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SÃO PAULO – Um estudo divulgado pela consultoria EY (antiga Ernst & Young) sobre ofertas públicas iniciais de ações (IPOs, na sigla em inglês) realizadas no primeiro trimestre de 2019 revela que o mercado brasileiro não está sozinho aguardando pela retomada da confiança dos empresários.
Isso porque, até março, apenas 199 empresas abriram capital ao redor do mundo, uma queda de 41% em relação ao mesmo período de 2018. Segundo a consultoria, a baixa indica que investidores estão esperando pelo desfecho de incertezas geopolíticas para se mexer, o que se traduziu em um começo de ano mais calmo do que o usual.
Historicamente, os três primeiros meses do ano costumam ser de fato mais devagar no que diz respeito à entrada de novas empresas em bolsas de valores, conforme a EY. No Brasil, em meio ao desaquecimento da atividade econômica, os últimos anos como um todo foram bem fracos, o que abrangeu os primeiros trimestres.
Viva do lucro de grandes empresas
De janeiro a março de 2018, por exemplo, o Brasil não teve nenhum IPO e, em 2017, foram apenas dois. Desde 2004, de quando datam as informações mais antigas disponibilizadas pela B3, o número máximo de IPOs ocorridos no primeiro trimestre chegou a nove, em 2007 — considerado o ano do “boom” das ofertas iniciais de ações.
Foi naquele ano, inclusive, que o Brasil surpreendeu tanto em captações de recursos (R$ 55,1 bilhões) quanto em número de ofertas realizadas: 64. “Quando há momentos de expansão, as pessoas tendem a tomar mais risco. Por outro lado, em períodos de retração, a pessoa física tende a buscar investimentos menos arriscados”, diz Guilherme Sampaio, diretor de transações corporativas e líder de IPO da EY. Em 2007, a economia brasileira cresceu 6,1% em relação ao ano anterior.
A partir de 2008, o total de empresas que estrearam na Bolsa começou a cair, com apenas um IPO entre 2014 e 2016, número que aumentou para dez, em 2017, e recuou novamente para três, em 2018, quando Banco Inter (BIDI4), Notre Dame Intermédica (GNDI3) e Hapvida (HAPV3) abriram o capital na B3.
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Apesar de o mercado financeiro estar mais confiante com a economia neste ano, o especialista em IPOs da EY não espera que o número de ofertas públicas iniciais de ações no Brasil chegue ao pico de 2007.
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Isso porque, além da reforma da Previdência no cenário doméstico, eventos externos relevantes ainda pesam sobre os mercados, como a guerra comercial entre Estados Unidos e China e o Brexit, na Europa.
Atualmente, 336 empresas estão listadas na Bolsa brasileira. De acordo com Felipe Paiva, diretor de relacionamento com clientes Brasil da B3, a expectativa é de que ocorram entre 20 e 30 IPOs neste ano — sem contar operações com estatais como Caixa Seguridade e BB DTVM.
Evolução dos IPOs ao redor do mundo
Entre 2006 e 2018, o mercado com o maior número total de IPOs foi o chinês (considerando as bolsas de Xangai, Shenzhen e Chinext), somando 2.255, seguido pelo americano (Nyse e Nasdaq), com 2.098 empresas que abriram o capital. Quando analisado apenas o ano passado, contudo, os Estados Unidos estiveram na liderança do ranking, com 207 IPOs, ante os 104 da China e os 164, da Índia.
Segundo levantamento feito pela EY a pedido do InfoMoney, em 2007, quando os IPOs chegaram ao ápice no Brasil, o número de ofertas também foi elevado em outras economias ao redor do mundo. Nos Estados Unidos, 133 empresas abriram capital na Nasdaq e 72, na Nyse. Já a bolsa de Bombaim, na Índia, registrou 101 IPOs.
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O ano seguinte (2008) já refletiu os efeitos da crise financeira, resultando em uma queda do número de empresas que se arriscaram na bolsa, com 33 IPOs, nos EUA, e 76 na China, ante os 124 de 2007.
Novos ventos estão chegando
De acordo com a EY, a neblina que cobre os mercados mundiais neste começo de ano pode começar a se afastar neste segundo trimestre. Nas Américas, a consultoria afirma que, depois da “hibernação” causada pela paralisação parcial do governo americano, muitas companhias que planejavam abrir o capital podem retomar os planos em breve.
No Brasil, os primeiros sinais de retomada já começam a aparecer. É o caso da SBF, dona da Centauro, que estreou na Bolsa no último dia 17. A empresa conseguiu captar R$ 772 milhões, precificando suas ações a R$ 12,50 cada.
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