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Os 5 assuntos que vão agitar o mercado nesta sexta-feira

Investidores devem acompanhar desdobramentos de nova fala de Bolsonaro sobre revisão de política de preços da Petrobras 

Jair Bolsonaro
(Valter Campanato/Agência Brasil)

SÃO PAULO – A turbulência na política nacional contribuiu para que o Ibovespa perdesse ontem os 90 mil pontos e fechasse o dia com queda de 1,75%. Junto com as preocupações com a falta de articulação política, pesou no mercado local a divulgação do risco de uma nova ruptura de barragem da Vale.

Hoje, as noticias corporativas deverão seguir no radar dos investidores, após o presidente Jair Bolsonaro voltar à afirmar, ontem durante uma transmissão ao vivo no Facebook, que pode rever a política de preços da Petrobras se não houver prejuízo à estatal.

Adicionalmente, a família do presidente sofre investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ), que quebrou o sigilo bancário e fiscal de seu filho, Flávio Bolsonaro, e do ex-assessor Fabrício Queiroz, além de 93 pessoas e empresas, entre os quais de oito ex-funcionários de Jair Bolsonaro.

As preocupações quanto a um novo rompimento de barragem da Vale levaram o preço futuro do minério de ferro a disparar mais de 5%, nas máximas em cerca de dois anos, por conta da possibilidade de cortes na produção da empresa brasileira.

1. Bolsas Internacionais

Na Ásia, as bolsas fecharam sem sinais definidos. O destaque de baixa, porém, fica com as bolsas chinesas, com quedas de 2,48% em Xangai e de 3,15% em Shenzhen. O mercado da China segue cauteloso à espera da definição ou não acordo comercial entre o país e os Estados Unidos. A retaliação de Donald Trump à gigante de telecomunicações chinesa Huawei ampliou a insegurança dos mercados sobre a chegada a um acordo.

As bolsas europeias operam em queda no início desta manhã ainda diante das preocupações com as negociações comerciais entre EUA e China. Outro fator que leva os investidores à cautela são os desdobramentos do Brexit, com a premiê do Reino Unido, Theresa May, tentando obter apoio para o acordo de saída do país da União Europeia.

Entre os indicadores europeus, destaque para o índice de preços ao consumidor (CPI) da Zona do Euro, que apresentou alta de 0,7% em abril ante março e ganho de 1,7% na comparação anual. O resultado veio em linha com a expectativa do mercado.

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 07h17 (horário de Brasília):

*S&P 500 Futuro (EUA), -0,45%
*Dow Jones Futuro (EUA), -0,61%
*Nasdaq Futuro (EUA), -0,42%
*DAX (Alemanha), -0,38%
*FTSE (Reino Unido), -0,07%
*CAC-40 (França), -0,02%
*FTSE MIB (Itália), -0,04%
*Hang Seng (Hong Kong), -1,16% (fechado)
*Xangai (China), -2,48% (Fechado)
*Nikkei (Japão), +0,89 (fechado)
*Petróleo WTI, +0,45%, a US$ 63,15 o barril
*Petróleo Brent, +0,45%, a US$ 72,72 o barril
*Bitcoin, US$ 7.330,24, -8,34%
R$ 30.415, -7,27% (nas últimas 24 horas)
*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian subiam 5,37%, a 707,00 iuanes (nas últimas 24 horas)

2. Agenda Econômica

No Brasil, a única publicação de indicadores é o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), medido pela Fipe, que subiu 0,15% na segunda quadrissemana de maio, ritmo inferior à inflação de 0,20% da primeira quadrissemana.

Nos Estados Unidos, estão previstos para 11h00 os indicadores de confiança do consumidor, situação atual e expectativas referentes a maio.

3. Noticiário Político

O presidente Jair Bolsonaro classificou como “esculacho” as investigações do MP-RJ sobre o seu filho Flavio Bolsonaro, e afirmou que colocará seu sigilo bancário à disposição. “Venham para cima de mim. Não vão me pegar”, afirmou Bolsonaro em reação à investigações.

As movimentações atípicas em dinheiro detectadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), entre janeiro de 2016 e junho de 2018, somaram R$ 661 mil em dinheiro. A Folha relata ainda que as investigações poderão avançar sobre a milícia, o PSL e a primeira-dama.

Na sua transmissão semanal, ontem à noite, Bolsonaro voltou atrás, em relação às suas declarações do domingo, afirmando que não fechou um acordo com o seu ministro Sérgio Moro para que o ex-juiz assumisse uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo o presidente, a primeira vez que falou com Moro foi, via telefone, durante sua campanha. Bolsonaro afirmou ainda esperar que o Congresso aprove a Medida Provisória da Reforma Administrativa sem alterações, inclusive mantendo o Coaf sob a tutela do ministério da Justiça. Ele disse, no entanto, respeitar a decisão do Parlamento caso os deputados decidam por manter as alterações que já foram impostas à medida.

