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Os 5 assuntos que vão agitar o mercado nesta sexta-feira

Começam a valer as tarifas dos EUA sobre produtos chineses, governo é derrotado no Congresso e mais destaques

China e Estados Unidos
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa recuou 0,83% ontem, acompanhando os movimentos das bolsas internacionais que refletiam as incertezas quanto ao fechamento do acordo comercial entre Estados Unidos e China. Hoje, as bolsas na China fecharam com forte alta, enquanto os principais índices europeus operam com ganhos significativos. A expectativa é a de que as duas maiores economias globais cheguem a um “meio termo” nas negociações.

Nesta sexta-feira (10), entrou em vigor a elevação de 10% para 25% das tarifas de importação de um total de US$ 200 bilhões em mercadorias chinesas compradas pelos norte-americanos. Por sua vez, o Ministério do Comércio da China afirmou que, imediatamente, tomaria medidas contra esse movimento. Os representantes do comércio dos EUA evitaram dar maiores detalhes sobre o primeiro dia das negociações, que vão seguir hoje.

No Brasil, o destaque é o estudo do governo para aumentar a rentabilidade dos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), que tem ganhos abaixo da inflação.

Na área econômica está previsto um novo corte no orçamento, como forma de refletir a nova expectativa de alta do PIB, que deverá recuar dos 2,2% previstos inicialmente, para algo entre 1,5% a 2%. Os valores dos novos bloqueios não foram ainda definidos.

Ainda no Brasil, a Vale divulgou ontem à noite seus resultados do período entre janeiro e março, os primeiros com os impactos da tragédia de Brumadinho, reportando prejuízo de R$ 6,4 bilhões, ante lucro de R$ 5,1 bilhão de um ano antes. O rompimento da barreira levou a empresa a apresentar um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações, na sigla em inglês) negativo, de R$ 2,8 bilhões – o primeiro de sua história –, além de provisões R$ 17,1 bilhões, que podem ser revistas e ajustadas de forma significativa para cima.

1. Bolsas Internacionais

Na Ásia, as bolsas de Xangai e Shenzhen encerraram o pregão com altas respectivas de 3,1% e 4%, mesmo com as altas nas tarifas e a promessa de retaliação chinesa à elevação. Segundo analistas, o avanço pode estar relacionado à correção para baixo dos mercados nos últimos dias, porém é preciso aguardar os desdobramentos das reuniões entre os representantes dos dois países, que poderá levar a novos ajustes nos mercados acionários na segunda-feira (13).

Na Europa, o movimento também foi de recuperação das bolsas no início desta manhã com os principais índices acionários com ganhos próximos a 1%. Entre os indicadores, destaca-se o resultado da balança comercial do Reino Unido, que registrou um déficit de 13,6 bilhões de libras em março, montante inferior ao de fevereiro, de 14,4 bilhões de libras.

Entre as commodities, o preço do minério de ferro disparou 2,2% nos futuros de Dalian, após a divulgação do balanço da Vale. O preço do petróleo também opera em alta, diante da escalada da guerra comercial EUA-China.

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 07:05 (horário de Brasília):

*S&P 500 Futuro (EUA), -0,23%
*Nasdaq Futuro (EUA), -0,11%
*Dow Jones Futuro (EUA), -0,12%
*DAX (Alemanha), +1,01%
*FTSE (Reino Unido), +0,587%
*CAC-40 (França), +0,88%
*FTSE MIB (Itália), +0,89%
*Hang Seng (Hong Kong), +0,84% (fechado)
*Xangai (China), +3,10% (fechado)
*Nikkei (Japão), -0,27% (fechado)
*Petróleo WTI, +0,44%, a US$ 61,98 o barril
*Petróleo Brent, +0,43%, a US$ 70,69 o barril
*Bitcoin, US$ 6.314,52, +3,67%
R$ 25.130, +5,25% (nas últimas 24 horas)
*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian subiam 2,26%, a 655,50 iuanes (nas últimas 24 horas)

2. Agenda Econômica

No Brasil, a FGV divulga, às 8h00, a primeira prévia do Índice Geral de Preços (IGP-M) referente a maio. Já o IBGE, às 9h00, publica o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medidor oficial de inflação observado pelo Banco Central, de abril.

No universo corporativo, estão previstas as divulgações, antes da abertura do mercado, do balanço da BRF e da Ser. Após o fechamento, devem sair os resultados da Alpargatas, Notre Dame, Direcional e M.Dias Branco.

Nos Estados Unidos, o destaque a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de abril, às 9h30.

3. Noticiário Econômico

O governo estuda medidas para aumentar a rentabilidade dos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), que tem ganhos abaixo da inflação. Segundo o Estadão, a equipe econômica avalia ainda a ampliação da possibilidade de saque do fundo, admitida ontem pela manhã pelo secretário especial da Fazenda, Waldery Rodrigues, mas negada posteriormente.

