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Os 5 assuntos que vão agitar o mercado nesta sexta-feira

Após "Super Quarta", quando o Ibovespa encerrou o pregão acima dos 100 mil pontos, o mercado monitora hoje as tensões entre EUA e Irã 

Donald Trump
(Shutterstock)

SÃO PAULO – Após fechar o pregão de quarta-feira, véspera de feriado, com alta de 0,9%, o Ibovespa superou o marco histórico dos 100 mil pontos, terminando a sessão aos 100.303 pontos, alavancado pela decisão do Federal Reserve (Fed) de manutenção dos juros nos Estados Unidos. Hoje, sem indicadores domésticos relevantes e menor liquidez por conta do pregão espremido entre o feriado de ontem e o final de semana, o mercado deverá se guiar pelo cenário externo.

Lá fora, as tensões entre os Estados Unidos e o Irã estão no radar dos investidores. Segundo o jornal The New York Times, o presidente Donald Trump aprovou ataques militares contra vários alvos iranianos, mas abruptamente retirou a ordem de lançamento ontem à noite. Os ataques havia sido autorizados em retaliação ao fato de o Irã ter abatido um robô espião americano não tripulado (drone). Aviões militares e navios estariam prontos para atacar alvos iranianos, mas nenhum míssil foi disparado.

As ameaças de um conflito no Oriente Médio, que responde por parte relevante do fluxo mundial do petróleo, repercutem nos preços da commodity, cujas cotações estão em alta nesta sexta-feira, após as valorizações de mais de 5% da véspera. O preço futuro do minério de ferro também opera em alta.

No Brasil, o presidente Jair Bolsonaro admitiu ontem pela primeira vez, em evento evangélico, que poderá concorrer à reeleição em 2022. A declaração contraria o seu discurso de campanha, no ano passado, quando defendeu o fim das reeleições.

1. Bolsas Internacionais

Os mercados asiáticos fecharam sem sinais definidos, em meio às tensões geopolíticas. Ontem, Trump havia afirmado ter sido um “grande erro” o ataque do Irã aos drones, num post no Twitter.

O movimento acabou anulando o bom-humor dos mercados das últimas sessões, por conta do viés "dovish" adotado por grandes bancos centrais, nas recentes decisões monetárias, como a dos Estados Unidos e a do Japão, conjuntamente à repercussão da possibilidade de uma nova rodada de negociações comerciais sino-americanas.

Na Europa, as bolsas operam em alta, mesmo com as tensões externas, puxadas por empresas dos ramos de petróleo e gás.

Entre os indicadores, destaque para o Índice de Gerente Compras (PMI, na sigla em inglês) da Zona do Euro, subindo a 47,8 pontos em junho, ante 47,7 de maio. Apesar da alta, o índice ficou pouco abaixo do estimado pelo mercado.

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 07h09 (horário de Brasília):

*S&P 500 Futuro (EUA), -0,18%
*Nasdaq Futuro (EUA), -0,27%
*Dow Jones Futuro (EUA), -0,15%
*DAX (Alemanha), +0,07%
*FTSE (Reino Unido), -0,03%
*CAC-40 (França), +0,25%
*FTSE MIB (Itália), +0,30%
*Hang Seng (Hong Kong), -0,27% (fechado)
*Xangai (China), +0,50% (fechado)
*Nikkei (Japão), -0,95% (fechado)
*Petróleo WTI, +0,19%, a US$ 57,18 o barril
*Petróleo Brent, +0,59%, a US$ 64,83 o barril
*Bitcoin, US$ 9.784,59, +5,83%
R$ 37.000, +3,93% (nas últimas 24 horas)
*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian subiam 0,74%, a 820,00 iuanes (nas últimas 24 horas).

2. Agenda Econômica

Sem agenda local relevante de indicadores, os investidores devem monitorar os dados que serão publicados, às 10h45, do PMI norte-americano de serviços e industrial. Às 11h00, será a vez da divulgação dos dados de moradias usadas nos EUA.

3. Bolsonaro e Moro

Durante a Marcha para Jesus, ontem, em São Paulo, Bolsonaro tratou pela primeira vez da possibilidade de reeleição, de forma explícita. “Se não tiver boa reforma política, e se o povo quiser, estamos aí para continuar por mais quatro anos”, disse após participar o evento. Entretanto, caso sejam feitas as mudanças no sistema eleitoral, ele afirmou que pode “jogar fora a possibilidade de reeleição”. Ele já havia sinalizado sobre a reeleição, pela manhã, quando participou de um evento na cidade de Eldorado, no interior paulista.

