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Os 5 assuntos que vão agitar o mercado nesta quarta-feira

Avanço das negociações entre EUA e China anima exterior; no Brasil, mercado aguarda por andamento das discussões sobre reforma da Previdência  

EUA Estados Unidos China
(Shutterstock)

SÃO PAULO – O Ibovespa teve queda de 1,93% na véspera, aos 100.092 pontos, por conta de notícias de que o "Centrão" pode atrasar a votação da reforma da Previdência na Comissão Especial da Câmara dos Deputados, que era esperada para esta semana. Também ajudou a trazer pessimismo para os investidores o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) dos pedidos de soltura imediata do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva – o que foi negado após o fechamento do mercado. Porém, o julgamento sobre a suspeição do ex-juiz e atual ministro Sérgio Moro ficou para agosto, após o recesso da Corte.

Hoje, os mercados devem se guiar pelas falas, agora pela manhã, do secretário do Tesouro norte-americano, Steven Mnuchin, à CNBC, de que os EUA e a China estão com cerca de “90% do caminho (pronto para um acordo)”. Após as declarações, as bolsas europeias e os futuros de Nova York ganharam impulso de alta, se recuperando de perdas na abertura.

No Brasil, às 9h00, serão retomadas as discussões sobre o parecer a ser apresentado pela comissão que analisa a reforma da Previdência. Ontem, os presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), afirmaram que há no Congresso votos suficientes para a aprovação do texto que modifica as regras das aposentadorias. Na Câmara, constariam ao menos 314, enquanto no Senado a reforma conta com “ampla” maioria.

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Já o presidente Jair Bolsonaro está em deslocamento até Osaka, no Japão, para participar da reunião do G-20. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, o presidente está em contato com a Casa Branca para um encontro bilateral com o presidente norte-americano, Donald Trump. Bolsonaro poderá se encontrar ainda com o presidente da China, Xi Jinping, e com os líderes do Japão, Singapura, Arábia Saudita e Índia.

1. Bolsas Internacionais

As bolsas asiáticas fecharam com sinais distintos, após o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, na véspera, ter moderado as expectativas de um possível corte na taxa de juros. No entanto, os mercados europeus, abertos durante fala de Mnuchin, capturaram as expectativas de um eventual fechamento de um acordo comercial entre EUA e China.

Os mercados europeus começaram o dia em vermelho, assim como os principais índices asiáticos, após as declarações de Powell, mas depois viraram de olho na reunião entre EUA e China. Mnuchin expressou confiança de que o presidente Donald Trump e o presidente da China, Xi Jinping, podem avançar nas negociações comerciais paralisadas na próxima reunião do Grupo dos 20 (G-20) em Osaka, neste fim de semana.

Entre as commodities, o minério de ferro tem nova queda, por conta de cortes na produção de aço na China. Já o petróleo segue em alta, impulsionados por uma interrupção em uma importante refinaria na costa leste dos EUA e dados da indústria que mostraram que os estoques de petróleo dos Estados Unidos caíram mais do que o esperado.

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 07h21 (horário de Brasília):

*S&P 500 Futuro (EUA), +0,09%
*Nasdaq Futuro (EUA), +0,11%
*Dow Jones Futuro (EUA), +0,03%
*DAX (Alemanha), +0,61%
*FTSE (Reino Unido), +0,14%
*CAC-40 (França), +0,24%
*FTSE MIB (Itália), +0,28%
*Hang Seng (Hong Kong), +0,10% (fechado)
*Xangai (China), -0,19% (fechado)
*Nikkei (Japão), -0,51% (fechado)
*Petróleo WTI, +1,78%, a US$ 58,86 o barril
*Petróleo Brent, +1,21%, a US$ 65,84 o barril
*Bitcoin, US$ 12.456,69, +9,69%
R$ 45.650, +6,93% (nas últimas 24 horas)
*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian recuavam 0,25%, a 804,00 iuanes (nas últimas 24 horas).

2. Agenda Econômica

No Brasil, a FGV informa, às 8h00, o Índice Nacional do Custo da Construção (INCC-M) de junho, assim como as sondagens da construção e do comércio. Às 10h00, será a vez da CNI publicar os dados da pesquisa de sondagem da indústria da construção. Às 10h30, o Banco Central publica a nota das operações de crédito de maio, enquanto às 14h30 o Tesouro divulga o relatório da dívida pública de maio.

