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De BR Distribuidora a Ambev: o que os analistas acharam de 6 resultados que agitam esta terça-feira

Diversas ações respondem neste pregão às análises feitas sobre as demonstrações financeiras divulgadas entre ontem e hoje

petrobras posto
(divulgação)

SÃO PAULO - Esta terça-feira (7) já começou como o principal dia da temporada de divulgação de resultados corporativos até agora, com expectativas altas para o balanço da Petrobras após o fechamento do mercado. Dentre os dados que já foram lançados hoje para o mercado, podemos destacar Ambev, Magazine Luiza e BR Distribuidora. Confira o que os analistas acharam de cada um: 

BR Distribuidora (BRDT3)

O ramo de distribuição de combustíveis da Petrobras registrou uma alta de 93,1% no lucro líquido do primeiro trimestre, somando R$ 477 milhões. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações, na sigla em inglês) ajustado, sem efeitos não recorrentes, teve alta de 8,7%, para R$ 841 milhões, enquanto a receita recuou 0,3%, a R$ 22,432 bilhões. 

Segundo relatório da XP Investimentos assinado pelos analistas Karel Luketic, André Martins, Betina Roxo, Bruna Pezzin e Gabriel Francisco, as margens superaram as expectativas em quase todas as linhas de negócio, o que mais do que compensou os volumes 6% abaixo das projeções. "Em particular, destacamos que as melhorias de margem foram mais significativas nos segmentos de Grandes Consumidores e Produtos Especiais", afirma.

Apesar disso, os analistas da corretora questionam a sustentabilidade dessa abordagem em um mercado de distribuição mais competitivo. Para a equipe de análise da XP, as margens da BR Distribuidora acabarão eventualmente cedendo, seja na forma de descontos ou maiores despesas de marketing, mesmo em um cenário de privatização.

Foi mantida recomendação neutra da companhia, com preço-alvo em R$ 27 por ação. 

Ambev (ABEV3)

Nesta manhã, a Ambev divulgou um lucro líquido ajustado de R$ 2,662 bilhões no primeiro trimestre deste ano, resultado 6,2% superior ao do mesmo período do ano passado. O Ebitda ajustado somou R$ 5,120 bilhões, uma alta de 7%. A receita líquida somou R$ 12,640 bilhões, representando uma expansão de 8,6% na comparação anual.

No Brasil, o volume vendido de cerveja avançou 11,2% de janeiro a março, após dois trimestres consecutivos de queda, impulsionado pela combinação de clima favorável e Carnaval tardio. A XP ressalta que esse volume foi o principal destaque positivo de resultado, com o lucro líquido vindo em linha com as previsões. 

Por outro lado, os resultados mais fracos que o esperado na América Latina podem se tornar fonte de preocupação. O volume na região caiu 10,6% na comparação anual, diante da situação macroeconômica difícil na Argentina. A diretoria da gigante do setor de bebidas prevê mais volatilidade no mercado consumidor daquele país, motivada pela desvalorização ainda maior do peso e também devido à pressão inflacionária crônica que nossos vizinhos enfrentam. 

A recomendação da XP para a Ambev segue neutra.

Magazine Luiza (MGLU3)

A varejista registrou um lucro líquido de R$ 132,1 milhões no primeiro trimestre, um desempenho 10,4% inferior na comparação com o primeiro trimestre do ano passado. Contudo, o Ebitda subiu 31,6%, para R$ 395,4 milhões, enquanto a receita líquida avançou 19,8%, para R$ 4,329 bilhões.

Para a XP, apesar da queda nas margens, os resultados foram sólidos, principalmente pela aceleração das vendas online, que cresceram 50% ano a ano, contra estimativa de 45%.

O lado negativo foi a queda de 96 pontos-base na margem Ebitda devido aos investimentos adicionais em melhoria no nível de serviço e aquisição de novos clientes. Apesar disso, ambas as iniciativas estão em consonância com a estratégia de crescimento da empresa e devem gerar frutos no longo prazo. 

A corretora mantém recomendação neutra com preço-alvo de R$ 175 por ação para as ações MGLU3. 

Marcopolo (POMO4)

A Marcopolo apresentou queda de 12,7% no lucro líquido do primeiro trimestre, para R$ 27 milhões. Já o Ebitda recuou 1%, para R$ 60,6 milhões, enquanto a receita avançou 17,5%, a R$ 898,6 milhões. 

De acordo com a equipe de análise da Coinvalores, formada pelos analistas Sandra Peres, Felipe Martins Silveira e Sabrina Cassiano, os números vieram aquém do esperado. O principal impacto veio do encerramento das operações da Metalpar, na Argentina.

Entretanto, os analistas destacam que a produção e o faturamento seguiram em alta, com avanço de quase 40% no volume vendido no mercado doméstico e significativa melhora nas operações do México mais do que compensando o cenário mais desafiador na África do Sul e Índia. 

BB Seguridade (BBSE3)

A BB Seguridade apresentou um lucro líquido de R$ 1,013 bilhão no primeiro trimestre, um incremento de 11,7% sobre o desempenho de um ano antes. O resultado foi acima do consenso de mercado e foi o melhor da história da empresa para o período.

Os prêmios emitidos subiram 15,4%, com destaque para alta do seguro prestamista (+82%), de vida (+9%), habitacional (+10%) e residencial (+9,6%).

Para a Coinvalores, o lucro maior foi puxado principalmente pelo resultado financeiro, visto que o operacional ficou praticamente estável na comparação com o quarto trimestre do ano passado. "Não vemos o resultado como um driver relevante para os papéis e seguimos vendo outras opções mais interessantes no setor", apontaram os analistas da corretora. 

AES Tietê (TIET11)

A AES Tietê registrou um lucro líquido de R$ 62,014 milhões no primeiro trimestre deste ano, desempenho 13,3% superior ao mesmo período do ano passado. Segundo a empresa, o resultado foi beneficiado pelas operações eólicas/solares e pelo balanceamento do portfólio, além da manutenção do patamar de despesas operacionais e melhor resultado financeiro. O Ebitda subiu 2,1%, para R$ 264,3 milhões, enquanto a receita subiu 16,5%, a R$ 501 milhões.

Com o resultado, a XP manteve recomendação de compra e preço-alvo de R$ 14,50 por unit para a companhia. Segundo os analistas, os números vieram em linha com as estimativas, mas a empresa oferece o melhor risco-retorno dentro do setor elétrico e negocia com um desconto significativo para os pares. O dividend yield (dividendo distribuído sobre o preço da ação) médio da AES Tietê programado para o triênio 2019-2021 é de 10,3% ante 6,2% no setor. 

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