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Por que o Ibovespa caiu 1% e o dólar encostou nos R$ 4 mesmo com a aprovação da Previdência na CCJ?

CCJ aprovou a reforma, mas investidores temem por próximas fases, embolsaram ganhos das últimas sessões e sofreram com a pressão negativa do exterior

gráfico queda ibovespa investimento
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O que o mercado tanto esperava, a aprovação da Reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados, finalmente saiu, mas mesmo assim o Ibovespa caiu forte nesta quarta-feira (24). O dólar, que tem se mantido em alta nas últimas semanas, encostou nos R$ 4,00. 

No radar, a probabilidade de que a reforma seja mais desidratada no Congresso do que se esperava, um movimento clássico da Bolsa conhecido como "sobe no boato, cai no fato", e o exterior mais negativo fizeram pressão vendedora nos mercados. 

O principal índice de ações da B3 fechou em baixa de 0,92% a 95.045 pontos com volume negociado de R$ 13,987 bilhões nesta quarta. Já o dólar comercial subiu 1,69% a R$ 3,9881 na compra e a R$ 3,9888 na venda. O dólar futuro para maio registra ganhos de 1,75% a R$ 3,991. 

Na sessão de ontem, o texto da Previdência foi aprovado por 48 votos favoráveis e 18 contrários, resultado que foi comemorado pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). 

O principal motivo elencado pelos analistas hoje para o mau humor do mercado é que apesar da aprovação, a dificuldade que o governo teve para passar dessa etapa, considerada a mais fácil da tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC), é um mau sinal para as próximas fases. 

De acordo com o operador da Fair Corretora, Hideaki Iha, não é nada animador para o mercado ver como a Reforma mal começou a tramitar e já "empacou" diante do primeiro obstáculo. "Ontem, a aprovação saiu porque assim fizeram acontecer o Maia e o Centrão. Não foi uma vitória do governo", avalia. 

A próxima etapa da tramitação da Previdência começará quando for instalada a Comissão Especial. Nessa fase sim será discutido o mérito da proposta, se é justa ou não, e qual é o melhor texto. Depois disso, vem a fase mais difícil, que é o envio da nova redação ao plenário da Câmara dos Deputados, onde ele precisará ser aprovado por três quintos dos 512 deputados votantes (Rodrigo Maia, como presidente, não votará) para poder ser enviado ao Senado. 

Além disso, como a Bolsa subiu muito nos últimos dias, investidores decidiram embolsar os ganhos, o que também pressionou as ações para queda. É o famoso "sobe no boato, cai no fato", em que algum ativo se valoriza em meio a expectativas de que ocorra algo que o beneficie e quando essa previsão se concretiza o ativo já subiu tanto que quem comprou antes da alta decide vender e realizar o lucro. 

Por último, os investidores também se desanimarem com o cenário externo. A maioria das bolsas internacionais caiu após notícias de impasses nas negociações entre os partidos trabalhista e conservador no Reino Unido. 

Entre os juros futuros, o DI para janeiro de 2021 tem alta de um ponto-base a 6,98%, ao passo que o DI para janeiro de 2023 tem variação positiva de três pontos-base a 8,15%. 

Indicadores e pesquisa

Entre os indicadores, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), mostrou fechamento de 43.196 vagas de emprego em março, no pior resultado para o mês desde março de 2017, quando foram fechadas 63.624 vagas. 

Na política, a pesquisa CNI/Ibope mostrou que o governo Bolsonaro é considerado "ótimo" ou "bom" para 35% dos brasileiros. Segundo o levantamento, 31% dos eleitores consideram o atual governo "regular", ao passo que 27% o classificam como "ruim" ou "péssimo".

A taxa de popularidade de Bolsonaro é a menor de um presidente eleito em primeiro mandato desde a redemocratização. Em período similar de gestão, Dilma Rousseff (PT) tinha governo avaliado positivamente por 56% dos eleitores. Já Luiz Inácio Lula da Silva (PT), contava com taxa de 51%, ao passo que Fernando Henrique Cardoso (PSDB) contava com índice de 41%, 4 pontos percentuais a menos do que Fernando Collor de Mello (ex-PRN).

