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Ibovespa Futuro cai com vazamentos de Moro ofuscando alta no exterior; dólar sobe

Mercado tem dia de queda após áudios comprometerem o ministro da Justiça quando ele ainda era juiz da Lava Jato

gráfico queda ibovespa investimento
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa Futuro abre em queda nesta segunda-feira (10) e se descola do exterior, que tem alta após os Estados Unidos firmarem um acordo comercial com o México.

No cenário doméstico, os ruídos políticos se amplificam após o site The Intercept divulgar áudios do ministro da Justiça, Sérgio Moro, em que ele discute com o procurador da força-tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol, sobre formas de impedir uma entrevista do ex-presidente, Luiz Inácio Lula da Silva à Folha de S. Paulo porque ela poderia ajudar a eleger Fernando Haddad presidente. 

Às 9h05 (horário de Brasília) o contrato futuro do Ibovespa para junho caía 0,73% a 97.280 pontos, enquanto o dólar futuro com vencimento em julho subia 0,28% a R$ 3,894. 

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2021 sobe dois pontos-base a 6,29%, ao passo que o DI para janeiro de 2023 avança cinco pontos-base a 7,22%.

Relatório Focus 

A estimativa do mercado financeiro para o crescimento da economia neste ano chegou a 1%, após 15 reduções consecutivas. É o que mostra o boletim Focus, resultado de pesquisa do Banco Central (BC) a instituições financeiras, divulgado às segundas-feiras.

A projeção para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) – a soma de todos os bens e serviços produzidos no país - desta vez foi reduzida de 1,13% para 1%.

Já a estimativa de inflação, calculada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), caiu de 4,03% para 3,89% este ano, foi mantida em 4% para 2020 e em 3,75% para 2021 e 2022.

Para o mercado financeiro, a Selic deve permanecer no seu mínimo histórico de 6,50% ao ano até o fim de 2019. Para o fim de 2020, a projeção caiu de 7,25% ao ano para 7%. 

A previsão do mercado financeiro para a cotação do dólar permanece em R$ 3,80 no fim de 2019 e de 2020.

Noticiário corporativo

No noticiário corporativo, destaque para a Petrobras entrou com três ações no Supremo Tribunal Federal (STF) alegando que o Tribunal Superior do Trabalho (TST) deu andamento a ações que deveriam estar travadas por ordem do STF, envolvendo o método de cálculo para benefícios previstos em acordo coletivo firmado em 2007.

Em junho do ano passado, a Petrobras foi derrotada na maior ação trabalhista da história da companhia, quando o TST concordou com trabalhadores que pediam novo método de cálculo para benefícios previstos no acordo de 2007. À época, se estimou que a mudança pode causar impacto de R$ 15 bilhões pelos pagamentos passados e ainda adicionaria R$ 2 bilhões anuais na folha de pagamento da Petrobras.

A Vale reiterou, em comunicado, a provisão de US$ 1,855 bilhão destinada ao processo de desativação das barragens a montante, que utilizam a mesma tecnologia da barragem de Brumadinho (MG). Em maio, ao publicar o balanço referente ao primeiro trimestre deste ano, a Vale explicou que o plano de acelerar a desativação das barragens a montante, comunicado às autoridades no fim de janeiro, resultou em provisão de R$ 7,137 bilhões.

A companhia área Avianca pode ter seu fim sacramentado hoje, quando está prevista sessão de julgamento do Tribunal de Justiça, diz a Coluna do Broadcast. A expectativa é de que a corte dê um veredicto sobre a realização do leilão dos slots (autorizações de pouso e decolagem) da empresa, que está em recuperação judicial desde dezembro de 2018.

Moro e Lava Jato

O site The Intercept publicou ontem trechos de mensagens atribuídas a procuradores da Lava Jato e ao ex-juiz e atual ministro da Justiça Sérgio Moro. Segundo o site, procuradores, entre eles Deltan Dallagnol, trocaram mensagens pelo aplicativo Telegram com Moro sobre assuntos investigados pela operação. Na semana passada, Moro relatou que teve conversas de seu celular hackeadas ilegalmente.

