Em mercados / acoes-e-indices

Índice de ADRs fecha em queda de 1,9% após fala de Powell, e indica abertura negativa na B3

Com feriado na B3, papéis de empresas brasileiros negociados nos Estados Unidos têm dia de queda generalizada. ADRs de Vale, CSN e Petrobras fecharam com baixas superiores a 2,5%

Jerome Powell

SÃO PAULO - Em dia sem atividades na B3, em função do feriado do Dia do Trabalho, os ADRs (American Depositary Receipts) de empresas brasileiras negociados nos Estados Unidos tiveram sessão volátil em Wall Street, mas encerraram o dia em queda.

O índice Dow Jones Brazil Titans 20 caiu 1,87%, a 23.335 pontos, ao passo que o MSCI Brazil Index (EWZ) recuou 1,64%, a US$ 40,71. Do lado das empresas, nenhum dos papéis monitorados fechou no campo positivo. Entre as maiores quedas, destaque para os ADRs de CSN (CSNA3), Vale (VALE3), Petrobras (PETR4), BRF (BRFS3) e Gerdau (GGBR4).

Confira o desempenho dos principais ADRs brasileiros neste pregão:

adrstodos

Embora movimento negativo tenha predominado durante boa parte da quarta-feira (1), os principais índices que reúnem ADRs brasileiros chegaram a virar para o campo positivo durante a tarde, com a decisão do Federal Reserve de manter a taxa de juros norte-americana na faixa entre 2,25% e 2,50% e uma avaliação dos investidores de que a autoridade monetária poderia sinalizar maiores chances de afrouxamento monetário.

No comunicado, o Fed adicionou avaliação mais positiva sobre o desempenho da economia norte-americana em comparação com os textos de reuniões anteriores. "Informações recebidas desde a reunião do Fomc em março indicam que o mercado de trabalho continua forte e a atividade econômica cresceu a uma taxa sólida", diz o documento.

Outro fator destacado foi o comportamento da inflação. Em uma base de 12 meses, o índice geral e o indicador fechado para alimentos e energia caíram e estão abaixo de 2%, o que em tese poderia favorecer uma política monetária mais frouxa.

As expectativas de futuros cortes de juros, contudo, foram frustradas pelo chairman do Fed, Jerome Powell. Em coletiva de imprensa concedida após o desfecho da reunião do Fomc (Federal Open Market Committee), o executivo reforçou seu compromisso cumprir a meta de inflação de 2% e disse não ver espaço para mudanças de conduta.

"Acreditamos que, no momento, não devemos fazer nenhum movimento em nossa política. Não vemos cenário forte no momento para movermos os juros em nenhuma direção", afirmou. Para ele, o pequeno avanço dos preços não está relacionado à elevação da taxa de juros local.

Quer investir com corretagem ZERO na Bolsa? Clique aqui e abra agora sua conta na Clear!

Indicadores econômicos
O setor privado dos Estados Unidos criou 275 mil empregos em abril, segundo pesquisa com ajustes sazonais divulgada hoje pela ADP. O resultado superou as expectativas de analistas consultados pelo Wall Street Journal, que previam geração de 177 mil postos de trabalho.

O dado de criação de empregos de março, por sua vez, foi revisado para cima, de 129 mil a 151 mil.

A pesquisa da ADP é considerada uma prévia do relatório de empregos (payroll) americano, que inclui dados do setor público e será divulgado nesta sexta-feira.

O índice de compras (PMI, na sigla em inglês) industrial dos Estados Unidos, que mede a atividade no setor, subiu de 52,4 em março para 52,6 em abril, saindo do menor nível do indicador atingido desde junho de 2017.

O PMI acima da marca de 50 mostra que a atividade se expandiu. O crescimento sólido observado em novos pedidos, segundo relatório divulgado pela IHS Markit, resultou em uma melhora nas condições de operação. O crescimento de novos negócios atingiu a maior alta em três meses e foi registrada uma melhora moderada nas condições de operação no mês passado, acrescenta a pesquisa.

