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Os 5 assuntos que vão agitar o mercado nesta segunda-feira

Texto alternativo da Reforma da Previdência na Câmara entra no debate, enquanto o governo trabalha para aprovação de MPs  

Rodrigo Maia
(Wilson Dias/Agência Brasil)

São Paulo – O Ibovespa encerrou a semana passada em queda de 4,5% refletindo o aumento da tensão política e as indefinições, cada vez maiores, na guerra comercial entre Estados Unidos e China. Hoje (20), o foco deverá se voltar à Reforma da Previdência, que pode contar com uma proposta alternativa à original, após um grupo de deputados propor apresentar um substitutivo ao texto enviado pelo governo, com o objetivo de garantir um DNA da Câmara ao projeto, porém sem alteração dos prazos regimentais.

Por trás da iniciativa há uma tentativa de ampliar o embate da Câmara dos Deputados com a gestão do presidente Jair Bolsonaro. Hoje, às 14h00 (horário de Brasília), está prevista uma audiência entre o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o relator da proposta de Reforma da Previdência, Samuel Moreira (PSDB-SP). Ontem, em reunião com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), Moreira disse que o relatório final da Previdência deve ser apresentado em 15 dias.

Sobre uma nova proposta à Previdência, o porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros, afirmou que o governo vai continuar defendendo integralmente a proposta de reforma já enviada ao Legislativo em fevereiro pelo Executivo. "Retomamos o posicionamento. A proposta que foi enviada ao Congresso é a proposta que nós entendemos como a melhor”, afirmou.

Ainda em meio à batalha pela Previdência, o governo buscará em menos de 15 dias a aprovação de 11 medidas provisórias que estão prestes a vencer, como a que reorganiza os ministérios. Integrantes de diversos partidos avaliam que deixar caducar as MPs será um recado ao governo, sobretudo após o compartilhamento do texto de que o Brasil é “ingovernável”, sem “conchavos”.

1. Bolsas Internacionais

No exterior, as bolsas europeias operam majoritariamente em queda nesta manhã, enquanto as da Ásia fecharam com sinais mistos. Apenas Tóquio teve alta após o Produto Interno Bruto (PIB) japonês crescer acima do esperado, com taxa anualizada de 2,1% no primeiro trimestre deste ano. Na China, as bolsas recuaram diante das notícias de que as negociações comerciais entre os EUA e a China tiveram uma pausa.

Segundo a CNBC, o agendamento de discussões para futuras negociações comerciais foi suspenso desde que o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aumentou o escrutínio às empresas de telecomunicações chinesas.

O yuan, moeda chinesa, já se desvalorizou quase 2,7% este mês, perto da cotação de 7 para 1 dólar, rompida pela última vez durante a crise financeira de 2008. A depreciação ajuda os chineses a amenizar o impacto das novas tarifas dos EUA mantendo suas exportações acessíveis nos Estados Unidos. Mas uma grande queda no yuan pode desencadear uma saída de dinheiro da China e prejudicar a estabilidade econômica.

Além disso, os investidores globais estão monitorando os riscos geopolíticos depois que o presidente Donald Trump lançou uma nova ameaça a Teerã, tuitando que o conflito no Oriente Médio seria o “fim oficial” do Irã, enquanto a Arábia Saudita alertou que está pronta para responder com “toda a força.”

As declarações de Trump elevaram os preços futuros do petróleo. Além disso, o ministro da Energia da Arábia Saudita, Khalid al-Falih, afirmou ontem que existe um consenso entre a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados (Opep +) de reduzir os estoques brutos, mas que seu país continuará respondendo às necessidades dos países exportadores.

Ainda entre as commodities, os preços futuros do minério de ferro operam em alta de 2,2% nesta segunda-feira, com o aumento pela demanda pelo produto, diante do cenário em que as siderúrgicas chinesas estão atingindo recordes de produção e há riscos à oferta por conta de ações judiciais contra a Vale no Brasil.

Já na Europa, o cenário de instabilidade geopolítica e de guerra comercial entre EUA-China levaram os principais índices à queda majoritariamente. Adicionalmente, a primeira-ministra britânica, Theresa May, escreveu em artigo que apresentará uma "oferta nova e ousada" ao Parlamento para obter apoio para seu acordo Brexit, o que acontecerá em algumas semanas, antes de deixar o cargo.

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 07h15 (horário de Brasília):

*S&P 500 Futuro (EUA), -0,55%
*Dow Jones Futuro (EUA), -0,47%
*Nasdaq Futuro (EUA), -1,21%
*DAX (Alemanha), -1,35%
*FTSE (Reino Unido), -0,73%
*CAC-40 (França), -1,25%
*FTSE MIB (Itália), -2,47%
*Hang Seng (Hong Kong), -0,57% (fechado)
*Xangai (China), -0,41% (Fechado)
*Nikkei (Japão), +0,24% (fechado)
*Petróleo WTI, +0,53%, a US$ 63,09 o barril
*Petróleo Brent, +0,61%, a US$ 72,65 o barril
*Bitcoin, US$ 7.914,84, -1,31%
R$ 31.802, -2,51% (nas últimas 24 horas)
*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian subiam 2,23%, a 711,50 iuanes (nas últimas 24 horas)

2. Agenda Econômica

No Brasil, logo cedo, às 8h00, a FGV divulga a segunda prévia do IGP-M de maio. Já as 8h25, o Banco Central divulga o boletim Focus, novamente com grandes expectativas em relação a possíveis revisões do PIB, para baixo, assim como de um eventual corte na taxa Selic. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) publica, às 10h00, o índice de confiança do empresário.

Nos Estados Unidos, está previsto para as 9h30 a publicação do índice de atividade nacional Chicago Fed (CFNAI) de abril.