A Folha destaca que o Coaf aponta operações bancárias suspeitas do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio. Segundo a publicação, ele teria movimentado cerca de R$ 1,96 milhão de fevereiro de 2018 a janeiro de 2019. Documentos obtidos pela reportagem apontam ter havido depósitos e saques em dinheiro vivo, que apresentam “atipicidade em relação à atividade econômica” do ministro.

4. Noticiário Econômico

O presidente Banco Central, Roberto Campos Neto, disse ontem durante audiência na comissão mista do Orçamento do Congresso que a instituição não vai afrouxar o controle da inflação em troca de um melhor desempenho do Produto Interno Bruto (PIB).

Ele criticou a gestão do ex-presidente do BC Alexandre Tombini, durante a presidência de Dilma Rousseff, quando ele teria sido mais tolerante à alta da inflação apostando num maior crescimento. A discussão sobre um corte adicional dos juros vem na esteira da previsão de queda do PIB no primeiro trimestre e revisões para baixo na projeção de expansão anual.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, diz que é possível aprovar a Reforma da Previdência em 60 dias. Segundo o Estadão, Guedes teria conversado com os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, sobre uma proposta de calendário para a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC).

O impasse na aprovação por parte do Congresso de um crédito extra de R$ 248,9 bilhões solicitado pelo equipe econômica de Bolsonaro poderá deixar o governo sem condições de pagar benefícios assistenciais, como o Bolsa Família, a partir do segundo semestre.

Parlamentares têm resistido à iniciativa, por conta do descontentamento com a articulação política, relata o Estadão. Enquanto isso, a equipe econômica pede urgência na liberação, para que o governo não descumpra a regra de ouro, que impede a impede a emissão de dívida para o pagamento de despesas correntes.

O Estadão destaca que o governo quer deixar a Educação e a Saúde de fora da próxima tesourada no Orçamento, que será anunciada na semana que vem. Segundo a publicação, técnicos da área econômica fazem as contas para poupar a pasta da Educação, que sofreu o maior corte nominal, com R$ 5,7 bilhões.

O bloqueio não será linear e técnicos procuram agora espaços para cortar, o que é considerado difícil, depois do contingenciamento de R$ 30 bilhões anunciado em março. O martelo será batido na semana que vem, já que o governo tem que anunciar o novo bloqueio até o dia 22 de maio, quando será divulgado o relatório bimestral de receitas e despesas com as novas projeções para a economia e o orçamento deste ano.

5. Noticiário corporativo

O presidente Jair Bolsonaro afirmou ontem à noite durante transmissão semanal ao vivo no Facebook que pode rever a política de preços da Petrobras se não houver prejuízo à estatal. “O pessoal reclama do preço da gasolina a R$ 5. E eles me culpam, atiram para cima de mim o tempo todo. O preço dos combustíveis é feito lá pela Petrobras. Leva em conta o preço do barril de petróleo lá fora, bem como a variação do dólar. Lógico que se a gente puder rever isso aí sem prejuízo para a empresa, sem problema nenhum, às vezes, a política pode ter algum equívoco”, disse.

Ao lado de Bolsonaro, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, afirmou que o preço dos combustíveis no País só poderá ser reduzido quando houver “maior produção, quando não formos tão dependentes do petróleo que hoje ainda continuamos exportando e importando”, afirmou.

Em abril, Bolsonaro causou mal-estar aos mercados ao ligar ao presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, solicitando que revisse na ocasião o reajuste no preço do óleo diesel que havia sido anunciado.

Uma das iniciativas para evitar um nova greve dos caminhoneiros, começarão os testes a partir de segunda-feira do Cartão do Caminhoneiro Petrobras, que será distribuído pela BR Distribuidora. O cartão será voltado principalmente aos motoristas autônomos, mas também para transportadoras e embarcadores.

A Vale informou ontem que, assim que identificou movimentação no talude Norte, na cava da mina Gongo Soco, em Barão de Cocais (MG), paralisada desde 2016, avisou imediatamente as autoridades competentes.

A preocupação da companhia é com um novo deslizamento, assim como o que ocorreu no final de janeiro em Brumadinho. Segundo a empresa, não há elementos técnicos até o momento para se afirmar que o eventual escorregamento do talude Norte da Cava da Mina Gongo Soco desencadeará gatilho para a ruptura da Barragem Sul Superior. Mesmo assim, a Vale afirmou que está reforçando o nível de alerta e prontidão para o caso extremo de rompimento.

Adicionalmente, seguindo recomendação do Ministério Público de Minas Gerais, a Vale intensificará a veiculação de informações em rádios da região e por meio de panfletagem. Além disso, um novo simulado de evacuação será realizado neste sábado, dia 18 de maio, às 15h para reforço de treinamento da população de Barão de Cocais. As equipes da Valevão apoiar a realização do simulado, que será conduzido pela Defesa Civil. O nível de alerta da Barragem Sul Superior foi elevado para 2 no dia 8 de fevereiro.

(Agência Estado)

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