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Os 5 assuntos que vão agitar o mercado nesta segunda-feira

Negociação entre EUA e China termina sem acordo, enquanto no Brasil Bolsonaro defendeu a correção da tabela do IR pela inflação

EUA x China
(Shutterstock)

SÃO PAULO – O Ibovespa encerrou a última sexta-feira com queda de 0,58%, após a confirmação da ameaça por parte dos Estados Unidos de elevar a taxação de US$ 200 bilhões em produtos chineses e o presidente Donald Trump sinalizar que mais de US$ 300 bilhões em outras mercadorias também poderão seguir o mesmo caminho.

Hoje, as bolsas asiáticas fecharam em queda diante do encerramento de mais uma rodada de negociações entre os representantes do comércio da China e EUA sem conclusão. O impasse comercial entre as duas principais economias globais contamina os índices europeus e os futuros de Nova York, que operam em queda nesta segunda-feira.

Pelo Twitter, ontem, Trump defendeu sua estratégia comercial e afirmou que os norte-americanos estão na iminência de arrecadar “dezenas de bilhões de dólares” em tarifas da China. Segundo ele, o país asiático quebrou o acordo que vinha sendo costurado e os chineses “amam explorar a América”, acrescentando que os produtores locais dos EUA poderão comprar os mesmos produtos de outros países ou fabricá-los localmente. À noite, Trump voltou a tuitar escrevendo que os chineses estão “sonhando” com o retorno dos democratas à Casa Branca.

Segundo o assessor da Casa Branca, Larry Kudlow, Pequim convidou Washington a seguir com as negociações e informou que Trump e o presidente da China, Xi Jinping, devem conversar diretamente durante reunião do G-20, no Japão, no fim do próximo mês.

O ministério de Comércio da China “lamentou profundamente” a reviravolta nas negociações e afirmou que tomará uma série de iniciativas para retaliar a alta das tarifas norte-americanas. Especialistas apontam que as retaliações devem afetar principalmente os produtos agrícolas norte-americanos, item que mais preocupa Trump politicamente.

No Brasil, o presidente Jair Bolsonaro concedeu entrevista à rádio Bandeirantes ontem, afirmando que pediu ao ministro da Economia Paulo Guedes que corrija a tabela do imposto de renda de acordo com a inflação no ano que vem. O presidente afirmou ainda que pretende indicar o ministro da Justiça, Sérgio Moro, para a próxima vaga no Supremo Tribunal Federal.

1. Bolsas Internacionais

As bolsas globais operam em queda diante da confirmação, por ordens de Trump, do aumento das tarifas de importação e do fim da 11ª rodada de negociações comerciais entre autoridades americanas e chinesas sem conclusão após encontro, em Washington, entre os representantes de Comércio dos EUA, Robert Lighthizer, e do secretário do Tesouro norte-americano, Steven Mnuchin, com o vice-primeiro-ministro da China Liu He. De acordo com a agência estatal chinesa Xinhua, há três grandes pontos de discordância entre os dois lados durante as negociações comerciais.

O presidente Trump ressaltou ainda que a China deveria agir com celeridade para firmar um acordo com os americanos. "O acordo se tornará muito pior para eles se tiver que ser negociado no meu segundo mandato. Seria sensato para eles agirem agora", disse, reforçando que os “melhores números na economia e no emprego da história dos Estados Unidos" devem levá-lo a reeleição em 2020. Segundo Trump, os chineses podem esperar pelas eleições de 2020 para ver se têm "a sorte" de "uma vitória democrata".

Entre os indicadores asiáticos, o destaque fica pela retração das vendas do setor automotivo na China, que recuaram 14,6% em abril na comparação com o mesmo mês do ano passado, no décimo mês consecutivo de quedas. Apenas o segmento de carros registrou retração de 17,7% no mesmo período.

Na Europa, os principais índices acionários operam predominantemente em baixa. Apenas a bolsa da Alemanha fica entre perdas e ganhos.

Nas commodities, os preços do petróleo apresentavam valorização, refletindo a guerra comercial entre EUA e China. Além disso, a Arábia Saudita disse hoje que dois petroleiros sauditas estavam entre os navios alvos de um “ataque de sabotagem” na costa dos Emirados Árabes Unidos.

Já o minério de ferro registrava valorização de 1%, após executivos da Vale afirmarem na sexta-feira que a empresa só deverá recuperar o patamar de produção de 400 milhões de toneladas em “dois ou três anos”.

