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Os 5 assuntos que vão agitar os mercados nesta quinta-feira

Confira no que ficar de olho na sessão desta quinta

Bolsonaro - Rodrigo Maia - Alcolumpre - Previdência
(Marcelo Camargo/Agência Brasil )

Nem mesmo a aprovação do texto da PEC da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) deu alívio ao Ibovespa, que ontem recuou cerca de 1% e o dólar teve uma nova sessão de valorização. No radar, a expectativa é de que o texto seja desidratado na próxima etapa de seu encaminhamento, na comissão especial, que deverá ser aberta hoje, às 11h, segundo anunciou o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia.

Enquanto tenta se articular, em meio à rusgas entre sua família e o seu vice-presidente, Hamilton Mourão, o presidente Jair Bolsonaro fez um breve discurso ontem à noite em cadeia nacional agradecendo a Maia, pela condução do processo na CCJC e alertando sobre a importância da proposta para garantir que o governo tenha recursos para investir em áreas como educação, saúde e segurança. Este foi um claro recado a Maia, que defendeu um maior empenho de público de Bolsonaro à reforma.

No aspecto econômico, em paralelo à disparada do dólar, que já aqueceu o debate no mercado sobre a necessidade de uma intervenção do Banco Central para conter a desvalorização da moeda brasileira, a recuperação da renda per capita atingiu seu pior patamar de estagnação – 19 trimestres –, nível que só se assemelha ao período de 1989.

No exterior, enquanto as bolsas predominantemente em baixa, o preço do óleo Brent superou a barreira dos US$ 75,00 pela primeira vez este ano, diante de cortes nas exportações russas. Já o preço do minério opera em queda com as perspectivas de aumento da oferta.

1. Bolsas Internacionais

Na Ásia, o mercado segue de olho na possibilidade de retirada de estímulos econômicos de Pequim, diante de dados sobre a atividade melhores do que os esperado. A bolsa chinesa teve uma queda de expressivos 2,4%. Já o Banco do Japão manteve inalterada suas diretrizes de política monetária e que pretende manter as taxas de juros extremamente baixas até pelo menos 2020 – trazendo alívio à bolsa de Tóquio. Ainda no oriente, a economia da Coreia do Sul recuou, inesperadamente, no primeiro trimestre, registrando sua pior performance desde a crise financeira global.

Na Europa, os principais mercados operam em queda esta manhã, repercutindo o fim das negociações de fusão entre Deutsche Bank e Commerzbank e entre Sainsbury e ASDA, preocupações com o crescimento na Alemanha e turbulências nos bancos de investimento. Para hoje, é aguardada a divulgação dos balanços do Barclays e do UBS, o que deixa os investidores em compasso de espera.

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Entre as commodities, o preço do petróleo se valorizou novamente, atingindo pela primeira vez o patamar de US$ 75 o óleo Brent. Os preços refletem os cortes de Polônia, Alemanha e República Tcheca às importações por meio de um oleoduto russo, por suspeitas de má qualidade. Por outro lado, os EUA exigem que países suspendam as compras do produto do Irã, o que significa mais corte na oferta global do produto.

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 06:55 (horário de Brasília):

*S&P 500 Futuro (EUA) +0,03%
*Nasdaq Futuro (EUA) +0,14%
*Dow Jones Futuro (EUA) -0,06%
*DAX (Alemanha) -0,03%
*FTSE (Reino Unido) -0,27%
*CAC-40 (França) -0,12%
*FTSE MIB (Itália) +0,11%
*Hang Seng (Hong Kong) -0,86% (fechado)
*Xangai (China) -2,43% (Fechado)
*Nikkei (Japão) +0,48% (fechado)
*Petróleo WTI +0,49%, a US$ 66,21 o barril
*Petróleo Brent +1,34%, a US$ 75,57 o barril
*Bitcoin US$ 5.441,71, -1,03%
R$ 22.001, -0,73% (nas últimas 24 horas)
*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian caiam 0,96%, a 616 iuanes (nas últimas 24 horas)

2. Agenda Econômica

No Brasil, a FGV abre a agenda de indicadores, às 8h00, com a publicação da confiança do consumidor de abril. Às 9h, o IBGE informa o IPCA-15 de abril. Já às 10h30, o Banco Central publica os indicadores de transações correntes e Investimento Estrangeiro Direto (IED). Após o fechamento do mercado devem ser publicados os balanços da Cia Hering, Copasa, Fleury, Grendene, Localiza e Lojas Renner.

Nos Estados Unidos, o departamento de comércio divulgará, às 9h30, as encomendas de bens duráveis com e sem automóveis. Às 12h, o FED do Kansas, publica o índice de atividade industrial composto de abril. Estão previstas as divulgações dos balanços da 3M, International Paper, American Airlines, Amazon, Ford Motors e Intel.

3. Noticiário Político e econômico

O foco na política segue na reforma da Previdência, que deverá contar com a abertura de sua Comissão Especial, destinada a analisar a próxima etapa do encaminhamento da PEC no Congresso, nesta quinta-feira, a partir das 11h00, segundo o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. A expectativa é de que o grupo de parlamentares do chamado Centrão tenha ao menos 21 deputados de um total 49. Um possível apoio de deputados à reforma após a liberação de R$ 40 milhões em emendas causou confusão no plenário da Câmara.

Sobre o texto da reforma, o jornal O Globo destaca que deputados do Centrão devem pressionar para mudanças na aposentadoria de servidores de estados e municípios, por não quererem arcar sozinhos com os ônus políticos nas bases eleitorais. Como alternativa, querem resgatar proposta de fórmula para a PEC, do ex-presidente Michel Temer, que dava prazo de seis meses após a promulgação para que as assembleias e as câmaras de vereadores façam os ajustes. Se nada acontecer, passam a valer as regras da União.

