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Ibovespa se descola de bom humor externo e cai para mínima em 4 meses com tensão política

Índice voltou para seu patamar de 3 de janeiro de olho na ida do ministro da Educação ao Congresso, enquanto Trump ajudou na alta dos índices em Wall Street

Ações
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa se descolou no cenário externo nesta quarta-feira (15) em meio ao cenário de maior tensão política com a ida do ministro da Educação, Abraham Weintraub, ao Congresso para explicar o corte de 30% nas verbas discricionárias das universidades federais. Do outro lado, os índices americanos subiram após notícia de que Donald Trump decidiu adiar em seis meses a imposição de tarifas sobre a importação de autopeças.

O principal índice da B3 fechou com queda de 0,51% aos 91.623 pontos - menor patamar desde 3 de janeiro. O volume financeiro ficou em R$ 14,323 bilhões. Enquanto isso, o dólar comercial subiu 0,51%, cotado a R$ 3,9962 na venda, ao passo que o dólar futuro com vencimento em junho avançou 0,50%, a R$ 4,003.

Nos juros futuros, o DI para janeiro de 2021 registrou ganhos de um ponto-base a 6,85%, enquanto que o DI para janeiro de 2023 teve alta de três pontos-base a 8,02%. 

A convocação de Weintraub para explicar a redução no Orçamento para a Edcação rendeu críticas ao governo, já que a ida do ministro foi articulada por líderes do Centrão. Causou confusão ainda o desmentido da Casa Civil, MEC e Economia às declarações de parlamentares, da base de Bolsonaro, que garantiram que o presidente teria determinado o cancelamento dos cortes.

Mais de um parlamentar da base diz ter ouvido do próprio presidente a ordem, mas o rumor acabou sendo desmentido, o que evidencia, no mínimo, problemas na comunicação do governo. O tamanho das manifestações hoje pode aprofundar a crise, que extrapola a Educação e passa também pela possibilidade da Medida Provisória 870 caducar e o governo precisar recriar dez ministérios. 

Entre os indicadores, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) mostrou que a economia brasileira teve uma retração de 0,68% no primeiro trimestre de 2019 em comparação com o quarto trimestre de 2018. O dado tem ajuste sazonal para compensar os efeitos de diferentes períodos do ano. 

Em relação ao primeiro trimestre do ano passado, por outro lado, houve crescimento de 0,23% sem ajuste sazonal. Também sem ajuste, o IBC-Br de março foi 2,52% menor que o do mesmo mês do ano anterior e com ajuste, foi 0,28% menor que o do mês passado. 

Lá fora, a produção industrial e as vendas do varejo da China vieram abaixo das expectativas. Alguns analistas classificaram os resultados como “deprimentes e decepcionantes”, segundo a CNBC. As vendas no varejo desaceleraram para crescimento de 7,2% em abril na comparação ano a ano, bem abaixo do consenso dos analistas, que esperavam 8,6%. Foi o menor dado desde 2003.

A produção industrial também desaqueceu, avançando 5,4% em abril, ante expectativas de 6,5%, com impacto negativo dos setores de exportação. Por outro lado, isso levou a expectativas de que a China vá realizar novos estímulos econômicos em breve, o que explica a alta nas bolsas asiáticas. 

Os Estados Unidos não ficaram de fora na maré de dados fracos. As vendas do varejo na maior economia do mundo caíram 0,2% em abril, resultado mais fraco que a mediana das estimativas dos economistas, que projetava crescimento de 0,2%. A produção industrial, por sua vez, caiu 0,5%, contra expectativa de alta de 0,1%. Além disso, a utilização de capacidade instalada recuou de 78,5% para 77,9%, o que frustrou as projeções de um crescimento para 78,8%.

Noticiário corporativo

O Valor traz informação de que a Vale (VALE3) estuda aumentar a sua produção na Serra Sul de Carajás, no Pará, para 150 milhões de toneladas por ano depois de 2020, representando uma alta de quase 70% ante o patamar atual, de 90 milhões.