Bolsonaro fez ainda elogios ao depoimento do ex-juiz e ministro da Justiça, Sérgio Moro, em referência ao durante depoimento no Senado na quarta-feira. “[Nota] dez pro Moro. Subiu no meu conceito. Apesar que ele não poderia crescer mais do que já cresceu”, afirmou ontem, no interior de São Paulo.

No Senado, na quarta-feira, Moro afirmou que “não tem apego ao cargo” e admitiu, pela primeira vez, a possibilidade de deixar o cargo caso sejam constatadas irregularidades nas supostas mensagens. Na sabatina, ele voltou a afirmar que agiu de acordo com a lei e ressaltou ter havido sensacionalismo no caso. Além disso, avaliou que os vazamentos buscam invalidar condenações e atacar instituições.

Em mais um capítulo da série de conversas vazadas pelo site The Intercept, novos diálogos foram publicados ontem na rádio BandNews, no programa de Reinaldo Azevedo, sugerindo que a força-tarefa do Ministério Público Federal discutiu a alteração de escala de procuradores em audiências após critica de Moro a uma das procuradoras do grupo. As conversas ocorreram dois meses antes do primeiro depoimento do ex-presidente Lula como réu em Curitiba (PR).

Ainda na política, o presidente Bolsonaro fez sua quarta mudança ministerial, com a saída do general Floriano Peixoto da Secretaria-Geral da Presidência, que irá assumir os Correios. A queda anterior de ministro foi do General Santos Cruz, que saiu do posto fazendo críticas ao governo e diz que foi demitido sem receber explicações.

4. Economia e Previdência

O governo deve lançar nos próximos dias o programa Novo Mercado de Gás, que busca baratear o preço do gás e está inserido dentro da agenda econômica que visa ajudar na retomada da atividade econômica. Segundo o jornal O Estado de S.Paulo, a intenção do governo é enfrentar os monopólios que atuam há anos no setor, principalmente o das distribuidoras, nos Estados e o da Petrobras. A ideia é aumentar a concorrência em meio ao aumento da oferta, das reservas de gás que virão do pré-sal.

O jornal O Globo destaca que os Estados de Alagoas, Ceará e Espírito Santo estão entre os que mais investiram no País, entre 2006 e 2018, após melhorarem seus gastos fiscais. Segundo a publicação, os dispêndios somaram R$ 381 por habitante. Na contramão, os mais endividados – Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais – foram os que menos gastaram, com R$ 91 por habitante.

O mercado deverá repercutir a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), anunciada após o fechamento do mercado na quarta-feira, que manteve inalterada pela décima vez consecutiva a taxa Selic, em 6,5% ao ano. A decisão veio em meio a sinais cada vez mais evidentes de fraqueza na atividade econômica.

O Comitê, porém, indicou o andamento da reforma da Previdência no Congresso Nacional como fundamental para as suas próximas decisões.

Sobre a reforma da Previdência, mais de 20 deputados debateram, na véspera do feriado, o parecer da PEC 6/19 – elevando para 71 os que já falaram nesta semana. Segundo a Agência Câmara, alguns deputados que se inscreveram desistiram de falar, mas a lista ainda tem 78 deputados inscritos.

O presidente da comissão, deputado Marcelo Ramos (PL-AM), chamou nova reunião para a próxima terça (25), às 9h00. Ele informou ainda que nada impede que a votação da proposta comece no mesmo dia em que for encerrada a discussão.

5. Noticiário corporativo

O jornal Valor Econômico destaca que a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de permitir a retomada das operações de processamento de minério de ferro a úmido na mina de Brucutu, em São Gonçalo do Rio Abaixo (MG) abre novas perspectivas para a Vale. Segundo a publicação, as operações da mineradora na região devem ser retomadas entre hoje e amanhã. Além disso, a empresa já começa a vislumbrar a possibilidade de retomada da produção em outras minas, paralisadas desde o dia 25 de janeiro, após a tragédia de Brumadinho.

Já a Petrobras informou ontem que iniciou a fase vinculante da venda integral de sua participação na Liquigás Distribuidora. Nessa etapa do processo, explica a empresa, os interessados classificados para a fase vinculante receberão cartas-convite com instruções detalhadas sobre o processo de desinvestimento, incluindo as orientações para a realização de due diligence e para o envio das propostas vinculantes.

(Agência Estado e Agência Câmara)

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