A publicação afirma que o plano não deve ser colocado em prática imediatamente. Em nota, a secretaria informa que a proposta respeitará “os contratos firmados e a função social do fundo”, que conta com estoque de R$ 525 bilhões e tem uso limitado.

Em 2016, o governo Temer liberou R$ 44 bilhões de contas inativas, o que teria ajudado na expansão de 0,7 ponto porcentual do 1,1% de avanço do PIB daquele ano. O jornal O Globo acrescenta que o governo cogita ainda quebrar o monopólio da Caixa como gestora dos recursos do FGTS.

A revisão nas projeções de crescimento do País – que deverá passar dos atuais 2,2% para 1,5% – pode levar a novo corte no orçamento, que já havia sido bloqueado em R$ 30 bilhões, afirmou Rodrigues. O valor do corte anda não foi fechado, já que a equipe econômica analisa os números e as novas projeções macroeconômicas.

Os números serão anunciados em 22 de maio, destaca o Estadão. A publicação informa, com base em fontes da área econômica, que o País caminha para um “shutdown” na máquina pública, até pior do que o registrado em meados de 2017, quando vários serviços públicos federais foram prejudicados. A situação fiscal de fragilidade deverá ainda levar a União a não permitir o repasse este ano dos 70% previstos por Paulo Guedes na partilha do pré-sal com os estados, que deverá ficar para 2020, diz O Globo.

4. Noticiário Político

A comissão do Congresso que analisa a Medida Provisória (MP) da reforma administrativa impôs derrota a Sérgio Moro ao tirar o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) do ministério da Justiça, recolocando-o na Economia. Para não correr o risco de perda da validade da MP, o governo não se empenhou pelo ex-juiz. A sessão de ontem da Câmara foi encerrada por Rodrigo Maia, sem que a matéria fosse ao Plenário.

Além de retirar o Coaf da Justiça, a comissão que analisa a reforma administrativa retirou da Economia e colocou na Ciência e Tecnologia, do ministro Marcos Pontes, as políticas de desenvolvimento da indústria, comércio e serviços. Ainda no Congresso, Maia afirmou ontem que tentará “reorganizar” o decreto sobre o porte de armas, por conta de “inconstitucionalidade”. Juristas ouvidos pelo Estadão afirmam que o texto abre espaço para armar o MST.

A política marcou ontem a volta do ex-presidente Michel Temer à prisão, um dia após o Tribunal Regional Federal da 2ª região decidir pelo cumprimento de prisão provisória na capital paulista. Junto com o ex-assessor João Batista, são alvos da Operação Descontaminação, desdobramento da Lava Jato no Rio. Temer ficará numa sala da superintendência da Polícia Federal, como manda a lei até que haja uma definição sobre onde ele ficará preso.

5. Noticiário corporativo

No noticiário corporativo o destaque é para os resultados do primeiro trimestre da Vale, que capta os impactos da tragédia de Brumadinho. A empresa apresentou um prejuízo líquido de R$ 6,4 bilhões, revertendo lucro de R$ 5,1 bilhão do mesmo intervalo de 2018.

O rompimento da barragem levou a empresa a registrar, pela primeira vez, um potencial de geração de caixa, medido pelo Ebitda, negativo, em 2,8 bilhões. As provisões relacionadas ao incidente do final de janeiro somaram R$ 17,1 bilhões, porém estes valores poderão ser revistos e ajustados de forma significativa, aponta a empresa, com base na análise de auditores do balanço.

A empresa informou que R$ 7,1 bilhões serão usados para descomissionamento de barragens do sistema de alteamento a montante e outros R$ 6,8 bilhões por conta do acordo assinado entre a Vale e a Defensoria Pública de Minas Gerais.

O governo definiu ontem as regras para o processo de venda das refinarias da Petrobras, como forma de aumentar a concorrência no setor e tentar reduzir os reços dos combustíveis. A resolução aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética prevê que a estatal se desfaça das operações, dando preferência a grupos econômicos que não operem de forma verticalizada no mercado. O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, afirmou essa semana que a empresa pretende vender suas refinarias, mas “sem criar monopólios regionais”.

Ainda na matriz energética, o governo pretende anunciar em breve um plano para baratear o preço do gás, o que incluiu a saída da Petrobras do setor e a privatização de distribuidoras estaduais, destaca O Globo. Além disso, estão previstas mudanças na regulação do setor, como a permissão do acesso de gasodutos, pertencentes aos estados, para acesso de terceiros. Assim como no setor de energia elétrica, o governo quer incentivar a figura do consumidor livre de gás, permitindo que as empresas decidam de quem querem comprar o produto. Pela lei atual, os estados controlam a maioria das distribuidoras, que contam com a Petrobras como sócia.

(Agência Estado)

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