"Comparações históricas indicam que o medidor de vazão da pesquisa precisa subir acima de 53,5 para sinalizar o crescimento da produção da fábrica. Assim, os dados contribuem para sinais de que a economia parece desacelerar após o início do ano mais forte do que o esperado”, ressalta o economista chefe da IHS Markit, Chris Williamson.

Previdência e investigações
A Câmara dos Deputados registrou na última terça-feira (30) a primeira das 10 sessões de prazo para a apresentação de emendas à reforma da Previdência na comissão especial. O prazo estabelece também a possibilidade de apresentação do relatório por parte do deputado Samuel Moreira (PSDB-SP).

O início da contagem ocorreu após uma tentativa frustrada de deputados favoráveis à reforma previdenciária de abrir uma sessão na segunda-feira (29), o que poderia ajudar na celeridade da tramitação da matéria. O quórum atingido ontem foi de 87 parlamentares, 36 a mais do que o necessário para já garantir a contagem.

Havia um entendimento entre governo e "centrão" para que o prazo das 10 sessões do plenário fosse iniciado apenas na semana que vem, o que teria possibilitado o acordo para a instalação da comissão especial na última quinta-feira (25). Formalmente, porém, essa contagem teve a primeira sessão ontem.

Parlamentares argumentam que, em função do feriado do Dia do Trabalho, haverá poucos deputados no parlamento nesta semana, o que dificultaria na coleta das 171 assinaturas necessárias para o registro de emendas à proposta.

O prazo de 10 sessões para apresentação de emendas, porém, pode ser prorrogado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Na prática, este prazo é tido como a principal exigência para os trabalhos em comissão especial. Caso a articulação política do governo supere as expectativas e construa apoio necessário à sua proposta, há quem observe espaço regimental para que a reforma seja votada sem que sejam esgotadas as 40 sessões plenárias de que trata o regimento da casa legislativa.

Ainda no noticiário nacional, destaque para a decisão do ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal), de arquivar uma das investigações contra o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o senador Renan Calheiros (MDB-AL) aberta com base na delação da Odebrecht.

O movimento atendeu a pedido feito pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge, que alegou falta de provas nas alegações. Fachin, porém, ressaltou que "o arquivamento deferido com fundamento na falta de provas suficientes à denúncia não impede o prosseguimento das investigações caso futuramente surjam novas evidências".

O feriado na política
O dia também marcou ato unificado das centrais sindicais em celebração pelo Dia do Trabalho em São Paulo. Participam da organização CUT, Força Sindical, CSB e Intersindical, CTB, UGT, CGTB, Nova Central e CSP-Conlutas, além das frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular.

Apesar das divergências políticas, as lideranças sindicais envolvidas no ato acreditam que o evento conjunto pode ser um ponto de partida para a aproximação de forças da oposição para novas manifestações contra o governo. Há um planejamento para a realização de uma greve geral nacional no dia 14 de junho, às vésperas da data prevista para votação da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados.

O ato contou com dois candidatos derrotados compareceram ao ato, Guilherme Boulos (PSOL) e Fernando Haddad (PT). Já Ciro Gomes (PDT), que, segundo a organização, havia confirmado presença, cancelou sua participação.

O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, disse que o ex-ministro precisou acompanhar o filho mais novo e exames médicos, mas admitiu que o motivo da ausência é político. "Ele achou oportuno não vir. Isso é um ato dos trabalhadores e dos sindicatos. Como ele foi candidato a presidente, poderia parecer eleitoral".

Lupi negou o motivo da ausência seja a presença do PT. O ex-presidenciável do PDT tem adotado uma estratégia de seguir uma caminho separado dos petistas. "Participo de vários atos com o PT", disse o dirigente.

Dezenas de lideranças políticas de esquerda compareceram ao ato como os líderes sem-terra João Pedro Stédile e João Paulo Rodrigues, os deputados petistas José Guimarães, Arlindo Chinaglia e Carlos Zaratini, o deputado Paulo Pereira da Silva (SD), o Paulinho da Força, entre outros.

Apesar do discurso de unidade, militantes da CUT vaiaram Paulinho da Força. No ano passado,e Curitiba, representantes da central ligada ao PT já haviam vaiado integrantes da Força Sindical.

(com Agência Estado)

 

Contato