Mais cedo, a Fipe divulgou que Índice de Preços ao Consumidor (IPC) subiu 0,12% na terceira quadrissemana de junho, acelerando-se em relação à segunda quadrissemana, quando ficou em 0,08%.

Nos Estados Unidos, às 11h30, a agenda conta apenas com a previsão de divulgação dos estoques de petróleo bruto, de gasolina, destilados, utilização das refinarias e produção média. À noite, na China, serão publicados os dados de lucros industriais.

3. Previdência e Bolsonaro

A discussão da proposta da reforma da Previdência na Comissão Especial da Câmara dos Deputados continua hoje, com 47 deputados ainda inscritos para debater a proposta. Depois disso, o relator deve apresentar seu voto complementar e a votação pode ser iniciada. Mas já existem requerimentos da oposição para obstruir a votação. O presidente da comissão, deputado Marcelo Ramos (PL-AM), disse que o objetivo é votar a matéria na Câmara ainda no primeiro semestre.

"A hipótese mais longa seria a aprovação de um requerimento de adiamento da votação por 5 dias. Ainda assim, nós teríamos a votação na comissão no dia 9 de julho e ainda sobrariam duas semanas para o Plenário. Então está tudo dentro do cronograma e perseguimos o objetivo de votar no primeiro semestre", afirmou Ramos. Até às 18 horas dessa terça-feira, 37 destaques à reforma já haviam sido apresentados por partidos e deputados. 10 deles, que são de partidos, têm que ser votados separadamente. Os destaques buscam alterações no texto.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) voltou a defender que Estados e municípios estejam incluídos na reforma da Previdência ainda no relatório que deve ser votado na Comissão Especial nos próximos dias. O deputado, que entende a inclusão de Estados e municípios na reforma como "fundamental", disse estar comprometido em receber pessoalmente todos os governadores antes que o relator da reforma, Samuel Moreira (PSDB-SP), faça leitura da complementação de seu relatório. As declarações foram publicadas no perfil oficial de Maia no Instagram.

Na avaliação de Maia, há cerca de 315 ou 320 votos certos, mas pode-se chegar a um teto de 380 votos favoráveis à aprovação da reforma da Previdência. São necessários, no mínimo, 308 votos. “A reforma da Previdência e a tributária podem garantir ai uma capacidade de investimento para o governo federal que hoje é de R$ 60 bilhões a R$ 80 bilhões, vai para R$ 150 bilhões, R$ 200 bilhões. Olha a margem do que a gente vai poder discutir no próximo orçamento", afirmou Maia.

Ontem, o presidente Jair Bolsonaro, pressionado pelo Congresso, revogou o decreto que facilitava a posse e o porte de armas. Ele publicou, entretanto, outras três normas sobre o tema e apresentou um Projeto de Lei para que o assunto seja discutido no Legislativo. Além disso, o presidente vetou trechos do projeto que previa a indicação de diretores de agências reguladoras, com base em lista tríplice. Parlamentares pretendem derrubar esse veto.

Ainda no Legislativo, destaque para a aprovação pelo plenário da Câmara do texto-base do projeto da nova lei de licitações. Os destaques apresentados ao texto serão analisados em outro momento. A proposta substitui três legislações vigentes do setor, entre elas a 8.666/1993, conhecida como a Lei Geral de Licitações. O texto aprovado cria novas modalidades de contratação, exige o seguro-garantia para obras de grande porte e tipifica crimes relacionados à questão. O texto também disciplina as regras de licitações para a União, Estados e municípios.

Está prevista para hoje ainda reunião da CPI do BNDES, que ouvirá ex-presidente da instituição, Joaquim Levy.

4. Lula e Moro

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu por três votos a dois por manter o ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na prisão até que seja julgado o habeas corpus que pede sua soltura. Para a defesa, o ex-juiz Sérgio Moro, responsável pela condenação de Lula, não é imparcial e isso deveria anular o julgamento da primeira instância. O advogado de Lula, Cristiano Zanin, minimizou o resultado de ontem, afirmando que deverá ser diferente quando a Corte analisar o mérito do habeas corpus.

