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Embraer e WEG vão desenvolver aeronaves elétricas: o que isso significa para as companhias?

A parceria tem como foco atender os compromissos de sustentabilidade ambiental; primeiro voo de demonstração está previsto para 2020 

Manfred Peter Johann (WEG) e Daniel Moczydlower (Embraer)
(Divulgação/Embraer e WEG)

SÃO PAULO - Na manhã da última quinta-feira (30), a Embraer (EMBR3) e a WEG (WEGE3), duas das maiores exportadoras de produtos manufaturados de alta tecnologia do Brasil, anunciaram um acordo de cooperação científica e tecnológica para desenvolvimento conjunto de novas tecnologias e soluções para viabilizar propulsão elétrica em aeronaves.

A parceria, no âmbito de pesquisa e desenvolvimento pré-competitivo, busca acelerar o conhecimento das tecnologias necessárias ao aumento da eficiência energética das aeronaves a partir da utilização e integração de motores elétricos em inovadores sistemas propulsivos.

O processo de eletrificação faz parte de um conjunto de esforços realizados pela indústria aeronáutica e que visam atender seus compromissos de sustentabilidade ambiental, a exemplo do que já vem sendo feito com biocombustíveis para redução de emissões de carbono. O primeiro voo do demonstrador movido a energia elétrica está previsto para 2020.

De acordo com o diretor superintendente da unidade de automação da WEG, Manfred Peter Johann, o motor a combustão da aeronave convencional será retirado, sendo instalado no lugar um sistema de motor elétrico e inversor de potência da fabricante de motores. "A mobilidade elétrica é caminho sem volta no mundo e queremos verificar se essas tecnologias podem ser aplicadas na aviação", destacou o executivo.

Segundo Johann, ainda é improvável que a tecnologia venha a substituir motores a combustão em aviões que fazem voos internacionais. Contudo, o sistema eventualmente poderá ser desenvolvido para equipar aeronaves em trajetos mais curtos. "Temos um conjunto de dificuldades a serem superadas. Além do peso da bateria, tem a questão da autonomia também", afirmou. 

Até pode demorar para que os motores elétricos dominem o mercado de aeronaves. Contudo, o anúncio da parceria foi visto de forma positiva para as duas companhias, de acordo com análise do Bradesco BBI.

"A WEG e a Embraer estão mostrando mais uma vez sua capacidade de desenvolver tecnologia de ponta. A WEG está buscando novos mercados e a Embraer está mostrando que, apesar da venda de sua divisão de aviação comercial [para a Boeing] a empresa manterá engenheiros com experiência suficiente para desenvolver novos produtos", destaca a equipe de análise do banco.

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