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Ibovespa tem queda com exterior e preocupações com a Reforma da Previdência; dólar sobe

Mercado chegou a comemorar votação de um texto que não foi muito desidratado pelos deputados, mas ainda aguarda pelos próximos passos

ações gráfico analista bolsa mercado
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa acelera fortemente as perdas nesta quarta-feira (24) após o índice futuro ter chegado a subir mais cedo com a aprovação da Reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) na Câmara dos Deputados ontem.

Contudo, o movimento virou para a direção contrária por conta do desempenho fraco das bolsas no exterior, pelas preocupações dos investidores com a capacidade de articulação do governo para as próximas etapas da Previdência e pelo fenômeno conhecido no mercado como "sobe no boato e cai no fato" já que, na véspera, o índice teve uma forte alta com a expectativa de aprovação na Comissão.

Às 10h58 (horário de Brasília) o principal índice de ações da B3 tinha queda de 0,86% a 95.101 pontos. Já o dólar comercial sobe 1,06% a R$ 3,9633 na compra e a R$ 3,964 na venda. O dólar futuro para maio registra ganhos de 0,99% a R$ 3,961. 

Na sessão de ontem, o texto da Previdência foi aprovado por 48 votos favoráveis e 18 contrários, resultado que foi comemorado pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). 

O ponto positivo da votação foi que os jabutis retirados da Previdência para garantir a aprovação não trazem impacto fiscal. Foram tiradas do relatório a isenção da multa do FGTS a aposentados, a redução da idade na PEC da bengala, a exclusividade da Justiça-DF a processos da reforma e a exclusividade do Executivo para mudar a Previdência.

Contudo, analistas políticos têm sido unânimes em afirmar que a vitória de ontem foi garantida por Maia e não pelo governo, que continuou mostrando dificuldade em se articular com o Congresso. Isso traz graves preocupações para a instalação da Comissão Especial, próxima etapa da Previdência na Câmara, e que é considerada uma fase bem mais difícil do que a CCJ. Só não é mais difícil que a votação no plenário, onde o governo precisará de três quintos dos 512 deputados para garantir a aprovação. Depois disso, o texto ainda irá para o Senado, e começa tudo de novo.

Entre os indicadores, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), mostrou fechamento de 43.196 vagas de emprego em março, no pior resultado para o mês desde março de 2017, quando foram fechadas 63.624 vagas. 

Na política, a pesquisa CNI/Ibope mostrou que o governo Bolsonaro é considerado "ótimo" ou "bom" para 35% dos brasileiros. Segundo o levantamento, 31% dos eleitores consideram o atual governo "regular", ao passo que 27% o classificam como "ruim" ou "péssimo".

A taxa de popularidade de Bolsonaro é a menor de um presidente eleito em primeiro mandato desde a redemocratização. Em período similar de gestão, Dilma Rousseff (PT) tinha governo avaliado positivamente por 56% dos eleitores. Já Luiz Inácio Lula da Silva (PT), contava com taxa de 51%, ao passo que Fernando Henrique Cardoso (PSDB) contava com índice de 41%, 4 pontos percentuais a menos do que Fernando Collor de Mello (ex-PRN).

Entre os juros futuros, o DI para janeiro de 2021 tem alta de um ponto-base a 6,98%, ao passo que o DI para janeiro de 2023 tem variação positiva de três pontos-base a 8,15%. 

Na véspera, o Superior Tribunal de Justiça reduziu a pena do ex-presidente Lula, o que poderá garantir a migração ao regime semiaberto ainda este ano. Enquanto isso, os militares coordenam uma estratégia para amenizar o desconforto entre os integrantes da família Bolsonaro e Mourão.

Bolsas Internacionais

Na Ásia, as bolsas fecharam com sinais mistos. O recente aumento do petróleo pode trazer impacto negativo para a economia do continente, diante das altas quantidades de importações líquidas do produto. Além disso há a preocupação quanto ao governo chinês reduzir medidas de estímulo para se concentrar na redução da sua alavancagem, diante da expansão do PIB acima das expectativas.

O mercado seguirá atento às negociações comerciais entre os Estados Unidos e a China. O representante do comércio dos EUA, Robert Lighthizer, e o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, irão a Pequim para dar sequências às negociações, que até o momento se concentraram em questões como transferência de tecnologia, propriedade intelectual e reformas estruturais.

