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Ibovespa acelera perdas e cai 2% com adiamento da reforma e possível soltura de Lula

Votação do relatório da reforma da Previdência na Comissão Especial pode ficar só para a próxima semana, enquanto Jerome Powell, chairman do Federal Reserve, frustrou as expectativas de quem apostava em maiores sinalizações de corte de juros em julho

ações queda baixa bear
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa acelera ainda mais as perdas nesta terça-feira (25) em meio a notícias de que o centrão pode atrasar a votação da reforma da Previdência na Comissão Especial da Câmara dos Deputados, que era esperada para esta semana.

Também ajuda a trazer pessimismo para os investidores a notícia de que o Supremo Tribunal Federal (STF) julgará hoje pedidos de soltura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

Às 15h26 (horário de Brasília), o principal índice acionário da B3 registrava baixa de 2,00%, a 100.022 pontos. Já o dólar comercial sobe 0,69% a R$ 3,8525 na compra e a R$ 3,853. 

Depois de reunião com o relator da reforma da Previdência, Samuel Moreira (PSDB-SP), o líder da maioria na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), afirmou que a votação da proposta na comissão especial pode ficar para a próxima semana, destaca a Folha de S. Paulo.

Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara, tinha a intenção de aprovar a proposta na comissão especial até quinta-feira (27) e, até meados de julho, no plenário. 

Além disso, em vídeo publicado no Twitter da Câmara dos Deputados, o líder do PP Arthur Lira defendeu o adiamento da votação do texto da Previdência na Comissão.

Ele apontou que ainda há itens que o partido, com a terceira maior bancada da Câmara, pediu para serem retirados, mas ainda estão no documento e que há questões relativas a estados que não estão resolvidas. 

Segundo Gabriel Fonseca, analista da XP Investimentos, a possível soltura de Lula é algo que adiciona ruído ao cenário, apesar de não ter qualquer impacto sobre a reforma da Previdência. "Também há notícias de que o centrão vai atuar para atrasar a reforma na Câmara. Acho que este é o principal ponto hoje, mas adiciona incerteza", avalia. 

Fed

A bolsa brasileira intensificou as perdas também seguindo o noticiário internacional, após a fala de James Bullard, presidente do Federal Reserve de Saint Louis, de que um corte nos juros dos EUA em meio ponto seria injustificado.

Vale ressaltar que ele foi o único membro do Fomc que votou na semana passada por um corte de juro, de 0,25 ponto percentual. 

Com essa fala, os índices americanos intensificaram as perdas já registradas em boa parte da sessão com os dados de confiança do consumidor abaixo do esperado. O Dow Jones tinha baixa de 0,5%, o S&P 500 registrava queda de 0,71% e o Nasdaq caía 1,2%. 

Jerome Powell, chairman do Fed, falou minutos depois, e não ajudou a animar o mercado. Ele apontou que um corte nos juros americanos amplamente esperado por investidores e economistas na próxima reunião, que acontece no fim de julho, não é algo "definido". 

“A questão com a qual eu e meus colegas estamos lidando é se essas incertezas continuarão a pesar sobre as perspectivas e, portanto, exigirão acomodação adicional”, afirmou o presidente do Fed. 

Mesmo reconhecendo que “muitos” dirigentes do Fed acreditam que o argumento a favor dos cortes se fortaleceu, ele acrescentou: “Também estamos conscientes de que a política monetária não deve reagir excessivamente a nenhum ponto individual de dados ou a oscilações de curto prazo no sentimento”. 

Vale ressaltar que a sessão desta terça-feira já era de cautela para o mercado em meio à tensão entre EUA e Irã. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou retaliar militarmente o Irã por um eventual ataque iraniano a qualquer alvo americano.

Isso após a República Islâmica afirmar que novas sanções norte-americanas impedem qualquer diplomacia e que considera as ações da Casa Branca "mentalmente retardadas".

O noticiário também impactou o mercado de dólar e de juros futuros. O dólar comercial registrava ganhos de 0,457%, a R$ 3,844 na venda, enquanto o contrato da divisa comercial negociado no mercado futuro com vencimento em julgo subia 0,48%, a R$ 3,843. 

Os contratos de juros futuros com vencimento em janeiro de 2021 subiam 8 pontos-base, a 6%. Já os papéis com vencimento em janeiro de 2023 saltavam 7 pontos-base, a 6,79%, intensificando a alta já registrada mais cedo.

Durante a manhã, foi divulgada a ata do Comitê de Política Monetária (Copom), que na semana passada manteve a Selic a 6,5% ao ano, mas deixou a porta aberta para futuros cortes na taxa básica de juros.

No documento de hoje, foi destacado que a evolução dos riscos inflacionários melhorou, mas os integrantes do comitê ainda consideram que o risco preponderante diz respeito ao andamento das reformas estruturais.

"O documento não trouxe grandes novidades em relação ao comunicado divulgado. A evolução dos riscos inflacionários melhorou, devido à estagnação da economia doméstica e perspectiva de redução de juros em diversas economias, mas ainda consideram que o risco preponderante para a condução da política monetária diz respeito ao andamento das reformas estruturais da economia brasileira", observam os analistas da XP Investimentos.

Para eles, ainda é pouco provável um corte de juros na próxima reunião do Copom, marcada para julho.

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A ata “seguiu comunicado”, dizendo “me deem reformas primeiro”, afirmou Roberto Secemski, economista para Brasil do Barclays, em entrevista à Bloomberg. Um dos destaques foi a consideração de que a taxa de juros permanece estimulativa e que isto “não é inconsistente com o desempenho da economia aquém do esperado, posto que a atividade econômica sofre influência de diversos outros fatores”, disse citando as palavras do comunicado.

Destaques da Bolsa

Em meio a esse ambiente de aversão ao risco, apenas as ações da JBS registram ganhos acima de 2% entre as ações que compõem o Ibovespa, enquanto B3, Cyrela e Smiles registram fortes quedas. Os papéis da Petrobras registram queda superior a 1% em uma sessão de quase estabilidade do petróleo, enquanto Vale e siderúrgicas têm baixa com a queda do preço do minério. 

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 B3SA3 B3 ON 37,71 -5,01 +41,48 547,77M
 CYRE3 CYRELA REALTON 19,24 -3,80 +24,37 31,65M
 CVCB3 CVC BRASIL ON 51,51 -3,79 -15,77 42,84M
 HYPE3 HYPERA ON 29,15 -3,54 -2,49 38,81M
 BTOW3 B2W DIGITAL ON 32,73 -3,45 -22,11 74,87M

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 JBSS3 JBS ON 22,18 +1,79 +91,39 182,20M
* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)

 

 

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