Ontem, em pronunciamento em cadeia nacional, o presidente Jair Bolsonaro agradeceu a Maia pela aprovação do texto na CCJC. Bolsonaro passou a dar sinais, em resposta ao próprio presidente da Câmara, de que a reforma é essencial para que o governo tenha recursos para investir em áreas como educação, saúde e segurança. “É importante lembrar que, se nada for feito, o país não terá recursos para garantir uma aposentadoria para todos”, disse o presidente.

O Painel da Folha cita que comandantes de siglas que tentam se aproximar do Planalto dizem não ter dúvidas de que os ataques de Carlos Bolsonaro ao vice-presidente Hamilton Mourão são não só avalizados como estimulados pelo presidente Bolsonaro. Segundo eles, o presidente embarcou na teoria conspiratória, avaliando os ataques do filho. O desfecho da crise, dizem, é imprevisível.

A Folha destaca ainda que Mourão mudou sua fala radical, para um discurso moderado em temas polêmicos, como o aborto, com treino de mídia e meta política. Já o Estadão relata que três parlamentares confidenciaram uma conversa de Bolsonaro, durante um voo, em que ele teria falado que Mourão atua “como um presidente paralelo”.

Ainda na política, um ex-gerente da Delta disse à Justiça ter pago cerca de R$ 24 milhões em propina ao ex-diretor do Dersa Paulo Preto, por conta de obras na Marginal Tietê, em São Paulo, na gestão de José Serra (PSDB), informou a Folha.

A recuperação da renda per capita é a pior da história e o risco é que se prolongue, destaca a Folha. O valor se estagnou desde o fim da recessão em 2016 ao redor de R$ 32 mil por ano, cifra 9% inferior quando comparado com o pico anterior alcançado no primeiro trimestre de 2014 – há 19 trimestres. Antes, quadro semelhante aconteceu em 1989, segundo estudo da consultoria AC Pastore. Caso o crescimento econômico se confirme na faixa de 1% este ano, é provável que a renda per capita não aumento. O levantamento se segue à divulgação ontem pelo Caged de que o país fechou 43 mil vagas em março e com o dólar encerrando o dia na maior cotação desde outubro de 2018, a R$ 3,99.

O Valor ressalta que a rápida escalada do dólar aqueceu o debate no mercado sobre uma possível intervenção do Banco Central no mercado. Segundo a publicação, uma demanda por proteção na moeda norte-americana tem conduzido à uma depreciação excessiva do real, exigindo uma atuação mais incisiva do BC para atenuar o movimento.

O Estadão destaca que um projeto que prevê o fim de diversas licenças ambientais para empreendimentos agropecuários e de infraestrutura no País recebeu o apoio dos ministérios do Meio Ambiente, da Agricultura e da Infraestrutura. Segundo a publicação, o texto, que recebeu apoio de frentes parlamentares que defendem esta pauta, deve ser votado em regime de urgência.

4. IMTV

O InfoMoney recebe, nesta quinta-feira, o deputado federal Eduardo Cury (PSDB-SP) para uma entrevista ao vivo. O parlamentar é um dos nomes cotados para a relatoria da proposta de reforma da previdência em comissão especial, colegiado responsável pela avaliação de mérito da matéria.

Na pauta do bate-papo, os desafios para a construção de uma base de apoio suficiente para a aprovação da reforma previdenciária, a relação entre governo e parlamento nos primeiros meses de mandato do presidente Jair Bolsonaro (PSL) e os caminhos dos tucanos em meio ao novo cenário político.

A entrevista será transmitida ao vivo, às 18h (horário de Brasília) e contará com a participação do analista político Ricardo Ribeiro, da MCM Consultores


5. Noticiário corporativo

A Petrobras anunciou ontem à noite um novo Programa de Desligamento Voluntário (PDV). Serão elegíveis os empregados da Petrobras Controladora que estejam aposentados pelo INSS até junho de 2020, quando se encerram as inscrições. Segundo a empresa, para uma estimativa de participação de aproximadamente 4.300 empregados, o custo previsto para a implantação do Programa é de R$ 1,1 bilhão e o retorno esperado é de R$ 4,1 bilhões no período 2019-2023.

O jornal O Globo destaca que a Petrobras, que vinha negociando parceria com a chinesa CNPC para a construção de uma refinaria no Comperj, em Itaboraí (RJ), desistiu do projeto e agora pretende erguer no local uma termoelétrica, com utilização de gás natural do pré-sal. O complexo do Comperj é um símbolo da corrupção e já custou US$ 14 bilhões.

Ainda no rescaldo da ameaça de greve por parte de grupos de caminhoneiros, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) atualizou ontem a tabela com os pisos mínimos de frete para o transporte rodoviários no País. Por lei, o tabelamento precisa ser reajustado quando as cotações do diesel superem a alta de 10% nos postos. A variação do óleo em relação ao último reajuste, em janeiro, foi de 10,69%.

O Bradesco abriu a safra de balanços dos bancos hoje apresentando um lucro líquido recorrente de R$ 6,238 bilhões no primeiro trimestre deste ano, montante 22,3% superior ao do mesmo intervalo do ano passado. O melhor desempenho operacional, diante de melhores margens financeiras, menores gastos com provisões (PDD) e linhas de seguros e receitas com serviços, contribuíram para o resultado.

(Agência Estado e Bloomberg)

 

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