foi vendida pelo GPA, anunciou ontem que Michael Klein será o novo presidente do conselho de administração da empresa, enquanto Roberto Fulcherberguer foi eleito para o cargo de diretor presidente. A diretoria da varejista também terá mudanças. Abel Ornelas Vieira passa a ocupar o cargo de vice-presidente Comercial e de Operações; Sérgio Augusto França Leme assume como vice-presidente Administrativo; e Orivaldo Padilha fica com o cargo de Diretor Financeiro e de Relações com Investidores. Felipe Negrão permanece na varejista, mas agora como diretor sem designação específica.

(Agência Estado, Agência Brasil, Agência Câmara e Agência Senado)

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