Na Europa, as bolsas operam predominantemente em baixa no aguardo da safra de resultados corporativos. Mesmo com o resultado acima do esperado do Credit Suisse, que abriu a temporada de balanços dos bancos europeus, a piora no desempenho do índice de sentimento empresarial na Alemanha alerta sobre os riscos da desaceleração do ritmo de crescimento da maior economia europeia. 

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Entre as commodities, o preço do petróleo opera em queda, em meio aos sinais de que os mercados globais continuam abastecidos, mesmo com a pressão de Washington por sanções mais severas ao Irã. O minério de ferro também opera em baixa, diante da expectativa de retomada do aumento da produção no Brasil.

As bolsas norte-americanas operam entre perdas e ganhos. 

Noticiário corporativo

O engenheiro de recursos hídricos da Vale (VALE3) Felipe Rocha disse ontem a diretoria da mineradora tinha conhecimento dos riscos de um possível desabamento da barragem de Brumadinho. Em declaração à CPI no Senado que apura as causas do acidente, ele afirmou que os riscos foram apresentados em um painel de especialistas e em um subcomitê da Vale. Rocha afirmou, entretanto, que não poderia afirmar se as apresentações chegaram ao conhecimento do ex-presidente, Fabio Schvartsman.

A Cielo (CIEL3) registrou um lucro líquido de R$ 548,5 milhões no primeiro trimestre deste ano, cifra 40,4% menor que a registrada no mesmo intervalo do ano passado. O Ebitda recuou 34%, para R$ 1,243 bilhão, enquanto a receita líquida caiu 0,4%, para R$ 2,773 bilhões. O volume financeiro capturado pela empresa com suas maquininhas subiu 3%, para R$ 155,7 bilhões. A empresa informou que projeta um lucro líquido consolidado entre R$ 2,3 bilhões e R$ 2,6 bilhões este ano.

A Via Varejo (VVAR3), controladora das redes Casas Bahia e Ponto Frio, registrou um prejuízo líquido de R$ 49 milhões no primeiro trimestre deste ano, revertendo um lucro apurado de R$ 64 milhões do mesmo período do ano passado. O resultado foi impactado pela menores vendas e margens brutas no período, mesmo com uma redução nas despesas. O Ebitda ajustado recuou 18,2%, somando R$ 521 milhões. A receita líquida recuou 4% e as vendas mesmas lojas caíram 1,9%.

O Carrefour (CRFB3) registrou um crescimento de 9,9% das vendas consolidadas no primeiro trimestre, que somaram R$ 14,2 bilhões. A maior inflação dos alimentos contribuiu para o resultado. As vendas no conceito mesmas lojas cresceram 7,2%, excluindo gasolina e com GMV, o maior nível desde o primeiro trimestre de 2017, afirmou a companhia em relatório preliminar das vendas.

A JBS (JBSS3) informou ontem que realizou por meio de empresas controladas nos EUA reabriu a emissão de três bônus no valor total de US$ 700 milhões. Os recursos da transação e o saldo em caixa serão usados para amortizar um saldo de US$ 1 bilhão do Term Loan da sua controlada JBS USA Lux com vencimento em outubro de 2022.

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 BTOW3 B2W DIGITAL ON 38,11 -2,63 -9,31 12,48M
 UGPA3 ULTRAPAR ON EB 21,96 -2,62 -16,35 12,53M
 TIMP3 TIM PART S/AON 11,78 -2,32 +0,71 4,14M
 MRFG3 MARFRIG ON 7,35 -2,26 +34,62 9,22M
 WEGE3 WEG ON 18,87 -1,97 +8,33 17,41M

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 ESTC3 ESTACIO PARTON 27,56 +2,45 +15,99 13,09M
 CIEL3 CIELO ON 8,55 +2,40 -0,99 76,29M
 VVAR3 VIAVAREJO ON 3,97 +1,02 -9,57 22,44M
 NATU3 NATURA ON 44,09 +0,55 -1,48 9,89M
 LOGG3 LOG COM PROPON 17,65 +0,46 -2,05 529,74K
* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)

 

 

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