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Ibovespa Futuro sobe seguindo exterior e de olho em votação de crédito suplementar

Mercado acompanha exterior após cair forte ontem por conta das revelações contra Sérgio Moro e se atenta ao Congresso

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(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa Futuro abre em alta nesta terça-feira (11) após o índice à vista ter uma leve queda no último pregão diante de preocupações com os vazamentos de conversas do ministro da Justiça, Sérgio Moro. Hoje, o mercado acompanha o dia de ganhos no exterior e fica de olho na sessão da Comissão Mista de Orçamento (CMO) do Congresso, que precisa aprovar um crédito suplementar de R$ 248,9 bilhões para que o governo cumpra a regra de ouro. 

Às 9h11 (horário de Brasília), o contrato futuro do Ibovespa para junho subia 0,78% a 98.005 pontos, enquanto o dólar futuro com vencimento em julho cai 0,21% a R$ 3,8835. 

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2021 cai quatro pontos-base a 6,22%, ao passo que o DI para janeiro de 2023 recua três pontos-base a 7,15%.  

É vital para o governo que o Congresso chegue a um acordo sobre o crédito suplementar, pois sem isso, há duas opções: ou o Planalto deixa de pagar Benefício de Prestação Continuada (BPC), depois crédito rural e Bolsa Família ou incorre em crime de responsabilidade fiscal, correndo risco de sofrer um impeachment. 

O grande desafio é conseguir superar as obstruções que a oposição planeja fazer durante toda a semana por conta da divulgação das mensagens que Moro trocou com o procurador da força-tarefa da Lava-Jato, Deltan Dallagnol. Em duas mensagens, o ex-juiz e atual ministro sugere que se invertam fases da operação e se reduza o intervalo entre uma ação e outra.

Essas frases são vistas como interferências no trabalho do Ministério Público e reforçam suspeitas de que Moro não fosse totalmente isento. O problema que muitos apontam é que não se sabe de onde o Intercept tirou as informações e se elas têm relação com o ataque hacker que o ministro sofreu recentemente. Se for o caso, seriam informações obtidas mediante crime. 

Ainda estão previstas para hoje novas negociações dos deputados com governadores para que os estados sejam contemplados pela reforma da Previdência. Este é o principal foco de conflito no texto atual, que deve ter seu relatório lido pelo deputado Samuel Moreira (PSDB-SP) na quinta-feira (13) na Comissão Especial da Câmara. 

China

Enquanto isso, o mercado acompanha o exterior, com o minério de ferro em alta de cerca de 6% e o brent com ganhos de cerca de 1% com notícias de que os governos locais na China vão ter mais espaço para investir em infraestrutura e se contrapor às tarifas americanas.

Autoridades chinesas prometeram apoiar emissões de bônus com propósito específico por governos locais, depois de Pequim dar seu aval à tomada de recursos para ajudar a impulsionar o crescimento econômico. O governo chinês vai ampliar esforços para acelerar o financiamento de grandes projetos por meio dessas emissões, que são usadas basicamente para gastos em infraestrutura.

As medidas têm como objetivo fortalecer a coordenação entre agências governamentais, manter ampla liquidez e garantir uma taxa de crescimento dentro de faixa razoável, afirma o comunicado de ontem.

A China prevê que governos locais emitirão este ano 2,15 trilhões de yuans (US$ 310 bilhões) em bônus com propósito específico voltados para projetos de infraestrutura, montante bem maior que o total de 1,35 trilhão de yuans emitido no ano passado.

Noticiário corporativo

Entre os destaques corporativos está o anúncio ontem à noite da Petrobras de que recebeu o valor aproximado de R$ 265 milhões, em decorrência de acordo de leniência da Braskem celebrado com a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Advocacia-Geral da União (AGU). A Braskem já havia devolvido R$ 564 milhões à Petrobras, por acordos com Ministério Público Federal (MPF), que, somado ao valor restituído agora, totaliza cerca de R$ 829 milhões.

A venda das ações da Petrobras em poder da Caixa Econômica Federal deve ter efeito positivo no banco estatal, elevando o seu patrimônio líquido, que somava R$ 81,2 bilhões ao final do ano passado. O potencial impacto, que pode ser bilionário, depende, contudo, do preço do papel na operação, anunciada nesta segunda-feira, 10, ao mercado.

O jornal Valor Econômico destaca que os conselheiros da BRF estão divididos em relação à uma eventual fusão com a Marfrig. A união das empresas seria benéfica no longo prazo, criando competitividade global e dando saúde financeira, porém haveria riscos de governança, choque cultural e baixa sinergias.

As companhias aéreas Gol e a Latam esperam que, caso a falência da Avianca seja decretada, na próxima semana – a decisão que seria ontem foi adiada –, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) faça a redistribuição dos horários de pousos e decolagens dos slots da empresa como manda a atual legislação, que prevê a divisão das posições igualmente entre as aéreas que já operam nos aeroportos, diz o Valor.

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