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Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta terça-feira

Alívio no exterior se contrapõe a preocupações internas; Bolsonaro se reúne com Moro e governo tenta aprovar no Congresso crédito suplementar

Bolsonaro e Paulo Guedes
(Marcos Corrêa/PR)

SÃO PAULO – O Ibovespa registrou leve queda ontem de 0,36%, a despeito da alta no exterior, com os investidores preocupados com os efeitos que podem ter no governo – principalmente na tramitação das reformas – os vazamentos de mensagens trocadas pelo ministro Sérgio Moro com o procurador da força-tarefa da Lava-Jato, Deltan Dallagnol.

Hoje, o assuntos do vazamento das mensagens seguirá no radar dos investidores. A expectativa é de que o presidente Jair Bolsonaro se encontre com Moro para discutir o assunto, informou ontem o porta-voz do governo Rêgo Barros. O secretário de comunicação da Presidência, Fabio Wajngarten, disse ontem que Bolsonaro manifestou confiança em Moro.

Em Brasília, está prevista para as 14h a sessão no Congresso Nacional para a apreciação do projeto de crédito suplementar que autoriza o Executivo a descumprir a chamada “regra de ouro” e pagar, com recursos emprestados, despesas correntes de R$ 248,9 bilhões (PLN 4/19). Antes, às 11h, a matéria precisa ser encaminhada na Comissão Mista de Orçamento (CMO).

Ainda nesta terça-feira os chefes dos governos estaduais desembarcam em Brasília para a 5ª Reunião do Fórum de Governadores, a partir das 8h, com o objetivo de afinar o discurso e pressionar parlamentares para que estados e municípios permaneçam, como proposto originalmente pelo governo, estejam na reforma da Previdência.

Enquanto seguem as preocupações internas, no exterior pela manhã os mercados operam em alta, diante do acordo EUA-México e por medidas de estímulo anunciadas por Pequim.

1. Bolsas internacionais

Autoridades da China prometeram apoiar emissões de bônus com propósito específico por governos locais, depois de Pequim dar seu aval à tomada de recursos para ajudar a impulsionar o crescimento econômico. O governo chinês vai ampliar esforços para acelerar o financiamento de grandes projetos por meio dessas emissões, que são usadas basicamente para gastos em infraestrutura.

As medidas têm como objetivo fortalecer a coordenação entre agências governamentais, manter ampla liquidez e garantir uma taxa de crescimento dentro de faixa razoável, afirma o comunicado de ontem.

A China prevê que governos locais emitirão este ano 2,15 trilhões de yuans (US$ 310 bilhões) em bônus com propósito específico voltados para projetos de infraestrutura, montante bem maior que o total de 1,35 trilhão de yuans emitido no ano passado.

Enquanto aguarda uma definição de substituto para a primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, que já conta com dez candidatos, a taxa de desemprego do Reino Unido ficou em 3,8% nos três meses até abril, igual à do trimestre até março, mantendo-se no menor nível desde 1974.

Entre as commodities, os preços do petróleo subiam nesta terça-feira, diante das expectativas de corte na produção contrapondo-se às preocupações com a desaceleração das economias e da demanda.

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 07:24 (horário de Brasília):

*S&P 500 Futuro (EUA), +0,46%
*Nasdaq Futuro (EUA), +0,65%
*Dow Jones Futuro (EUA), +0,44%
*DAX (Alemanha), +1,33%
*FTSE (Reino Unido), +0,51%
*CAC-40 (França), +0,79%
*FTSE MIB (Itália), +0,97%
*Hang Seng (Hong Kong), +0,76% (fechado)
*Xangai (China), +2,58% (fechado)
*Nikkei (Japão), +0,33% (fechado)
*Petróleo WTI, +0,90%, a US$ 53,74 o barril
*Petróleo Brent, +0,27%, a US$ 62,46 o barril
*Bitcoin, US$ 7.832,66, +1,20%
R$ 31.212, +2,51% (nas últimas 24 horas)
*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian sobem 5,99%, a 761 iuanes (nas últimas 24 horas).

2. Agenda Econômica

Na agenda de indicadores locais, a FGV divulga o IGP-M, às 8h, na primeira prévia de junho, assim como o IPC-S Capitais da primeira quadrissemana de junho. Às 9h, o IBGE deve informar a estativa para a safra de grãos.

Mais cedo, a Fipe publicou o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que mede a inflação na cidade de São Paulo, teve alta marginal de 0,01% na primeira quadrissemana de junho, revertendo a leve queda de 0,02% observada no fechamento de maio.

Nos Estados Unidos, às 9h30, será conhecido o índice de preços ao produtor (PPI) de maio. Às 22h30, será a vez da China publicar os PPI de maio, assim como índice de preços ao consumidor (CPI).

3. Bolsonaro e Moro

Os desdobramentos do vazamento de conversas por meio de aplicativos de mensagens de celular entre o ministro Sérgio Moro e o procurador da força-tarefa da Lava-Jato, Deltan Dallagnol, reveladas no domingo à noite, pelo site The Intercept, levou o presidente Jair Bolsonaro a chamar o ex-juiz para uma falar sobre o assunto pessoalmente, disse ontem o porta-voz do governo, Otávio Rêgo de Barros.

Rêgo Barros afirmou sobre o vazamento que Bolsonaro não iria se pronunciar antes de falar com o ministro. Segundo o porta-voz, é "importante" para o presidente o encontro para, a partir da conversa, "traçar linhas de ação" e estratégias para o país avançar em direção ao "rumo certo".