Já a Petrobras (PETR3; PETR4) ajustou as regras do processo de desinvestimento da Liquigás e elevou as restrições à venda da distribuidora de gás GLP para as concorrentes e líderes do mercado Ultragas, SHV e Nacional Gás. Segundo o Valor, o movimento ocorre um ano após o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) vetar a venda da Liquigás para o Grupo Ultra, por R$ 2,8 bilhões.

A fabricante brasileira de aeronaves Embraer (EMBR3) registrou um prejuízo líquido de R$ 160,8 milhões no primeiro trimestre de 2019, pior que a mediana das expectativas dos analistas consultados pela Bloomberg, que era de prejuízo de R$ 93,21 milhões. A última linha do resultado também foi bem mais fraca que a do primeiro trimestre de 2018, quando a Embraer teve prejuízo de R$ 130,4 milhões. 

Já a Kroton (KROT3) apresentou um lucro líquido ajustado de R$ 318,692 milhões no primeiro trimestre deste ano, representando uma queda de 34,2% na comparação com o mesmo período de 2018. A queda, diz a empresa, ocorreu pelo impacto das despesas financeiras e pela amortização do intangível decorrentes da aquisição de Somos.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 VVAR3 VIAVAREJO ON 4,30 -5,49 -2,05 84,34M
 KROT3 KROTON ON 9,44 -5,22 +6,69 258,87M
 EMBR3 EMBRAER ON 18,14 -4,17 -16,33 73,78M
 CYRE3 CYRELA REALTON 15,95 -3,92 +3,10 88,46M
 MGLU3 MAGAZ LUIZA ON 173,00 -2,95 -3,92 255,54M

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 QUAL3 QUALICORP ON 18,24 +3,17 +41,51 68,62M
 JBSS3 JBS ON 22,01 +2,90 +89,93 413,49M
 EQTL3 EQUATORIAL ON 82,09 +2,59 +11,39 146,90M
 LREN3 LOJAS RENNERON 40,71 +1,65 +6,47 149,42M
 BTOW3 B2W DIGITAL ON 32,33 +1,03 -23,06 93,40M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN N2 25,88 -0,46 946,06M 1,51B 41.467 
 VALE3 VALE ON 47,95 +0,76 843,02M 758,42M 38.526 
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN 31,85 +0,32 666,45M 568,76M 46.338 
 BBDC4 BRADESCO PN 33,24 -1,07 614,23M 497,85M 36.513 
 BBAS3 BRASIL ON 47,11 -1,65 491,40M 538,80M 32.115 
 ITSA4 ITAUSA PN 11,25 -0,18 480,27M 211,85M 27.262 
 B3SA3 B3 ON 32,50 -0,31 448,08M 276,16M 24.474 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 16,61 -1,95 437,44M 384,81M 45.104 
 JBSS3 JBS ON 22,01 +2,90 413,49M 282,10M 58.338 
 PETR3 PETROBRAS ON N2 28,32 -0,70 294,00M 279,44M 14.851 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
IBOVESPA

Noticiário Político

Em mais um sinal de falta de articulação, deputados aprovaram ontem por 307 votos favoráveis a 82 contrários a convocação do ministro da Educação, Abraham Weintraub, a explicar o corte de 30% no orçamento da pasta no Congresso. A convocação passou pela articulação de líderes do Centrão, às vésperas de Bolsonaro viajar para os EUA.

Deputados aliados ao presidente, que o encontraram ontem à tarde, afirmaram que ele iria rever o bloqueio de recursos no MEC. A informação, porém, foram desmentidos em seguida por Casa Civil, MEC e Economia. Líderes de PSL, Novo, Podemos e Cidadania, além de parlamentares de PV, PSC e Patriotas, disseram que Bolsonaro ligou a Weintraub, na frente deles, determinando a revogação do corte.

O corte no orçamento da Educação levou pelo menos 75 das 102 universidades federais do Brasil e institutos federais a convocarem protestos para hoje, com o apoio de universidades públicas estaduais. Segundo o Estadão, ao menos 33 escolas da rede privada de São Paulo também devem aderir à paralisação. A Folha pontua que a paralisação deve ter a adesão ainda de estudantes e trabalhadores das redes pública e privada de ensino fundamental e médio. A exposição de Weintraub no Congresso e as consequências da greve deixam o governo em alerta máximo.