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Noticiário corporativo

O engenheiro de recursos hídricos da Vale (VALE3) Felipe Rocha disse ontem a diretoria da mineradora tinha conhecimento dos riscos de um possível desabamento da barragem de Brumadinho. Em declaração à CPI no Senado que apura as causas do acidente, ele afirmou que os riscos foram apresentados em um painel de especialistas e em um subcomitê da Vale. Rocha afirmou, entretanto, que não poderia afirmar se as apresentações chegaram ao conhecimento do ex-presidente, Fabio Schvartsman.

A Cielo (CIEL3) registrou um lucro líquido de R$ 548,5 milhões no primeiro trimestre deste ano, cifra 40,4% menor que a registrada no mesmo intervalo do ano passado. O Ebitda recuou 34%, para R$ 1,243 bilhão, enquanto a receita líquida caiu 0,4%, para R$ 2,773 bilhões. O volume financeiro capturado pela empresa com suas maquininhas subiu 3%, para R$ 155,7 bilhões. A empresa informou que projeta um lucro líquido consolidado entre R$ 2,3 bilhões e R$ 2,6 bilhões este ano.

A Via Varejo (VVAR3), controladora das redes Casas Bahia e Ponto Frio, registrou um prejuízo líquido de R$ 49 milhões no primeiro trimestre deste ano, revertendo um lucro apurado de R$ 64 milhões do mesmo período do ano passado. O resultado foi impactado pela menores vendas e margens brutas no período, mesmo com uma redução nas despesas. O Ebitda ajustado recuou 18,2%, somando R$ 521 milhões. A receita líquida recuou 4% e as vendas mesmas lojas caíram 1,9%.

O Carrefour (CRFB3) registrou um crescimento de 9,9% das vendas consolidadas no primeiro trimestre, que somaram R$ 14,2 bilhões. A maior inflação dos alimentos contribuiu para o resultado. As vendas no conceito mesmas lojas cresceram 7,2%, excluindo gasolina e com GMV, o maior nível desde o primeiro trimestre de 2017, afirmou a companhia em relatório preliminar das vendas.

A JBS (JBSS3) informou ontem que realizou por meio de empresas controladas nos EUA reabriu a emissão de três bônus no valor total de US$ 700 milhões. Os recursos da transação e o saldo em caixa serão usados para amortizar um saldo de US$ 1 bilhão do Term Loan da sua controlada JBS USA Lux com vencimento em outubro de 2022.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 MRFG3 MARFRIG ON 7,08 -5,85 +29,67 43,58M
 UGPA3 ULTRAPAR ON EB 21,38 -5,19 -18,56 178,46M
 CIEL3 CIELO ON 7,98 -4,43 -7,60 269,50M
 ELET3 ELETROBRAS ON 32,35 -4,01 +33,51 118,54M
 BTOW3 B2W DIGITAL ON 37,65 -3,81 -10,40 82,05M

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 ESTC3 ESTACIO PARTON 27,85 +3,53 +17,21 61,84M
 NATU3 NATURA ON 44,78 +2,12 +0,06 119,63M
 B3SA3 B3 ON 33,50 +2,01 +25,68 637,13M
 SUZB3 SUZANO S.A. ON ED 41,69 +1,66 +10,68 246,70M
 SBSP3 SABESP ON 42,64 +1,52 +35,37 153,90M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN N2 27,60 -0,29 1,58B 2,06B 71.291 
 VALE3 VALE ON 50,36 -3,00 1,01B 889,50M 27.740 
 B3SA3 B3 ON 33,50 +2,01 637,13M 294,75M 33.416 
 BBDC4 BRADESCO PN 35,65 -0,67 558,34M 523,05M 38.083 
 BBAS3 BRASIL ON 48,31 -2,03 501,24M 585,98M 19.913 
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN 33,21 +0,15 480,74M 639,24M 32.971 
 BRFS3 BRF SA ON 29,82 -0,33 415,13M 227,59M 38.895 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 17,72 +0,28 384,10M 332,13M 29.068 
 LREN3 LOJAS RENNERON ED 43,34 -0,82 302,33M 161,97M 15.801 
 ITSA4 ITAUSA PN 11,85 0,00 273,78M 239,89M 21.842 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
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