Até as 6h30, nada constava na agenda oficial do Planalto sobre o encontro, apenas a sinalização de que o presidente tem compromissos pela manhã em Brasília e que, à tarde, embarca para São Paulo, quando se encontra com o governo de São Paulo, João Dória, o empresário Abilio Diniz, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, e participa de homenagens na capital paulista.

Entre as consequências do vazamento, a corregedoria do Ministério Público instaurou procedimento para investigar a atuação do procurador. A Polícia Federal, por sua vez, vai apurar as circunstâncias da ação do hacker. Ontem, Moro declarou que não ter “visto nada demais na mensagens”. “O que há ali é uma invasão criminosa de celulares”, disse.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) recomendou o afastamento temporário de Moro, Dallagnol e dos demais procuradores que aparecem nas conversas vazadas até que se concluam as investigações. O conselho federal da entidade pede uma "investigação plena, imparcial e isenta", chamando o caso ainda de "possível relação de promiscuidade" na condução de ações penais no âmbito da Lava-Jato.

Enquanto isso, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, liberou para julgamento um pedido de liberdade apresentado pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, questionando a suspeição de Moro nas decisões tomadas, quando juiz, nas condenações do ex-presidente. Se não for analisado hoje, poderá ser encaminhado, pela 2ª turma do STF, para o dia 25 de junho.

4. Orçamento e Previdência

Os partidos de centro e do governo selaram um acordo para garantir a votação hoje pela manhã, na Comissão Mista de Orçamento (CMO), da autorização especial para pagar benefícios sociais com dinheiro de empréstimos, disse ontem o relator do crédito suplementar, deputado Hildo Rocha (MDB-MA).

O governo precisa do aval da maioria do Congresso para liberar R$ 248,9 bilhões em gastos com aposentadorias do INSS, subsídios agrícolas, benefícios assistenciais a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda e Bolsa Família. Sem esse aval, o presidente Jair Bolsonaro não pode autorizar a despesa, sob risco de cometer crime de responsabilidade, passível de impeachment.

Se o crédito não for aprovado logo, os beneficiários poderão ficar sem o dinheiro. Por isso, nos últimos dias, Bolsonaro tem intensificado os alertas nas redes sociais sobre a necessidade de votar o projeto.

Entretanto, a oposição anunciou obstrução em todas as votações na Câmara dos Deputados até que Moro seja afastado do Ministério da Justiça, como consequência da divulgação de reportagem pelo site Intercept Brasil de supostas ilegalidades na Operação Lava Jato.

A dificuldade foi destacada pelo líder do PSL no Senado Federal, Major Olimpio (PSL-SP), ao afirmar que não tem esperança de que uma eventual aprovação do crédito suplementar com facilidade. Questionado pelo Estadão, se o governo tem controle da votação marcada para hoje na CMO ou mesmo uma estimativa de votos, o senador foi claro: "Eu te afirmo que não tem".

O desenho final do relatório da reforma da Previdência deverá ser debatido hoje por governadores, que fazem pressão para que estados e municípios para permaneçam no texto, como proposto originalmente pelo governo. Os chefes dos governos estaduais buscam afinar o discurso. A maior preocupação gira em torno de temas que afetam diretamente o caixa dos governadores.

O porta-voz da Presidência afirmou ontem que Bolsonaro está à disposição para conversar com governadores sobre a proposta de reforma da Previdência e para apoiar a inclusão de Estados e municípios no texto final. O relator da reforma da Previdência, deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), deve apresentar seu parecer na quinta-feira, 13.

Ainda sobre o orçamento, o governo quer usar os recursos que não forem sacados do PIS/Pasep pelos trabalhadores para dar um alívio ao seu caixa. A medida pode evitar a necessidade de um novo bloqueio de despesas ou até mesmo permitir a liberação de parte dos recursos contingenciados.

A ideia é centralizar o montante do PIS/Pasep, que hoje está nos bancos públicos, no caixa do Tesouro Nacional. Há cerca de R$ 20 bilhões depositados, com baixa probabilidade de serem sacados.

5. Noticiário corporativo

Entre os destaques corporativos está o anúncio ontem à noite da Petrobras de que recebeu o valor aproximado de R$ 265 milhões, em decorrência de acordo de leniência da Braskem celebrado com a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Advocacia-Geral da União (AGU). A Braskem já havia devolvido R$ 564 milhões à Petrobras, por acordos com Ministério Público Federal (MPF), que, somado ao valor restituído agora, totaliza cerca de R$ 829 milhões.

A venda das ações da Petrobras em poder da Caixa Econômica Federal deve ter efeito positivo no banco estatal, elevando o seu patrimônio líquido, que somava R$ 81,2 bilhões ao final do ano passado. O potencial impacto, que pode ser bilionário, depende, contudo, do preço do papel na operação, anunciada nesta segunda-feira, 10, ao mercado.

O jornal Valor Econômico destaca que os conselheiros da BRF estão divididos em relação à uma eventual fusão com a Marfrig. A união das empresas seria benéfica no longo prazo, criando competitividade global e dando saúde financeira, porém haveria riscos de governança, choque cultural e baixa sinergias.

As companhias aéreas Gol e a Latam esperam que, caso a falência da Avianca seja decretada, na próxima semana – a decisão que seria ontem foi adiada –, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) faça a redistribuição dos horários de pousos e decolagens dos slots da empresa como manda a atual legislação, que prevê a divisão das posições igualmente entre as aéreas que já operam nos aeroportos, diz o Valor.

(Agência Brasil, Agência Câmara e Agência Estado)

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