Outra derrota no radar do governo vem da MP da reforma administrativa, que poderá perder sua validade no dia 3 de junho, caso a medida não seja aprovada pelo Congresso. O governo já avalia a necessidade de recriar até dez pastas. Editada em janeiro, a MP 870 reduziu 29 para 22 o total de ministérios.

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O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que a falta de clareza na agenda do governo Bolsonaro atrapalha a reforma da Previdência. A investidores, Maia acrescentou que o projeto não resolve os problemas de desemprego e desigualdade, mas disse que o Congresso aprovará a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) até setembro.

Ainda na política, O Globo informa que 55 pessoas da Alerj deverão ter os seus sigilos quebrados na investigação que apura suposto esquema de “rachadinha” dos salários no gabinete do senador Flávio Bolsonaro, quando era deputado estadual. Em outra frente o MP apura a origem do dinheiro em transações imobiliárias de Flávio.

Por fim, a sexta turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu por unanimidade conceder a liberdade ao ex-presidente Michel Temer e o seu ex-assessor Coronel Lima. Eles cumprirão medidas cautelares, com a entrega dos passaportes.

Noticiário Econômico

As declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, de que “a realidade é de que estamos no fundo do poço”, durante audiência da Comissão Mista do Orçamento do Congresso, foram destaques nos jornais. Segundo Guedes, o Brasil está aprisionado na armadilha do baixo crescimento e “à beira do abismo fiscal”. Ele acrescentou que o governo já trabalha com uma meta de alta do PIB de 1,5%, o que deverá gerar um novo corte no orçamento.

Na mesma audiência, Guedes desmentiu declaração de Bolsonaro à uma rádio no domingo e disse que não faria sentido corrigir a tabela do Imposto de Renda em um momento em que o governo tenta aprovar a reforma da previdência para cortar gastos. Segundo Guedes, a correção da tabela defasada custaria de R$ 50 bilhões a R$ 60 bilhões, o que seria um gasto muito grande.

Hoje, o ministro da Economia acompanhará o presidente Jair Bolsonaro em viagem à Dallas, no Texas. Ambos embarcam à noite para os Estados Unidos. Inicialmente, Guedes deve se ater a acompanhar o presidente. Bolsonaro tem agenda na capital texana entre os dias 16 e 18. O chefe do Executivo deve se encontrar com empresários, sobretudo no setor petroleiro, e também com o ex-presidente americano George W. Bush.

Diante dos fracos números da economia, economistas consultados pelo jornal O Estado de S.Paulo dizem haver espaço até para um corte de um ponto percentual na taxa Selic, atualmente em 6,5%. Em editorial, o jornal afirma que o País está novamente “à beira da recessão” e que “um grande fiasco pode marcar o primeiro ano do governo Bolsonaro”, com recuperação econômica interrompida e o “futuro continuando ameaçado”.

Ainda na economia, o governo Bolsonaro estuda o uso de mais recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para cobrir gastos com subsídios elevados do Programa Minha Casa Minha Vida (MCMV). Segundo a Folha, sem verbas para manter o MCMV, a intenção é reduzir de 10% para 3% sua participação no subsídio de algumas faixas do programa, com o FGTS sendo usado para repor essa diferença. A manobra seria uma estratégia para destravar o projeto e permitir a contratação de novas obras.

O Valor Econômico destaca que o governo está elaborando um novo programa de subsídio para substituir o MCMV. Segundo a publicação, de quebra, o programa poderá ajudar a União a desovar parte do seu patrimônio imobiliário, avaliado em quase R$ 950 bilhões. Previsto para ser lançado em julho, o subsídio está vinculado à doação de áreas do governo em regiões mais centrais das cidades. No Rio e em São Paulo, o governo conta com imóveis desocupados. Só da União, estão mapeados 700 mil imóveis no País, acrescenta o jornal.

 

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