Votaram contra a liberdade do ex-presidente os ministros Luiz Edson Fachin, Cármen Lúcia e Celso de Mello. Já a favor de libertar o Lula votaram os ministros Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski. Ontem foi julgada apenas a proposta de Gilmar Mendes de libertar Lula até que o caso fosse julgado em definitivo. Ou seja, não se deliberou hoje sobre Moro ser ou não suspeito para julgar o caso. Gilmar disse que precisa de mais tempo para analisar o processo do tríplex no Guarujá (SP), por isso pediu vista do mérito do caso principal.

Em relação ao vazamentos, o presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, Felipe Francischini (PSL-PR), informou ontem o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, comparecerá ao colegiado na próxima terça, 2, às 14h00. Ele deverá prestar esclarecimentos sobre as conversas com procuradores da força-tarefa da Lava Jato reveladas pelo site The Intercept Brasil. A ida do ministro está combinada com sua assessoria.


Moro deveria comparecer ao colegiado nesta quarta, mas no fim de semana avisou que estaria em viagem aos Estados Unidos na mesma data. Segundo a Folha de S.Paulo. ontem à noite a agenda do ministro nos EUA foi revelada, constando vistas técnicas a centros de inteligência, de operações antiterrorismo e ao Departamento de Estado norte-americano, na Virgínia, Washington e Texas.

Em depoimento em comissão do Congresso, o jornalista Glenn Greenwald, editor do The Intercept, afirmou que as mensagens entre Moro e os procuradores da Lava Jato mostram que houve “conluio”, o que é vedado pela Constituição. “O material já mostrou e vai continuar mostrando que Moro era o chefe da força-tarefa da Lava Jato”, afirmou, justificando que o ex-juiz estava o tempo todo “mandando o que os procuradores deveriam fazer e depois entrando no tribunal e fingindo ser neutro.”

Ontem, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, engrossou as críticas ao ministro, afirmando que se as mensagens divulgadas pelo site The Intercept forem “verdadeiras”, Moro “ultrapassou o limite ético”, ao se relacionar com os procuradores. “Se fosse senador ou deputado, estava no Conselho de Ética, cassado ou preso. Nem precisava provar se tinha hacker”, disse.

Enquanto isso, os movimentos MBL e Vem Pra Rua, atuantes no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, se organizam para manifestações neste domingo, em todo o País, favoráveis à atuação do ex-juiz Sérgio Moro. Os atos deste domingo devem defender a reforma da Previdência e o pacote anticrime. Os dois movimentos se ausentaram recentemente de eventos pró-Bolsonaro.

5. Noticiário corporativo

A Petrobras vai realizar uma nova rodada de ofertas para definir a venda dos polos de Enchova e Pampo, localizados na Bacia de Campos. No último dia 13, a Petrobras informou ao mercado que recebeu propostas finais para os polos. As novas ofertas recebidas superam US$ 1 bilhão, segundo informou a estatal em um comunicado, montante próximo ao que foi oferecido pela Ouro Preto e EIG em 2018. Desta vez, a candidata principal seria a Trident Energy, com sede em Londres, segundo fontes do setor ouvidas pelo Broadcast.

Segundo o Valor Econômico, o preço da ação da Petrobras vendida pela Caixa foi de R$ 30,25 – representando um desconto em relação à cotação de ontem (R$ 30,70), mas superior ao do dia do lançamento da oferta (R$ 29,85). No total, a Caixa vai arrecadar cerca de R$ 7,3 bilhões pela venda das 241,3 milhões de ações ordinárias da Petrobras.

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) multou ontem o empresário Eike Batista em mais R$ 550 mil por omitir informações sobre incertezas em relação à viabilidade econômica da exploração de petróleo pela OGX nos balanços do primeiro trimestre de 2013 tanto da petroleira, hoje rebatizada de Dommo Energia (DMMO3), quanto da OSX, braço de logística e estaleiro do antigo Grupo EBX. Com isso, o total de multas aplicadas pela CVM a Eike chega a R$ 559,5 milhões.

(Agência Estado e Agência Câmara)

 

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