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Os 5 assuntos que vão agitar os mercados neste feriado

Confira no que ficar de olho nesta quarta-feira (1)

Jerome Powell
(Flickr/Federal Reserve)

SÃO PAULO - Em um dia sem atividades na B3, em função do feriado do Dia do Trabalho, os investidores brasileiros deverão acompanhar com atenção a movimentação do mercado internacional e dos papéis de empresas nacionais negociados em bolsas estrangeiras.

O desempenho dos ADRs (American Depositary Receipts) nesta quarta-feira (1), em Nova York, pode antecipar a reabertura do mercado brasileiro, principalmente quando se observa a agenda de indicadores do dia.

Além de fatores de importante monitoramento no ambiente político nacional, o mercado deve acompanhar de perto a decisão de política monetária do Federal Reserve nos Estados Unidos, com a reunião do Fomc (Federal Open Market Committee). O evento, a depender do desfecho, pode mexer com os preços dos principais ativos mundo afora.

Veja os destaques do mercado neste feriado:

Fomc, a estrela do dia
O principal evento do dia para os mercados será a reunião do Fomc nos Estados Unidos, que determinará o patamar da taxa de juros na maior economia do mundo. O anúncio está marcado para as 15h (horário de Brasília) e pode ditar o rumo dos ADRs neste feriado.

Embora haja expectativa praticamente unânime do mercado de manutenção dos juros na faixa entre 2,25% e 2,50%, as atenções deverão se voltar para a coletiva de imprensa do chairman Jerome Powell após a reunião. Na avaliação dos analistas da XP Investimentos, "qualquer sinalização de espaço para redução da taxa de juros traria alento aos mercados".

A última reunião do Fed contou com uma alteração relevante na projeção dos diretores em meio a ritmo fraco do crescimento global e o aumento da volatilidade. Dados recentes de PIB mostraram uma economia não tão cambaleante nos EUA, enquanto a inflação tem perdido força, o que tem deixado as projeções mais incertas.

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Bolsas mundiais
Em meio ao feriado de Dia do Trabalho, apenas a Bolsa de Londres opera nesta quarta-feira entre as principais praças europeias, influenciada pela menor liquidez, dados locais e à espera da decisão de política monetária do Federal Reserve. Às 9h34 (horário de Brasília), o índice FTSE operava praticamente estável, com variação negativa de 0,1%, a 7.417 pontos.

O índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) do setor industrial do Reino Unido caiu a 53,1 em abril, mas ainda acima da previsão de analistas, que esperavam queda mais acentuada.

"A queda no PMI industrial em abril era esperada após a atividade ser impulsionada pelos preparativos do Brexit diante da data original de saída, em 29 de março, e sugere que a produção da indústria em breve retornará à estagnação após um breve crescimento no primeiro trimestre", analisa o economista para Reino Unido da Capital Economics, Andrew Wishart.

Além disso, há a expectativa pela decisão de juros no Fed nesta tarde. O banco central americano pode alertar para a divergência entre o crescimento no país e em outros locais do mundo, como na Europa, e economistas destacam que a instituição pode reduzir os juros sobre excesso de reservas (IOER, na sigla em inglês).

As bolsas de Frankfurt, Paris, Milão, Madri e Lisboa não têm negócios hoje.

Com quase a totalidade dos mercados asiáticos fechados devido a feriados, a bolsa da Austrália fechou em alta, influenciada pela baixa liquidez e também pela alta em ações do setor financeiro, diante da temporada de balanços. Os mercados de Japão, China, Hong Kong, Coreia do Sul e Taiwan não operaram.

Dados de emprego
O setor privado dos Estados Unidos criou 275 mil empregos em abril, segundo pesquisa com ajustes sazonais divulgada hoje pela ADP. O resultado superou as expectativas de analistas consultados pelo Wall Street Journal, que previam geração de 177 mil postos de trabalho.

O dado de criação de empregos de março, por sua vez, foi revisado para cima, de 129 mil a 151 mil.

A pesquisa da ADP é considerada uma prévia do relatório de empregos (payroll) americano, que inclui dados do setor público e será divulgado nesta sexta-feira

Previdência e investigações
A Câmara dos Deputados registrou na última terça-feira (30) a primeira das 10 sessões de prazo para a apresentação de emendas à reforma da Previdência na comissão especial. O prazo estabelece também a possibilidade de apresentação do relatório por parte do deputado Samuel Moreira (PSDB-SP).

O início da contagem ocorreu após uma tentativa frustrada de deputados favoráveis à reforma previdenciária de abrir uma sessão na segunda-feira (29), o que poderia ajudar na celeridade da tramitação da matéria. O quórum atingido ontem foi de 87 parlamentares, 36 a mais do que o necessário para já garantir a contagem.

Havia um entendimento entre governo e "centrão" para que o prazo das 10 sessões do plenário fosse iniciado apenas na semana que vem, o que teria possibilitado o acordo para a instalação da comissão especial na última quinta-feira (25). Formalmente, porém, essa contagem teve a primeira sessão ontem.

Parlamentares argumentam que, em função do feriado do Dia do Trabalho, haverá poucos deputados no parlamento nesta semana, o que dificultaria na coleta das 171 assinaturas necessárias para o registro de emendas à proposta.

O prazo de 10 sessões para apresentação de emendas, porém, pode ser prorrogado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Na prática, este prazo é tido como a principal exigência para os trabalhos em comissão especial. Caso a articulação política do governo supere as expectativas e construa apoio necessário à sua proposta, há quem observe espaço regimental para que a reforma seja votada sem que sejam esgotadas as 40 sessões plenárias de que trata o regimento da casa legislativa.

Ainda no noticiário nacional, destaque para a decisão do ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal), de arquivar uma das investigações contra o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o senador Renan Calheiros (MDB-AL) aberta com base na delação da Odebrecht.

O movimento atendeu a pedido feito pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge, que alegou falta de provas nas alegações. Fachin, porém, ressaltou que "o arquivamento deferido com fundamento na falta de provas suficientes à denúncia não impede o prosseguimento das investigações caso futuramente surjam novas evidências".

Protestos
Por fim, também merece atenção a tentativa de grupos opositores de articularem a primeira manifestação significativa contra o governo Jair Bolsonaro. O ato deve aproveitar a celebração do Dia do Trabalho e aglutinar pela primeira vez uma oposição fragmentada desde a eleição. Participam da organização CUT, Força Sindical, CSB e Intersindical, CTB, UGT, CGTB, Nova Central e CSP-Conlutas, além das frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular.

O palanque do Vale do Anhangabaú, em São Paulo, deve reunir três dos principais candidatos da esquerda na eleição do ano passado: Fernando Haddad (PT), Ciro Gomes (PDT), que depende de condições de saúde para participar, e Guilherme Boulos (PSOL).

Apesar das divergências políticas, as lideranças sindicais envolvidas no ato acreditam que o evento conjunto pode ser um ponto de partida para a aproximação de forças da oposição para novas manifestações contra o governo. Há um planejamento para a realização de uma greve geral nacional no dia 14 de junho, às vésperas da data prevista para votação da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados.

(com Agência Estado)

 

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