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Ibovespa Futuro tem leve queda seguindo exterior após encostar nos 99 mil pontos

Apesar do rali nas commodities, índice responde a dados negativos no Brasil e a incertezas acerca de acordo para a reforma nos estados

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(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa Futuro tem leve queda nesta quarta-feira (12) após o índice à vista encostar nos 99 mil pontos no último pregão. Lá fora, apesar da queda das bolsas, segue o rali das commodities, em meio a sinalizações de estímulos na China. O minério de ferro responte com alta de 4%. Por aqui, a principal preocupação é com o andamento de um acordo para a reforma da Previdência nos estados. 

Às 9h12 (horário de Brasília), o contrato futuro do índice para junho caía 0,23% a 99.840 pontos, enquanto o dólar futuro para julho ficava estável a R$ 3,8615. 

Entre os indicadores, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que as vendas do varejo em abril caíram 0,6%, ante estimativas de queda de 0,1%. 

O dado mais fraco que o esperado impacta o mercado de juros futuros. O DI para janeiro de 2021 recua três pontos-base a 6,14%, ao passo que o DI para janeiro de 2023 tem variação negativa de um ponto-base a 7,05%. 

Ontem, os investidores se animaram com a aprovação no Congresso de um crédito suplementar de R$ 248,9 bilhões, que permite não haver descumprimento à regra de ouro. Se não fosse aprovado o crédito extra, o governo não conseguiria pagar o Benefício por Prestação Continuada (BPC), o Plano Safra e o Bolsa Família. 

No exterior, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a defender o uso de tarifas como parte de sua estratégia comercial, enquanto a China prometeu uma resposta firme se Washington insistir na escalada das tensões comerciais enquanto as duas maiores economias do mundo tentam negociar um acordo.

Além disso, a inflação ao consumidor de maio nos Estados Unidos avançou 0,1%, dentro da mediana das expectativas de economistas consultados pela Bloomberg. As estimativas variavam entre 0% e 0,2%.  

Noticiário corporativo

O Grupo Pão de Açúcar (PCAR4) anunciou nesta manhã que o seu Conselho de Administração aprovou a venda da sua fatia da Via Varejo (VVAR3) - dona das marcas Casas Bahia e Ponto Frio - para Michael Klein a R$ 4,75 por ação.

O GPA afirma no documento que recebeu no último dia 11 carta de Michael Klein comunicando que, caso realize a venda de todas as ações que detém na Via Varejo em leilão na B3, o empresário apresentará, "individualmente (direta ou indiretamente) e em conjunto com outros investidores, uma ou mais ordens de compra para aquisição de todas as ações da Via Varejo detidas pela companhia pelo preço máximo de 4,75 reais por ação".

A Centauro (CNTO3) elevou pela segunda vez sua oferta para a aquisição da Netshoes, dessa vez para US$ 3,70 por ação, ante US$ 3,50 anteriormente. Dessa forma, o montante somaria US$ 114,9 milhões, valor 23% superior ao proposto pelo Magazine Luiza (MGLU3). A previsão é de que os acionistas da Netshoes deliberem sobre as propostas nesta sexta-feira, dia 14.

Ontem, em audiência na Câmara dos Deputados, o presidente da Petrobras (PETR3; PETR4), Roberto Castello Branco, afirmou que a empresa fez o possível para reduzir os preços dos combustíveis, ressaltando que a política depende de fatores externos. Adicionalmente, o Cade deu sinal verde para que a estatal possa se desfazer de seus ativos de refiro até 2021.

Em relação ao caso do Grupo Odebrecht, os grandes bancos brasileiros estão negociando em conjunto uma recuperação extrajudicial - ou seja, fora do ambiente da Justiça, afirmou ontem Octavio de Lazari, presidente do Bradesco (BBDC3; BBDC4). "Trabalhamos com todos os cenários (sobre a Odebrecht)", disse Lazari. "Procuramos, porém, (priorizar) uma recuperação extrajudicial para que todos os atores possam sentar-se à mesa e chegar a um ajuste, com concessão de mais prazo e condição de pagamento diferenciada."

Ainda no noticiário corporativo, a Gerdau (GGBR4) negocia a compra da Siderúrgica Latino Americana (Silat), localizada em Caucaia, no Ceará, pertencente ao grupo espanhol Hierros Añón, diz o Valor Econômico.

Orçamento e Previdência

O destaque do noticiário foi a aprovação ontem à noite pelo Congresso Nacional, com apoio unânime de governistas, parlamentares de centro e oposição, de uma autorização especial para que o governo possa pagar R$ 248,9 bilhões em benefícios sociais com dinheiro obtido com empréstimos. A prática é vedada pela Constituição e seu descumprimento é crime de responsabilidade, passível de impeachment.

A matéria foi aprovada por 450 deputados e 61 senadores. Após o fim da sessão, o presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), disse que o resultado era um "sinal claro" da disposição dos parlamentares em apreciar matérias de interesse do País, não do governo. Ele agradeceu aos congressistas pela "maturidade" ao lidar com o tema. 

Para a aprovação, porém, o governo selou acordo para liberar R$ 1 bilhão em recursos para o Minha Casa Minha Vida, R$ 1 bilhão para o custeio de universidades, além de R$ 550 milhões para a transposição do Rio São Francisco e R$ 330 milhões para bolsas de pesquisas ligadas ao Ministério de Ciência e Tecnologia.

Sobre a reforma da Previdência, o presidente da comissão especial, deputado Marcelo Ramos (PL-AM), afirmou ontem que a discussão do parecer do deputado Samuel Moreira (PSDB-SP) deve se estender por duas ou três sessões. Nesse cronograma, o debate ocuparia praticamente toda a semana que vem, caso o relator mantenha a previsão de leitura do parecer nesta quinta-feira (13).

Ramos evitou, porém dizer se a votação na comissão acabará ficando para a primeira semana de julho, diante do feriado e das festas juninas - que geralmente mobilizam parlamentares do Nordeste a ficarem nas suas bases. "Não vejo as festas juninas como empecilho", afirmou. Ramos avisou, porém, que garantir quórum e voto não é papel dele.

O presidente Jair Bolsonaro disse ontem, a uma plateia de empresários, na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que, após a aprovação da reforma da Previdência, o ministro Paulo Guedes vai entrar em campo para desburocratizar e diminuir impostos.  

Pressionados a angariar votos favoráveis à reforma da Previdência, sob pena de exclusão dos Estados da proposta, 25 governadores condicionaram o apoio à proposta à exclusão de quatro pontos e à modificação de outros dois itens do texto encaminhado pelo governo Jair Bolsonaro ao Congresso. Segundo eles, o relator acenou que vai acatar os pedidos. A retirada desses pontos reduziria a economia com a reforma em, pelo menos, R$ 127,2 bilhões em dez anos.

Entretanto, as mudanças que o relator da proposta vem estudando, diante da pressão de retirada de alguns pontos, como o regime de capitalização, poderia desidratar a reforma em R$ 300 bilhões nos próximos dez anos, pontua o jornal O Globo.

Já o jornal Valor Econômico destaca que o relatório contábil do Tesouro Nacional a ser divulgado hoje mostrará que o déficit previdenciário dos trabalhadores que recebem pelo INSS foi de R$ 6,4 mil no ano passado, enquanto dos servidores públicos federais chegou a R$ 63 mil per capta. No caso dos militares, esse déficit é de R$ 115 mil.

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