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Como o mercado deve reagir ao vazamento das mensagens de Moro e procuradores da Lava-Jato

Conforme destaca a Rico Investimentos em relatório, no curto prazo a bolsa deve cair por expectativa de atraso no cronograma da Previdência; mas, no longo prazo, os fundamentos não mudaram

Sérgio Moro
(Lula Marques / AGPT)

SÃO PAULO - Era para ser uma sessão tranquila para os investidores brasileiros, com as bolsas internacionais subindo por conta do acordo entre EUA e México anunciado na última sexta-feira (7) e pela expectativa de que o Federal Reserve comece a cortar os juros a partir de junho.

Contudo, uma notícia na noite do último domingo do site The Intercept revelando conversas entre o atual ministro da Justiça Sérgio Moro (na época em que ele era juiz federal da Operação Lava Jato) e o procurador Deltan Dallagnol levam a uma sessão de aversão ao risco para os agentes de mercado. O Ibovespa Futuro com vencimento em junho chegou a registrar queda nesta manhã de cerca de 0,90%, enquanto o dólar tinha alta de 0,4%. 

Conforme destacam em relatório Thiago Salomão e Matheus Soares, analistas da Rico Investimentos, ainda é impossível prever os desdobramentos políticos, jurídicos e 'financeiros' desta notícia. Contudo, é possível ter algumas indicações sobre o movimento do mercado. 

O ponto mais importante destacado por eles é de que a oposição deve se reunir em torno do assunto, pedindo instalação de CPI, pedidos de esclarecimento dos envolvidos, ações judiciais pedindo anulação de condenações da Lava Jato, entre outros fatores que podem ser lidos como um atraso no "cronograma da Previdência".

Porém, para os analistas, "por enquanto, nada mudou" no mercado. De acordo com eles, pode haver volatilidade no curto prazo, mas o Ibovespa deve operar abaixo de 100 mil pontos e acima de 90 mil pontos enquanto não tivermos qualquer definição sobre a reforma da previdência.

"Caso o mercado faça a nossa leitura de que o cronograma da previdência pode atrasar e, como o Ibovespa está na faixa dos 98 mil pontos, a expectativa é de queda no curto prazo. Mas, dito que nossa tese de investimentos não mudou, quedas mais fortes servirão como oportunidade de entradas - se os fundamentos mantiverem-se como estão", afirmam. 

Assim, a Rico Investimentos segue otimista com a bolsa no longo prazo por ter no cenário-base a aprovação de uma reforma da previdência significativa o bastante para resolver o problema fiscal de curto e médio prazo e dessa forma destravar a economia.

"Mas no curto prazo, seguimos com a estratégia 'aumente o risco da carteira perto dos 92/90 mil pontos, diminua perto dos 98/100 mil pontos'”, conclui o relatório. 

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