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 07h21 (horário de Brasília):

*S&P 500 Futuro (EUA), -1,14%
*Dow Jones Futuro (EUA), -1,52%
*Nasdaq Futuro (EUA), -1,06 %
*DAX (Alemanha), -0,61%
*FTSE (Reino Unido), +0,07%
*CAC-40 (França), -0,49%
*FTSE MIB (Itália), -0,43%
*Hang Seng (Hong Kong), - (fechado por feriado)
*Xangai (China), -1,21% (Fechado)
*Nikkei (Japão), -0,72% (fechado)
*Petróleo WTI, +1,49%, a US$ 62,58 o barril
*Petróleo Brent, +1,76%, a US$ 71,86 o barril
*Bitcoin, US$ 7.054,19, -3,78%
R$ 26.610, -5,64% (nas últimas 24 horas)
*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian com alta de 1%, a 653,50 iuanes (nas últimas 24 horas)

2. Agenda Econômica

No Brasil, o destaque é a divulgação do Boletim Focus do Banco Central, às 8h25, que deverá trazer novas revisões para baixo do PIB, além de um eventual corte na Taxa Selic – ambos por conta da fraca atividade econômica, reportada nos indicadores do primeiro trimestre.

A safra de balanços corporativos do primeiro trimestre chega à última semana com a divulgação de 71 resultados. Hoje, antes da abertura do mercado, está prevista a publicação dos números do Burger King. Após o encerramento do pregão os destaques ficam para Oi, JBS e Eletrobras. Serão divulgados ainda Alliar, Ânima, Biotoscana, CESP, Cosan, Centauro, Itaúsa, Renova Energia,

Nos Estados Unidos, na agenda econômica está prevista a divulgação da inadimplência e execução de hipotecas do primeiro trimestre.

3. Noticiário Político

O presidente Jair Bolsonaro afirmou ontem que orientou o ministro Paulo Guedes a corrigir a tabela do Imposto de Renda em 2020 com base na inflação do período. Segundo ele, o governo tentará fazer também a Reforma Tributária. "Não pode ir com muita pressa. Pedi ao pessoal para ir mais devagar para resolver mais coisas", afirmou.

Bolsonaro disse ainda que "pelo menos" a correção da tabela do Imposto de Renda, em 2020, que não é reajustada desde abril de 2015, "com certeza vai sair". Bolsonaro apontou que, com uma "boa reforma da Previdência", o governo terá "folga de caixa para atender a população".

A semana começa ainda com as expectativas quanto ao alerta de “tsunami” dito pelo presidente da República. Segundo a Coluna do Estadão, a forma como a MP da Reforma Administrativa, que redesenha a Esplanada dos Ministérios, vem sendo tratada na Câmara ligou o sinal de alerta em líderes do Centrão e adjacências de que, se não houver um acordo, a medida não deverá ir ao plenário.

A intenção é evitar um desgaste de Sérgio Moro, que poderá ser o maior derrotado, pela MP conter a retirada do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) de suas mãos, recolocando-o novamente na Economia, com Paulo Guedes. Outro alerta da debandada de deputados da comissão que analisa novas regras para a contribuição sindical. A ideia é impedir que o colegiado tenha quórum mínimo para funcionar e, assim, deixar a MP caducar.

O relator da reforma da Previdência, deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), reconheceu ao Estadão que alguns ajustes poderão ser feitos na proposta da reforma da Previdência para garantir o benefício de ao menos um salário mínimo no novo regime de capitalização que o governo pretende criar. Nesse sistema, os trabalhadores contribuem para uma conta individual que bancará os benefícios no futuro. Moreira ressalta que hoje a maior parte da arrecadação do INSS vem da contribuição dos empregadores e que precisa haver equilíbrio nas contas individuais. “Só com o funcionário (contribuindo) você terá muitas dificuldades de equacionar”, afirma.

O Estadão publicou reportagem destacando que o governo Jair Bolsonaro poderá seguir até o fim de seu mandato dependente do Legislativo para honrar todos os seus pagamentos sem cometer crime de responsabilidade, o que é passível de impeachment.

Este ano, o Executivo já está refém do Congresso para aprovar crédito suplementar de R$ 248,9 bilhões e evitar o calote em aposentados e brasileiros carentes que precisam de assistência.