De acordo com o Estadão, a Polícia Federal investiga há cerca de um mês ataques aos celulares de Moro e de procuradores que atuam nas forças tarefas da Lava Jato em Curitiba, Rio e em São Paulo. Nas conversas, supostamente, Moro teria combinado orientações para a atuação das investigações da Lava Jato.

Segundo o The Intercept, há conversas escritas e gravadas com Moro sugerindo mudanças da ordem de fases da Lava Jato, além de aconselhar, fornecer pistas e antecipar uma decisão a Dallagnol. O ministro Marco Aurélio Mello, do STF, disse que esse tipo de comunicação só deve ocorrer nos processos, com a devida publicidade, afirmou ao Estadão.

A força tarefa da Lava Jato afirmou, em nota, “não saber exatamente ainda a extensão da invasão”, mas que possivelmente foram copiados “documentos e dado sobre estratégias e investigações em andamento e sobre rotinas pessoais e de segurança” dos integrantes do grupo e de suas famílias.

Previdência e Bolsonaro

O relator da reforma da Previdência na Câmara, deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), afirmou ontem que irá apresentar seu parecer na próxima quinta-feira, dia 13, para ter tempo de discutir os termos da proposta com governadores e líderes partidários. Inicialmente, a expectativa era de que o documento pudesse ser apresentado na terça-feira, 11.

O deputado se reuniu na noite deste domingo com lideranças de nove partidos, o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho. No encontro, os parlamentares discutiram pontos do texto que ainda não têm apoio efetivo no Congresso, como o regime de capitalização e as regras de transição para quem está próximo de se aposentar.

Moreira pretende se reunir com os governadores na próxima terça-feira para discutir a permanência de Estados e municípios no texto da reforma. A maioria dos mandatários é favorável à manutenção, mas alguns deputados temem que, ao votarem favoravelmente à proposta, podem se desgastar com suas bases eleitorais.

O deputado afirmou ainda que o adiamento na apresentação do relatório não deve impactar no calendário estabelecido inicialmente para a votação da reforma na comissão especial, que deve acontecer até 15 de junho, e no plenário da Câmara até o recesso de julho. "O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, está confiante na formação de uma maioria", disse.

Em entrevista conjunta ao jornal Folha de S.Paulo, Maia e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP) se posicionaram contra o decreto que flexibiliza o porte de armas, criticaram as propostas que alteram as leis de trânsito, se manifestaram contrariamente à política ambiental de Bolsonaro e disseram que o projeto anticrime do ministro Sérgio Moro não é prioritário.

Maia e Alcolumbre afirmaram ainda que Bolsonaro terá “de nos aturar por dois anos e vice-versa”. Os parlamentares acrescentaram ainda desconhecer qualquer pauta importante do governo superar a crise econômica, além da reforma da Previdência – que apoiam com entusiasmo –, e avaliam que, mesmo sem ter uma base sólida, o governo não caí; mas terá problemas para aprovar a agenda que propõe ao País.

O presidente Jair Bolsonaro voltou a afirmar ontem que se o Congresso não aprovar o Projeto de Lei nº 4 (PLN 4), que prevê a concessão de um crédito suplementar para o governo no valor de R$ 248,9 bilhões, não haverá dinheiro para o pagamento de benefícios para aposentadorias, Bolsa Família, Pronaf e Plano Safra.

"Se não aprovar teremos problema. Não é que eu não queira pagar ninguém, não vai ter dinheiro", afirmou. Questionado sobre se o recurso destinado ao pagamento dos benefícios já não estava previsto no Orçamento, o presidente respondeu: "Está, mas a receita está bem abaixo do previsto".

O jornal O Globo destaca ainda a PEC, que deve ser aprovada essa semana, alterando os prazos para tramitação das Medidas Provisórias (MPs) no Congresso exigirá mais capacidade de articulação do governo. Levantamento da publicação informa que apenas 12 das 206 MPs editadas desde 2015 pelo Planalto teriam sido aprovadas dentro do novo cronograma.

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