3. Noticiário Político

Em meio a mais uma polêmica, após compartilhar um texto no WhatsApp em que diz que o Brasil fora de conchavos é "ingovernável", o presidente Jair Bolsonaro afirmou, no final de semana, ao ser questionado sobre o assunto que apenas repassou a "meia dúzia de pessoas".

Bolsonaro compartilhou ainda um vídeo, no Facebook, de pastor estrangeiro afirmando que ele foi “escolhido por Deus” para comandar o País. Junto à publicação, o presidente escreveu que “não existe teoria da conspiração, existe uma mudança de paradigma na política” e que “quem deve ditar os rumos do país é o povo! Assim são as democracias”.

Bolsonaro defendeu ainda, no final de semana, a aprovação integral da medida provisória 870, que reestrutura a administração pública. "Para quê aumentar os ministérios? Tem 22, eu queria que tivesse menos", afirmou o presidente. "Espero que aprovem as medidas provisórias do jeito que eu mandei para lá”. Ele ainda tentou acenar ao Congresso, dizendo que “o Congresso é soberano para decidir, mudar, rejeitar”.

Em outra frente, para tentar melhorar sua imagem em regiões com governadores opositores, o presidente está programando sua primeira viagem oficial ao Nordeste, para entregar casas populares e anunciar mais verbas para obras de infraestrutura, destaca o Estadão.

Sobre uma nova proposta à Previdência, o porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros, afirmou que o governo vai continuar defendendo integralmente a proposta de reforma já enviada ao Congresso, em fevereiro pelo Executivo. "Retomamos o posicionamento. A proposta que foi enviada ao Congresso é a proposta que nós entendemos como a melhor”, afirmou.

A Folha destaca que desgastado com as derrotas no Congresso e os protestos de rua, Bolsonaro terá de buscar em menos de 15 dias a aprovação de 11 medidas provisórias que estão prestes a vencer, como a que reorganiza os ministérios. Integrantes de diversos partidos avaliam que deixar caducar as MPs será um recado ao Governo, sobretudo após o compartilhamento do texto de que o Brasil é “ingovernável”, sem “conchavos”.

O Painel da Folha pontua que a escalada de apoiadores do presidente contra o Congresso e o STF nas convocações para os atos do dia 26 não deverá gerar um embarque dos militares em “uma saída não constitucional”. Segundo a Coluna, caso Bolsonaro mantenha o discurso de que é vítima de uma conspirata, “parlamentares avaliam que a relação com o legislativo poderá chegar a um ponto de não retorno”.

O Globo destaca que a equipe econômica negocia alterações no relatório da Reforma da Previdência a fim de facilitar sua aprovação. Entre as possíveis concessões estão a flexibilização na idade mínima para a aposentadoria para professores e trabalhadores rurais, de 60 anos como na proposta original, para 58 anos (mulheres) e 61 anos (homens). Mudanças no BPC e na proposta de capitalização também estão em debate, porém os técnicos querem manter a economia de R$ 1 trilhão em dez anos.

4. Noticiário Econômico

O Estadão destaca que passados cinco anos do início da deterioração econômica brasileira, considerando como o início da recessão o trimestre entre abril e junho de 2014, nenhum setor produtivo voltou ao patamar pré-crise.

Na mais lenta retomada da história do País, a construção civil ainda está 27% aquém do registrado no começo de 2014 e a indústria, 16,7%. Um pouco menos atingidos, serviço e varejo também sofrem para se recuperar e estão em níveis 11,7% e 5,8% inferiores ao de 2014, respectivamente. O processo é tão vagaroso, com frustrações de expectativa de crescimento trimestre após trimestre, que economistas têm tido dificuldade para explicar o que ocorre no País.

O Valor Econômico traz um balanço da safra de resultados das empresas no primeiro trimestre, avaliando que 40% deles foram positivos, 35% neutros e 25% abaixo do esperado. Os dados mostram resistência das companhias ao período de recessão. Entretanto, o otimismo dos empresários do começo do ano deu lugar a um sentimento de desconfiança, diante da falta de coordenação política para tocar as reformas.

Folha ressalta que as companhias listadas evitaram citar pioras nas expectativas para o PIB em seus resultados do primeiro trimestre. Segundo a publicação, 37 das 63 companhias não mencionaram problemas macroeconômicos, enquanto 18 mencionaram preocupação com o cenário.

5. Noticiário corporativo

No noticiário corporativo, as atenções se voltam à Vale que está com o talude norte da cava da Mina Gongo Seco, em Barão dos Cocais (MG), com risco de rompimento a qualquer momento até o próximo sábado, dia 25, informou a mineradora. Como parte de ações preventivas de engenharia, a Vale começou a terraplenagem para construção da contenção em concreto localizada a 6 km à jusante da barragem Sul Superior, em Barão de Cocais.

A Vale ressalta que continua monitorando a barragem e o talude norte da cava de Gongo Soco 24 horas por dia e mantendo contato permanente com a autoridades competentes no sentido de prevenir e informar a toda a população sobre o andamento dos trabalhos e da situação da barragem Sul Superior e da cava. No sábado, cerca de 1.600 moradores da Zona de Segurança Secundária (ZSS) da cidade participaram de um novo simulado de emergência de barragens.

A Justiça de Minas Gerais, por sua vez, determinou que a Vale apresente em 72 horas estudo dos impactos do rompimento das estruturas da Barragem Sul Superior, da Mina de Gongo Soco, em Barão de Cocais, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Além disso, a Justiça elevou a multa aplicada à mineradora para o teto de R$ 300 milhões. A determinação veio após pedido feito pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).

(Agência Estado)

 

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