Projeções da equipe econômica indicam que até 2022 haverá uma sucessão de rombos na chamada “regra de ouro” do Orçamento, que impede emissão de dívida para pagar despesas correntes. Para 2020, o Tesouro estima rombo de R$ 264,9 bilhões na regra de ouro. Em 2021, a insuficiência será de R$ 146,9 bilhões. Em 2022, para R$ 157,5 bilhões.

Os advogados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva entendem que ele já pode cumprir em casa o resto de sua pena. Eles protocolaram no Superior Tribunal de Justiça (STJ) embargos de declaração pedindo ao relator do recurso, ministro Felix Fischer, progressão da pena do petista para o regime aberto. Lula afirmou ainda, em entrevista à BBC World News que o presidente Jair Bolsonaro tem um início de mandato "extremamente desastroso" e que tem a impressão de que ele "não sabe lé com cré". "É um doente que acha que o problema do Brasil se resolve com arma, o problema do Brasil se resolve com livro, com escola", disse.

Em entrevista ao Estadão, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) afirmou que o Ministério Público do Rio de Janeiro está preparando uma manobra para dar "verniz de legalidade" à investigação da qual é alvo. Segundo ele, é por isso que os promotores correm agora para conseguir da Justiça a quebra de seu sigilo bancário e fiscal. "Para que esse pedido, se meu extrato já apareceu na televisão? Eles querem requentar uma informação que conseguiram de forma ilegal", disse. "Não tem outro caminho para a investigação a não ser ela ser arquivada - e eles sabem disso".

4. Noticiário Econômico

O Valor Econômico informa que governadores de vários estados estão indo à China em busca de investidores. Segundo a publicação a intenção é atrair recursos para obras de investimento e projetos industriais, além de exploração de minerais. As tratativas ocorrem de maneira individual, sem a intermediação de Brasília ou Pequim. A situação de penúria dos governos estaduais incentiva o movimento.

O Estadão destaca que os bancos brasileiros continuam no topo do ranking mundial quando o assunto é spread bancário, mesmo com os baixos patamares da taxa Selic, por conta da baixa taxa de recuperação de crédito. Segundo a publicação, uma comparação internacional feita pelos economistas Vitor Vidal, da LCA Consultores, e Marcel Balassiano, do Ibre/FGV, mostra que, ao mesmo tempo em que tem o segundo maior spread bancário do mundo (atrás apenas de Madagáscar), o Brasil está entre os piores países em termos de recuperação judicial de crédito. Segundo dados do Banco Mundial, por aqui, apenas US$ 0,13 são recuperados de cada US$ 1 emprestado - a metodologia do banco considera o valor recuperado quando há execução de dívidas. A média mundial está em US$ 0,34 por US$ 1. Essa baixa recuperação de crédito impacta diretamente os custos administrativos dos bancos, um dos componentes do spread.

5. Noticiário corporativo

A Petrobras iniciou a fase não vinculante de venda das ações da Liquigás Distribuidora. Segundo a empresa, nesta etapa, os interessados que tiverem assinado o Acordo de Confidencialidade receberão um memorando descritivo contendo informações mais detalhadas sobre os ativos, além de instruções sobre o processo de desinvestimento, incluindo as orientações para elaboração e envio das propostas não vinculantes. A estatal diz ainda que revisou os requisitos de compliance para a admissão de participantes, e por isso potenciais investidores que atendam aos critérios de elegibilidade poderão manifestar interesse na transação até o dia 17 de maio.

Ainda sobre a petroleira, a companhia espera concluir a venda de oito refinarias de petróleo e da infraestrutura logística associada a elas em 2021. Segundo o Estadão, à medida que as negociações avançarem, as unidades vão ser transformadas em empresas independentes, que poderão contratar os empregados da estatal. A publicação informa que, mesmo com a venda de oito refinarias, a Petrobrás continuará dominando o setor, uma atividade considerada estratégica. A diferença é que os investimentos, após a venda dos ativos, serão focados nas unidades da Região Sudeste, onde estão localizados os grandes campos produtores de petróleo e gás natural, nas Bacias de Campos e Santos.

O Carrefour informou que, diante de uma decisão desfavorável do Supremo Tribunal Federal (STF), a companhia revisou a probabilidade de êxito de uma série de processos judiciais que tratam sobre o estorno parcial dos créditos de ICMS relacionados a produtos da cesta básica. Em comunicado à CVM, à varejista diz ter decidido, "em uma abordagem cautelosa", realizar uma provisão integral do valor envolvido nestes processos. O valor total das autuações recebidas e não provisionadas sobre esse caso chegava a R$ 815 milhões.

(Agência Estado)

 

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